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San Pedro de Atacama, Chile (Parte 3): Gêiseres de Tatio ao raiar do sol, e finalmente lhamas!

Continuação de San Pedro de Atacama, Chile (Parte 2): Flamingos andinos e as Lagunas Antiplânicas

Nem sempre onde há fumaça há fogo. Tecnicamente, estamos falando de vapor, mas são verdadeiras as nuvens que emergem da água fervente rumo ao sol enquanto do lado de fora estávamos a -7ºC.

Mairon!“, gritou-me a chilena da recepção quando eu passei, ao que devia ser umas 4:30 da manhã, tudo ainda escuro em San Pedro de Atacama. “Se vista mais“, disse-me ela fazendo gesto de quem põe uma jaqueta e naquele tom quase maternal que algumas moças acham de adotar com todo mundo.

Eu tenho boa tolerância ao frio — como meus velhos amigos de universidade certamente ficarão velhos sem jamais esquecer —, mas -7ºC em pleno verão eu não esperava. Devemos isso à altitude. E eu devo o toque à moça da recepção. (Na verdade, diante daquela temperatura, mesmo a minha jaqueta básica não foi lá tão suficiente.)

Um ônibus turístico meio fubuca levaria 1h e algo na estrada, quando muitos aproveitam para continuar a dormir. (Eu bebi café, e não consegui dormir de novo. Restou-me mirar a nossa guia, uma versão algo mais nova da finada cantora argentina Mercedes Sosa antes de ficar obesa, com suas madeixas indígenas. Biotipo lindo.)

Chegaríamos antes da aurora aos Gêiseres de Tátio, um dos passeios mais impressionantes na região de Atacama. O lugar abre às 6:00, em tempo do espetáculo que é o raiar do dia naquela paisagem rústica. Água fervente fruto de atividade geotérmica se choca com o ambiente frio e lança altas colunas de vapor no ar. 

Não espere as explosões de água que você tem, por exemplo, nos gêiseres da Islândia. Aqui o protagonista é o nascer do sol. Daqui ainda iríamos ver ainda paisagem de rios, um vilarejo pitoresco e — finalmente — lhamas na região. 

Visitantes nos Gêiseres de Tatio, ainda antes do raiar do dia.
Aguardando o nascer do sol no horizonte.
As primeiras luzes naquela paisagem primeva.
E o esplendor do raiar do dia.
As pessoas são, realmente, miúdas no fenômeno.
Quando o sol se levanta — e ele o faz com relativa rapidez —, o frio diminui com pressa. Em questão de 1h a temperatura já estará acima de zero, e daí a subir até fazer calor durante o dia.
Há uma piscina onde é permitido se banhar, mas recomendam ficar não mais que 15 minutos, pois é rica em enxofre e isso pode não ser lá muito bom à saúde. Eu escolhi olhar.
… e tomar um cafezinho, que serviram num desjejum desses improvisados de tour com café solúvel e sanduíche. Veio a calhar.

Cuidado com as fotos nos gêiseres. Eles podem não explodir, mas em 2015 morreu uma senhora belga que foi tirar foto mui audaciosa e caiu dentro do gêiser. 

Você acostuma-se àquela fumaça das águas e, quando pensa que não, é hora de partir. Algumas pessoas esticam demais a discussão sobre se vale a pena ou não vir aqui — é claro que vale, contanto que você aprecie os fenômenos da Terra e não seja feito de açúcar em relação a acordar cedo um dia e passar um pouco de frio. Faz parte da experiência, e se você veio a San Pedro de Atacama, certamente tem essa disposição.

Visitaríamos agora — no mesmo tour — o Povoado de Machuca e o Riacho Putana (adoro esses nomes) para completar a manhã. O sol já subia veloz, algum verde se fazia visível nas colinas, e finalmente encontrei lhamas em Atacama (!).

Quem está aí?
Na nova paisagem, já sem jaqueta pelo calor.
O riacho que traz vida a esta parte do deserto.
Elegante lhama.
As lhamas aqui ficam numa boa. Elas em geral têm todo; não são selvagens, ao contrário das vicunhas. Agregam à atmosfera do lugar.

Completaríamos com uma breve passagem por um vilarejo que faz você se perguntar como as pessoas vivem num lugar tão seco, tão inóspito. Algumas casas vermelhas mui simples, uma pequenina igreja, e na única rua um simpático senhor andino seresteiro que nos brindava com sua música e sua tranquilidade. Vídeo abaixo. 

O vilarejo de Machuca, em Atacama.
No alto da colina, uma igrejinha.
Crucifixo de folhas diante da igreja originalmente erigida em 1933. O aspecto colonial/indígena está por toda parte aqui.
O interior, modesto e decorado.

Na saída, detive-me para escutar o senhor.

Continua em San Pedro de Atacama, Chile (Parte 4): Natureza e paisagens surreais a quase 5.000m de altitude no Salar de Tara

Mairon Giovani
Cidadão do mundo e viajante independente. Gosta de cultura, risadas, e comida bem feita. Não acha que viajar sozinho seja tão assustador quanto costumam imaginar, e se joga com frequência em novos ambientes. Crê que um país deixa de ser um mero lugar no mapa a partir do momento em que você o conhece e vive experiências com as pessoas de lá.

One thought on “San Pedro de Atacama, Chile (Parte 3): Gêiseres de Tatio ao raiar do sol, e finalmente lhamas!

  1. Nossa !…. que lugar instigante… Uauu que belas paisagens aliada à pobreza , originalidade e simplicidade desse povo humilde e forte, diante dessa natureza bravia bela e indomada. Belíssima demonstração de garra e superação de dificuldades. Espetacular.!… Linda a igrejinha. Belas paragens.
    Que maravilha ver o milagre da vida brotar do curso água, com tudo ficando verde ao derredor. Magnifica visao.
    Impressionantes esses gêiseres com seus vapores…. imagino a temperatura naquele torvelinho de fumaça densa e aquecida. uaauu.. Ainda bem que o senhor se absteve de se banhar naquelas águas sulfurosas hahaha. Deus me livre hahaha.
    Bela e sentida canção. Linda manifestação da cultura popular.
    Mas as lindas e elegantes lhamas me cativaram. São uma fofurinha. Amei-as.
    Amei também esse jeito indígena de ser e de viver. Autênticos e integrados à magnifica Cordilheiras e à sua diversidade. Portentosa região. Incrível experiencia.
    Valeu, viajante. Vamos que vamos. Que Venham mais belezas, Viva a natureza!… viva a estupenda Cordilheira!,,, Salve a gente andina.

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