Chile

San Pedro de Atacama, Chile (Parte 4): Natureza e paisagens surreais a quase 5.000m de altitude no Salar de Tara

Continuação de San Pedro de Atacama, Chile (Parte 3): Gêiseres de Tatio ao raiar do sol, e finalmente lhamas!

Não há muitos lugares no mundo tão fotogênicos quanto a região de Atacama, no Chile. Este post conclui a minha breve expedição na parte chilena da região, vindo aqui conhecer o que este deserto reserva. Claramente, muito mais do que secura.

Após visitar o Vale da Lua, as Lagunas Altiplânicas e os Gêiseres de Tatio, ainda baseado em San Pedro de Atacama, o meu tour final seria para mirar de mais perto o Vulcão Licancabur e visitar o Salar de Tara — lugares espetaculares, e que faziam parecer que estes destinos aqui no Atacama só ficavam cada vez melhores. Você pensava que já tinha visto o mais bonito, aí vinha outro superior. É impressionante. Você sai daqui desta região com um respeito ainda maior pelo planeta Terra.

O nosso guia e motorista foi Daniel, um divertidíssimo rapaz chileno, desses sempre animados, e que já havia feito passeios bastantes com brasileiros para aprender a falar um português espanholizado. Quando se metia a cantar Wesley Safadão era o mais divertido. Rolava os braços enquanto se empolgava gingando no “Hoje eu tô sensacional” — ao volante. Mas se estou lhes escrevendo este relato, é porque terminamos inteiros.

Tomamos a estrada de manhã rumo ao Vulcão Licancabur, aquele ali. Eu fui na carona.
Fomos saudados por uma imperiosa lhama na estrada, vista do carro.
As vistas são surreais. Às vezes parece papel de parede de computador, mas ali diante dos seus olhos. Um mar de amarelo ouro que não são os girassóis da Rússia, mas as gramíneas do Atacama.

Subimos. Continuamos rumo ao alto, e já passados dos 4.500m de altitude não há mais quase nada além de rochas no chão. Paramos ao mirante da montanha.

O Vulcão Licancabur com seus 5.920m, lá no horizonte.
Uma vista panorâmica de onde estávamos.
Eu naquela paisagem. (Hoje em espírito de Valar Morghulis, aos que reconhecerem a camisa. Da série de livros que originou Game of Thrones, significa “todos os homens devem morrer”, o que eu aqui estou reinterpretando para lembrar que aproveitar a vida é preciso.)

É um grande e belo mundo aqui fora. Não devemos passar sem conhecê-lo.

Neste caso, é um recanto desértico e elevado do mundo. Um lugar onde apenas algumas breves manifestações de água dão chance à vida.

Um breve oásis, por assim dizer, naquela aridez vermelha.
Certa hora, medimos e estávamos para além dos 4.800m de altitude!

A cabeça não achava aquilo muito engraçado, o ar era rarefeito, mas os olhos estavam encantados. 

Estamos numa parte inóspita — mas bela — do planeta Terra.
Vicunha sob a nuvem. Elas são adaptadas a estas elevações.
Pessoa sob as nuvens, na imensidão. Uma de nossas colegas no tour.

Chegamos ao que se chama de Monjes de la Pacana, um lugar com rochas que — aos de imaginação mais fértil — lembram monges no deserto.

Os monges.
E aquele é o Guardião, de 18m de altura, fruto da erosão das rochas pelo tempo.

Aqui já estávamos nas proximidades do Salar de Tara, uma vastidão com breves lagoas salgadas que nós vimos primeiramente do alto, por cima, para depois descer.

Esses lugares se formam ao longo de milênios. A água existente — de fontes subterrâneas ou geleiras — evapora-se na aridez do lugar e ficam os sais acumulados com o tempo. Já o vento trata de erodir as rochas.

Pronto. Espero que gostem. É o que tem.“, disse nosso guia Daniel em falsa modéstia jocosa quando estacionamos o carro. (O lugar é embasbacante.)

Vista do alto para o Salar de Tara.
Naquela paisagem.
Vista panorâmica lá do alto.
O horizonte aqui é sui generis.

Descendo, você vê mais de perto as rochas daqueles penhascos — chamadas aqui de as Catedrais de Tara — e também as lagoas hipersalinas com seus audazes flamingos.

As Catedrais de Tara, como são chamadas aquelas formações rochosas, agora vistas de baixo.
Na vastidão. Note o tamanhico das pessoas lá atrás.
Nas lagoas.
Parece que você acabou de chegar numa missão espacial a um planeta remoto.
Flamingos em algumas partes do Salar de Tara, para lembrar-lhes de que estamos no planeta Terra.

Assim terminávamos o nosso passeio, e assim eu termino esta minha expedição na parte chilena da região de Atacama. 

Tivemos ainda um almoço, incluído no tour, ao que uma garota argentina agregou um vinho que ela própria havia trazido. Não sei se era seu aniversário ou algo. Sei que seu brinde foi daqueles de que a gente não se esquece.

Salud. Alegría. Amor. Y buenas decisiones.

Volto com vocês a seguir adentrando pela Bolívia, a conhecer o que há do lado de lá da inventada fronteira.

Mairon Giovani
Cidadão do mundo e viajante independente. Gosta de cultura, risadas, e comida bem feita. Não acha que viajar sozinho seja tão assustador quanto costumam imaginar, e se joga com frequência em novos ambientes. Crê que um país deixa de ser um mero lugar no mapa a partir do momento em que você o conhece e vive experiências com as pessoas de lá.

One Reply to “San Pedro de Atacama, Chile (Parte 4): Natureza e paisagens surreais a quase 5.000m de altitude no Salar de Tara

  1. Uuuuuuuuu que maravilha…Indescritível a beleza , incríveis sensações despertam essas paisagens espetaculares e inóspitas, quase intocadas. Que belo céu de puríssimo azul, que maravilha de vegetação, o tom dourado é magnifico. Que belas águas, que relevo impressionante e espetaculares formações rochosas. Um primor. Maravilha esse belo vulcão. Imponente e portentoso. Eita natureza insuspeitada e magnifica, meu jovem amigo viajante. Parece de outro planeta, diria a minha querida mamma. As cores e as paisagem enchem os olhos!…e alegram o coração. Maravilhosa região, belíssimo passeio e linda postagem. Tem razão, cada local mais bonito que outro. Um luxo de beleza natural. Obrigada pelo brinde. Amei a postagem e a beleza natural da região. Adoro regiões indomadas e belas. Impressionante essa altitude!… Uuuuu
    Q que impressionante extensão que vai até aonde a vista alcança!… E como o ser humano que se acha o Ó do borogodó toma o seu tamanho real diante da natureza soberba, portentosa e magnifica.
    Salve a Naturaleza e suas manifestações magnificas. Viva a querida latinoamerica. Valeu, amigo, Que venham mais belezas. Viajar é preciso. Valeu viajante. que venham mais belezas

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