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Paisagens andinas, lhamas e hotel de sal: Segundo dia do tour ao Salar de Uyuni

Continuação de:

Dormimos no que eu chamaria de uma maloca de cimento após o primeiro dia do tour ao Salar de Uyuni. As casas bolivianas são notoriamente básicas, não-acabadas, aquelas construções apenas de cimento, tijolo, e vidros nas janelas. Um tanto apertadas e cheias de gente, mas é a realidade socioeconômica do lugar. Ninguém espere grandes confortos — nem calefação para as noites frias daqui.

Mas o dia prometia mais paisagens neste pitoresco altiplano boliviano, com suas lhamas e cânions, e é isso que me trazia.

Lhamas aqui no Altiplano boliviano, uma mãe e seu filhote.
As casas do lugar onde ficamos na primeira noite.
Quarto mui simples, que dividi com os chineses.
Gente adorável. Garotinha boliviana com seu chapéu.

Começava o segundo dia. Tomamos um café da manhã basiquíssimo e café solúvel com pão e manteiga, e seguimos de carro para ver as formações rochosas do lugar.

A paisagem daqui.
Nos detivemos para ver essas rochas esculpidas pelo vento.
E seguimos adiante para onde lhamas passeavam. Ali o elegante filhote. As lhamas estão “etiquetadas” porque não são selvagens, são criadas pelas comunidades próximas e deixadas aqui para pastar livres.
A região como um todo é muito seca, mas quase sempre onde há fontes de água doce você vê alguma vegetação breve e os animais se concentrando ali.
Apesar da fama de cuspir (e elas de fato cospem se perturbadas), as lhamas aqui estavam gentis. Elas só não deixam você se aproximar muito. Apertam o passo e se afastam.
Vida boooooa!
A vista aqui.

Caminhar até o alto, saltar de uma pedra para outra… você se sente praticamente uma cabra da montanha. Ou uma lhama neste ambiente andino. É uma beleza percebê-las soltas nesta vastidão.

O sol já subia alto no céu, assim como se elevava a temperatura. O calor daqui queima, mas antes de almoçar ainda iríamos a um vale, um cânion, onde pudemos observar um rio verde serpentear. Lembrou-me um pouco cenário de O Último dos Moicanos, guardadas as diferenças.

Cânion seco por onde passamos.
Lá embaixo, um riacho verde serpenteava.
A vista mais ao longe…
… e mais ao fundo.

O calor já estava hediondo quando nós paramos para almoçar.

Os almoços neste tour foram completamente indignos de nota, como minhas refeições em geral na Bolívia. (Vocês podem estar até estranhando meu silêncio quanto à alimentação, eu que costumo postar foto de comida.) Não houve nada merecedor de menção. Macarrão com molho de tomate de lata fervido sem tempero, arroz branco com salsichas fritas no óleo… é uma pobreza gastronômica sem nome.

Não ache que, porque está nos Andes, vai comer quínoa com milho colorido ou outros alimentos tradicionais. Talvez até encontre, mas não é a norma nos estabelecimentos comerciais, nem onde os visitantes são acomodados. É mesmo comida moderna mal-temperada, sem gosto e rica em carboidrato e óleo. Se você teve uma experiência melhor, dê-se por feliz.

A mim, os bolivianos parecem já ter em grande parte perdido sua cultura alimentar tradicional e estar ainda um pouco atrapalhados com a cultura alimentar industrial, de supermercado.

Veem aquelas linhas lá na encosta? São do tempo dos incas, de séculos atrás. Pequeninos muros dividindo campos onde, quiçá, se plantavam alimentos.
Vilarejo boliviano por onde passamos neste dia.

Numa bodega no meio da poeira, e em harmonia com esse ar de decadência do lugar, paramos para experimentar cerveja de quínoa e cerveja de folha de coca.

Trens velhos abandonados.
Há um ambiente geral de Velho Oeste, só que boliviano e aqui na América do Sul.
O bar, com turistas.
Cervejas regionais, de quínoa, de folha de coca e outros sabores. Experimentei, e não sei se o sabor existia mesmo ou se era placebo pela minha imaginação.

Daqui seguiríamos a nos instalar num hotel de sal onde passaríamos a segunda noite. Sim, uma das partes famosas deste tour é hospedar-se num hotel feito de sal. Tem mesmo um revestimento de sal por cima dos tijolos — eu, como muitos outros turistas, provei — mas não é nada Oh meus Deus! Que coisa fantástica!. Dali a pouco você nem lembra mais que tem sal no hotel.

O interior tem revestimento de sal por cima dos tijolos.
“Tudo” é feito de sal, ou pelo menos com sal.

Como ainda era tardinha, pus-me uma xícara de chá de coca e saí a caminhar pelo exterior. Fui dar uma volta para absorver o lugar.

O lugar.
“Capital da Harmonia.”
Fui parado pelo fiscal.

Na manhã seguinte, sim, veríamos sal, muito sal. Chegaríamos finalmente ao Salar de Uyuni. Vejo vocês lá.

Continua em: Surrealismo branco: Visitando o Salar de Uyuni na Bolívia

Mairon Giovani
Cidadão do mundo e viajante independente. Gosta de cultura, risadas, e comida bem feita. Não acha que viajar sozinho seja tão assustador quanto costumam imaginar, e se joga com frequência em novos ambientes. Crê que um país deixa de ser um mero lugar no mapa a partir do momento em que você o conhece e vive experiências com as pessoas de lá.

4 thoughts on “Paisagens andinas, lhamas e hotel de sal: Segundo dia do tour ao Salar de Uyuni

  1. Vilgen que lugar seco, mas parece o Colorado. Achei bem bonitinho o riozinho verde, e bem charmoso o relevo. As rochas modeladas pelo vento são muito bonitas. A vastidão da região é impressionante, e a pobreza parece mesmo dominar tudo e todos. Impressionante a região. Deus me livre desses hotéis de sal Arremaria hahah Muito triste a pobreza
    O meu coração se encantou mesmo foi pelas lhamas com seus filhotes. Lindinha. Elegantes, charmosas e lindas. Porem não se pode esquecer que há necessidade de uma certa distancia e de não as incomodar para evitar as homéricas cusparadas hahah. Lembro daquela cusparada registrada em uma postagem do jovem viajante quando conta uma visita a um local em que havia alguns animais da familia dos camelídeos e achei um horror hahaha Deus me livre haha. Mas que são lindos isso são. Adorei.
    Interessante o lugar mas muito desértico o clima e muito quente para o meu gosto . hahah Corajoso o viajante. Valeu.

  2. Uma pergunta: o nome dessa menina que você tirou foto era Mili? Quando fiz essa viagem provavelmente estive no mesmo hotel de sal que você, e tinha uma garota com esse nome que era filha dos administradores do hotel

      1. Ela era bem pequena quando fiz o passeio em setembro de 2014. Por volta de 2016 ou 2017 vi outra foto da mesma menina (me confirmaram que era a Mili) no relato de outro viajante em um blog. E agora com você. Praticamente estou acompanhando o crescimento dela a distância hahahha!

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