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DICAS de San Pedro de Atacama e tours (com Salar de Uyuni na Bolívia)

A região dos Andes entre o Deserto de Atacama (no Chile) e o Altiplano boliviano é uma só. A fronteira entre Chile e Bolívia nada mais é que um artifício humano, uma barreira imaginária numa natureza que é a mesma de um lado de do outro: uma natureza inóspita, bela, exótica e impressionante aos seus 3.000-6.000 mil metros de altitude.

Passei cerca de uma semana entre San Pedro de Atacama, fazendo tours a partir de lá, e o roteiro do Salar de Uyuni na Bolívia. Foi uma viagem só, cujo balanço final vai aqui abaixo. Embora sejam dois países, estes lugares se encaixam melhor juntos do que em roteiros a outras partes dos dois respectivos países (como as distantes Santiago ou La Paz). Então as dicas também vão aqui juntas a quem pretende vir conhecer de perto esta região magnífica do planeta — tão pertinho do Brasil. 


  • O que mais gostou. As vistas, de um modo geral, são espetaculares. Este é um roteiro essencialmente de paisagens e natureza.
  • Visita obrigatória. O Salar de Uyuni, com sua imensidão branca, é um dos lugares mais impressionantes de todo o planeta. E, na parte chilena, as Lagunas Altiplânicas com seus flamingos e o Salar de Tara.
  • O que não gostou. Os altos preços, especialmente de hospedagem e alimentação, em San Pedro de Atacama, e da comida insossa na Bolívia.
  • Queria ter visto mas não viu. Cogitei ir às Piedras Rojas no Atacama, mas não deu.
  • Comes & bebes a experimentar. Muito pouco a declarar neste aspecto. Experimente as empanadas no Chile, e experimente as cervejas de quínoa e de folha de coca na Bolívia, mas não há nada digno de “Wow!!” neste tema aqui. (Só se certifique de tomar bastante chá de coca para tolerar melhor a elevada altitude.)
  • Momento mais memorável da visita. Ver-me caminhando contra o forte vento, pelos pedregulhos cinzentos que pareciam do espaço sideral, diante da surreal Lagoa Vermelha (Laguna Colorada) na Bolívia. Não esquecerei. 
  • Alguma decepção. San Pedro de Atacama propriamente dita é uma cidadezinha cara e chinfrim que vive de vender tours. Não há muito o que fazer aqui nela própria, nem ela é uma daquelas cidadezinhas gostosas de você ficar. Pela fama, esperava mais, mas é basicamente um hub de onde partir em um tour atrás do outro.
  • Maior surpresa. As lagoas coloridas no lado boliviano — laguna verde, laguna celeste, e laguna colorada. Ao contrário do Salar de Uyuni, essas eu nunca havia visto por foto e sequer sabia que existiam. Foram uma surpresa maravilhosa.

PRINCIPAIS DICAS

Clima, quando vir & melhor época. Atacama é o lugar mais seco do mundo. Quase não há chuvas aqui, exceto algo entre dezembro e fevereiro que pode afetar mais o lado boliviano — com alguns temporais e nuvens — que o lado chileno. É uma faca de dois gumes, pois pode ser positivo para ver os maravilhosos reflexos do céu na água acumulada da chuva no Salar de Uyuni. 

A escolha da época acaba sendo mais definida por sua disponibilidade e desejo de estar na ou fora da alta estação. Dez-Fev e Jul-Ago são épocas de férias pela América do Sul, então há mais turistas. Se quiser menos pessoas, evite esses meses. Eu fui em janeiro, e embora tenha bastante gente, não é nada do outro mundo.

Penúria em San Pedro. Calor demais para vestir a jaqueta, mas o sol queimava.

Em qualquer época, traga roupas tanto de frio quanto de calor. A amplitude térmica é imensa, variando de 0 grau (ou temperaturas negativas em alguns passeios, como aos Gêiseres de Tatio) à noite e 30+ graus durante o dia, com uma radiação solar bastante forte devido à altitude. Protetor vai vir a calhar mesmo para quem normalmente o dispensa. Recomendo roupas frescas de manga comprida e algo fresco para a cabeça (roupa de deserto mesmo).

(Beba bastante água e prepare-se para possíveis dores de cabeça devido à elevação. Faz parte do pacote.)

Visto e fronteiras. Brasileiros não necessitam de visto para Chile ou Bolívia. É possível visitar só com a carteira de identidade (RG), mas apenas se ela estiver em boa condição e tiver sido emitida há menos de 10 anos. Eu optei pelo passaporte para evitar possíveis firulas. 

Caso faça o tour para o Salar de Uyuni partindo e retornando a San Pedro de Atacama, pode haver uma cobrança de 15 bolivianos pelas autoridades imigratórias da Bolívia na saída. Está longe de ser o único caso de cobrança de uma taxa de saída (exit fee) mundo afora, mas há todo um debate se isso na Bolívia é legalizado ou malandragem. Eu paguei porque me cobraram e a minha paciência vale mais que o equivalente a R$ 8, mas há quem sugira contestar, etc. Seja qual for a sua escolha, esteja preparado para a possível cobrança ao sair. 

Boliviano, a moeda da Bolívia. Desde 2014, em média 1 real = 2 bolivianos, mas verifique a cotação exata antes de viajar.

Câmbio & Dinheiro. O padrão é trazer dólares americanos. Já vi alguém fazendo contas e sugerindo que, a depender de por quanto você comprou os seus dólares, pode mais valer a pena trazer reais diretamente e fazer uma conversão só. Não sei ao certo. Reais, de fato, são trocados aqui com facilidade.

No centro de San Pedro de Atacama você verá uma série de casas de câmbio com cotações quase idênticas e bem melhores que as do aeroporto de Santiago, tanto para real quanto para dólar. Não vou dar números exatos pois as cotações flutuam. A cotação que menos flutua aqui é aquela entre bolivianos (a moeda da Bolívia) e pesos chilenos. Via de regra, aproximando, 1 boliviano = 100 pesos chilenos. (Não é que a moeda boliviana seja “mais forte”, simplesmente a chilena tem mais números.)

Caso você faça o tour ao Salar de Uyuni, compre bolivianos aqui de antemão, pois durante o tour na Bolívia você precisará ter dinheiro de lá em espécie (detalhes em Custos mais abaixo) e você praticamente não passará por áreas urbanas com casas de câmbio antes do terceiro dia do tour.

Custos, Transportes & Acomodações. Vamos à parte que a gente mais gosta: os custos. Como o método padrão é instalar-se em San Pedro de Atacama e fazer tours bate-e-volta, os custos se dividem em três partes: (1) Chegar até aqui; (2) Custos de estadia em San Pedro; e (3) os preços dos tours.

:: Parte 1: Chegar :: 

Para chegar até aqui, há quem venha dirigindo desde o Brasil, mas o clássico é vir de avião a Santiago e de lá até Calama, a 100Km de San Pedro de Atacama (que não tem aeroporto próprio), e de onde partem transfers frequentes que o deixam na sua acomodação. Você não precisa reservar o transfer de antemão se não quiser: haverá vários no aeroporto abordando os passageiros que desembarcam. O preço é mais ou menos padrão e fixado em 12.000 pesos [R$ 70] só de ida ou 20.000 pesos [R$115] ida e volta, que você pode comprar se tiver voo saindo daqui depois.

A empresa mais barata a realizar os voos Santiago-Calama é a Sky Airline. Ouvi dizer que é boa o bastante, mas acabei voando pela LATAM porque os horários me eram melhores. Pesquise os horários e preços no site de sua preferência (Google Voos, Skyscanner, Decolar…).

:: Parte 2: Custos diários ::

San Pedro de Atacama tem das maiores densidades de acomodação turística em todo o mundo — centenas numa cidadezita de poucos mil habitantes, e para todos os orçamentos. Uma cama em dormitório num albergue bom sai por cerca de USD 25/noite, e quartos privativos começam a partir do dobro disso. Não é barato — é mais caro que alguns países da Europa —, mas é o preço. 

Hostal Mamatierra, onde me hospedei em San Pedro. Gostei.

Alimentação diária também não será exatamente barata. Um cachorro-quente pode lhe custar 3.000 pesos (R$17). Os restaurantes cobram em geral um preço razoável de 5.000-6.000 (R$ 30-35) pesos por refeição simples, quase 10 dólares, mas a lata de refrigerante sai a 1.500 (R$ 9) e vc quiser um suco, sai 2.000-3.000 pesos (R$ 12-17) ou mais.

Se a sua ideia é economizar, experimente os refeitórios menos turísticos do outro lado do mercado. É onde o povão come. O Cocineria Tchiuchi é uma recomendação.

Seu gasto diário será basicamente hospedagem e comida. Na cidade, tudo se faz a pé. Exceto, é claro, os tours, e é aí que estão os maiores gastos.

:: Parte 3: Tours ::

Agências vendendo tours estão às dezenas nas ruas de San Pedro, gritando aos turistas que passam.

Não há nenhuma necessidade de agendar tours antes de chegar a San Pedro de Atacama. Uma vez na cidade, é fácil se juntar aos passeios até no mesmo dia (ainda que, no caso daqueles que partem pela manhã, melhor é reservar até o dia anterior). Cada qual tem seu custo (a depender de distância, duração, etc.), e costumam incluir as refeições. Em alguns casos, há entradas para pagar à parte.

Na foto abaixo você vê os principais tours que saem de San Pedro de Atacama (todos de ir e voltar no mesmo dia) com o preço oficial e, depois, o preço “chorado”, com desconto. Não quer dizer que seja o mínimo — pode haver gente mais chorona que eu —, mas cuidado também porque se for barato demais, pode ser um sinal de baixa qualidade do serviço.

Preços dos tours de San Pedro de Atacama com horários e preços em pesos chilenos. Em caneta azul estão os preços chorados que consegui, já com desconto. Os números que você vê em vermelho no círculo são a sequência que eu fiz; é o recomendado, pois vai gradativamente elevando a altitude e dando tempo para você se aclimatar mais antes de dir direto para um lugar de 5.000m.

(Mais abaixo eu comento sobre os mais populares, os que fiz, e quais acho que vale mais a pena.)

Quanto ao tour para o Salar de Uyuni, este é melhor reservar assim que chegar. Também estamos falando de um tour com “tudo” incluso — acomodação, alimentação, transporte, etc. — exceto algumas entradas que você precisa pagar por fora. O preço deste tour varia mais que os tours de 1 dia no Chile. Estamos falando de 3 dias/2 noites se for ficar em Uyuni, ou 4 dias/3 noites caso você queira retornar a San Pedro de Atacama.

Eu fiz o tour ao Salar de Uyuni com a empresa Cruz Andina. É das melhor avaliadas, e eu me satisfiz. Claro que as condições de estadia são básicas, mas não passei por nenhum dos perrengues ou desprazeres que às vezes leio as pessoas relatarem na internet. Sai por 110.000-140.000 pesos chilenos (R$ 625-800), que você pode pagar em dólares se preferir. Mais vale investir um pouco que correr o risco de entrar numa fria. (Se seu grupo tiver várias pessoas, dá pra pedir um desconto maior.)

Afora o preço do próprio tour, você precisará de 150 bolivianos (R$ 80) para pagar a entrada no parque nacional — a extensa área natural onde o tour se dá —, 10 bolivianos cada vez que quiser tomar banho quente, os 15 bolivianos que possivelmente terá que pagar à saída do país, 20 bolivianos se quiser (e puder) visitar a Isla Incahuasi no Salar de Uyuni, e o que mais você quiser comprar de bebidas ou lembrancinhas. Café da manhã, almoço e jantar já estão inclusos no preço do tour. Adquira os bolivianos antes de sair de San Pedro.

Tour às Lagunas Altiplânicas.

Quais tours valem mais a pena, e de quanto tempo preciso? Eu recomendo 4 noites em San Pedro de Atacama, mais as 3 noites no tour ao Salar de Uyuni, mais 1 noite em San Pedro de Atacama para quando chegar. (Nunca se sabe se haverá algum atraso, então melhor não ter que ir corrido para o aeroporto.) Total de 8 noites na região, o que achei ideal.

No Chile, meus favoritos foram o tour às Lagunas Altiplânicas — onde você vê flamingos, vicunhas, e belas lagoas de altitude — e o tour ao Salar de Tara, talvez o mais rústico e das vistas mais impressionantes aqui. (Os detalhes estão todos nos respectivos relatos, que você acessa clicando nos nomes.)

Também fiz e recomendo os tours aos Gêiseres de Tatio e ao Vale da Lua. Pelo que conversei com outros turistas, estes quatro são mesmo os mais populares, embora haja outros. (Por mais que seja tudo lindo, depois de uns dias começa a cansar um pouco, então cuidado antes de achar que vai fazer todos os tours.)

O tour ao Salar de Uyuni está recomendadíssimo. Estou muito contente de tê-lo feito, pois é mais fácil fazê-lo daqui — combinado com os tours no Atacama — que a partir das maiores cidades bolivianas. Ele sai mais barato se você o comprar em Uyuni, mas daí a chegar a Uyuni… só mesmo se você tiver bastante tempo e quiser passar o pente-fino em detalhes no interior andino.

Como cheguei a comentar em detalhes nos meus relatos, o tour ao Salar de Uyuni não é “só” o salar. Você só realmente chega lá ao terceiro dia, e antes disso vê as belas lagoas coloridas do Altiplano boliviano e outras lindas paisagens.

O Salar de Uyuni, imensidão branca de sal.
A impressionante Lagoa Vermelha, no Altiplano boliviano.
Laguna Celeste.

As refeições durante o tour são básicas (macarrão com molho de tomate, frango com batatas, arroz com salsichas fritas, etc.), o guia costuma ser o mesmo motorista, e a qualidade das acomodações é simples. Afora o hotel de sal na 2a noite, a 1a e a 3a são em pousadas familiares bem básicas, com quartos pouco espaçosos e com várias camas. Chão de cimento, banheiro sem papel higiênico, essas coisas. É possível pedir quartos privativos (um casal no meu grupo fez isso) se você negociar o preço na agência.

Folhas de coca em San Pedro de Atacama.

Compras. Por fim, àqueles inclinados a procurar uma lembrancinha ou coisa típica, aviso-lhes que tudo é muito mais barato na Bolívia que em San Pedro de Atacama. Como me disse de forma muito candente um boliviano que encontrei trabalhando no Chile, “Os chilenos mataram quase todas as populações tradicionais, então não há muita cultura própria restante aqui na região de Atacama. Quase tudo, todos os produtos e vendedores, são bolivianos ou peruanos.

Do chá de coca aos artesanatos você encontra no mercado de San Pedro, mas se for a Uyuni, deixe para comprar as mesmas coisas lá no tour. 

Mercado de artesanias em San Pedro. Tem bastante coisa, quase tudo produtos peruanos ou bolivianos que você encontra mais barato naqueles países.

Se você ficou com alguma dúvida, quer algum toque, ou tem alguma pergunta que eu não respondi, é só pôr abaixo nos comentários.

Mairon Giovani
Cidadão do mundo e viajante independente. Gosta de cultura, risadas, e comida bem feita. Não acha que viajar sozinho seja tão assustador quanto costumam imaginar, e se joga com frequência em novos ambientes. Crê que um país deixa de ser um mero lugar no mapa a partir do momento em que você o conhece e vive experiências com as pessoas de lá.

4 thoughts on “DICAS de San Pedro de Atacama e tours (com Salar de Uyuni na Bolívia)

  1. essas lagunas coloridas são fantásticas, Belíssimos os reflexos e o prisma de cores que elas refletem. Maravilhosas. Nao se sabe qual a mais bela, Todas lindas. Amei todas mas a mais rosada e a azulada me pareceram as que mais chamam a atenção.
    E que horror essa amplitude térmica bem deserto.

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