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Patagônia chilena: Dicas, custos, lugares para ver, e o que fazer

A Patagônia, no extremo sul da América do Sul, é dos lugares mais exóticos, remotos e lindos do planeta. Dividida formalmente entre o lado argentino (Ushuaia, Perito Moreno, etc.) e o lado chileno, vale certamente a pena ver os dois. Este post compila uma semana de viagem que fiz pelo lado chileno da Patagônia, passando pelo famoso parque Torres del Paine e outros lugares. Primeiro o balanço, e em seguida as dicas.


  • O que mais gostou. As lindas paisagens, com água azul-clara vinda das geleiras, impressionantes glaciares, e montanhas que parecem de filme.
  • Visita obrigatória. O Parque Nacional Torres del Paine. Ele é o carro-chefe da Patagônia chilena.
  • O que não gostou. Os altíssimos preços. Venha disposto a gastar dinheiro. Para a maioria dos passeios não há opção “budget”. (O vento forte às vezes incomoda um pouco também, mas c’est la vie.)
  • Queria ter visto mas não viu. Pinguins na Isla Magdalena. No dia que eu programei pra ir, o barco não saiu.
  • Comes & bebes a experimentar. Centolla, o caranguejo-gigante usado muito aqui na culinária local. E calafate sour, a versão patagônica do famoso coquetel pisco sour.
  • Momento mais memorável da visita. Mirar as montanhas cuernos del paine enquanto as nuvens faziam revolução no céu e movimentavam as águas claras no Parque Nacional Torres del Paine.
  • Alguma decepção. Que o tour “full day” no Torres del Paine o levem a um mirante que é distante demais e não permite que você veja realmente bem as emblemáticas torres. 
  • Maior surpresa. Puerto Natales ser uma cidade tão pacata, residencial, e pouco badalada. Dada a fama mundial da Patagônia como destino turístico, imaginei que a cidade seria mais movimentada, mas não é.

PRINCIPAIS DICAS

Vista para os Cuernos del Paine.

Clima, quando vir & melhor época. Nunca faz calor na Patagônia. Passa-se de um inverno escuro e bem frio no meio do ano a um verão que continua ventoso e frio (10ºC) nos meses de dezembro a fevereiro, mas com dias mais longos e sol. Portanto, venha sempre agasalhado e preparado para tomar muito vento.

A alta estação aqui não chega a ser inundada de turistas, então venha sem esse medo. E lembre-se de que muitas atrações (parques nacionais etc.) estão fechadas ao público entre maio e outubro, portanto novembro a março acaba sendo mesmo a melhor época para vir aqui.  

A LATAM opera quase todos os voos entre Santiago e Punta Arenas.

Visto, fronteiras, e rotas de voo. Brasileiros não necessitam de visto para o Chile, como tampouco para a Argentina caso você queira cruzar a fronteira para visitar as atrações do lado de lá dos Andes, como El Calafate e o glaciar Perito Moreno.

Você pode viajar apenas com a carteira de identidade (RG) brasileira, se não quiser levar o passaporte. Mas certifique-se de que ela esteja em boa condição e tenha sido emitida há menos de 10 anos.

Quanto a rotas de voo, o melhor é voar para Punta Arenas, a maior cidade da Patagônia chilena. Puerto Natales, mais perto das atrações principais, tem seu próprio aeroporto mas uma oferta bem menor de voos, e em geral muito mais caros. Vale mais a pena voar a Punta Arenas e de lá tomar um ônibus depois. (São 3h de ônibus de uma cidade a outra.)

A nota de 1000 pesos chilenos traz as Torres del Paine no verso.

Câmbio & Dinheiro. Não é incomum que acomodações e tours no Chile às vezes sejam cotados em dólares americanos. Geralmente, você pode pagar em qualquer uma das duas moedas.

Há casas de câmbio em Punta Arenas e Puerto Natales, mas são poucas, e funcionando basicamente em horário comercial. Não espere um bafafá de turismo como ocorre em San Pedro de Atacama.

Transportes entre aeroportos e cidades. A agência Fin del Mundo opera transfers de e para o aeroporto de Punta Arenas à cidade por 5.000 pesos chilenos. Um táxi custa na faixa de 10.000 pesos. Você pode inclusive reservar de antemão e eles o pegam na sua acomodação. Alguns chilenos ficaram pondo pilha, dizendo que eu não deveria confiar demais, mas o transfer veio me buscar às 4h da manhã sem problema.

Dentro de Punta Arenas, tudo se faz a pé, assim como em Puerto Natales. Já entre uma e outra (3h de viagem de ônibus), há várias saídas de ônibus por dia. Você pode comprar no dia anterior se quiser garantir. É um pouco como no Brasil. As rodoviárias de ambas as cidades ficam no centro. Nestes sites da Bus Sur ou da Buses Fernández, por exemplo, você encontra tabelas de horários.

Note que, se quiser ir de Puerto Natales direto ao aeroporto de Punta Arenas, o ônibus passa lá. Você não precisa ir até o centro de Punta Arenas e depois tomar outro transporte.

A rodoviária de Puerto Natales. Pequena, mas aconchegante.

Acomodações. Como sempre, há acomodações para todos os orçamentos. Mas também como em todo o Chile, os preços não são dos mais camaradas. Uma cama em dormitório de albergue aqui custa em torno de USD 20/noite.

Tours & Lugares para ver. Na Patagônia você pode ter certa liberdade para circular a seu gosto de for fazer trilhas (trekking) de vários dias no Torres del Paine. No mais, precisará contratar transporte ou tour para levá-lo aos lugares (glaciares, ilhas, etc.). Pense que muito provavelmente esta será uma viagem de muitos day tours, uma viagem bate-e-volta seguida de outra.

Estátua do navegador português Fernão de Magalhães, no centro de Punta Arenas. A cidade, embora bastante residencial, tem atrações históricas sobre os indígenas nativos da Patagônia e a colonização.

A começar pelas cidades, tanto Punta Arenas quanto Puerto Natales são lugares pacatos, com algumas poucas atrações que você vê num dia em cada. Nos respectivos posts nos links você vê os detalhes. 

Mas o número de noites em cada uma delas vai depender de quantos tours você quer fazer. De Punta Arenas, por exemplo, é possível fazer o passeio à Isla Magdalena para ver pinguins. São 2h de viagem frequentemente sacolejantes, mas nem sempre o ferry sai, por questões de segurança devido às condições instáveis do tempo. Custa mais de USD 100/pessoa, mas é uma opção que algumas pessoas dizem que vale a pena. No dia em que eu estava lá, o ferry não saiu e eu acabei não conseguindo fazer o passeio.

Já de Puerto Natales você tem bem mais coisas.

(1) O passeio de barco pelo fiorde Última Esperanza e para os glaciares Balmaceda e Serrano é bem bonito, se você estiver disposto a pagar os 90.000 pesos (USD 135) por pessoa com almoço incluído.

(2) Você pode também fazer um passeio bate-e-volta até o lado argentino para ver o espetacular glaciar Perito Moreno, sem precisar pernoitar em El Calafate lá no país de Maradona. Paguei 65.000 pesos chilenos (uns USD 100), sem a entrada no parque (uns USD 20) nem almoço incluído. Vi opções mais caras que incluíam almoço, mas não achei que valesse a pena.

(3) E, o mais importante de tudo, você de Puerto Natales estará a 1h de viagem do Parque Nacional Torres del Paine, a maior “jóia da coroa” da Patagônia chilena.

Vista para os chamados Cuernos del Paine.

Torres del Paine é um parque nacional bastante extenso e que você pode visitar de várias maneiras. Os fãs de trilha estarão interessados nas rotas chamadas de W (4 dias) e Q (7 dias), chamadas assim pelo desenho que formam no mapa. O Q inclui o W e mais. Estes só são permitidos, entretanto, a quem tiver feito reserva num dos “refúgios” ou acomodações dentro do parque (reserve com bastante antecedência, e se prepare pare gastar um certo dinheiro).

Para quem não puder ou quiser fazer tudo isso, há a trilha de 1 dia (8h de caminhada) até a base das torres (as três montanhas que dão nome ao parque), e há o chamado “full day” por 35.000 pesos (USD 50), tour de carro que eu detalhei neste post. Você acaba vendo as torres propriamente ditas somente de bem longe, mas em compensação é levado confortavelmente a muitas outras áreas distantes e lindas do parque, como as montanhas Cuernos del Paine, o Lago Grey, cataratas, entre outros. Muita gente faz as duas coisas: a trilha de 1 dia e o passeio de carro.

Então, ainda que você não faça trilha de vários dias no Torres del Paine, vale a pena considerar umas 3 ou 4 noites para aproveitar bastante o que há na região de Puerto Natales. A entrada no parque em si custa 11.000 pesos (maio-setembro) ou 21.000 pesos (outubro-fevereiro) para nós estrangeiros. Se você morar no Chile, veja se não há desconto.

Vista para o glaciar Balmaceda, próximo a Puerto Natales. 

Se você ficou com alguma dúvida, quer algum toque, ou tem alguma pergunta que eu não respondi, é só pôr abaixo nos comentários.

Mairon Giovani
Cidadão do mundo e viajante independente. Gosta de cultura, risadas, e comida bem feita. Não acha que viajar sozinho seja tão assustador quanto costumam imaginar, e se joga com frequência em novos ambientes. Crê que um país deixa de ser um mero lugar no mapa a partir do momento em que você o conhece e vive experiências com as pessoas de lá.

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