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Cholula (México) e a maior pirâmide do mundo

Essa vista da foto de abertura é do topo da pirâmide, uma pirâmide asteca, a maior do mundo. (Sim, os espanhóis construíram uma igreja em cima dela.)

Estamos em Cholula, uma cidadezinha que mais parece um bairro de Puebla, de tão próxima que é. Talvez o mais justo e adequado seja começar com o breve vídeo de 1 min que fiz no trajeto do ônibus até lá, pelas ruelas de casas coloridas típicas mexicanas, e com direito à trilha sonora do motorista e tudo. Sintam o México.

Era, como vocês podem perceber, uma dia nublado, meio de uma chuva que me atrapalhou. (Você, quando planeja seus passeios e dias, nem sempre se dá conta de que o tempo pode virar e inviabilizar certas coisas.) Nosso ônibus básico aí do vídeo em certo momento encheu-se de alunos uniformizados de escola pública, naquele horário pós-almoço em que fui a Cholula.

Mais precisamente, estamos em San Pedro Cholula — não confundir com San Andrés Cholula, aqui perto. A cidade hoje é famosa por sua gigante pirâmide assim como pela notável Igreja de Santa María Tonantzintla, do chamado barroco indígena, uma das mais explícitas manifestações arquitetônicas do sincretismo católico-indígena mexicano.

Ao contrário de Puebla, aqui em Cholula já havia uma cidade indígena quando os espanhóis chegaram. Dizem que o lugar é habitado há pelo menos 2.000 anos. Seu nome na língua náhuatl dos astecas significa “água que cai no lugar da fuga” (não me perguntam fuga de que). Foi aqui que se veio construindo desde o século III d.C. aquela que se tornaria a maior pirâmide do mundo, que os astecas chamaram de Tlachihualtepetl (agora repitam rápido comigo: Tlachihualtepetl). Quer dizer “montanha feita à mão” na língua náhuatl.

De fato, quando eu desembarquei do ônibus na praça central de Cholula e olhei ao redor, vi uma enorme colina e nenhuma pirâmide. 

Desembarcando na praça principal (também chamada zócalo) de Cholula naquele dia nublado e de chuviscos. Ali ao longe está a colina da maior pirâmide do mundo, desde o século XVI com a Igreja de Nossa Senhora dos Remédios no seu topo.
O centro de Cholula.
Igreja de São Pedro, no zócalo de Cholula. Ali no meio, uma estátua de Benito Juárez, o pequeno notável de 1,37m de altura que todavia é considerado o maior presidente mexicano. Indígena zapoteca, ele rechaçou invasores estrangeiros e estabeleceu a república mexicana no fim do século XIX.

Cholula não é exatamente uma cidadezinha lá muito pitoresca, mas fica mais bonitinha no lado da pirâmide. Ali temos 450 x 450m de base — quase meio quilômetro em cada lado! —, algo que foi sendo ampliado ao longo dos séculos e albergava um templo à “serpente emplumada” (o deus mesoamericano Quetzalcoátl). Chegou à altura de 55m, o que não é tão elevado: a pirâmide de Quéops no Egito, para efeito de comparação, tem 139m de altura, porém “apenas” 230m de cada lado na base.

Os espanhóis trataram logo de substituir o templo de Quetzalcoátl por uma Igreja de Nossa Senhora dos Remédios, concluída já em 1575. Hoje, no entanto, você pouco verá realmente de pirâmide: a estrutura foi quase toda coberta de terra ao longo dos séculos, e apenas uns cantos restaurados são visíveis. No mais, há uma longa escadaria que leva ao santuário católico lá no topo.

Cidadão miúdo lá embaixo tentando fotografar esse lado restaurado da imensa pirâmide.
Percebam nesta foto mais distante como a parte mais para baixo não está restaurada, com as pedras seculares ainda cobertas por terra. A maior parte da pirâmide segue assim.
Escadaria sobre a pirâmide soterrada, com a vista para San Pedro Cholula lá atrás.
A Igreja de Nossa Senhora dos Remédios, original do século XVI.

A Igreja dos Remédios tem uns anúncios um tanto desaforados na entrada (“Este é um lugar de oração. Se veio só tirar fotos, é melhor nem entrar.”), mas é muito bonita. De fato, não permitem tirar fotos no interior, mas eu recomendo a visita. Além disso, ainda que você não seja tão chegado a igrejas, a vista lá no alto é bem boa.

A Igreja de Nossa Senhora dos Remédios, por fora.
A vista para Cholula lá do alto.
Paparazzi. No México, há sempre casais de jovens se pegando.

Eu bobeei e deixei para muito tarde o trenzinho que nos leva do centro até a Igreja de Santa María Tonantzintla, que fica num dos bairros de Cholula a alguns quilômetros de distância. Como o dia estava feio, quase nenhum outro turista apareceu, e o motorista já não fazia mais a viagem — embora em princípio o serviço funcione até o fim da tarde. O motorista deu de ombros, lamentou, apontou pro céu e pra a chuva, e ficou pra outra vez. (Quando você vier, se o dia estiver feio, chegue cedo.)

Restou-nos comer algo e dar uns bordejos nas lojas antes de ir embora. “Yo te propongo…”, soava a voz de Roberto Carlos me propondo em espanhol numa loja. Não vi grandes cousas, até avistar os tamales de Maria Elena, esse que é um dos lanches que mais adoro na culinária mexicana. Tamales são como pamonhas de milho, só que salgadas, com recheios variados e alguma pimenta. Delícia nativa. E, como me disse Maria Elena a própria: “Siempre los tenemos bien calientitos”, disse-me ela séria mas com um sorriso.

Nada como uma comida saborosa para resolver as coisas.

Um tamal é coisa muito boa. Quitute típico do México e de alguns outros países vizinhos, ele é tipo uma pamonha de milho, cozida na palha do milho, só que com recheios salgados.
Os tamales de Maria Elena, então, estão recomendadíssimos. Fica na praça principal de Cholula.

Com energias renovadas, fomos visitar ali próximo o Convento Franciscano de São Gabriel Arcanjo, embora a chuva estivesse com cara de que ia aumentar.

Convento Franciscano de São Gabriel Arcanjo, no centro de Cholula. Um lugar pacato. Ele foi fundado já em 1528 pelos espanhóis, e segue em atividade.
A igreja do convento.
Ruelas de Cholula, com algumas lojinhas de artesanias e produtos típicos.
“A esquina mais famosa de Cholula.”
E, antes que ficasse tarde, o nosso épico transporte de partida de Cholula, rumo de volta a Puebla e rumo a alhures no México. Quem sabe um dia eu ainda volto aqui pra ver Tonantzintla.
Mairon Giovani
Cidadão do mundo e viajante independente. Gosta de cultura, risadas, e comida bem feita. Não acha que viajar sozinho seja tão assustador quanto costumam imaginar, e se joga com frequência em novos ambientes. Crê que um país deixa de ser um mero lugar no mapa a partir do momento em que você o conhece e vive experiências com as pessoas de lá.

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