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Hierve el Água: Piscinas naturais e cascatas petrificadas em Oaxaca, México

Eis um dos mais famosos tesouros naturais do México. Este post encerra a minha viagem pelo estado de Oaxaca, antes de eu seguir a Chiapas, ainda mais a sul no país. A quem já se convenceu da riqueza cultural desta região, saiba que sua natureza também é linda.

Meu tour às ruínas da antiga cidade zapoteca de Mitla trouxe-me também aqui a Hierve el Água (“ferve a água”), um conjunto de piscinas naturais e cachoeiras petrificadas (calma que eu explico) no alto das colinas da Sierra Madre Sur.

Olha que especial onde estamos.

Essas águas são ricas em minerais e, dizem, têm propriedades curativas. Elas brotam das rochas destas colinas e foram usadas por séculos (estima-se que desde 500 a.C. pelos indígenas zapotecas) para irrigação dos seus cultivos de feijão, milho e abóboras. (Se você não estudou na escola nem ninguém nunca lhe disse antes que os indígenas das Américas praticavam a agricultura, leia este post.)

Hoje, se trata de uma região excepcionalmente pobre, como em geral é muito do sul do México. Cultural e historicamente riquíssima, mas economicamente precarizada. Você vê logo que se aproxima da pequena trilha que leva a Hierve el Água.

Pobreza e simplicidade no interior de Oaxaca, sul do México.
A trilha para as piscinas de Hierve el Água. Este lugar costuma estar incluso em muitos tours saindo de Oaxaca de Juárez. É a forma mais simples e fácil de chegar aqui.
A natureza do lugar.
Você caminha até este ponto da trilha (uns 15-20 minutos no muito), com o mirante para a paisagem e as piscinas de águas ricas em minerais. É permitido banho.
Notem a vista.

Como essa água é rica em minerais, incluindo carbonato de cálcio, ela vai deixando rastros rochosos calcários por onde passa. Assim, depois que a água cai, ficam gravadas “cascatas de rocha” no formato da água que caía. Fica fascinante. É dessas coisas da natureza.

Vejam a formação rochosa.
O reflexo do céu.

Essa formação, no entanto, é pequena. Grande mesmo é a “cachoeira” que se vê lá adiante, que se não prestar atenção você nem percebe que é pura rocha (embora o silêncio meio que denuncie algo inusual mesmo que os seus olhos estejam desatentos).

Olha ali as cascatas de rocha, rastros deixados pela água ao longo de milênios.
Mais de perto. Pura rocha.

É possível seguir a trilha até o topo daquela “cachoeira” grande, onde você vê algumas pessoas na foto acima. Porém, toma mais tempo, e se você vier num tour, eles dificilmente param tempo o suficiente para isso aqui.

Cheguei e fiquei um tempo ali na área das piscinas, embora não tivesse ganas para entrar na água. As pessoas às vezes ficam, animadamente, embora o lugar seja um pouco lamacento. Não é fundo. Mas me apeteceu mais a vista que um banho naquele momento.

A vista para o horizonte da serra.
Olha como parece até que as pessoas vão escorregar.
Naquela paisagem.
Vista.

EPÍLOGO

Eu estava encerrando esta minha estadia em Oaxaca. Esta vinda aqui foi parte do mesmo tour a Mitla com o curioso Eloy, guia um tanto lunático que eu não sabia se era louco ou havia tomado umas antes do tour. 

Na van que nos trouxe, ele vinha sentado acocorado de costas para a porta lateral e se rindo, comentando com as moças que ele era um “ladrão de caminhos”. Olhava para baixo, dizia essas coisas e suspendia a vista de repente para olhar a reação das pessoas. Apesar de meio doido, era bom guia.

E como quase todo doido, ele às vezes falava umas coisas certas. Enquanto passávamos pelo interior pobre de Oaxaca, ele comentou que aqui 18% das crianças lactantes morrem, assim como 20% das gestantes. “As pessoas aqui vivem de milagres“, disse ele. Para entrar em Hierve el Água, se paga um preço módico pelo ingresso e, de novo, o equivalente de modo informal para o povoado.

Apesar da riqueza cultural e natural — dizem que ainda há pumas, mais de 500 por essas colinas —, é um lugar esquecido pelos poderes político e econômico. “Na Itália você tem três poderes“, explicava Eloy de repente sério, “A Igreja, o Governo, e a Máfia. Aqui no México, há só a Máfia.”

Somente quando neste país paramos de nos ver como ‘do norte’ ou ‘do sul’ é que vamos melhorar“, concluía ele sua análise social. Pra quem não sabe, os mexicanos têm muitos regionalismos, em geral com as pessoas do norte (mais brancas e mais perto dos EUA) se crendo mais civilizadas que o sul, de tradições indígenas mais fortes.

Vou ficar velho sem me esquecer de Eloy. Figura.

Revejo vocês em Chiapas, no extremo sul do México.

Mairon Giovani
Cidadão do mundo e viajante independente. Gosta de cultura, risadas, e comida bem feita. Não acha que viajar sozinho seja tão assustador quanto costumam imaginar, e se joga com frequência em novos ambientes. Crê que um país deixa de ser um mero lugar no mapa a partir do momento em que você o conhece e vive experiências com as pessoas de lá.

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