Austria

Innsbruck (Áustria) e o Tirol no inverno

A magnífica região do Tirol, nos Alpes austríacos, tomba sob a neve no inverno. Ou ao menos tombou neste último, as montanhas encobertas por nuvens brancas e cinzentas, e os flocos de neve cobrindo o chão. Innsbruck, a principal cidade dessa região, fica um encanto. Como era janeiro, um restinho de decoração de Natal ainda se fazia presente.

Daria até quase para não escrever nada e só mostrar fotos.

As ruas de Innsbruck sob a neve, com seu casario colorido.
Tudo branco por sobre o Rio Inn, que corta a cidade e lhe dá nome. Innsbruck quer dizer “Ponte do Inn” no germânico medieval daqui. O nome, no entanto, foi-lhe dado pelos romanos que fundaram a cidade no século IV. Estes chamavam-na Oeni Pons.
As ruas do coração da cidade sob a neve.
Tudo branco por sobre os bancos e bicicletas.
No centro histórico da cidade. (Caso você esteja a se perguntar sobre a temperatura, estava em torno de -2ºC, nada muito grave.)
Innsbruck ainda com decoração de Natal neste inverno.
À noite.
Uma das praças principais do centro histórico.
Longos caminhos cobertos de neve em Innsbruck. 
Naquela winter wonderland.

As fotos já mostram bastante do astral invernal da cidade, mas relatar é preciso. Innsbruck tem uma História a ser conhecida e alguns recantos específicos a visitar que vão além da pura beleza de suas ruas sob a neve.

O ponto mais alto da História de Innsbruck provavelmente foi a década de 1490, quando aqui viveu o sacro-imperador romano Maximiliano I. Innsbruck era, à época, parte do Condado do Tirol. Este é hoje uma região da Áustria, mas foi até 1804 uma entidade semi-independente, parte apenas do Sacro-Império Romano Germânico — o qual era uma verdadeira colcha de retalhos de grandes ou pequenos principados, ducados e condados semi-autônomos.

Você ainda encontra aqui o Palácio Imperial (Hofburg) de época, assim como a magnífica Hofkirche, a igreja da corte construída a mando de Ferdinando I, neto de Maximiliano, para fazer um cenotáfio do avô. (Um cenotáfio é como um mausoléu, mas sem os restos mortais da pessoa.) Construída na primeira metade do século XVI, a igreja conta com mais de 20 estátuas em tamanho real de parentes, outros monarcas e personagens famosos da época na Europa, e até mesmo gente que não se sabe se realmente existiu, tipo o Rei Arthur.

A igreja da corte (Hofkirche) em Innsbruck. Aqui era a morada dos monarcas do Tirol, o qual foi um condado independente da Áustria até 1804. No entanto, era governado pela mesma família, os Habsburgo. O maior desses governantes foi o sacro-imperador romano Maximiliano I (1459-1519). Seu neto lhe construiu este mui decorado espaço, embora sem os restos mortais do avô, que já estavam numa cidade próxima de Viena.  
São 23 estátuas de bronze em tamanho mais que real, de um lado e do outro da igreja.
Não me perguntem quem é quem, mas todos são pessoas específicas — parentes ou personagens notáveis da realeza europeia. Inclui gente de outras épocas, como Clóvis, Rei dos Francos, e o quiçá fantástico Rei Arthur dos bretões. 
Há imagens de mulheres também.
O pomposo espaço, com seu teto barroco bem decorado. Do século XVI. Curioso quando você se dá conta que essas estátuas estão aí há cinco séculos onde estão.
Há um pequeno claustro associado à Hofkirche.
O claustro da Hofkirche sob a neve. Se você quiser, ao lado há também um filminho com sessões alternadas em inglês ou alemão contando a história da vida do imperador Maximiliano I.
O Palácio Imperial (Hofburg) em Innsbruck, originalmente erigido em 1460, mas reformado por diversas vezes ao longo dos séculos seguintes. Hoje é um museu, mas não permitem tirar fotos no interior.

Vocês devem ter notado uma quietude no ar. Assim é muito da Europa no inverno, faça neve ou não. Innsbruck, apesar de vários turistas circulando, fica também quieta. Anoitece cedo, e aqui parece que as pessoas se recolhem em algum lugar onde não as vejo. As ruas e até mesmo as atrações turísticas estão bastante pacatas; você escuta mais o vento — e, ocasionalmente, os carros — do que qualquer coisa.

Na praça principal, um calçadão extensão da Rua Maria Theresa (Marie-Theresien strasse), umas barraquinhas restando do Natal ainda permaneciam. Vendiam o que me interessava: vinho quente. De quebra, vendiam ainda dessa iguaria austríaca de massa frita com açúcar por cima e mousse de maçã. Meu uso da palavra “iguaria” é algo irônico, mas há quem goste. Eu como no máximo um e já posso passar anos sem experimentar de novo.

Kaiserschmarrn, prato típico da doçaria austríaca: pedaços de massa frita recobertos de açúcar fino e, ocasionalmente, mousse de maçã. (É um gosto de bolo doce levemente frito; não vou lhe dizer que é minha pedida favorita.)
O kaiserschmarrn é preparado naquela frigideira pequena ali. Um verdadeiro tacho de vilarejo.

Se você aprecia arte sacra barroca, vai se esbaldar aqui. (Caso não se esbalde com o kaiserschmarrn.) Muito da cidade foi reconstruído ou ampliado no século XVIII, sob o reinado da imperatriz Maria Theresa. Boa parte da arte e obras que você encontra em Innsbruck datam dessa época.

O arco triunfal na Rua Maria Theresa, erigido em 1765 em homenagem ao casamento do seu segundo filho, o Arquiduque Leopoldo, com a princesa espanhola Maria Luisa. É um dos principais ícones de Innsbruck.
Na mesma rua está essa igreja, muito bonita por dentro. É a Igreja de São José, originalmente construída em 1612.
O interior da Igreja de São José, em Innsbruck.
Já está é a magnífica Catedral de São Tiago (St. Jakub em alemão). Foi consagrada em 1724, feita em claro estilo barroco por sobre uma basílica romanesca que havia aqui do século XII. (As igrejas na Europa Ocidental costumavam ser simples; foi quando os europeus começaram a pilhar o resto do mundo com seus impérios que começaram a refazê-las enormes e cheias de pompa.)
O interior da cúpula da catedral de Innsbruck.
Órgão e arte barroca.
E a tranquilidade invernal do lado de fora.
Apenas algumas dessas ruelinhas, com suas casas de souvenirs, por vezes tinham horas movimentadas. Ainda assim, mesmo os turistas mais gritões não eram páreos para o inverno. Tudo logo voltava à quietude.
Estão apresentados a Innsbruck nesta época do ano.
Mairon Giovani
Cidadão do mundo e viajante independente. Gosta de cultura, risadas, e comida bem feita. Não acha que viajar sozinho seja tão assustador quanto costumam imaginar, e se joga com frequência em novos ambientes. Crê que um país deixa de ser um mero lugar no mapa a partir do momento em que você o conhece e vive experiências com as pessoas de lá.

One Reply to “Innsbruck (Áustria) e o Tirol no inverno

  1. Uuuuuuuuu que maravilha!…….Indiscutivelmente a minha preferida, meu jovem amigo. Sou fascinada pela neve e esta cidade parece uma presépio. Lindaaaaa. Parece saida de um filme antigo ou um conto de fadas. Só faltam os nobres com suas vestimentas e carruagens pelas ruas. Que linda, a neve. !… Espetacular! …Parece uma cidade saída dos sonhos. Magnifica. Amei tudo. Seu casario, sua belíssima arte barroca suas igrejas maravilhosas, seu lindo rio de águas verdes e seus amplos calcadões cobertos de neve.
    Que linda viagem essa do senhor meu jovem amigo. Belíssima postagem. e que linda a decoração de Natal. Adoro esse vinho quente. Linda cidade, linda neve, belo e gostoso inverno. Maravilhosos monumentos. Lindo arco. Soberbo. Um primor essa catedral. Adoro essa arte.
    A cidade é uma festa para os olhos e o coração. Parabéns pela viagem e pela postagem. Ameiiii, Obrigada pelo presente.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *