Uzbequistão

Khiva, Uzbequistão: Seda, escravos e algarismos entre os minaretes e madraças azuis

Bem vindos a Khiva, a menor das clássicas cidades históricas da Rota da Seda aqui no Uzbequistão. (Eles leem o Kh com som de R aspirado, então soa como se fosse Riva em português.)

Com seu belo e largo minarete azul, ela há tempos encanta visitantes. O especial daqui em relação às demais cidades é que Khiva permanece murada, seu centro histórico todo por entre as seculares muralhas de pedra. Isso faz parecer que você entrou numa caravana mágica, num video game ou num cenário de filme, e veio parar aqui. Todo o centro histórico é reconhecido pela UNESCO como Patrimônio Mundial da Humanidade desde 1990.

No interior das muralhas.
Artesanias no centro histórico de Khiva.
Moça uzbeque à entrada de um restaurante.
Entardecer sobre Khiva e sua arquitetura.

Estamos 470 Km a oeste de Bukhara e 740 Km de Samarcanda, então não é tão perto assim. Leva horas de trem, e levava dias em caravana.

Embora continuemos no Uzbequistão, esta já é a região da Corásmia (Khwarezm em persa), lugar que costumava ser independente. Suas tradições e nome remontam à Antiguidade, desde antes de Alexandre. Têm-se registros de uma civilização iraniana aqui desde pelo menos o século V a.C., quando eles já prestavam homenagens ao rei persa Dario, na antiga Persépolis. Dizem que seu nome significa em persa “terras baixas”, pelo leito dos rios que passam aqui.

O matemático persa Muhammad ibn Musa, pai da álgebra, foi apelidado de Al-Khwarizmi por ser originário aqui. Do seu nome vêm os conceitos de “algarismo” e “algoritmo”.

Khwarezm nada tem a ver com quaresma (que vem do latim quadragesima para os 40 dias), e tudo a ver com algarismo. Aqui nasceu em 780 d.C. o maior matemático da Idade Média. O persa Mohammed ibn Musa al-Khwarizmi (780-850) estudou os antigos saberes matemáticos em grego e sânscrito, fundou a álgebra, e escreveu tratados sobre os números indo-arábicos que o Ocidente depois adotaria. Ambos os nomes “algarismo” e “algoritmo” são em homenagem ao pensador.

Ele se mudou para Bagdá, então centro intelectual e político do mundo islâmico, e foi lá que ganhou o apelido de Al-Khwarizmi (“o corásmio”), pela sua origem. Lá foi astrônomo e, a partir de 820, nomeado chefe da Grande Biblioteca de Bagdá (também apelidada de Casa da Sabedoria). Como os romanos antigos já haviam queimado a Biblioteca de Alexandria, a Casa da Sabedoria de Bagdá era à época o maior centro de saberes do mundo. Sua coleção continuaria esplêndida até o Cerco de Bagdá pelos mongóis em 1258, quando arrasaram tudo. 

Como eu disse em posts anteriores, estas terras eram povoadas sobretudo por persas até os idos do ano 1000 d.C., quando nômades túrquicos — ancestrais dos uzbeques — começaram a se aprochegar e invadir.

Khiva, entretanto, ainda não era grande coisa naquele tempo. Diz-se que a cidade foi fundada nos idos do século VI, e ela é mencionada pelo viajante marroquino Ibn Battuta no século XIV como um lugar “onde mal se consegue caminhar no meio da multidão“. No entanto, é a partir do século XVI que Khiva ganha proeminência como capital desta região, no que ficou então conhecido como o Khanato de Khiva (1511-1920). A maioria do que se vê na cidade é dessa época.

Éramos nós às 4h da manhã tomando o trem de Bukhara. Quase 7h de viagem até Khiva.
A vista do trem de manhã para a paisagem desérticas em Corásmia.
Cruzamos pela manhã o caudaloso rio Amu Dária (o histórico Rio Oxus), que provê água e irrigação a esta terra seca tal qual o Nilo faz ao Egito.

Esta região é um lugar estranho, pois é ao mesmo tempo seca e úmida. Por um lado, a secura da paisagem é evidente. Por outro, há uma umidade do ar — acho que pelos rios aqui próximos — que torna o calor pior de suportar que nas outras partes do Uzbequistão.

Não sei ao certo por que, mas 40 graus em Khiva me pareceram mais fortes que os 40 graus de Tashkent. O calor estava hediondo, você o sente emanar das pedras quentes do chão.

Khiva e suas muralhas, com uma moça sob o guarda-sol. (A rua não está vazia por acaso.)
Coitadas. Essas meninas chinesas na mesma pousada que eu escondiam-se do sol como podiam.

Eu cheguei num final de manhã. Fui apanhado gratuitamente na estação por um funcionário da minha acomodação. A estação ferroviária de Khiva, inaugurada faz poucos anos, fica um par de quilômetros longe do centro histórico. Você pode caminhar, mas nesse calor eu não recomendo.

Meu motorista tinha uns 3 ou 4 dentes de prata.

O rapaz que me trouxe era simpático. Falava inglês bem, e como muitos aqui tinha uns dentes de metal brilhando na boca. As pessoas têm péssima saúde dentária no Uzbequistão, então dentes de ouro ou às vezes de prata em homens e mulheres são comuns. Meu simpático motorista tinha dentes cor de prata e me lembrou uma versão incompleta de Jaws, o clássico vilão “dentes de aço” dos filmes de 007 dos anos 70/80. 

Ele me contou que aqui na Corásmia já não há tajiques, ao contrário de Samarcanda e Bukhara, e que o dialeto da língua uzbeque que eles aqui falam mais parece o idioma do vizinho Turcomenistão. Trouxe-me de carro até a agradável pousada dentro do centro histórico murado, e eu saí pra dar umas voltas.

Khiva é uma cidade pequena, onde se pode ver tudo num só dia. Você pode subir na muralha para ter uma vista panorâmica, e há muitas madraças e pequenos museus onde entrar.

O mais interessante mesmo é a atmosfera geral do lugar, especialmente o calçadão principal nos arredores do Minarete Kalta (Kalta Minor), com seus ladrilhos azuis. 

Este é o calçadão central de Khiva, que liga o portão oeste ao portão leste.
Entradas laterais e seus mercados.
Fachada da cidadela Kunya Ark, datada do século XVII. São muralhas dentro das muralhas. Aqui morava o Khan de Khiva.
É possível caminhar sobre as largas muralhas de Khiva. Há ainda esse parapeito que você vê para o lado de fora. Nas vizinhanças do portão norte há escadas por onde subir.
Fortificações.

Esta cidade foi governada por um islâmico e independente Khan de Khiva desde o século XVI. Seu principal adversário era o vizinho emir de Bukhara, e foi com essa rivalidade em mente que no século XIX se ordenou a construção do Minarete Kalta, símbolo da cidade. A ideia do Khan de Khiva era fazer um minarete tão alto que ofuscaria o histórico Minarete Kalyan que mostrei em Bukhara, e também de onde se pudesse avistar a cidade inimiga a 400 Km de distância.

O lindo Minarete Kalta tem 26m de altura e 14m de diâmetro. Ele nunca foi concluído, pois o khan que o idealizou faleceu em 1855 e a obra ficou por terminar. Outros dizem que o arquiteto fugiu com medo de ser morto após o fim da obra (para que nunca mais fizesse outro igual).

Estas não eram terras tranquilas, fiquem sabendo. Por mais encantadora que seja, Khiva era notória sobretudo pelo seu comércio de escravos. (Você achou que a Rota da Seda era só seda?) Aqui por séculos passaram muitas mercadorias entre a China e o Ocidente, entre elas humanos.

À altura dos séculos XVI e XVII, as rotas marítimas dos portugueses, holandeses e outros já haviam tomado o lugar da Rota da Seda terrestre como principal via de comércio entre Oriente e Ocidente. Na Ásia, os russos expandiam-se gradualmente até alcançar o Oceano Pacífico. Encontravam, pelo caminho, tribos nômades túrquicas e mongóis que iam subjugando — mas a conquista não ficava por isso mesmo.

Os nômades invadiam os vilarejos russos e capturavam pessoas que nunca mais eram vistas. Eram trazidas aos famosos mercados de escravos de Khiva. O mesmo ocorreu a milhares de persas capturados e vendidos aqui. Eles eram forçados a trabalhar nos campos de grãos durante o dia, em obras ou como escravos domésticos, e eram presos aos ferros durante a noite.

Há muitos relatos interessantes — ainda que assustadores de viajantes ocidentais que passaram por aqui no século XIX, entre eles o secretário imperial russo Nikolay Muraviev e o capitão inglês James Abbott, este vindo da Índia colonial.   

Madraça Muhammad Rahim Khan, inaugurada em 1876. Tal qual as igrejas coloniais latino-americanas, certamente foi erigida com trabalho escravo.

O comércio de escravos aqui não chegou às proporções dramáticas daquele feito pelos europeus com os africanos aos milhões, mas ele foi mais duradouro e entrou pelo século XX. (É portanto equivocada a assertiva habitual de que o Brasil foi o último do mundo país a abolir a escravidão.)

Os bandos de assalto eram desde a Antiguidade um elemento cultural destes povos túrquicos. Clãs e tribos rivais na Ásia Central assaltavam umas as outras desde muito antes de Gênghis Khan, e continuaram a fazê-lo ainda por séculos. À altura dos séculos XVII-XIX, os alvos favoritos eram camponeses russos ou viajantes persas, às vezes separados da família ou trazidos todos juntos para serem vendidos nos mercados.

Foto antiga de escravos russos em Khiva no fim do século XIX.

O viajante húngaro Arminius Vambery, no seu livro Viagens na Ásia Central (1864), narra sobre quando se disfarçou de sacerdote islâmico e passou um tempo entre os nômades túrquicos aqui. “Ao tilintar daquelas correntes eu nunca consegui habituar os meus ouvidos”, escreve ele. “É ouvido na tenda de qualquer turcomano que tenha pretensões de respeitabilidade ou posição [social].

O húngaro nos conta que os escravos sempre passavam a noite acorrentados pelo pescoço. Se tentassem fugir, tomavam chibatadas. Se tentassem fugir uma segunda vez, eram literalmente pregados pela orelha aos portões da cidade sem comida nem água por 3 dias. A maioria morria.

Já quando o russo Nicolay Muraviev esteve aqui como secretário imperial do czar para averiguar a cidade, o Khan de Khiva ficou num dilema. Teve dúvida, se deixava seu visitante continuar a espioná-lo ou se o executava. Dizem que um conselheiro do palácio sugeriu ao khan enterrar o russo vivo no deserto, mas isso era complicado pois poderia provocar uma retaliação por parte do poderoso czar em São Petersburgo.

Fotografia de Muhammad Rahim, Khan de Khiva (1845-1910).

O khan acabou por deixar ir um Muraviev profundamente abalado pelo que viu. Os escravos russos nas ruas, identificando o compatriota, suplicavam a ele que os libertasse. Muraviev retornou a São Petersburgo, então capital imperial russa, e numa audiência com o czar Alexandre II relatou o que vira. Havia planos russos de invadir a Ásia Central.

A essa altura a Grã-Bretanha já dominava a Índia (não tão distante daqui), e seu principal medo ao ver a Rússia expandir-se não só para oeste, mas também a sul, era que ela invadisse a preciosa colônia hindu. Os britânicos então despacharam o Capitão James Abbott para ter com o Khan de Khiva, com a missão de lhe dizer que desse fim ao comércio de escravos pois os russos usariam isso como álibi para atacá-lo.

Dizem que o khan — que nunca tinha ouvido falar da Inglaterra — achou que os ingleses fossem uma tribo na Rússia. “Aquele que uma vez entra em Khiva abandona toda a esperança, tão certo quanto aquele que entra no inferno“, escreveu o capitão em seu diário Narrativa de uma Jornada de Herat a Khiva (1840), referindo-se à já conhecida Divina Comédia de Dante, onde o poeta italiano fala sobre o abandono da esperança às portas do inferno.

Após entender que a Grã-Bretanha era um outro reino, o Khan de Khiva achou curioso quando Abbott lhe disse que eram governados não por um homem forte, mas por uma jovem mulher, a então tenra Rainha Vitória. O khan agradeceu a preocupação, mas disse que não tinha medo de sofrer um ataque russo. Na sua crença islâmica, se morressem combatendo os infiéis iriam direto ao paraíso.

O inglês retrucou então perguntando que destino teriam suas mulheres e filhas nas mãos dos soldados russos, se elas iriam também para o paraíso. Dizem que isso silenciou a corte. O khan, como gesto de generosidade, devolveu ao czar russo uma leva de escravos. Essa disputa geopolítica entre Grã-Bretanha e Rússia na Ásia do século XIX ficou conhecida como O Grande Jogo (the Great Game).

O gesto do khan não resolveu. Em 1873, as tropas imperiais russas — após já terem conquistado grandes cidades vizinhas como Samarcanda e Bukhara — cercaram Khiva e a tomaram. O khan, entretanto, não foi deposto, mas tornou-se súdito da coroa russa, Khiva agora um protetorado imperial. Não era mais para haver tráfico de pessoas, mas a escravidão na verdade continuaria século XX adentro. Só foi abolida quando os bolcheviques comunistas em 1920 transformaram a Rússia imperial em União Soviética e deram um basta na antiga prática.

Quadro do pintor russo Vasily Vereshchagin Às muralhas da fortaleza. Deixo-os entrar! (1871), mostrando as tropas imperiais russas na Ásia Central. Ele foi feito após o cerco de Samarcanda em 1868. O original encontra-se na Galeria Estatal Tretyakov em Moscou.
Vetusta porta em Khiva — que talvez tenha tido escravos aí pregados pela orelha no passado.
Meandros antigos.
A Madraça Islam Khodja, inaugurada em 1908 com seu grande minarete de 45m de altura. (Nesse é possível subir.)

Eu circulava por Khiva como um fantasma que visitava resquícios de outras eras. Para minha sorte, já não andam mais apreendendo visitantes aqui nem pregando ninguém à porta pela orelha — embora continue a haver, como no Brasil, casos de trabalho forçado análogo à escravidão.

Vi um camelo debaixo do sol, o primeiro e único que eu encontraria aqui pelo Uzbequistão, e cujo dono oferecia fotos por um preço. Com os transportes motorizados, já não há mais caravanas — os camelos ficaram com pouca serventia e já são algo raros. Optei por conversar com as pessoas, que são simpáticas e já não lembram seus ancestrais que capturavam outros seres humanos ou eram capturados.

Parei numa venda para almoçar, onde uma simpática senhora me serviu um macarrão ao creme, prato típico aqui sob o nome de Shivit Oshi. Mulheres olhavam seus filhos ao velotrol e crianças brincavam de bola na rua. 

Nas ruas de Khiva hoje. (Você acha hoje o mundo ruim, já foi muito pior.)
Eu com o emblemático minarete da cidade naquela tarde de sol.
O camelo à espera de turistas. (Me deu pena vê-lo amarrado debaixo daquele sol forte.)
Shivit Oshi, um dos pratos típicos aqui. Eles às vezes o chamam de green noodles: um macarrão frio com molho creme e um cozido de batatas temperadas por cima, acompanhado de salada e pão carimbado.

Numa das vezes em que vim aqui, depois que eu estava cheio dos green noodles com pão e salada e refrigerante, o rapaz ainda me ofereceu “a fruta nacional”, e apontou para um par de melancias no canto da sala.

Da segunda vez (pois eu voltei), foi uma moça que nos serviu. Ao meu lado, uma família de turistas japoneses também fazia sua refeição numa mesa adjacente. O pai, com seu boné, perguntou com aquele seu jeito japonês à bela moça se poderia tirar uma foto dela. Não.

Eu fiquei ainda enrolando ali um tempo, como gosto de fazer nestes lugares quando estou viajando. Uma das outras refeições eu fiz num café estilo tenda, onde você se assenta sob as cortinas parecendo que é o próprio Khan de Khiva. 

Assento de restaurante onde almocei em Khiva.

Eu preciso fazer uma observação prática importante para aqueles que cogitam vir aqui.

Há uma certa pataquada com os portões da cidade, uma política de cobrança de entrada para se visitar o centro histórico. O Portão Oeste é como a entrada social do prédio; tem torniquetes e você precisa pagar para entrar. A família do meu albergue disse que às vezes querem cobrar até de quem mora. Os portões norte, leste e sul são “entradas de serviço”, casa de mãe Joana, você pode entrar ou sair da cidade murada sem nenhum controle, e sem pagar. Dizem que querem “regularizar” tudo e pôr torniquetes com cobrança de entrada em todos os portões, mas pelo que eu vi as obras ainda estão em andamento.

Acho ambíguo isso de querer transformar um sítio urbano real em parque temático para turista com cobrança de entrada. Por um lado, ajuda a colher fundos para a devida preservação histórica do lugar. Por outro, essa comercialização turística forçada descaracteriza o próprio sítio, que fica artificializado e perde algo de sua autenticidade. Ainda que os monumentos continuem históricos, a vida real no lugar é substituída por fileiras de lojas de souvenirs, pousadas, e uma economia quase que inteiramente voltada para os visitantes — como se fosse um parque da Disney com prédios reais.

É algo que Amsterdã, por exemplo, está já tentando reverter. Desde 2018, a prefeitura da cidade pôs limites no número de casas de souvenirs ou de outros produtos voltados aos turistas (ex. queijo) por quadra no centro da capital holandesa. Viu-se que o centro estava ficando descaracterizado e deixando de atender às necessidades dos próprios habitantes (ex. já não se acham mais padarias) para atender aos interesses de turistas somente.

Claro que a capital holandesa tem mais peito e dinheiro para impôr tal coisa, enquanto que o Uzbequistão é relativamente pobre; mas acharia bom eles tomarem consciência disso antes de gentrificar demais suas cidades históricas e não haver volta. (Em verdade, eu não acho que eles tomarão consciência, pois o governo não ouve a população e todo mundo está ávido pelo dinheiro que os turistas trazem, tanto governo quanto moradores, mas fica a nota.)

É como se de repente a Prefeitura de Salvador pusesse torniquetes e cobrasse entrada para o Pelourinho. Tem uma vida social e cultural associada ali. Cidade tem uma função social, não é só comercial. Mas essas discussões cidadãs passam longe aqui. Não creio que haja essas discussões nem conceitos tais.

Como a moeda uzbeque sofre inflação, as informações sobre o custo de entrada rapidamente ficam defasadas. Eram 51.000 soums, depois passou pra 100.000, e em 2019 passou a 150.000 soums [16 USD]. Garante entrada em museus e madraças, embora não absolutamente todos. Fica a seu critério. Vende-se no portão ocidental, por onde você sai de graça mas só entra pagando. Para retornar de graça, precisa dar a volta e entrar por um dos outros portões.

Se vale a pena pagar como combo para ver os museus e madraças, há controvérsias. A grande maioria dos museus são bem nus por dentro. Algumas vezes eu me peguei pagando ingresso e entrando, vendo nada mais impressionante do que já havia visto por fora, e arrependendo-me do dinheiro gasto à toa, ainda que pouco.

O portão oeste, a “entrada social” do centro histórico de Khiva, com torniquetes. Você pode sair gratuitamente por aqui, mas só entra com ingresso.
A bilheteria do lado de fora das muralhas. Se você não estiver disposto a pagar, evite pegar uma acomodação fora das muralhas que exija ficar entrando e saindo o tempo todo. (Para constar, minha pousada ficava do lado de dentro e eu não paguei.)

Minha estadia aqui foi curta, mas suficiente. Após dois dias perambulando pelas ruas históricas de Khiva, meu amigável sósia do Dentes de Aço me levaria novamente à estação. Eu dali teria uma memorável jornada de trem de volta a Tashkent, de onde um avião me levaria a alhures. Falarei sobre ela depois.

Deixo vocês com Khiva à noite.

O imenso minarete da Madraça Islam Khodja iluminado.
E o minarete símbolo da cidade (Kalta Minor) à noite.

Não se preocupe, a cidade é segura. Nestas noites de hoje, nenhum turcomano o assaltará para pregar suas orelhas à porta nem acorrentá-lo pelo pescoço. Esses são tempos que já não são mais. Suas obras, entretanto, seguem de pé dando testemunho.

Mairon Giovani
Cidadão do mundo e viajante independente. Gosta de cultura, risadas, e comida bem feita. Não acha que viajar sozinho seja tão assustador quanto costumam imaginar, e se joga com frequência em novos ambientes. Crê que um país deixa de ser um mero lugar no mapa a partir do momento em que você o conhece e vive experiências com as pessoas de lá.

One Reply to “Khiva, Uzbequistão: Seda, escravos e algarismos entre os minaretes e madraças azuis

  1. Iiiihhhhh que maravilha em azul, combinando com o céu de anil e o tom bege do exterior dos monumentos e da Muralha. Bem harmônico. Muito bonito. Adoro cidade com muralhas. Lembro do Marrocco que tem algumas cidades com o centro histórico também com muralhas, como Rabat. Muito interessante.
    Linda, limpa, colorida, arborizada e com seus minaretes decorados de branco e anil e cúpulas azuladas!…É um encanto. Muito bonita.
    Adoro essas barraquinhas e seus tons vivazes. Lindo o artesanato Essa foto lembra a Medina das cidades do Marroco.
    Meu jovem, essa foto do entardecer com esse céu azulado, essa cúpula verde refletindo a luz do sol e o bege do exterior, com o ocaso, está um deslumbre. Belíssima. Gostei muito.
    Maravilha . Justa homenagem ao grande Ulemá, Al-Khwarizmi, Afinal, um pouco conhecido do lado de cá do mundo. Mundo Ocidental insciente e pouco conhecedor da grande contribuição desses povos centro-orientais para as ciências , a filosofia, a arte e o pensamento universal. Quem sabe jovens como o senhor, viajante dos tempos modernos, não serão os novos descobridores desse passado de glorias para todos nós? Inshallah!… Os Céus agradecerão.
    Ih que maravilha essa cidadela azul e bege emoldurada pelo também azul céu de Khiva. Magnifica. Estupenda na sua graça e beleza. Linda.
    Linda a iluminação à noite, combinando com o azul dos monumentos.
    História braba, meu jovem. orelha pregada em porta, dormir acorrentado pelo pescoço, trabalhos forçados, horrível. Interessante o jogo de interesses na importante região. A bem da verdade, mudaram os métodos mas os interesses continuam.
    Valeu, viajante. Belíssimas essas cidades. Inusitadas a beleza e grandeza dessas regiões ainda hoje. Um primor. Surpreendente. Obrigada.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *