Tajiquistão

Conhecendo o Tajiquistão: A cultura, o povo e sua capital Dushanbe

Bem vindos ao Tajiquistão, um dos países menos conhecidos e menos visitados do mundo. É o país mais precário dentre todas as ex-repúblicas soviéticas, e o 4º mais pobre de toda a Ásia (mais rico apenas que Afeganistão, Iêmen e Nepal).

Depois de muito circular pela Ásia Central visitando países de línguas túrquicas (Cazaquistão, Quirguistão, e Uzbequistão), eu chegava agora à única ex-república soviética que fala persa. Como eu venho dizendo, estes “stão” podem todos nos soar muito parecidos, mas eles são diferentes entre si.

Ilustração imaginada do que teria sido o Rei Vishtops, que governava esta região nos idos de 600 a.C. (Do Museu Nacional do Tajiquistão, em Dushanbe.)

O nome “Tajik” tem a mesma origem persa da palavra Taj (em Taj Mahal), que quer dizer coroa, realeza. (E isso é porque a Dinastia Mogol — não confundir com mongol — que governava a Índia durante aqueles séculos antes dos ingleses a colonizarem era islâmica com origens na Ásia Central e falava persa como língua oficial da corte.)

Neste caso, Tajik é como era apelidado — pelos nômades turcos da Ásia Central — a gente persa leal à coroa dos xás, seus monarcas. Os turcos, nômades ou semi-nômades, viviam em arranjos tribais com seus “khans”, enquanto que os persas da região eram sedentários, agricultores, e habituados há séculos ao poder real de sucessivas dinastias governando este centro da Ásia.

O miolo do poderio persa sempre foi o que hoje é o Irã, nome com o qual os próprios persas chamavam sua terra. “Pérsia” é como os gregos os chamavam. Porém, havia — e há — outros povos iranianos vizinhos parentes, de língua semelhante como era o caso do nobre Rei Vishtops aqui na Antiguidade.

Hoje, é o caso dos tajiques, que atualmente por nacionalismo chamam seu idioma de “tajique”, mas o qual na prática é um dialeto persa. Outro dialeto é o dari, uma das duas línguas oficiais do Afeganistão. Pashtun, a segunda língua oficial afegã, é outra língua iraniana, diferente do persa mas da mesma família. Reparem no mapa abaixo onde estamos, e notem como a Índia está perto. O norte da Índia, com sua arquitetura abaulada, recebeu séculos de influência cultural e religiosa (muçulmana) da oriunda da Ásia Central. (O Taj Mahal, como mencionei antes, foi inspirado no mausoléu de Tamerlão em Samarcanda.)

Um mapa sempre ajuda a se posicionar. Notem o Tajiquistão ali em rosa claro no meio, entre o amarelo Afeganistão e o Quirguistão em verde escuro, todos estes a oeste da China.

(Permitam-me só mais um instante para terminar o pano de fundo.)

Desde a Antiguidade, efetivamente desde Ciro, o Grande (550 a.C.), os persas rumaram a norte e leste para invadir e conquistar a Ásia Central — mas dentro de limites. Eles pouco passaram do grande Rio Oxus, o principal da Ásia Central, hoje chamado de Amu Dária e atual fronteira entre Afeganistão e Tajiquistão. As terras mais além ao norte do rio eram portanto chamadas de Transoxânia. (Os romanos, que pouco chegaram aqui, também ficariam nestes limites).

Mural antigo pintado com celebração persa do Nowruz (o Ano Novo persa associado ao início da primavera), encontrado no norte do atual Tajiquistão. No Museu Nacional do Tajiquistão, em Dushanbe.

A Transoxânia era a terra de fronteira nos limites dos domínios persas, onde estes encontravam as nômades tribos turcas — e, mais tarde, também os mongóis quando eles rumam para cá com Gêngis Khan no século XIII. Antes, uma dinastia em particular se desenvolveu aqui: os Samânidas, persas que governaram esta região a partir de Bukhara entre 800-1000 d.C.

Isso seguia as invasões árabes dos idos de 650-750 d.C. que trouxeram o Islã para a Pérsia e à Ásia de modo geral. Até então as pessoas eram zoroastras, budistas, cristãs ou animistas. Havia uma mistura. Lembram que em março de 2001 o Talibã dinamitou duas imensas e históricas imagens de Buda talhadas na rocha no Afeganistão? Pois, aquelas estátuas datavam de 540 d.C., de quando partes da região era budista, antes da chegada do Islã.

Mas não confunda o Islã medieval com os fundamentalistas do mundo moderno. Prova é que nem os medievais pareceram importar-se em destruir as estátuas. Embora não houvesse dinamite na época, já há mais de 500 anos existem canhões. Os árabes portanto invadem a Pérsia, derrubam a dinastia zoroastra que havia, e expandem-se até encontrar nos chineses da dinastia Tang nos desertos que atualmente separam a China da Ásia Central. Veja até onde eles foram!

Persas tornaram-se gradualmente islâmicos como os árabes, mas note como a língua persa viveu, ao contrário do que ocorreu na Síria, no Egito e em outras partes do norte da África onde o árabe substituiu as línguas pré-existentes. Na Pérsia, isso se deveu em grande parte à rica literatura e força cultural da milenar civilização. Viriam aí ainda magníficos poetas como Rudaki e Ferdowsi no século IX renovar a força da língua persa, que se mantém até hoje. Dinastia Samânida (não confundiu com Sassânida) foi em parte responsável por isso aqui na Ásia Central, e é até hoje motivo de nostalgia a uzbeques e tajiques. Ali nasceu Avicenna (Ibn Sina), pai da medicina moderna, e muitos outros.

E como são essas pessoas hoje? Foi o que eu vim descobrir.

Bem vindos ao Tajiquistão. (E nada como uma careca na base da foto para ilustrar.)

O saguão de chegadas do Aeroporto Internacional de Dushanbe estava um pouco movimentado naquela noite, como vocês podem ver, mas isso não me impediu de encontrar Kamran, o rapaz do albergue onde eu me hospedaria e que veio me buscar.

Como eu narrei anteriormente, eu não estava exatamente no primor das minhas energias — tendo passado a noite anterior num caloroso trem inglório de Khiva a Tashkent, seguido de um dia inteiro de mofo no aeroporto da capital uzbeque devido a um mega-atraso não-compensado do voo —, mas chegar a um país novo como que me recarregou as baterias.

A imigração foi rápida e, apesar da muvuca aí no ar, não houve pega-pra-capar algum nas filas (falarei mais sobre visto e essas coisas depois). Estávamos de volta ao alfabeto cirílico, que é como os tajiques escrevem sua língua persa desde essa imposição por parte da União Soviética nos anos 1940. Estamos aqui no que eram os confins do poder russo na Ásia Central — assustando os ingleses de que poderiam seguir os caminhos de Tamerlão e invadir a Índia.

Kamran revelou-se um rapaz baixinho de cara redonda e sorriso grudado no rosto. Os persas têm, para bem ou para mal, não sei se no sangue, no idioma ou na cultura, um quê maior de ladinagem que os turcos e mongóis. Então olho vivo. (Seu idioma é repleto de floreios, e eles são notórios por dizerem uma coisa com as palavras e darem a entender outra com a linguagem não-verbal. É uma coisa sofisticada que desorienta os ocidentais não-latinos — e alguns latinos também.)

No táxi, deslizamos pelas avenidas iluminadas de Dushanbe à noite. Como digna herança soviética, as avenidas aqui são longas, largas e arborizadas. Passamos por várias praças, monumentos e outdoors. “Aquele é o nosso poeta nacional: Rudaki“, comentava Kamran como guia turístico quando passamos pela estátua de um homem de turbante persa. 

Como digna herança soviética, há também um culto à personalidade do atual presidente Emomali Rahmon. (Ele é presidente desde 1992.) Outdoors por toda parte mostravam o digníssimo presidente em toda sorte de poses e olhares. “Nós aqui amamos o nosso presidente“, respondeu-me Kamran lá do banco da frente quando lhe indaguei se aquele senhor de cara emaciada nos retratos era o chefe de estado. “Me parece que vocês tem que“, retruquei eu a ele na minha impaciência da meia-noite. Ele deu um risinho de desfaçatez.

Com a luz do dia seguinte. As estradas do Tajiquistão e as avenidas de Dushanbe são pontuadas por grandes fotografias piegas do ditador Emomali Rahmon, presidente desde 1992. Note que há outra logo ali mais adiante. (Eu não sei como esses figuras não tomam senso do ridículo.)

Imaginem vocês aí, uma terra que — como a maior parte do planeta — nunca foi democrática, que passou de monarquias antigas, a impérios e a ditaduras modernas, como a maioria da África e da Ásia. Ééé… a coisa não é mole não.

Qual é o oposto de “Nem tudo são flores“? “Nem tudo são espinhos”, talvez eu possa dizer. 

Na manhã seguinte no albergue, uma fartura de café da manhã incluso no preço nos aguardava. Frutas secas, ovos, pães, chás, o café solúvel a gente não menciona, compotas caseiras de frutas da região (abricós, ameixas…) e uma fartura de coisas que ficava à nossa disposição até passado do meio-dia. (Aqui, pela primeira vez na vida, me ofereceram café da manhã à 1h da tarde. Eu já havia tomado, mas ficou registrada a inusitada oferta.)

Um tio alemão de boné de barbas brancas ralas — estilo Francisco Cuoco, só que mais jovem — me chamou para dividir um táxi até a Fortaleza Hisor, um dos poucos sítios históricos antigos aqui perto. Apesar da vetustez destas terras, há pouco em termos de ruínas históricas etc. Esse lugar é o principal, e eu o veria antes mesmo de circular a pé pelas ruas soviéticas da capital Dushanbe.

Hisor, uma fortaleza que alguns dizem estar aí há 3000 anos. Outros falam em ela ser dos tempos de Ciro, o Grande, em 550 a.C. Seguidamente renovada, essa estrutura atual data do século XVI. A fortaleza fica a 30 Km de Dushanbe, e é fácil de acessar de táxi. Pelo equivalente a 20-30 USD você fecha o carro, com 1-2h de tempo de espera, pra levar e trazer. O custo individual dependerá do número de passageiros. (Já a entrada na fortaleza tem um custo módico.)
Diante dos portões da Fortaleza Hisor naquela calorosa manhã de sábado do Tajiquistão.

Esses portões saídos de filme estão aí desde o século XVI, é o que dizem. O restante foi bastante renovado, e no interior há pequenas construções transformadas em lojinhas de souvenir. (Não se sinta obrigado a pagar para entrar na fortaleza, pois o mais belo é realmente essa visão exterior dos portões.)

A famosa “garota afegã” capa da National Geographic nos anos 80 ganhou o mundo por seu biotipo e olhar, na época em que quem estava invadindo o Afeganistão era a rival União Soviética.

As pessoas aqui inevitavelmente me lembraram a “garota afegã” capa da National Geographic nos anos 80, que ganhou o mundo por seu olhar assustado nos olhos verdes e pele morena por debaixo do hijab. Àquela época, a humanização dos afegãos por parte da mídia americana se dava porque quem invadir o Afeganistão era a União Soviética, não (ainda) os Estados Unidos. 

Nada ou pouco de olhos puxados, e esse biotipo moreno persa que os iranianos, afegãos e tajiques compartilham. Eu aqui encontraria muita gente assim. 

Garotas tajiques no interior da Fortaleza Hisor.
O interior da fortaleza foi renovado neste formato de boulevard de lojas de souvenirs. Não é lá muito interessante, e tudo é obviamente novo. A beleza acaba sendo mais a vista exterior para a entrada — e a vista que se tem aqui do alto.
A vista por dentro da Fortaleza Hisor para o exterior dos portões, com as colinas no horizonte. (Lembrou-me as vistas de Pasárgada, no Irã, não muito distante daqui.)
No exterior, essa madraça erigida em 1808 e depois transformada em caravançarai (alojamento para caravanas e mercadores) segue autêntica. Venha conferi-la se passar por aqui.
Seu interior. Nos nichos, primeiramente havia alunos desta escola islâmica, depois acomodações para caravanistas. Hoje é uma misto de prédio administrativo e ruína.
À entrada, mulheres tajiques conversando.
Vetusta porta de madeira talhada e argola de metal.
Eu e uma criança tajique lá no local. Essa garotinha não acertava a falar, mas era capaz de ouvir.

Dizem que se você vier aqui aos domingos, deve se preparar para ver desfiles de noivo e fotografias de casamento. Aparentemente os tajiques adoram fotos com esse visual histórico no seu book. Só que pelo visto os domingos já estão tão cotados que começaram a invadir os sábados.

Quando saímos da fortaleza, havia uma verdadeira fuzarca de rapazes e moças a acompanhar um casal de nubentes — a pobre da noiva toda de branco, como no Ocidente, debaixo de um sol miserável neste calor de verão às 11h da manhã. 

Olha pra isso.
Venha se casar no Tajiquistão você também. Acho que a fortaleza é para dar um toque épico às fotos de casamento. Duvido que você tenha isso em sua cidade. (Se notar pessoas de olhos puxados, é por mistura no sangue com os povos vizinhos ao longo dos séculos.)
Moças tajiques abanando-se no casamento.
Rapazes tajiques posando. (Eles aqui também tem um pouco desse agarra-agarra masculino comum nos demais países islâmicos e na Índia.)

Corre um mito algo provinciano no Brasil de que só os brasileiros são zoeiros, malandros, e têm real alegria de viver — apesar de todos os pesares. Desculpem a franqueza, mas isso só passa pela cabeça de quem ainda não conhece muito do resto do mundo (EUA e Europa estão longe de serem representativos dos outros 6 bilhões de pessoas e 150 países mundo afora). Vejam abaixo uns vídeos que eu fiz dessa festa de casamento aqui, mesmo debaixo do sol de quase meio-dia.

Nesta segunda parte você vê um rapaz dançando feito o grego Zorba, e depois algumas mulheres entrando na onda. 

Foi quando então um rapaz meio doidinho e de dentes podres de mascar tabaco me chamou para dançar. Sugeriu que o tio alemão nos filmasse. (Eu seria que viraria um hit entre vocês e viralizaria na minha família, mas não aconteceu.) Eu acabei por filmar ele, que vocês veem aí abaixo — e podem imitar na próxima festa de casamento a que forem, pra animar um pouco mais. De repente, os brasileiros e seus casamentos é que me parecem demasiado sérios em comparação.

Festa acabada, músicos a pé. Os nubentes foram embora com sua entourage por debaixo do sol a pino, enquanto que o alemão e eu retornamos ao táxi para voltar a Dushanbe. 

A depender de onde você more no Brasil, conhece a sensação de uma tarde quente de verão, quando o reluzir do sol no asfalto dói os olhos e você se pergunta se precisa mesmo sair de casa naquele horário. Eu, no entanto, precisava almoçar, e depois de quase um mês com essa comida centro-asiática sem tempero, resolvi seguir a recomendação do tio alemão de um restaurante indiano (chamado Taj Mahal) no centro da cidade. Recomendadíssimo.

Olha que coisa de Deus essa comida indiana, com arroz e caldos mui temperados. Entre os churrasquinhos sem tempero e essa mesa do povo lá do Lorde Ganesha, eu fico com o último.

Dushanbe é uma cidade soviética, então não esperem centro histórico antigo pitoresco nem nada do tipo. Têm-se longas avenidas arborizadas, praças monumentais, e outros prédios públicos grandes como museus e bibliotecas. 

Avenida larga com flores no centro de Dushanbe. (É uma cidade de 800 mil pessoas, num país de 10 milhões.)
Calçadas largas em vias arborizadas. Apesar do urbanismo interessante, faltou dinheiro para não deixar o esgoto correndo ali a céu aberto.
O imenso prédio da biblioteca pública no centro da capital.
Praça vazia naquela tarde quente, no centro de Dushanbe, com a bandeira do Tajiquistão hasteada. Ao fim da tarde, as famílias e jovens aparecem.
Esse prédio pós-soviético (com ares todavia de querer imitar a Rússia) é o novo bazar da cidade: Mekhrgon, um ótimo lugar a quem gosta de ver mercados públicos. Antes havia um “Green Bazar” mais tradicional, que foi fechado e demolido para dar lugar a este.
O lugar é bastante asseado, e um bom lugar onde compras nozes, frutas secas e essas coisas. No andar superior, há algumas lojas baratas e restaurantes. (Você verá poucos turistas, já que poucos estrangeiros visitam o Tajiquistão.)
Amêndoas, pistaches & cia. (O tamanho é pela perspectiva da câmera; elas não são gigantes)
As pessoas aqui são bem simpáticas. Há quem o chame e insista, mas de modo amigável. Estes damascos estavam maravilhosos! (Quando comprar frutas secas, peça umas embaladas que eles guardam atrás do balcão, e não as ultra-secas que estão expostas às moscas e à poeira desde o tempo da União Soviética.)
O pessoal aqui mostra o valor dos preços pra você na calculadora. Vale barganhar nessas belezuras.
Vai um figo?
Este que eu comi aqui no mercado é o prato nacional do Tajiquistão: Qurutob, um mexidão de lascas de pão num molho de iogurte com óleo, cebola crua, tomate e salsinha por cima. Fica bom, e surpreendentemente é vegetariano.

Dushanbe portanto tem mais essa coisas normais de cidade grande que lugares realmente turísticos.

Há um National Museum of Antiquities, pequeno, que se visita em coisa de 30 min, e um Museu Nacional do Tajiquistão mais novo, inaugurado em 2013. No antigo, há um Buda deitado antiquíssimo, dos originais da Ásia Central nos quais o Buda deitado do templo Wat Pho em Bangkok se inspirou. Como comentei acima, o budismo tinha força aqui na Ásia Central antes da chegada do Islã no século VII.

Não há muito em termos de mesquitas, embora haja algumas modestas. O presidente é tão laico — e assustado com o fundamentalismo religioso do vizinho Afeganistão — que coíbe exageros religiosos. Burca e trajes islâmicos fundamentalistas são vetados em público.

O ex-presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad. Por alguma razão, quase todos os rapazes tajiques têm esse corte de cabelo de boneco de Lego ou PlayMobil.

A coisa em verdade chega a tal ponto que é proibido criar barba sem autorização do governo, pois costuma ser hábito de fundamentalistas islâmicos como foi Osama bin Laden. Há quem descumpra; você encontra gente com barba fina na rua; mas às vezes há batidas da polícia e eles saem barbeando todo mundo.

O engraçado é que, não sei se por lei ou por moda, os rapazes tajiques quase todos usam o mesmo corte de cabelo de PlayMobil do ex-presidente iraniano Ahmadinejad.

(O Tajiquistão tem outras proibições inusitadas. Por exemplo, é proibido celebrar Natal ou Ano Novo em espaços públicos, assim como o Halloween. Há alguns anos, pessoas vestidas de vampiro foram detidas pela polícia em Dushanbe. Para compensar, celebra-se o Dia da Bandeira em 24 de Nov, o Dia do Presidente em 16 de Nov, e o Dia da Língua Nacional, 5 de Out, que acontece de ser o aniversário do ditador.)

A Mesquita Mevlana Yakub Charki é a mais notável no centro de Dushanbe, embora modesta se comparada às mesquitas faraônicas que se encontram hoje em dia pelo mundo islâmico.
Quadro com o presidente Emomali Rahmon. Ele é tão obcecado por nacionalismo e contra coisas estrangeiras que mudou seu nome, que costumava ser Emomali Rahmonov no tempo dos soviéticos. Ele era chefe de uma fazenda coletivizada antes de tornar-se presidente do Tajiquistão em 1992.
O enorme prédio do Museu Nacional do Tajiquistão, inaugurado em 2013, tem essa cara monumentalista soviética apesar de recente.
Manuscrito antigo, do século XIV.
Apesar das doideiras do presidente, há pelo menos uma valorização da herança cultural da região. Aqui, pensadores persas do medievo e seus escritos, como o estudioso Avicena (Ibn Sina) e os poetas Ferdowsi e Rudaki. Rudaki é especialmente bem querido, já que nasceu (no século IX) no atual território tajique.

E assim vamos, com governantes excêntricos e o povo tentando levar do jeito que dá. 

Eu deixo vocês com algumas imagens do fim de tarde no Parque Rudaki, uma ampla praça que é talvez o ponto mais agradável de toda Dushanbe. Volto com vocês a seguir para ver mais do Tajiquistão.

Entrada para o Parque Rudaki, talvez a área mais agradável de Dushanbe, bem no centro.
Estátua de Rudaki (858-941 d.C.), poeta persa que viveu no que é hoje território do Tajiquistão. Ele, como Ferdowsi e outros homens das letras naquele período, foram responsáveis por assegurar que a língua persa não seria suplantada pelo árabe nesta parte do mundo, ao contrário do que ocorreu nas demais regiões conquistadas pelos árabes após o expansionismo inicial do Islã nos séculos VII-IX.
Monumento a Ismail Somoni aqui no parque. Ele foi o persa fundador da Dinastia Samânida, que governou a Ásia Central nos séculos IX e X. Eu mostrei seu mausoléu e falei mais dessa dinastia em Bukhara, Uzbequistão, que foi sua capital pela maior parte do tempo. (A moeda tajique se chama somoni em homenagem àquele tempo. É também a razão pela qual as moedas do Uzbequistão e do Quirguistão chamam-se som ou soum.)
O pôr-do-sol por detrás das fontes e monumentos no Parque Rudaki, Dushanbe.
O monumento a Ismail Somoni com os leões, de outro ângulo. Boa noite de Dushanbe.
Mairon Giovani
Cidadão do mundo e viajante independente. Gosta de cultura, risadas, e comida bem feita. Não acha que viajar sozinho seja tão assustador quanto costumam imaginar, e se joga com frequência em novos ambientes. Crê que um país deixa de ser um mero lugar no mapa a partir do momento em que você o conhece e vive experiências com as pessoas de lá.

One Reply to “Conhecendo o Tajiquistão: A cultura, o povo e sua capital Dushanbe

  1. Bela foto essa da abertura da postagem. Muito bonita. E na foto final, de perfil, com os leões está impressionante: dourada, ao pôr do sol. Belíssima.
    Interessante é que são brancos e com o cabelo preto. E eu pensava que o povo da Ásia Central fosse amarelo e de olhos puxados. Charmoso esse nobre soberano .
    Muito interessante e também surpreendente a ligação entre esses povos e a India e a sua influencia nesta última. Grande esse povo persa. Maravilha esse poder da cultura e da literatura persa na sobrevivência da língua. Grande conquista. Grande Avicenna. Imortal.
    A História que se fala nos livros que circulam aqui no Brasil diz que Alexandre conquistou os persas e chegou aos limites orientais daquele império.
    Meu jovem, que auê hahah, que bafafá..que banzé nesse aeroporto. Penso que achar alguém ai é como procurar agulha em um palheiro hahaha
    A visão das colinas ao longe, combinando com o bege das muralhas e o verde das copas do arvoredo, é mesmo um primor. Bela região. Portentosa a Fortaleza. Interessante é que tem algo de parecido com os arredores de Jerusalém.
    Bela porta. fofinha a garotinha.
    Meu jovem, que bela decoração desse casamente ai na esplanada dessa fortaleza. Linda. Coitada da noiva com o calor.
    Hahaha adorei a folia, a alegria dos jovens, os belos sorrisos e a festa alegre nas ruas. as danças são bem bonitas. Ótimos os videos. Adorei as danças. E ha pessoas morenas tambem.
    Arre que o ser humano muda de endereço mas , como diziam os antigos, parecem filhos do mesmo pai e da mesma mãe com essa mania de culto à personalidade e abuso de poder. Divinizados e colocados ”guela abaixo do povo” como intocáveis. Povo de gado, diria o cantador brasileiro. Desculpe, mas acho ridículo.
    E que maravilha essa fartura do café da manha.
    Magnifica, belíssima esse fortaleza. Linda. e que belos tons beges;… Que linda arquitetura e como combinou com o verde da vegetação. Uma beleza. elegante portentosa e bela.
    Belo arco e lindo portal. Esse arco persa, ogival modificado, é muito bonito e dá um belo visual ao interior da fortaleza.
    Amei esse belo patio como se fosse mesmo um boullevard com suas galerias laterais e o portal la ao fundo. Bela fotografia. Lindo piso, linda projeção.
    Beleza essa comilança esverdeada. Parece saborosa.
    Belíssima essa avenida no estilo soviético: amplas, compridas, cheia de flores , calçadão e bem arborizadas. um espetáculo para os olhos.
    As construções são belas e portentosas. Linhas arquitetônicas elegantes e tons harmônicos. Gosto muito desses tons beges.
    Mercado chique heimmm. E limpo. adoro esses produtos. amo essas frutas secas.
    Linda a Mesquita. Gosto do estilo e dos tons.
    Achei engraçado o medo do chefe das barbas e dos fundamentalistas.
    Maravilha essa visão a partir do museu. E que belos esses sábios persas. Com ar de dignidade insuperável , do alto dos seus belos turbantes.Um show,
    Belo arco triunfal, belíssimo esse monumento ao poeta e lindo parque. Com o pôr de sol então, fica radioso. Uma digna homenagem a estes que mantiveram a cultura iraniana viva.
    Lindo o efeito do pôr de sol nos belos monumentos do parque em homenagem ao poeta, e à cultura.
    Amei Esse país como amo a cultura e a civilização persas.
    Maravilha, meu jovem amigo viajante. Estou deslumbrada com essa parte do mundo, os “tão” na Asia Central. que bela viagem e que gostosas postagens. Parabéns.

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