Tchéquia

Visitando o medieval Castelo Karlstejn perto de Praga, Tchéquia

Não, não é o Castelo do Drácula. Este aqui é séculos mais antigo que o dito-cujo da Transilvânia.

Estamos nos arredores de Praga, numa autêntica atração histórica que serve muito bem como bate-e-volta de um turno. O Karlsteijn, como escrevem os tchecos, fica a 40min de trem desde a capital, ao lado de uma estação que leva o seu nome. A linha suburbana S7 sai da Estação Central de Praga (Hlavní nádraží) para cá com frequência.

Lê-se em tcheco “Karlshtêin”, embora o nome se origine mesmo do alemão, Karl-Stein (rocha de Carlos). O rei Carlos IV (1316-1378) era tcheco, mas imperava num Sacro-Império Romano Germânico onde, além do latim, era o alemão (nos seus variados dialetos) que se faziam os mais comuns nestes domínios.

Esta é portanto mais uma referência nominal ao medieval Rei da Boêmia e Sacro-Imperador que fez história nestas terras, e que já dá nome à Ponte Carlos, em Praga, e à Universidade Carolina, a mais antiga em toda a Europa Central.

Karlsteijn, castelo do ano 1348 a cerca de 30Km de Praga. Aqui viveu o Rei da Boêmia e Sacro-Imperador Carlos IV (1316-1378).

Antes de a Europa pilhar as Américas e ficar rica, seus monarcas não ostentavam salões de ouro, igrejas requintadas, nem nada do que se veria pelo continente dali a uns séculos. As coisas eram muito mais sóbrias e simples, ainda que por vezes portentosas, na Idade Média.

Imagem do Castelo Karlstejn em 1850.

O castelo se localiza num promontório e atende ao imaginário de todos os fascinados pela Idade Média. Portões, pátios, muralhas com parapeito… todo o autêntico cenário que nos acostumamos a ver nas séries de fantasia.

Aqui ficavam bem guardadas as chamadas “regalias”, que hoje em dia ganhou outra conotação mas que naquela época significavam as coisas de luxo do rei, como suas jóias da coroa. Elas hoje ficam trancadas em Praga e às vezes são expostas ao público.

O castelo foi cercado em 1422, quando tropas sob o comando de um duque hussita catapultaram defuntos para dentro do castelo.

As jóias da coroa boêmia foram removidas daqui pela primeira vez em 1421 durante as Guerras Hussitas, a que me referi no post anterior. (Guerra civil entre a nobreza católica e protestantes hussitas, seguidores do teólogo tcheco Jan Hus, queimado na fogueira em 1415 por heresia.)

O castelo foi cercado em 1422, quando tropas sob o comando de um duque hussita catapultaram defuntos para dentro do castelo, para contaminar os defensores com toda forma de doenças. Isso além de, dizem os historiadores, 2.000 carruagens de estrume.

As jóias voltariam ao castelo, e ele seria atacado novamente em 1648 pelos suecos. Você hoje acha os nórdicos quietos — e a essa altura, no século XVII, já não estamos falando mais de Vikings, mas a Suécia foi um reino cristão poderoso que conquistou territórios onde hoje são a Polônia, os Países Bálticos, e veio até aqui, atacar Praga e o Karlsteijn. Foi das principais forças protestantes durante a Guerra dos Trinta Anos (1618-1648) entre católicos e protestantes após a Reforma. 

Cara medieval meio Game of Thrones, num dos pátios internos do Karlsteijn durante um inverno na Tchéquia.

Hoje, o Castelo Karlstejn é atração turística. Faz alguns anos que eu vim aqui, e eu soube que hoje em dia está pululando com visitantes e lojas de souvenir no seu exterior. 

Quando eu vim, as coisas eram mais tranquilas, embora o castelo de 700 anos continue igual.

Casario no vilarejo alguns anos atrás, com Karlsteijn no horizonte.
Vista para o castelo lá no alto, numa manhã fria e cinzenta de inverno.

O frio forçava nossas luvas, e o vento fino cortava a pele no rosto. Era um inverno rigoroso, como frequentemente são eles aqui na Tchéquia, na sua combinação de clima continental e a elevação destas colinas. 

Se você preferir encontrar menos turistas e ter maior tranquilidade, melhor vir nesse período mais frio (outubro a março). No entanto, há mais partes acessíveis e horários de funcionamento mais longos durante os meses quentes (maio-setembro). 

No verão as colinas estão verdes, as árvores cheias de folhas, mas também as muralhas cheias de visitantes. A escolha é sua. (Lembre que poucos turistas acordam cedo. Se vier no verão, o castelo já abre às 9am.) Na página oficial da atração você encontra os pormenores dos horários, que variam a cada período do ano.

Para quem gosta, há também longas caminhadas a fazer na natureza aqui, nos arredores da vila.

Restaurante no vilarejo, abaixo do castelo.

Lembro-me de como fiquei fascinando ao sentir aquelas pedras frias, seus salões vetustos e hoje vazios, como que cúmplices apenas da paisagem. É uma pitoresca viagem no tempo.

Mairon Giovani
Cidadão do mundo e viajante independente. Gosta de cultura, risadas, e comida bem feita. Não acha que viajar sozinho seja tão assustador quanto costumam imaginar, e se joga com frequência em novos ambientes. Crê que um país deixa de ser um mero lugar no mapa a partir do momento em que você o conhece e vive experiências com as pessoas de lá.

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