França

Colmar, pitoresca cidade na Alsácia (França)

Colmar é das cidades mais pitorescas que eu já visitei — e olhe que não foram poucas. Seu casario de madeira em cores faz parecer que você está no país das maravilhas de Alice, ou em alguma outra terra encantada.

Colmar fica a um pulo de Estrasburgo, na Alsácia, esta região (atualmente) francesa fronteiriça com a Alemanha. Já foi alternadamente posse dos franceses ou dos germânicos ao longo da História. Hoje, o resultado disso é uma mistura, esse jeito de arquitetura alemã com charme francês.

Gare de Colmar, a estação de trens da cidade. Aqui se chega em 1h de trem desde Estrasburgo. Não é preciso comprar passagens antecipadamente; basta chegar e tomar o próximo trem regional nesta direção. Uma ótima viagem bate-e-volta.

Tudo em Colmar se faz a pé. Como eu vim na época do Natal, suas ruelas históricas estavam repletas de casinhas típicas, barraquinhas de guloseimas locais. 

Casario em Colmar, rodeado por barraquinhas de Natal vendendo comidas típicas.
Aqui na Alsácia há sobretudo quitutes germânicos. Aí há versões do pretzel, originalmente austríaco mas bem difundido pela Europa Central — chegando até aqui a este recanto da França.
Feirinha de Natal em Colmar, com a quantidade de pessoas de cabelo branco habitual da Europa.

Estamos numa interseção de culturas, onde a matriz germânica se encontra com as coisas da França. Você aqui vê muito das típicas casas alemãs de enxaimel, aquelas estruturas de madeira no meio da alvenaria.

Casas típicas alemãs de enxaimel em Colmar, na Alsácia.
Posando diante de uma delas, num frio ensolarado de dezembro.

Como cheguei a comentar no post anterior, esta mistura de culturas se dá porque a Alsácia pertenceu aos alemães ou aos franceses em diferentes momentos da História. 

Em verdade, sua origem está lá atrás, quando ainda não havia distinção clara entre esses vizinhos. Afinal, os francos também eram um povo germânico, e foi Carlos Magno, rei dos francos, quem em 800 d.C. funda o Sacro-Império Romano Germânico. É também a primeira menção a Colmar de que se tem registro, a propósito.

Você dessa época ainda encontra aqui a bela Igreja de São Martinho (completada em 1365), assim como um convento histórico dos frades da Ordem dos Hospitalários de Santo Antão. Este último é hoje o Museu Unterlinden.

A Igreja de São Martinho (Église St. Martin), no centro de Colmar.
A Igreja de São Martinho foi originalmente erigida entre os séculos XIII-XIV, quando estas eram terras não francesas, mas do Sacro-Império Romano Germânico.
Seu interior com arcadas ogivais góticas.
O Museu Unterlinden, onde ficava um convento dos antoninos (da Ordem dos Irmãos Hospitalários de Santo Antão) na Idade Média.
O museu, além de ter bela arquitetura, contém pinturas e objetos seculares.

A Alsácia foi parte do Sacro-Império até 1673, quando o rei absolutista francês Luís XIV a invade. Ficaria com os franceses até 1871, quando a recém-unida Alemanha a retoma, para perdê-la novamente à França na Primeira Guerra Mundial. Hitler reocuparia a Alsácia, para devolvê-la aos franceses mais uma vez. Colmar foi exatamente a última cidade da França a ser liberada dos nazistas.

Apesar dessa dominância francesa recente, os muitos séculos de História como parte da Europa germânica mostram o seu peso na Alsácia. Em Colmar se ouve e se fala sobretudo francês, mas os olhos veem essencialmente alemão.

O centro de Colmar
Suas simpáticas ruas estreitas, com um pequeno pinheiro de Natal ali.
O casario.
O aconchego. Parece que você entrou na história de João & Maria e veio parar numa cidade onde todas as casas são feitas de doce.

O Natal só acrescenta a Colmar, mas ela é fotogênica o ano inteiro.

Área popularmente conhecida como Little Venice (Pequena Veneza). Se não tem exatamente o charme marítimo da cidade italiana, aqui há um charme campestre interiorano, e não inunda.
Entardecer sobre o lado de Igreja de São Martinho no centro histórico de Colmar.

Eu sentia aquele ar leve, frio e parado de dezembro; o pôr-do-sol precoce; os cheiros de pães apetitosos e vinho quente (vin chaud) com especiarias nas barracas da rua. Pessoas pra lá e pra cá, quase todos europeus. (Muitos parisienses vêm aqui a esta época, e a cidade, como Estrasburgo, fica especialmente cheia aos fins de semana.)

Colmar é um ambiente glorioso para quem curte esse aconchego natalino europeu. 

E as guloseimas também.
Mairon Giovani
Cidadão do mundo e viajante independente. Gosta de cultura, risadas, e comida bem feita. Não acha que viajar sozinho seja tão assustador quanto costumam imaginar, e se joga com frequência em novos ambientes. Crê que um país deixa de ser um mero lugar no mapa a partir do momento em que você o conhece e vive experiências com as pessoas de lá.

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