Suécia

Umeå, Suécia: Céus e paisagens boreais no norte da Escandinávia

Foto de uma aurora boreal.

Nem só da famosa aurora boreal se fazem as paisagens nórdicas. Aquele é um fenômeno extraterrestre, literalmente, resultado do vento solar no campo magnético do planeta. Ainda está na minha lista vê-lo. Mas cá embaixo, na Terra, as vistas de inverno na Escandinávia são sublimes. Vão muito além de somente aquele fenômeno.

A Escandinávia é como se apelida a região nórdica da Europa formada por Noruega, Dinamarca e Suécia, caso alguém esteja perdido (mais sobre isso aqui). 

Nestas altas latitudes perto do polo, durante o inverno a luz solar passa mais tangencialmente, e o resultado é um tintar diferente no céu. É como se, para além do nosso céu habitualmente azul, outros tons se espalhassem mais por ele. 

Olhem só esta aurora rósea que vi no norte da Suécia.

Eu saía de Östersund, no miolo da Suécia, ainda antes do amanhecer. Estávamos já a mais de 500 Km norte da capital Estocolmo, e prestes a “subir” ainda mais.

O destino era Umeå, uma cidade universitária quase 700 Km norte de Estocolmo. Era meu caminho rumo ao famoso hotel feito de gelo no extremo norte do país. O mais fantástico, entretanto, era percorrer o caminho. 

Há muitos lagos pelo interior da Suécia. E, naquela manhã, um nascer do sol um tanto ígneo.

Eu geralmente prefiro trens, mas o trajeto entre Östersund e Umeå é melhor feito de ônibus. (Caso você esteja curioso, esse “a” com uma bolinha em cima tem som quase de ó em sueco.)

O mais notável é como as cores no céu vão mudando. De uma hora para outra, alteram-se e adquirem novos tons. 

Detivemo-nos brevemente no vilarejo de Strömsund para pegar mais passageiros, e o motorista desceu para aquele habitual café & prosa com seus companheiros — igualzinho a qualquer outro lugar do mundo. 

Não havia onde comprar café — eles haviam trazido sua própria garrafa térmica —, então eu passei seco nessa, mas por sorte estava por demais distraído com as vistas.

O amanhecer lilás que vi em Strömsund.
O céu parecia fruto de magia.

E não estava tão frio quanto você talvez imagine. Se bem me recordo, coisa de -4ºC graus, o que não é nenhum descalabro se você já conheceu inverno de verdade nas regiões temperadas. 

Nós tomando rumo naquele amanhecer tardio de inverno no norte da Suécia.
Rumo ao horizonte colorido.

Sem o menor aviso, as cores desaparecem. Ou melhor, se alteram. O rosa se substituiu então pelo amarelo-claro de um sol leve — quando fomos até interpelados por renas cruzando a pista. 

Água naquela manhã na nossa paisagem gélida.
O sol matinal no seu tom amarelo-claro. Aqui nesta latitude, especialmente no inverno, ele jamais sobe muito. Passa lateralmente no horizonte sul, como quem dando um “oi” breve de algumas horas e descendo de novo.
Renas circulando. Esses são mamíferos grandes, de mais de 200Kg e 1,5m de altura mais as galhadas na cabeça. São chamados de caribu na América do Norte. Aqui, as populações do norte da Suécia há muito as domesticaram.
A paisagem.
Água congelada, e o sol digno de quadro.

Eram umas 2h da tarde quando chegamos a Umeå — o que a esta época do ano significava que já ia escurecer. 

Surpreendi-me de encontrar uma cidadezinha bem organizada, se pequena. Boa estação de trens, cafeterias, restaurantes, e até uma importante universidade sueca (sim, conheço inclusive estrangeiros que moram e trabalham aqui, embora se queixem um pouco do logradouro remoto).

Procurei ver o que havia antes que tudo escurecesse. 

A estação de trens de Umeå.
Na outra ponta de uma simpática avenida, a prefeitura da cidade com uma árvore de Natal ainda ali.
Voltas e gente na rua — e o sol lá atrás já querendo se pôr.

Eu tive quase que literalmente correr para ver mais da cidade enquanto ainda havia luz. 

Detrás da prefeitura da cidade, um jardim — que deve ser lindo no verão e na primavera — que leva ao Rio Ume. Ele desemboca aqui pertinho no Mar Báltico entre a Suécia e a Finlândia.
O ambiente coberto de neve, o rio congelado, e as últimas luzes do pôr-do-sol lá no horizonte. Em Umea.
Eu ao lado do rio congelado.
Crepúsculo dourado.
O astral aqui.
Cheguei ainda a visitar a Igreja da Cidade, inaugurada em 1894 num estilo neogótico.
O interior da igreja em Umea.
Logo estaria tudo escuro com direito até à lua ali — isso às plenas 4h da “tarde”.

O movimento nas ruas vai aos poucos ficando rarefeito, conforme o sol de põe e a temperatura cai um pouco mais. Apenas os bares e restaurantes pareciam abertos após as 18h. 

As ruas ainda decoradas do centro de Umea após o escurecer.
Como já comentei de outras vezes, os nórdicos são permanentemente movidos a café.

Do alto do meu hotel, com o quarto no 10º andar, eu via a escuridão infinita antes de dormir. Era uma noite curta, pois na manhã seguinte tinha um trem rumo ao norte.

O quase-amanhecer às 8h no dia seguinte. Meu trem teria sido às 6h, mas atrasou. Levantei na gélida madrugada e fui cedo daquela forma à estação à toa. Retornei ao hotel para tomar café da manhã adequadamente e depois voltei à estação. Nosso trem finalmente partiria.
Para mais uma linda aurora rósea que tintava o céu.
Era hora de partir rumo ainda mais ao norte em meio aos fulgores da natureza nórdica.
Mairon Giovani
Cidadão do mundo e viajante independente. Gosta de cultura, risadas, e comida bem feita. Não acha que viajar sozinho seja tão assustador quanto costumam imaginar, e se joga com frequência em novos ambientes. Crê que um país deixa de ser um mero lugar no mapa a partir do momento em que você o conhece e vive experiências com as pessoas de lá.

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