Vietnã

A Baía de Ha Long (Halong Bay), Vietnã

O que mais me apetece nas costas do Sudeste Asiático não são tanto as praias, mas essas formações rochosas escarpadas e pitorescas. A Baía de Ha Long, no Vietnã, é talvez das mais fotografadas dessas paisagens. Barcos típicos ziguezagueando as rochas no mar.

A um pulo de Hanoi, é um excelente bate-e-volta de um dia, ou você pode ficar para dormir se quiser mais tempo. Tenha em mente que as ensolaradas fotos no Google são tão raras quanto trevos de quatro folhas, não conheço pessoalmente ninguém que tenha tido essa sorte, mas a baía é bonita mesmo sob nuvens ou neblina.

A Baía de Ha Long num raro dia limpo. (Esta foto é da Wikimedia Commons).
Quando eu visitei.
♫ Vira vira vira… ♫

Mentira, o barco não virou, não. As vindas aqui sempre incluem passeio de barco por entre os rochedos, mas o risco maior foi na estrada.

Arranjei este passeio pelo Viator, com um dos muitos operadores, pela bagatela de USD 20 por pessoa. (O Vietnã é muito barato.) Não me pareceu haver grande diferença entre eles. Você encara 3h na estrada para cobrir os 160 Km que separam Hanoi da costa, e outras 3h na volta. As estradas são ma-ra-vi-lho-sas.

A estrada de mão dupla entre Hanoi e a Baía de Ha Long.

Asfalto há, mas se você tiver religião eu acho bom orar no caminho. (Se não tiver, pelo menos use o cinto de segurança.) OK, não se compara às estradas montanhosas por aí mundo afora, mas não é exatamente uma rodovia tranquila. À noite na volta, presenciei também o encantador hábito dos vietnamitas de dirigir com a luz alta constantemente ligada. Na estrada de mão-dupla, foi um encanto.

Na hora de escolher o tour, vi muitas opções com dormida a bordo de barco, discussões sobre conforto etc., na expectativa de se ver o pôr ou o nascer do sol, ou de simplesmente gozar do ambiente “tranquilamente”. Respeito as preferências das pessoas, mas não vi razão para eu querer passar tanto tempo ali. Algumas horas me foram mais que suficientes. (Sobretudo num provável dia nublado.)

O tour geralmente inclui a habitual parada em alguma oficina de artesanias, para você ver como certas coisas são feitas (e comprar), uma volta de barco de algumas poucas horas e com almoço a bordo, uma voltinha mais curta de caiaque ou sendo remado por alguém para ver meandros por entre as rochas, e depois uma visita guiada por uma caverna. Tivemos um guia o tempo todo conosco.

Foram duas as paradas nos “patrocinadores” que tivemos. Uma num ateliê de pinturas e esculturas (lindas, mas caríssimas). A outra, uma fábrica manual para produção de pérolas naturais, a partir de um cultivo local de ostras. 

Nosso guia foi esse cidadão com ar de professor tímido indicando o nosso barco. (A baía em si é rústica mas tem bastante infraestrutura ao redor. Não espere um lugar isolado. Muitos turistas vêm aqui.)

Eu tendo a me lembrar do nome das pessoas, mas no Vietnã — com nomes tipo Vi, Do, ou mesmo o impronunciável Ng — isso é difícil. Os nomes me entram e saem da cabeça com a mesma rapidez. Não me lembro do nome do guia, mas me lembro do motorista: Mao, que com seu macacão e boina de camarada comunista das antigas me parecia uma figura de época. 

Mao, o motorista camarada.
Escultura de um dragão oriental em ônix.
Ateliê de pinturas que visitamos.
Moça selecionando as pérolas na demonstração da loja. Seu valor varia com o brilho, perfeição esférica, cor, etc. São grãos de areia que entram com a água do mar, e a ostra acaba os recobrindo com nácar, aquela substância iridescente das conchas.

Logo ao chegar ao porto, embarcamos.

A coisa foi independente; nada de guia falando o tempo todo, nem aquela coisa latina de cada um se apresentar e dizer de onde vem. O guia quase que só dava instruções; o aproveitar o passeio de barco ficava pela conta de cada um.

Foi tudo bastante relaxante, basicamente de apreciar a paisagem. 

A Baía de Ha Long com sua formação de rochedos cársticos naquele dia nublado. (Esse nome provém do processo geológico de formação dessas paisagens. São rochas predominantemente calcárias.)
Você navega assim por entre as rochas.
O Pão de Açúcar do Vietnã.
Às vezes parece uma pintura, com essa água marinha verde e os recortes de rocha.

Até que atracamos aqui neste ponto, onde tivemos a opção (incluída no preço) de circular de caiaque ou passear com um remador numa canoa grande, para 5 pessoas.

O pier para essas atividades em embarcações menores na Baía de Ha Long. (O cidadão ali de preto parece estar dançando Gangnam Style, mas é impressão.)
Você aí que passou muito tempo envolvido com Mortal Kombat nas últimas décadas pode achar que são ninjas de Lin Kuei, mas estes são simples remadores.
E vamos nós.
Com o simpático e rubro tio norueguês ali.
Pitoresco.
Muitos dos remadores são remadoras, embora o chapéu notável não os deixe notar.
Passamos por uns trechos assim, e a tônica é ver as rochas de perto.
Uma cara meio de Brasil, mas são os trópicos na Ásia.

Retornamos ao barco principal, e tivemos ainda um 1h no barco de retorno ao porto.

Aí é que eles começam a falar de James Bond, mas não confunda as referências. O cenário “bondiano” mais famoso aqui no Sudeste Asiático é em Ko Phang Nga na Tailândia, onde se dá o desfecho de 007 contra o Homem da Pistola de Ouro (1974).

Aqui na Baía de Ha Long, eles apontam uma tal “rocha de James Bond” do final de um filme menos clássico, 007 – O Amanhã nunca Morre (1997). Você pode vê-la, mas na realidade a cena foi filmada também na Tailândia, pois os produtores não conseguiram obter a permissão desejada do governo vietnamita. Fica só na conversa dos guias turísticos.

A quem eles apelidam de “rocha de James Bond”, do final de 007 – O Amanhã Nunca Morre (1997). É semelhante, mas a filmagem na realidade se deu na Tailândia.

Ancorados e de volta à terra firme, fomos brevemente a caverna Thien Cung antes de tomar a estrada de volta a Hanoi. 

Esta não é exatamente uma daquelas visitas a caverna de ecoturismo. Há bastante gente, você percebe bem que está numa caminhada turística pelo interior iluminado, mas as formações rochosas são bonitas. É uma visita breve de uns 30 min.

Caminhando com o guia e o grupo por dentro da caverna Thien Cung com suas luzes coloridas, na Baía de Ha Long.
As formações de rocha no interior da caverna chamam a atenção.
Medusas?
Eis o dragão.
Ao sair da caverna num lugar mais elevado, a vista para a Baía de Ha Long.

EPÍLOGO

Retornaríamos a Hanoi na mesma estrada de mão dupla, só que agora à noite, e portanto com direito a luz alta na cara. Eles aqui dirigem com a luz alta constantemente acesa.

Ainda teríamos um tempinho em Hanoi, antes de tomar o trem rumo a outras cidades do país.

Depois das primeiras noites, você já se habitua àquele tráfego louco da capital, e até se diverte. Embora nunca tenha passado a gostar do zum-zum-zum de motos, eu já estava em “em casa” com as bodegas de assentos plásticos baixinhos na calçada.

As calçadas de Hanoi com seus onipresentes banquinhos plásticos.

Detive-me numa destas tardes fagueiras, quase à beira da rua, a saborear um café com leite condensado, uns bolinhos doces do que me pareceu goma de tapioca comprados de um ambulante na rua, e a saborear Hanoi.

Ambientado, flagrado tomando café com leite condensado na rua.
E uns bolinhos não-sei-de-que. Achei que era de tapioca, mas provavelmente é goma de arroz.

Numa dessas noites, a estação de trens me aguardava. Deixo vocês com mais algumas fotos.

Hora de rumarmos aos outros cantos do país. Passei naquela noite por um vendedor de jaca, mas supus que jaca talvez não fosse a merenda perfeita para um trem noturno no Vietnã. Como foi a experiência eu conto em seguida.

Pelas ruas de Hanoi à noite.
O vendedor de jaca (que é uma fruta nativa aqui da Ásia tropical, e levada pelos portugueses às Américas).
A estação de Hanoi. Os vietnamitas naturalmente não tinham palavra para “trem” antes de existirem trens, então adaptaram de “gare”, estação ferroviária em francês, para “Ga”.
O interior da “Ga” de Hanoi. É até arrumadinho.
À plataforma. Era hora de partir rumo ao Vietnã central.
Mairon Giovani
Cidadão do mundo e viajante independente. Gosta de cultura, risadas, e comida bem feita. Não acha que viajar sozinho seja tão assustador quanto costumam imaginar, e se joga com frequência em novos ambientes. Crê que um país deixa de ser um mero lugar no mapa a partir do momento em que você o conhece e vive experiências com as pessoas de lá.

One Reply to “A Baía de Ha Long (Halong Bay), Vietnã

  1. Iiihhh que beleza essa Baia de Ha long. Lindas rochas e belas águas verdes. Muito bonita. Belo passeio. Nao curto muito cavernas nem caiaques mas embarcações maiores e ar livre sim. Belíssima baia.Cenográfica. Mesmo nublado o dia, a beleza das águas e das rochas é indiscutível e salta aos olhos.
    Nossa, o senhor está ótimo ai sentado,todo prosa, parecendo o promotor da viagem e dono do barco. Fez parte da filmagem do James Bond ? hahah. Uau. foto para a posteridade hahah maravilha.
    E que horror essas estradas. Deus me livre hahaha e ainda de luz alta.. Só Jesus na causa, como diz minha auxiliar. ahaha. Belo passeio. Uma beleza de postagem. Estou adorando conhecer essas paragens. Gosto sobremaneira da Ásia. Parabéns, pelo passeio e pela postagem.

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