França

Ajaccio, Córsega: Conhecendo a cidade natal de Napoleão na França

Napoleão Bonaparte é um daqueles raros personagens da História mundial que praticamente todo mundo no Ocidente conhece — ou no mínimo já ouviu falar.

Um dos responsáveis pela fuga da família real portuguesa ao Brasil em 1808, o general que tomou as rédeas da Revolução Francesa para criar todo um império renovador na Europa, sob novos valores, pondo a tremer as monarquias e aristocracias tradicionais.

Napoleão retratado pelo pintor francês Anne-Louis Girodet.

Na foto de abertura, vemos ali Napoleão cercado de leões de pedra e coroado com folhas de louro, como faziam os antigos imperadores romanos. Não era exatamente um São Francisco de Assis.

Eu acho curioso como estes líderes nacionais tantas vezes provêm não do centro, mas das tangentes ou mesmo de fora da nação. Stálin não era russo, era geórgio. Hitler não era alemão, era austríaco. Napoleão, à sua maneira distinto dos dois anteriores, era francês pero no mucho.

No papel, sim, mas na real se chamava Napoleone di Buonaparte, nascido aqui na Córsega, esta ilha que até poucos meses antes do seu nascimento havia sido um domínio da cidade italiana de Gênova, nada que ver com a França.

Eu inevitavelmente tratarei do imperador aqui, mas se trata de uma visita à sua cidade natal, Ajaccio, a capital da Córsega. Há mais do que apenas ele. (Perdão, imperador.)

Este é o montanhoso interior da Córsega, ilha hoje pertencente à França no Mar Mediterrâneo.
A maioria dos franceses vêm aqui em busca de trilhas na natureza. A mais famosa fica nas Gorges de la Restonica, um vale. Necessita que você alugue um carro ou ao menos dedique um par de dias ao interior da ilha, alojando-se em Corte, uma pequena cidade.

Eu meramente passava de trem, numa ferrovia que corta a ilha, desde Bastia no nordeste a Ajaccio no sudoeste, as duas principais cidades.

O trem corso nada tem a ver com os famosos TGV (Train à Grande Vitesse, ou trem de alta velocidade) da França continental. O daqui é apelidado de U Trinighellu, que se traduz em algo como “o tremelicante”. Você já pode imaginar.

Trata-se de um trem curto, que parece um metrozinho, e que de fato treme a valer nas suas 3h30 de viagem entre uma cidade a outra. Esqueça leitura ou filmes durante esta viagem — ou vai endoidar. Melhor olhar a paisagem, que fica especialmente simpática entre Corte e Ajaccio.

Os campos do interior da Córsega, vistos da janela do trem.
O trinighellu é este trem bonitinho. É curto, não tem lugar marcado nem wifi, mas é confortável — apesar de tremer.
O interior do trem corso. Tem tomadas e banheiro, mas traga seus próprios comes e bebes. Ele faz o trajeto completo entre Ajaccio e Bastia não mais que 2x por dia, então verifique os horários de antemão no site oficial. Basta comprar a passagem no dia; ele normalmente não se reserva, nem os tios da bilheteria são muito dispostos a lhe vender com antecipação.

Fazia um calor honroso quando eu desembarquei em Ajaccio próximo do meio-dia. Aquele sol gostoso, sem esquentar demais. Luz doirada era a glória dos meus olhos depois do primeiro semestre quase inteiro na Escandinávia, assistindo quieto da Suécia ao mundo inteiro se fechar diante da Covid.

Não demorei a perceber que Ajaccio tem um flair maior que Bastia, a outra principal cidade, de onde eu vinha. Pareceu-me mais turística — vê-se que aqui rola mais dinheiro. Há também uma praia deliciosa ainda que breve, a de São Francisco (St. Francis). Pequena, curta, mas o mar é gostoso, e com umas ondinhas.

A praia ficaria para o outro dia, primeiro eu trataria de almoçar, no Da Mama, um restaurante que recomendo. 

A atmosfera florida em que cheguei em Ajaccio, a capital da Córsega. A cidade tem apenas 70 mil pessoas, mas tem boa infraestrutura.
A Avenida Napoleão (Cours Napoleon), a principal da cidade.
A simpática praia de São Francisco na cidade. Pequena, mas bonita e agradável com umas ondinhas.
Ruelas e cervejas com a cara de Napoleão. (Você não tinha dúvidas de que os corsos fazem máximo uso comercial da figura dele.)

Não experimentei dessa cerveja, mas eu conheceria de mais outras coisas corsas.

Como a Córsega fica quase na Itália, não estranhei que meu almoço no Da Mama fosse um peixe no molho de tomate e com bastante queijo — uma delícia — acompanhado de pão francês. Aqui, um pedaço de pão sempre acompanha a refeição.

Andei pela pequenina parte mais antiga da cidade até a fortaleza chamada Cidadela de Ajaccio, que continua a ser utilizada como instalação militar e que portanto os turistas só podem ver por fora.

Meu almoço de peixe no molho de tomate com queijo e grânulos de pimenta-do-reino verde. (A pimenta-do-reino pode ser produzida em diferentes cores, da mesma planta, com leves diferenças de sabor.)
O forte chamado de Cidadela de Ajaccio continua a servir propósitos de defesa militar. Os visitantes podem apreciá-lo por fora.
… e apreciar este lindo mar também, nos seus diversos tons. Mas a água você é livre para também apreciar por dentro.
O porto aqui é mais pitoresco que em Bastia, com as montanhas do interior da Córsega lá por detrás das águas.

Tentei logo nesta tarde visitar a casa onde Napoleão nasceu, hoje um museu, mas não deu certo. Com as regras de distanciamento social, estavam limitando o número de visitantes e exigindo marcação prévia por e-mail ou telefone, o que acabei pedindo à recepção do meu hotel que fizesse para a manhã seguinte.

As pessoas aqui na Córsega raramente estão usando máscaras nas ruas, mas nos interiores de museus e no transporte público, é obrigatório. (Portez votre masque, monsieur.) Às vezes, também há algum segurança na entrada observando que você utilize o álcool gel antes de aceder à bilheteria.

Nisso, como também em algumas lojas, já acabei por conhecer diversos tipos de álcool gel. Adoro aqueles mais líquidos, refrescantes. Tomei pavor de uns grudentos, que deixam a sua mão depois toda pegajosa como um cuspe. Sempre que me aproximo de um vasilhame e é obrigado usar, rogo para que seja do tipo bom.

No dia seguinte, eu finalmente iria à Casa dos Bonaparte assim como à coleção de arte do tio de Napoleão, o Cardeal Fesch.

Aqui nesta rua, na casa à esquerda, cresceu Napoleão Bonaparte, nascido a 15 de agosto de 1769. Era leonino, por supuesto.
Estejam apresentados ao pai de Napoleão, Carlo Maria Bonaparte, o dono da casa. Era juiz, algo tradicional, e a quem o filho mais tarde acusaria de ser por demais apegado à aristocracia. Faleceria moço, antes dos 40 anos, do que se acredita ter sido câncer de estômago em 1785, antes da revolução e de ver o ascender do filho.

A família Bonaparte, ainda que de origem italiana, já estava na Córsega desde os idos de 1500. Napoleão nascia precisamente no ano — poucos meses depois — que Gênova cedeu a Córsega aos franceses para quitar uma dívida.

Napoleão cresceria como um de 12 irmãos sob os cuidados de Maria Letizia Ramolino, sua mãe, a quem ele creditava seu sucesso. O imperador passaria o resto da vida declarando como são os princípios da mãe que determinam o futuro dos filhos.

Madame mère (“Madame mãe”), como viria a ser chamada, ficou viúva aos 34 anos e ao contrário do marido viveria bastante, inclusive mais que seu filho mais famoso.

A casa dos Bonaparte é repleta de retratos de época. Digo retratos pintados, pois ainda não havia fotografia naquele tempo.

Entremos. Aquela ao fundo era a cama onde Napoleão dormia.
Uma das salas da casa dos Bonaparte.
As casas ricas da Europa do século XVIII tinham certo luxo e bastante espaço.
O quarto onde Maria Letizia deu a luz a Napoleão. La chambre natale, como eles aqui dizem.
Retrato de Maria Letizia Ramolino, depois Bonaparte, pelas mãos do pintor Robert Lefèvre em 1813 como imperatriz-mãe.
Retrato do jovem Napoleão.

Eu não vou aqui fazer toda uma biografia do imperador, mas ele entra logo na carreira militar e deixa a Córsega para pouco regressar. Não era um regionalista; suas ambições eram muito maiores.

Lembram-se de Pasquale Paoli, quem mencionei no post anterior? Em 1755, portanto mais de uma década antes de Napoleão nascer, ele havia sido um dos líderes do movimento separatista de independência da Córsega da cidade de Gênova.

Sob governo de Paoli, admirador de Montesquieu, implementa-se uma separação dos três poderes décadas antes da Revolução Francesa.

A essa altura do campeonato, Gênova, como Veneza, já não eram as potências que haviam sido séculos antes. Os grandes reinos eram muito mais potentes que meras cidades-estado a essa altura.

Os genoveses são derrotados, e em 1755 a Córsega se auto-proclama uma república constitucional, com direito a voto livre inclusive pelas mulheres e estrangeiros residentes. Sob governo de Paoli, admirador de Montesquieu, implementa-se inclusive uma separação dos três poderes décadas antes da Revolução Francesa. Os corsos jamais se esquecem desse breve período de soberania de que gozaram. 

Rousseau e Voltaire, que eram vivos à época, escrevem a respeito inspirando-se na experiência corsa, e há quem diga que sua proclamação da auto-determinação dos povos iria inclusive motivar a declaração de independência dos Estados Unidos vinte anos depois, em 1776.

Paoli vê a coisa escurecer, e vai pedir ajuda aos britânicos.

Porém, com a cessão da Córsega por Gênova à França em 1768 e, mais tarde, a própria Revolução Francesa a partir de 1789, a coisa se embanana um pouco. Os corsos haviam derrotado Gênova, mas não o Reino da França. Os franceses vieram buscar o que lhe foi dado, e Paoli teve que se exilar em Londres quando o exército francês ataca com força e assume o controle da Córsega em 1769, ano de nascimento de Napoleão. Seriam 20 anos de exílio.

Com a revolução em 1789, Paoli retorna à ilha em 1790, animado que agora toda a França parece compartir do ideário iluminista. No entanto, a partir de 1792 com o jacobinismo e a escalada autoritária do governo revolucionário — guilhotinas à solta e o chamado “Terror” de Robespierre — Paoli vê a coisa escurecer, e vai pedir ajuda aos britânicos.

Vossa Majestade, inimiga histórica da França, o atende. Paoli quis criar então um vice-reinado anglo-corso, com certa autonomia e protegido pelos britânicos. Em 1794, uma assembleia formaliza a separação da Córsega agora da França, e o famoso Almirante Nelson garante militarmente o controle britânico da ilha.

Paoli, porém, esperava ser ele próprio o vice-rei a governar a ilha. Os britânicos, em vez disso, puseram um deles: Sir Gilbert Elliot governaria a Córsega. Paoli parte desgostoso para outro exílio em Londres, onde terminaria seus dias. Viveu até 1807, e é um dos raros estrangeiros enterrados na Abadia de Westminster.

O movimento nacionalista corso enfraquece, e tampouco os britânicos conseguem segurar sua posse da ilha. Em 1796, a França já sob o comando de Napoleão os expulsa da Córsega, que jamais novamente deixaria de ser francesa.

As campanhas napoleônicas Europa afora e além-mar (ex. no Egito) são aí objeto de grande documentação histórica, mas se você quiser vê-las de uma forma um tanto inusitada, pode visitar aqui em Ajaccio o Naporama. É uma coleção particular mostrando cenas da vida pública de Napoleão e algumas das suas mais famosas batalhas com dioramas de Playmobil. Você pode consultar os horários de abertura no site da atração

O pequeno Museu Naporama, em Ajaccio, que retrata passagens famosas da carreira de Napoleão com dioramas de bonecos PlayMobil.
O golpe de estado de 18 de brumário, quando em 1799 Napoleão assume o poder.

Advirto que via de regra aqui nas atrações aqui em Ajaccio, incluso no museu Casa de Napoleão (Maison de Napoléon), tudo está apenas em francês. Há pouquíssimo ou nada em outro idioma; caso você seja do tipo que gosta de ler as descrições e legendas quando visita museus, tenha isto em conta.

Eu em seguida fui visitar o Museu Fesch (Musée Fesch), a coletânea de arte de época pertencente ao tio materno de Napoleão, o Cardeal Joseph Fesch (1763-1839). 

Há bastantes quadros, alguns mais impressionantes que outros. Há algumas poucas obras de Ticiano e Veronese, mas a maioria são de autores de segunda ordem (com todo o respeito). O mais impressionante — e diferente — talvez sejam os grandes, e grandiosos, retratos de Napoleão e seus parentes, no piso térreo.

O Museu Fesch, a maior galeria de arte da Córsega, no que era a residência do Cardeal Fesch, tio de Napoleão. (Naquela tendinha, um segurança nos obrigava a todos a passar álcool gel nas mãos antes de entrar.)
Um dos muitos longos corredores de pinturas. Há aqui mais de uma centena de obras, algumas deles de pintores europeus consagrados, como Ticiano e Veronese.
“Leda e o Cisne”, de Paolo Veronese (1528-1588). Retrata o antigo mito grego de que Zeus teria se transformado num cisne para copular com Leda, rainha de Esparta. (Curiosamente, eu recentemente mostrei a apresentação deste mesmo mito — em versão mais gorda — pelo colombiano Fernando Botero, no post da visita a Bogotá.)
“Virgem Tropical”, quadro de um pintor francês anônimo, dos mais apreciados da coleção do cardeal.
O Cardeal Joseph Fesch, tio de Napoleão. Foi quem casou o sobrinho com Josephine de Beauharnais em 1804, na véspera de ele ser coroado Imperador da França. Ele depois da separação de Napoleão o casaria novamente, em 1810 com Maria Luísa da Áustria. Com o fim do império napoleônico em 1815, toda a família foi banida da França e o cardeal mudou-se para Roma, onde viveu até 1839.
Maria Letizia, mãe de Napoleão, num retrato pintado pelo Barão Gérard (nada que ver com o Barão Geraldo de onde fica a Unicamp). Madame mère de l’empereur também foi exilada em Roma, com o irmão cardeal. Viveu lá até os 85 anos, falecendo em 1836, portanto 15 anos depois de Napoleão.
Ei-lo, talvez o francês mais famoso de todos os tempos, no seu esplendor retratado em vestes imperiais. Depois de conquistar quase toda a Europa continental, tombando na Rússia perante o “general inverno” em 1812, Napoleão seria derrotado por uma coalizão de forças em 1815 na Batalha de Waterloo, hoje Bélgica. Ele foi exilado na ilha de Elba, aqui pertinho, retornou brevemente a Paris, e então foi exilado novamente na Ilha de Santa Helena — que fica lá na P que o pariu no meio do Oceano Atlântico entre o Brasil e a Namíbia — onde ele faleceria em 1821, talvez por câncer de estômago como o pai, talvez por envenenamento.
Com uma imagem da cabeça do imperador aqui no Museu Fesch nestes tempos de Covid.

Anexa ao museu está a Chapelle Imperiale, um mausoléu algo oco com grandes paredes de mármores em diversos tons, mas sem muita decoração. Ali estão enterrados muitos parentes de Napoleão, em especial seus sucessores, de depois que a família se tornou notória França afora. Lembra um pouco o Mausoléu de Napoleão em Paris, onde estão os restos mortais do conquistador.

Interior da Capela Imperial (Chapelle Impériale), anexa ao Museu Fesch, construída no século XIX sob ordens de Napoleão III para abrigar vários da família. O mausoléu do imperador, entretanto, fica em Paris. A entrada aqui é num ingresso conjunto com o museu.

A Córsega, vale dizer, foi recapturada pelos britânicos quando Napoleão caiu em 1815. Porém, os lordes acabaram por decidindo retorná-la à coroa francesa quando a monarquia restaurou o Antigo Regime, com Luís XVIII.

A França daí se alternaria entre repúblicas e monarquias. O sobrinho do imperador, Napoleão III, mais tarde retomaria o poder numa Segunda República, e foi ele quem ordenou a construção dessa capela em honra à família. Para constar, a atual neste século XXI é a Quinta República Francesa.

Curiosamente, queiram o que quiserem franceses ou britânicos com esta ilha, o notável é como a sua alma é mais italiana que qualquer outra coisa.

O meu almoço nesse dia foi no Spaghetti 3, outro restaurante que recomendo sobretudo pelo serviço e pela maravilhosa oferta de sobremesas caseiras — talvez mais até que pelo espaguete em si.

À noite, acabei indo parar na L’epizzeria Fredo, onde um sardo (alguém da Sardenha) emigrado pra cá era o chef. Eles aqui entre as duas ilhas vizinhas pareceram-me muito irmanados, ainda que uma formalmente pertença à Itália e a outra à França.

Eu ia aos poucos encerrando minha visita.

Meu tiramisu caseiro de nutella, que comi de sobremesa no Spaghetti 3. (Eu sei, pornografia pura. Estava ótimo.)
Minha pizza de queijos, ricota e cogumelos à noite, acompanhada de um vinho que já não me lembro se era corso ou sardo.

O patrão é italiano“, respondeu-me o rapaz que trabalhava como garçom na pizzaria quando lhe perguntei. Foi aí que, pizza a meio do caminho, o “patrão” — o chef — apareceu-me para buscar uma prosa. Foi dos raros que me perguntaram de onde eu era.

Eu deveria ter espontaneamente pronunciado mais vezes que era brasileiro, pois aqui o exotismo desta visita na Córsega me rendeu uma dose grátis do digestivo de mirto que é típico destas duas ilhas do Mediterrâneo, Córsega e Sardenha. 

O digestivo de mirto (myrte) que ganhei de brinde. Trata-se de um licor ligeiramente travoso de uma frutinhas do bosque nativas daqui da Córsega e da Sardenha.

Se você vier no verão (junho-setembro), deve conferir o site oficial de Ajaccio com a agenda de espetáculos da estação. Encontra atividades quase diárias (ou ao menos várias vezes por semana), como musicais. Normalmente, basta reservar no próprio dia. 

Você daqui pode fazer também passeios bate-e-volta de barco. O mais popular é às chamadas Ilhas Sanguinárias (Îles sanguinaires), mas não cheguei a fazê-los. Acho que a tônica é principalmente ver a costa e curtir o mar. Na marina de Ajaccio há os guichês, e me pareceu possível reservar de um dia para o outro.

Pelas mediterrâneas ruas de Ajaccio, Córsega.
As coisas que a gente continua a encontrar por aqui, esse misturão de referências sul-americanas: gel de banho chamado Ushuaia, da “Bahia do Brasil”, com açaí e café.

Fui à praia, vi as pessoas fazendo topless como é de hábito aqui na França, e à noite vi um espetáculo típico corso de música polifônica, com que encerro este post. Chamava-se InCantu, e é todo na língua corsa.

A polifonia consiste em vários cantores conjuntamente entoando notas complementares, diferente do canto gregoriano ou outros convencionais, em que há em geral uma voz ou melodia predominando. É interessante. 

O canto polifônico quase desapareceu da Europa, e sobrevive como tradição quase que exclusivamente em ilhas mediterrâneas como a Córsega e algumas outras (ex. Majorca na Espanha). Quando um movimento independentista corso renasce na década de 1970, retoma-se também este canto como identidade cultural.

Gravei uma palhinha para vocês, que mostro abaixo. Diga-se o que disser da Córsega, ela tem a sua beleza própria.

Mairon Giovani
Cidadão do mundo e viajante independente. Gosta de cultura, risadas, e comida bem feita. Não acha que viajar sozinho seja tão assustador quanto costumam imaginar, e se joga com frequência em novos ambientes. Crê que um país deixa de ser um mero lugar no mapa a partir do momento em que você o conhece e vive experiências com as pessoas de lá.

One Reply to “Ajaccio, Córsega: Conhecendo a cidade natal de Napoleão na França

  1. UUuuuuuu que maravilha!…Ajaccio é um spettácolo. Belíssima, unindo o ontem e o hoje, e bem à altura do seu filho célebre. Linda. Amei. É uma bela cidade, com sua linda parte histórica, suas construções antigas, suas belezas que se perdem no tempo, suas belas colinas, mas também com sua face moderna, suas ruas e calçadões movimentados, praças ajardinadas e floridas, com gente jovem, e banhada / beijada pelo magnifico Tirreno, de um azul divino. Linda Ajaccio. Famosa e bela. A cara da Itália falando francês. Impressionante a alma italiana que a cidade respira. Linda
    Amei suas ruas charmosas com cara do Mediterrâneo, suas praças floridas, seus monumentos, sua linda orla ou riviera, com o Tirreno azul deslumbrante e belo. Belíssima, a capital da Córsega.
    Apreciei bastante saber um pouca história dessa ilha tão interessante, entrar na casa onde Napoleão nasceu, conhecer seus familiares, e ver as homenagens a ele prestadas pelos seus conterrâneos.
    Napoleão, considerado um dos grandes generais da História, foi um representante da burguesia que revolucionou o mundo de então, redesenhou o mapa da Europa, espalhou os valores e lemas da Revolução francesa, definiu, no bojo da Revolução Francesa que inicialmente representava, a virada da Idade Moderna para a Contemporânea. Combateu a aristocracia e ampliou os domínios da França, seus ideais e sua cultura na Europa de então. Admirado pelos franceses, odiado pelos aristocratas, sobretudo austríacos, e pela arqui inimiga da Franca, a Inglaterra, tornou-se autocrata e tentou criar um império. Foi vencido pelo ”general Inverno” e depois pelos próprios grupos aristocratas que combatera e vencera antes. Grande estrategista, valente e corajoso, polêmico e autoritário. Segundo se pensa hoje, teria sido envenenado, para evitar que retornasse à França e tentasse novamente o poder. Muito interessante esse olhar sobro o homem, antes de ser imperador. Gostei muito. Não conhecia essa parte da vida dele. Só sabia que era corso.
    Curiosas esses coisas com nomes e alusões ao NE que não existem aqui. hahah
    Destaque para o canto Polifônico. Impressionantes: o ritmo, a cor dos sons, o clima da música, a forma como foi interpretada, e a tônica semelhante a um hino, uma oração, um mantra, cheio de eloquente e sonora harmonia. Tem um ar majestoso com toques intimistas, e com características da música de coro religiosa/militar medieval. Belíssimo. Não sei, mas talvez o Canto Coral seja uma vertente modificada dessa polifonia. Muito bonita.
    Amei o museu, a casa do tio de Napoleão, a belíssima e charmosa Chapelle Imperial, os belíssimos interiores, os estilos maravilhosos das construções e por ai vai. Uma visita obrigatória para quem aprecia a Arte, a História e a Cultura. Amei conhecer Ajjacio. Viajar consigo é mesmo muito interessante, jovem amigo viajante.

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