Itália

Carrara, Itália: A origem do mármore mais famoso do mundo

Este é um pseudo-post, ou um quase-post, para mostrar ligeiramente o lugar de onde vem o mármore mais famoso do planeta: Carrara, na Itália.

Carrara é uma cidade. Esclareço que não é uma cidade turística, é uma cidade rodeada de pedreiras e dominada por fábricas processadoras de mármore — que surpresa.

Você vê a região ligeiramente se viajar de Pisa a Gênova (ou a qualquer lugar na Região da Ligúria). Pode sentar-se do lado direito do trem se quiser ver melhor as montanhas brancas, não de neve, mas da pedra de onde até os romanos antigos já tiravam o material.

As montanhas de Carrara, na Itália, de onde se extrai o mármore mais famoso do mundo.

Não é que Carrara necessariamente seja superior em qualidade a mármores de outras localidades (obras-primas como o Taj Mahal são em mármores de outras fontes), mas sua tradição é que faz o nome, sendo utilizado desde a Roma antiga. Em mármore de Carrara foi feito o Panteão, em Roma, e inúmeras das colunas de imperadores.

É também por conta de Carrara que, no Ocidente, o mármore branco com veias cinzentas é o mais dominante. Há muitos outros tipos — mármores negros, rosa, verdes, vermelhos, e em padrões diversos. Pode-se pensar em limpeza, mas é também uma herancinha imperial romana esse costume.

O banheiro lá de casa. Todo em mármore de Carrara.

O mármore é uma rocha metamórfica, pedra calcária naturalmente transformada ao longo do tempo. Seu nome vem do grego (mármaron), que quer dizer “reluzente”.

Se sua geografia estiver bem afiada, você sabe que existe o Mar de Mármara, que banha Istambul, o qual leva esse nome por ter uma ilha que há tempos é importante fonte desta rocha. Dela veio o mármore encontrado lá na Basílica de Hagia Sophia.

As veias no mármore — e as possíveis outras cores que não o branco do calcário — são outros compostos químicos acumulados ali pela natureza, como serpentina (no caso do verde), óxidos de ferro (no caso de tons vermelhos), e por aí vai. Há dezenas de tipos, oriundos dos vários continentes do planeta.

Os gregos foi que iniciaram essa mania de fazer esculturas em mármore. Os egípcios, antes deles, preferiam granito — como em muitas obras milenares que você encontra por lá ainda hoje. Os romanos foram conquistados culturalmente pela Grécia, como se sabe, e daí a moda se espalharia pela Europa e pelo mundo. O próprio Taj Mahal na Índia, mencionado acima, pode não usar mármore europeu, mas quando é construído no século XVII já é sob influências estéticas islâmicas e ocidentais.

Você passa de trem e vê ali as pedreiras. Perto da ferrovia, vários guindastes traziam grandes colunas de mármore já polido, que virá a ser transportado em trens. As reservas parecem imensas, já que há milênios são usadas.
Vê ali os “recortes” de mármore já polido?

Eu só ia passando de trem. Me chamou a atenção, achei que deveria mostrar. Sigamos viagem rumo à Ligúria. 

Mairon Giovani
Cidadão do mundo e viajante independente. Gosta de cultura, risadas, e comida bem feita. Não acha que viajar sozinho seja tão assustador quanto costumam imaginar, e se joga com frequência em novos ambientes. Crê que um país deixa de ser um mero lugar no mapa a partir do momento em que você o conhece e vive experiências com as pessoas de lá.

One Reply to “Carrara, Itália: A origem do mármore mais famoso do mundo

  1. Emocionante ver/rever, apreciar, Carrara e suas montanhas brancas à beira da estrada!… Simples e ofuscante de beleza, história e tradição. Que maravilha ver e saber da existência dessas belezas imortais, e o quanto essas montanhas já colaboraram para a Arte e a História das Civilizações que abrigou. Amo o mármore, seus tons, sua nobreza e o quanto embeleza as obras humanas. Soberbo. E o de Carrara principalmente. Cantado em prosa e verso por poetas e escritores, o mármore e Carrara se imortalizaram. Por simples que seja Carrara, traz consigo a História, pertence à arte, à humanidade e deveria ser um patrimônio. Ressalta a beleza do seu passado, do seu produto magnifico, que deu vida a tantas obras de arte sob o cinzel de gênios maravilhosos. Amei esse registo e também concordo que merece destaque. Obrigada, meu jovem amigo viajante por mostrar as riquezas da arte mundial e suas bases. Gostei.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *