Tanzânia

Como fazer um safári na Tanzânia: Custos, dicas e alertas

Um safári (do árabe, “jornada”) é aquele passeio, hoje feito em veículo, por entre a natureza vendo a vida selvagem. É daquelas coisas que a gente vê em filme, documentário, e provavelmente o principal tipo de atração turística na África.

Elefantes no Parque Tarangire.

Não que falte cultura ao grande continente (pelo contrário!), mas sua natureza é tão exuberante, com seus grandes animais de porte, que um programa desses entra facilmente no roteiro de qualquer um.

Eu ainda seguirei relatando mais da minha viagem pela Tanzânia (e depois postarei dicas mais gerais sobre o país), mas a esta altura achei adequado fazer uma coleção de considerações sobre como realizar um safári aqui.

Tem sido mais comum que brasileiros façam safári na África do Sul ou na Namíbia que aqui. Não é questão de ser um melhor que o outro (deixarei para opinar sobre isso quando já tiver feito todos), mas vale saber que o Quênia e a Tanzânia — grandes cenários inspiradores de O Rei Leão — são considerados a nata do leite dos safáris africanos. Isso requer também que você calibre o seu orçamento de acordo, pois eles são dos mais caros.

Abaixo vão vários detalhes de opções, custos, dicas e alertas sobre como fazer um safári na Tanzânia, esta terra do Monte Kilimanjaro e das planícies do Serengeti.

Eu começo pelo balanço do que mais e menos gostei na primeira própria experiência.


  • O que mais gostou. As paisagens da terra dos Maasai, vendo-os como pontinhos coloridos na paisagem e suas casas redondas. Parece outra realidade que não o mundo em que nós vivemos, mas é o mesmo. É um “idílico africano“, como chamei.
  • Visita obrigatória. O Parque Nacional do Serengeti. É inconcebível vir fazer safári na Tanzania e não o visitar.
  • O que não gostou. Os preços absurdos do turismo, bem mais caro que em qualquer outro continente. Para ilustrar: um passeio de balão em Luxor no Egito custa €25. Sai por €150 na Capadócia, e US$ 550 no Serengeti. Acampamentos relativamente simples, ainda que em lugares afastados, saem por US$ 300-400 a noite os mais básicos. Os de luxo podem custar mais de mil dólares a diária — mais que um resort cinco estrelas em Bora Bora.
  • Queria ter visto mas não viu. O Rio Mara, no norte do Serengeti, onde há aquelas travessias emblemáticas de documentário, com os crocodilos a pegar as manadas no rio. Para ir àquela parte norte do Serengeti, você normalmente precisa de pelo menos 3 noites no parque.
  • Momento mais memorável da visita. A dita Cratera de Ngorongoro, um magnífico santuário de vida selvagem. Parece um sonho. 
  • Alguma decepção. A comida anglo-americana ao café da manhã nas acomodações: panqueca com xarope de glicose, feijão no molho de tomate, manteiga de amendoim com geleia. Argh
  • Maior surpresa. Que as noites sejam tão frias. Durante a alta estação, a estação seca (junho-outubro), é quase um clima desértico de dias quentes e noites geladas (9-12ºC, e praticamente sem insulação, então é a temperatura que você sente do lado de dentro).

Na vastidão das planícies do Serengeti, o parque ecológico mais famoso do planeta.

COMO FUNCIONA UM SAFÁRI

Interior de um jipe de safári.

Dentro do carro. Você não sai andando por aí num safári. (Se assim fosse, turistas mil virariam “comida de leões”, como nos alertou Vanucci naquele célebre vídeo ao fim da Copa de 2006.) Salvo por alguns raros lugares, o trajeto é todo dentro de um veículo — geralmente um jipe com assentos para seis passageiros atrás e teto levantável, permitindo que você fique de pé dentro dele e olhando tudo lá fora.

Na frente, vai um guia que geralmente é o mesmo motorista.

Você contrata a operadora (com tudo incluso) + acomodações (pensão completa). Há inúmeras empresas operando safáris na Tanzânia. Todas elas fazem praticamente os mesmos trajetos, e vão aos mesmos parques.

Meu guia, Ally Kileo, com a nossa farta mesa de almoço durante o safári privativo que fiz.

No circuito norte da Tanzânia (de longe o mais popular), os destinos normalmente são os parques Serengeti, Tarangire, Lago Manyara, e a Cratera de Ngorongoro.

Via de regra, todos os safáris começam da cidade de Arusha. Alguns até incluem traslado para ir buscá-lo e ao fim levá-lo ao Aeroporto Internacional Kilimanjaro.

O que mais distingue as operadoras de safári (tour operators) não é a parte operacional, mas a parte comercial: condições de pagamento, atenção ao cliente, e preço.

Os veículos também são todos praticamente iguais, uns jipes 4×4. Ainda que algumas operadoras se gabem dos “nossos veículos especialmente desenhados bla bla bla“, eu durante minha estadia vi jipes de umas 10 empresas, e todos me pareceram idênticos, relativamente padronizados. Veículos a diesel, com dois tanques de combustível, e interior com o mesmo arranjo de assentos.

O que mais distingue as operadoras de safári (tour operators) não é a parte operacional, mas a parte comercial: condições de pagamento e de cancelamento, atenção ao cliente (ex. velocidade, presteza e clareza com que respondem aos seus e-mails), e preço (embora este não varie lá taaanto assim). Há também a competência dos guias, mas aí é um tanto sorte, pois você nunca conhece o guia de antemão, e é uma competência mais da pessoa que da empresa.

As empresas costumam cobrar uma taxa diária por pessoa e que inclui tudo, exceto acomodação: transporte, combustível, água, refeições, entradas, taxas ecológicas, etc. Quanto mais pessoas no grupo, menor vai ficando a diária por pessoa. As acomodações você escolhe no rol de opções da empresa; isso é acrescido ao preço, mas aí ela, a empresa operadora, é quem as reserva para você.

Típico jipe de safári em meio aos elefantes no Parque Tarangire.

Safári por adesão ou privativo? Há duas formas principais de fazer safári na Tanzânia: você tanto pode contratar um passeio exclusivo (só você e quem mais o acompanhar) quanto um chamado join-in safari, a terminologia aqui para quando a operadora se encarrega de juntar gente estranha para ir junto numa mesma viagem.

É claro que há vantagens e desvantagens num estilo ou outro, como em qualquer lugar do mundo. Viajar com “estranhos” é uma roleta russa: você pode fazer grandes amigos ou acabar tendo que aturar gente mala.

Afora esse aspecto interpessoal, os preços e os preparativos são a maior diferença. 

O mais tradicional e frequentemente feito na Tanzânia é o safári privativo (private safari). Você vê muitos casais ou famílias. Os serviços da operadora custarão em média US$ 250/adulto/dia se forem dois viajantes. Se seu grupo for maior, esse preço individual diminui. Se você viajar sozinho, ele sobe. Acresça-se aí o preço das acomodações.

(Os turistas chineses são muito sagazes e organizam-se pela internet com outros chineses antes de fechar com a empresa, para pagar a tarifa menor por cabeça. Acertam de se encontrar na África. Confiabilidade social é um valor que aqui lhes economiza dinheiro.)

Você passa semanas trocando e-mails com a empresa para organizar seu passeio, organizar o itinerário, falar de restrições alimentares ou preferências, eles podem perguntar suas expectativas, etc. 

Estão vendo este Nikon aqui? Em geral, muitas empresas fornecem um binóculo profissional por veículo. Para compartilhar ou usar sozinho.

No safári por adesão (join-in safari), você pode alertar alguma empresa ou acomodação em Arusha que organize estes passeios sobre suas pretensões e datas, mas costuma ser algo bem mais de improviso.

No Lago Manyara, Tanzânia.

Exige flexibilidade. Pode tudo dar certo rapidinho, ou você pode ter que esperar uns dias — ou mais — em Arusha. Ou você pode acabar não fazendo exatamente o que queria, mas o que deu para arranjar.

Eu já fiz disso em outros lugares e deu certo (ex. Mongólia), mas com a pandemia eu sabia que haveria menos turistas e não quis arriscar. 

Vi, porém, também muitos relatos pré-pandemia de estrangeiros se queixando que penaram um tempo em Arusha — dias ou semanas — até achar com quem viajar, que disseram a eles que seria fácil achar e não foi. Encontrei também pessoas que logo encontraram e gostaram muito.

Eu sugiro esta opção a quem tiver datas flexíveis, mais tempo que dinheiro, e que pretender fazer safáris curtos (2-4 dias, enquanto que os privativos podem ser mais extensos, 5-8 dias). Pareceu-me mais fácil arranjar companhia para uma rapidinha que para algo mais longo, se é que me entendem.

Tenha também em conta que os africanos são muito semelhantes aos latino-americanos no aspecto de gostarem de soar mais otimistas que a realidade. Você invariavelmente ouvirá “Pode ficar tranquilo. Aqui a gente resolve sem problemas.“. Não significa que vá ser realmente assim.

É, porém, uma opção mais econômica: cerca de US$ 180/pessoa/dia, mais as acomodações e as entradas nos parques. Cuidado pois estas podem ser caras. Para descer a Cratera de Ngorongoro, por exemplo, são US$ 300 por veículo. Eu recomendo avaliar com o prestador de serviço os detalhes do que está incluso ou não, e pôr tudo na ponta do lápis para evitar surpresas.

Muita atenção com pedidos de transferência de $ adiantado; isso é comum nos safáris privativos, com empresas com nome a zelar, não nos safáris por adesão. 

Nestes safáris meio improvisados, você pode regatear o preço da acomodação assim na hora ao chegar. Passar uma ou mais noites em camping também é algo muito comum neste arranjo, já que atende a um público mais jovem e mochileiro. (A empresa costuma fornecer o equipamento.)

Claro que nestes safáris por adesão há maior risco de furadas. Quem está lhe vendendo o serviço precisa lhe inspirar certa confiança. O maior risco destes budget safaris, como às vezes os chamam, é tomar calote. Muita atenção com pedidos de transferência de $ adiantado; isso é comum nos safáris privativos, com empresas com nome a zelar, não nos safáris por adesão. Nestes, aqui na Tanzânia a prática corrente é pagar tudo pessoalmente.

Área de um lodge, como são chamadas as pousadas por aqui.

Quanto custam as acomodações, e o que esperar delas? A menos que faça camping num safári por adesão, você certamente se hospedará num lodge, como as pousadas e hotéis aqui são chamados. Por vezes eles ficam dentro dos parques; outras vezes, nos arredores.

Há níveis diversos de conforto, como na cidade, com preços que variam bastante. Atente que eles frequentemente são por pessoa, não por quarto. Todos costumam incluir banheiro privativo.

Em quartos mais simples, pense US$150-260/pessoa/noite. Vá subindo até as opções luxo (deluxe ou premium) por cerca de US$ 700-1000/pessoa/noite.

Eu fico imaginando o que deve haver de tão especial nessas opções mais caras. Talvez um elefante venha conversar com você ou algo assim. Porque mesmo as mais simples de todas são bastante confortáveis.

Quarto privativo na tarifa mais simples. Os detalhes de estilo, conforto e serviços, porém, vão variar com cada rede de lodges. Como com redes de hotéis na cidade.
Exemplo de um banheiro num lodge.
As acomodações tendem a ser bastante espaçosas. É habitual que você receba sua própria unidade (uma cabana ou grande tenda chique), já que são pousadas campais.

Em termos de infraestrutura:

    • Banho quente há, embora nem sempre a força da ducha seja boa. Por vezes, você também precisa avisar a hora de antemão para que eles aqueçam a água. 
    • Wi-fi tem se tornado cada vez mais comum, mas nem sempre há. E ainda que lhe avisem que vai haver, não significa que estará funcionando. Na minha experiência, em metade dos lodges a wi-fi funcionou; na outra metade, ficou no “pedimos desculpas, senhor; no momento, infelizmente, não está funcionando“.
    • Sinal de celular é fraco nos parques mais afastados como o Serengeti, mas há.
    • Eletricidade é limitada. Pode-se carregar celular, bateria da câmera etc., mas nem sempre há potência suficiente para usar barbeador ou secador de cabelo, vos digo. Fui especificamente alertado.

Vocês podem ver que é até uma infraestrutura digna e bonita, mas com suas limitações. Quanto à wi-fi, às vezes as bilheterias das entradas dos parques têm sinais gratuitos com conexões mais rápidas que as das acomodações. 

As acomodações todas costumam oferecer pensão completa, exceto pelas bebidas (alcoólicas ou não) durante o jantar, que normalmente custam à parte. 

Ao fim, prepare-se para sempre preencher na saída de manhã o formulário de satisfação. Eles dão uma importância grande a isso, como você verá. 

“Quanto eu preciso levar, no total?”

Um cômputo total de preço? Depende da duração do seu safári e, sobretudo, de quantas pessoas haverá no seu grupo de viagem.

Tenha em mente que os safáris da Tanzânia são relativamente curtos. Se na Namíbia e outros lugares há safáris de duas semanas ou mais, aqui uma semana já é um safári bastante comprido. A maioria das pessoas vê apenas o Serengeti e Ngorongoro em 2-3 noites e pronto. 

Há pacotes mais extensos que incluem os parques Tarangire e Lago Manyara, ou ainda alguma visita cultural às margens do Lago Eyasi, mas dificilmente vão além de 8 dias no total. Acima disso, você já está combinando com entrar pelo Quênia para fazer o Maasai Mara e outros lugares lá.

Na opção privativa, espere pagar cerca de US$ 2.000-3.000 por pessoa se você vier em dupla (casal) para um safári de 6 dias, incluindo todo o principal aqui no norte da Tanzânia. A variação aí vai depender da empresa específica e suas escolhas de acomodação.

Na opção em grupo (por adesão) você paga menos, na faixa de US$ 1.000-2.000 para um passeio de 6 dias, mas com noites em camping e pode ter dificuldade em encontrar companhia para algo tão extenso, a menos que venha com tempo, se organize antes, ou tenha sorte.

Inclua aí 10% de gorjeta ao guia-motorista no final. Alguns falam em 20%, mas você só dá mais de 10% se quiser. Tampouco é obrigatório, mas os 10% meio que são esperados.

(Sim. Turismo na África ainda é, infelizmente, caro. Na Mongólia, em comparação, eu paguei US$ 600 por 9 dias com tudo incluso…

Cobra-se geralmente 3-5% de tarifa suplementar para pagamentos com cartão aqui na Tanzânia.

Trazer dinheiro em espécie ou cartão? Tome nota de que eles aqui na Tanzânia não são lá muito versados em cartão. Costuma-se cobrar um adicional de 3-5% para pagamentos com o plástico.

Se for fazer um safári por adesão, melhor vir munido das notas verdinhas de dólar. Se for fazer um safári privativo com alguma empresa idônea, eles quase sempre preparam tudo para você de antemão e, portanto, exigem boa parte do pagamento (senão ele todo) antecipado via transferência bancária.

Tudo o que for para turistas aqui será cotado diretamente em US$. Já para coisas do dia-dia você precisará trocar ou sacar uns xelins tanzanianos (Tanzanian shillings) se não estiver no país apenas para fazer safári. Se for fazer exclusivamente safári, praticamente não precisará da moeda local, já que caso você queira algo extra nas acomodações (ex. souvenirs, bebidas), eles em geral aceitam dólares.  

Tem guia que fale espanhol pelo menos, se não português? Eu me deparei com muitos guias. Quem tem alguém a recomendar pode pôr abaixo nos comentários, mas eu não vi nenhum guia que soubesse português — ainda que Moçambique fique aqui do lado. Talvez haja, mas me pareceu incomum.

A boa notícia é que há muitos guias fluentes em espanhol. E como a sonoridade das línguas africanas costuma se assemelhar às latinas, eles falam com muito boa fluência. Eu fiquei impressionado. Peça à empresa que você contratar, se for algo do seu interesse.

À mesa do almoço com Ally, o meu guia.

Que empresa você usou, Mairon? Recomenda? 

Sim. Tenho duas recomendações. Se forem fazer safári por adesão (join in), recomendo o pessoal da Waka Waka House em Arusha. Pessoal muito gente boa e digno. Eles têm tanto esse cama & café (Bed and Breakfast) quanto o Waka Waka Hostel, que durante a pandemia ficou desativado. 

Não altera o que eu disse antes sobre tomar com um grão de sal o otimismo deles, etc., mas me pareceram confiáveis. Hospedei-me lá e, embora não tenha feito safári com eles, conheci pessoalmente quem fez e aprovou. Procure por David, o manda-chuva.

Já para safáris privativos, eu recomendo a empresa que utilizei: a Soul of Tanzania. São um pouco mais caros que a média, mas se mostraram muito organizados e profissionais — algo que fiz questão, sobretudo em se tratando de tanto dinheiro pago de antemão, e com toda a imprevisibilidade extra de uma viagem durante a pandemia.

Afora ela estar muito bem recomendada, como se pode checar internet afora, não é segredo para ninguém que lê o blog regularmente que eu gosto de comer bem — e eles oferecem almoços de verdade, com garfo e faca, em vez dos habituais sanduíches que você verá outros turistas comendo.

Comi bem à beça. Por fim, um dos donos da empresa é português, e você pode realizar toda a troca de e-mails e acertos no nosso idioma, se isto lhe é uma vantagem. Mandem um abraço ao Luís e outro ao Ally Kileo, se forem passear com ele (o que também recomendo, pois além de muito profissional e de ser fluente em espanhol, ele “sabe onde as cobras dormem”, como diria a minha avó.) O inglês deles todos também é muito bom, diga-se de passagem.

Quando vir?

Qual a melhor época para fazer um safári na Tanzânia? A alta estação por aqui é junho-outubro, quando normalmente não chove. Esses preços que eu lhes dei é para viajar nessa época. Fora de época fica mais barato a depender do mês.

A estação seca é também a alta estação turística porque a grama está amarela e baixa, e fica bom para ver os animais. Na época chuvosa, a grama fica verde e alta, escondendo-os. Além disso, na época seca há bastante poeira mas pelo menos não há atoleiros que detenham seu jipe.

Planícies do Serengeti durante a estação seca, com seus emblemáticos tons amarelos.

Uma das principais atrações sazonais aqui é a chamada Grande Migração de gnus (animais aqui chamados de wildebeest). Ela se dá nos idos de junho/julho. Se for do seu interesse, planeje com antecedência pois é uma época muito cotada. 

Já pelos idos de fevereiro é quando há os bezerros de gnus (o período chamado em inglês de calving season). Porém, saiba que de novembro a junho há períodos intermitentes de chuvas, e por vezes isso tem consequências importantes nas estradas de chão dos parques.

Na época seca, por outro lado, não creia em safáris nas áreas sul ou leste do Serengeti, pois é seco demais. Nessa época, visita-se o Serengeti central e — se você vier para passar pelo menos três noites nele — também o norte do parque.

Na Cratera de Ngorongoro, que tem um microclima próprio e é verdejante assim mesmo durante a estação seca.

Que animais eu vejo num safári aí? Os operadores todos têm uma fala já meio clichê de que não podem garantir animal nenhum, pois é a natureza, etc. 

Na prática, os safáris são uma grande busca para que o cliente veja pelo menos uma vez tantos tipos de animal quanto possível. O foco, claro, está na chamada “megafauna carismática”, os animais de grande porte que quase todo mundo quer ver: leões, leopardos, guepardos (chitas), elefantes, girafas, zebras, entre outros.

Leões no Parque Nacional do Serengeti.

Há também avestruzes, abutres (que são enormes!), hipopótamos, búfalos, gnus, e uma infinidade de outros herbívoros (antílopes, gazelas, impalas…) daqueles que são comida de leão. Isso sem falar nos muitos tipos de pássaros.

Rinocerontes são os grandes animais mais raros de ver aqui, por conta da caça ilegal ao longo das últimas décadas. Seus chifres são utilizados na medicina popular chinesa e vietnamita, e há um infeliz mercado clandestino ainda que sua caça dê cadeia. O máximo que consegui foi ver um bem longe com o binóculo.

Uma curiosidade: Por toda a África você verá um foco meio bobo nos tais “Grandes Cinco” (the Big Five): búfalo, leão, elefante, rinoceronte, e leopardo. Eu ficava intrigado, achando que era só pelo tamanho, e me perguntando por que é que o leopardo estava aí e o hipopótamo — que é muito maior — não. Também achava meio boba a inclusão do búfalo ali. Nunca ouvi falar de ninguém viajando pra ver búfalo.

A maioria dos africanos nem sabe explicar quem escolheu os tais cinco, mas ao que parece essa é uma herança colonial dos tempos dos troféus de caça. (Ninguém punha cabeça de hipopótamo na parede, mas de búfalo, sim.) Esses animais eram os cinco mais cobiçados e também os mais perigosos, pois perseguiam os caçadores de volta. Virou turismo agora.

Para não dizer que não falei das plantas, um grande baobá na no Parque Tarangire. É onde você mais os encontra.

O que trazer para um safári na Tanzânia? Afora o habitual de qualquer viagem, aqui tenha atenção com o seguinte.

      • Usar roupas em cores da natureza tipo verde, marrom, ou amarelo claro. Nada muito vibrante tipo vermelho ou rosa-choque, ou os animais podem achar você esquisito e se afastar. Vários deles enxergam em cores. Evite também preto ou azul-escuro, de que gostam as insuportáveis moscas tsé-tsé.
      • Se vier na estação seca, traga roupa de frio! A temperatura cai a 9-12ºC à noite. Uma jaqueta também virá a calhar de manhãzinha e à hora do jantar. Como aqui fica bastante seco, um hidratante pode lhe fazer bem.
      • Repelente é só na estação chuvosa. Na estação seca, praticamente não há mosquitos. (Contra as moscas tsé-tsé, sinto lhes dizer que repelente pouco ajuda. Elas, todavia, normalmente não estão contaminadas com a doença do sono nesta região da Tanzânia. Elas só aparecem durante o dia, e em alguns lugares específicos. De qualquer forma, à noite você verá que todas as camas aqui têm mosquiteiro.)
      • Certificado de vacinação contra a febre amarela, pois eles na imigração podem pedir, a quem vier do Brasil ou com passaporte brasileiro.
Elegante girafa às margens do Lago Manyara.

Você pode ler mais detalhes sobre minha experiência de safári e cada um dos parques que visitei nos posts abaixo:

Todos esses parques valem a pena. Sua sequência é meio pré-definida pela geografia, já que todos os safáris partem de Arusha, mas eu recomendo fazer a Cratera de Ngorongoro no final, senão os outros podem empalidecer em comparação. Os títulos das postagens já dão uma ideia inicial do que encontrar; e, em detalhes, você podem ver os parques nos posts sobre cadaum.


Quem precisar ainda de algum esclarecimento, tiver outra dúvida, ou quiser algum toque, é só pôr aí abaixo nos comentários.

Mairon Giovani
Cidadão do mundo e viajante independente. Gosta de cultura, risadas, e comida bem feita. Não acha que viajar sozinho seja tão assustador quanto costumam imaginar, e se joga com frequência em novos ambientes. Crê que um país deixa de ser um mero lugar no mapa a partir do momento em que você o conhece e vive experiências com as pessoas de lá.

One Reply to “Como fazer um safári na Tanzânia: Custos, dicas e alertas

  1. Que paragens maravilhosas. Que belo passeio. Parabéns, meu jovem amigo pela escolha e pela coragem de ir mesmo com a situação sanitária mundial.
    Certamente vamos sentir saudade dessa África bela, exuberante, cheia de magníficos animais, belíssima vegetação, planícies infindas, do majestoso e famoso Kilimandjaro com uma natureza prodigiosa, ocasos espetaculares e de belezas mis. Maravilha. Amei este passeio. Gostaria de, quem sabe um dia, conhecer esse lado da África . Fiquei encantada. Que fotos magnificas. Amei.
    Boas dicas.
    Obrigada, jovem viajante brasileiro por tanta beleza partilhada. Gostei de tudo.
    Que venham mais belezas.

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