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Filipinas

Viajando nas Filipinas: Dicas, o que fazer e lugares aonde ir

As Filipinas são um país incrível — único na Ásia e no mundo. Misturam características orientais e ocidentais, devido aos mais de 300 anos de colonização católica espanhola (1565-1898) e outros quase 50 anos de colonização pelos Estados Unidos (1898-1946).

Não ache que está vindo a um país oriental como os outros, da Ásia continental. Exceto pela mui asiática gastronomia — ainda que leve nomes espanhóis engraçados, como arrozcaldo, lechón, merienda, entre outros —, estamos numa nação que bem poderia estar entre nós na América Latina.

Se, talvez, apenas 1.400 Km em vez dos 14.000 Km de água do Oceano Pacífico as distanciassem fisicamente do México, as Filipinas provavelmente estariam.

Spanish and Portuguese trade routes
Ali estamos, e assim foram as rotas — portuguesas e espanholas — que levaram à colonização ibérica deste país.

Em alguns aspectos, com a devida vênia, é dos países mais lindos que já vi no mundo. Em termos de paisagens marítimas, costeiras, não acho que haja quem supere as Filipinas. Vocês verão.

Abaixo, eu faço um balanço da minha breve experiência de quase duas semanas aqui — um tempo razoável, mas que pode ser esticado para três ou mais se você gostar da coisa.

Em seguida, várias dicas e considerações a quem planeja vir.

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  • O que mais gostou. Das paisagens costeiras. As Filipinas, em si, são um país interessante, mas o seu litoral com mar e rochas — sobretudo em Palawan — é que é de outro mundo.
  • Visita obrigatória. Coron ou El Nido. Acho que é a primeira vez que dou duas opções como visita obrigatória. De preferência, vá a ambas.
  • O que não gostou. Da quase onipresença de carnes fritas e churrasco dominando as opções de comida. Há quem goste — os filipinos sem dúvida adoram — mas eu prefiro algo mais temperado e variado.
  • Queria ter visto mas não viu.  A grande ilha de Mindanao no sul do país, a região muçulmana das Filipinas, que é algo diferente. Um dia também vou a Boracay — a praia que de tão abusada o governo fechou ao turismo e depois reabriu — para ver como ela anda. 
  • Comida(s) a experimentar. Se você perguntar aos filipinos, vão dizer balut: o bizarro ovo fertilizado que se come com o embrião de ave cozido dentro. Já eu recomendo um boodle fight, mas mais sobre os Comes & Bebes na seção específica abaixo. 
  • Momento mais memorável da visita. El Nido, dando-me conta de que estava num dos lugares mais lindos que já encontrei neste planeta.
  • Alguma decepção. Eu não deveria ter me surpreendido, mas um pouco a falta de bibelôs culturais típicos, como se encontram noutras partes do Oriente. Aqui, para efeitos de compras e souvenires, é como se você estivesse visitando Porto Rico ou algum outro lugar latino do Caribe com influência dos EUA. 
  • Maior surpresa. As semelhanças das Filipinas e dos filipinos com o Brasil. O jeito deles de ser — aquele misto do tradicional com o moderno de influência norte-americana, os vínculos familiares, a malícia, a sexualidade, a religião cristã combinada a um jeito brincalhão e até malandro — enfim, parecem brasileiros na Ásia. (Até os atuais presidentes são muito parecidos.)

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Clima e outras razões: Quando vir

A alta estação nas Filipinas vai de dezembro a abril. Maio chega trazendo chuvas cada vez mais fortes de verão, e de julho a novembro há risco de tufões. Pode ser uma época mais barata, mas a chance de ficar preso no hotel devido a chuvas fortes é bem maior.

Eu vim em fevereiro e encontrei um clima ameno. A maioria dos dias era de 27 graus com sol e algumas nuvens. Houve chuvas, mas nada demais que estragasse o passeio. (Só não confie demais na previsão do tempo para aqui. Às vezes, há chuvas inesperadas que caem e vão embora dali a umas horas.)

Afora o aspecto climático, você pode levar em conta os feriados cristãos neste tão pio país. Natal e Semana Santa, em especial, são bastante festejados aqui, com lugares fechados, movimento de pessoas, etc. Eu só viria nessas épocas se fosse com o propósito específico de conhecê-las. Se não for o caso, melhor evitar estas datas. 

Pôr do sol em Coron, Filipinas
Pôr do sol em Coron. Dezembro a abril garante mares calmos e tempo bom, com sol e não muito calor (25-32 graus em média) para este país tropical também abençoado por Deus e bonito por natureza.

Dinheiro e Câmbio

A menos que você vá desembarcar em Manila e ter tempo de rodar pela cidade, eu recomendo trocar dinheiro já no aeroporto internacional, no Terminal 3. Embora a reputação das casas de câmbio de aeroporto seja a de más cotações, aqui nas Filipinas elas são bem melhores do que aquilo que você encontrará pelas ilhas turísticas. Traga dólares ou euros (ou alguma moeda aqui da região da Ásia-Oceania, caso more por aqui).

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Pesos filipinos (PHP). Flutua pouco. USD 1 = cerca de PHP 50.

Na prática do dia-dia, apesar da proximidade cultural e histórica dos filipinos com os EUA, não espere pagar nada em dólares. Aqui não é o Camboja, onde se usam dólares corriqueiramente. Aqui as pessoas em zonas turísticas podem até aceitá-los, mas com cotações desvantajosas pra você. No dia-dia, todos os pagamentos, inclusive em hotéis e hostels, são em pesos filipinos (PHP).

Pagam-se coisas com cartão em lugares mais arrumados, mas no grosso dos lugares na rua, espere pagar em espécie.


Acomodações e Custos

As Filipinas são um país barato. Naturalmente, há acomodações de todos os preços. Quarto individual com banheiro privativo em pousadas simples ou hotéis 3 estrelas saem facilmente por menos de USD 50/noite. Cama em dormitório de albergue — opção boa para mochileiros nas paragens mais turísticas, como Coron ou El Nido — sai por cerca de USD 15/noite. Lugares bons!

É prática comum aqui nas Filipinas pedirem um depósito de 1000 pesos na chegada, que é devolvido ao fim da estadia se tudo estiver em ordem. Não achem estranho.

Cebu 1 11
Uma noite num hotel 3 estrelas assim em Cebu me saiu por cerca de USD 30. Nada mau.

No mais, alimentação é um tanto como no Brasil. Comer na rua é mais barato (almoço por menos de USD 5) e comer em shopping sai mais caro. Mesmo assim, se você pegar redes comuns pelas Filipinas como o Max Restaurant você come bem, no ar condicionado, pelo equivalente a USD 5-7.

Já os tours de dia inteiro nas áreas turísticas saem por cerca de USD 20-30 por pessoa, geralmente em grupos de 12-18 pessoas.

Resumo da ópera: Seu principal gasto, de longe, será a passagem de avião até as Filipinas. Uma vez aqui, tudo é relativamente acessível. 

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Este cardápio foi em pleno aeroporto de Manila. Lembrem que USD 1 = apr. 50 pesos, e avaliem aí como é mais barato que no Brasil. Pratos principais por menos de quatro dólares.

Voos & outros transportes

Esta é uma parte fundamental do planejamento de visita a este país-arquipélago que é o mais distante do Brasil no planeta Terra. Vamos por partes.

Chegando às Filipinas. Vir de avião até Manila tem seu preço, que pode ficar mais barato se você cogitar combinar a sua vinda às Filipinas com uns dias em Singapura, Bangkok ou Hong Kong — cidades-chave na Ásia, para onde os voos partindo do Ocidente às vezes são mais baratos. Nenhuma delas requer visto a brasileiros nem portugueses.

Às vezes, pode sair mais em conta fazer, digamos, São Paulo – Hong Kong – São Paulo, com a sua ida às Filipinas a partir de Hong Kong inserida ali dentro. Hong Kong – Manila sai super barato, inclusive com a opção de você já adquirir o voo para outro lugar das Filipinas, como Davao ou Cebu, com conexão em Manila. Dessa forma, você evitaria ser forçado a ter duas estadias em Manila, uma na chegada e outra na saída.

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A Cebu Pacific é uma das principais companhias aéreas das Filipinas. Voa para vários destinos do país e da Ásia. Porém, as aéreas filipinas normalmente não vão ao Ocidente, daí o truque de chegar primeiro à Ásia e, daqui, ter várias opções.

Voos domésticos. Fazer o pula-pula de ilha a ilha é essencial nas Filipinas. Viagens a ilhas próximas às vezes podem ser feitas de ferry, como no caso da cidade de Cebu até as ilhas próximas (ex. Bohol e Panglao).

Eu já fiz um post sobre voar nas Filipinas com avaliação de algumas cias aéreas daqui.

O Aeroporto Ninoy Aquino em Manila provavelmente será seu elo de ligação entre ilhas. Atente que o Terminal 3, o internacional e principal, fica fisicamente separado do Terminal 4, muito usado por empresas de baixo custo (como a CebGo) em voos domésticos.

Você leva uns 15 minutos de táxi entre um terminal e o outro. Há um ônibus do aeroporto para passageiros fazendo conexão entre os terminais aqui, mas ele é pouco frequente: apenas dois por hora, em horários algo irregulares. Nunca encontrei tabela; só chegando e perguntando, aí eles avisam “O ônibus deve sair entre umas 11:30 e 11:45”). Portanto, não bobeie.

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Vendo a ilha de Palawan de dentro do avião.

Passageiros entre voos da Cebu Pacific ou da Philippine Airlines têm acesso a um transfer VIP da empresa, uma van que faz o percurso em 10min. Ela parece sair com mais frequência, mas também sai em horários irregulares.

Ao chegar na área de transfer, reporte-se ao balcão da companhia e eles providenciarão o transporte pra você. (Quando eu fiz isso, tive a impressão de que eles olham o horário do seu voo e esperam juntar um certo número de passageiros para cada viagem, então é importante você se apresentar a eles para verem que está ali.) O Terminal 4 parece uma rodoviária. É o terminal original do aeroporto, de 1948. Está reformadinho, mas é bem básico.

Como comentei naquele post específico sobre voos, não se surpreenda se as aerolinhas filipinas alterarem o horário do seu voo de modo radical. Eu me planejei para sair de um lugar no começo da manhã, passando o dia no destino, e a Philippine Airlines — que nem é das de baixo custo — alterou pra a noite. Nem levou em conta que eu tinha uma conexão pra pegar com ela mesma (!). Portanto, reserve com antecedência, mas esteja alerta. Nada de muita ambição com conexões apertadas, ou podem melar seus planos.

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No Aeroporto Internacional Ninoy Aquino em Manila, capital das Filipinas. É um aeroporto amplo, com quatro terminais, mas que ficam fisicamente separados e requerem transporte para ir de um a outro.

Dentro das cidades, você tem motos, triciclos (que aqui fazem as vezes dos tuk-tuks da Índia ou do Camboja), e os chamados jeepneys, que são conduções-lotação tipo camburão, com linhas fixas e passageiros entrando por trás. Às vezes lota mesmo e vai gente até em pé segurada nos ferros atrás do carro.

Táxis propriamente ditos, só nas cidades de porte. Nesses casos, opte sempre pelo taxímetro. A rodagem aqui é bem mais barata que no Brasil. Por mais que você tome um city tour não solicitado do taxista, é provável que ainda assim sairá mais barato que um preço fixo acertado de antemão (a menos que você tenha uma boa noção do que é um preço bom para aquele trecho; mas saiba que dificilmente o taxista lhe oferecerá um).

Para todo o mais existe Grab, o aplicativo que faz as vezes do Uber aqui no Sudeste Asiático. Bom tê-lo no telefone.

Triciclos nas Filipinas
Estes triciclos são a típica cara do transporte popular — e turístico! — nas paragens de pequeno e médio porte das Filipinas. Lugares como Bohol, El Nido, Coron e Alona Beach estão cheios. Já nas cidades grandes, os táxis e veículos de aplicativo são mais comuns.

Segurança

Eu preciso admitir que me surpreendi com as Filipinas neste quesito. Devido à má fama de tráfico de drogas, guerrilhas e alta taxa de crimes violentos (diferente do restante do Sudeste Asiático), achei que fosse encontrar um país mais assemelhado à América Latina na questão de segurança. Mas não chega a tanto.

É preciso ser algo mais cuidadoso aqui que, digamos, na Tailândia ou no Vietnã, sobretudo se você estiver em Manila, mas não é como no Brasil, onde há assaltos repentinos à luz do dia e à mão armada.

Eu diria que se você tiver atenção aos seus pertences e usar metade do cuidado que tem no Brasil, já estará assegurado.

Mindanao, a região sul das Filipinas, pode requerer uma atenção especial pois acaba de sair de um conflito armado. Eu não cheguei a ir lá; é a região muçulmana do país, onde havia um movimento separatista que no fim de 2018 se reconciliou com o governo central. Sei de turistas que foram lá e não tiveram qualquer problema, mas ainda não posso comentar por experiência própria.

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Mesmo em Manila, o centro histórico e turístico da cidade (chamado de Intramuros) é bastante seguro, e se pode circular a pé ali numa boa.

Comes & Bebes

Uma observação geral é que a comida filipina quase não tem tempero. Sal, molho de soja, e vinagre. Muito churrasco (e mais no sentido do barbecue norte-americano que aquele churrasco sul-americano).

Isso é ainda mais basicão nas áreas turísticas, mas entre num Max em qualquer cidade de porte e você encontrará pratos bem temperados, embora ainda com muita carne e sem alcançar os níveis épicos de tempero de outras gastronomias asiáticas como a tailandesa ou a indiana.

Manila 1 09
Há coisas bem preparadinhas, como este peixe assado na folha. (O queimado foi só por fora.)
El Nido 1 23
Mas as refeições que mais encontrei eram assim: arroz, carne de porco, peixe e mariscos fritos, e frutas. Eles aqui não usam muitos condimentos no dia-dia.

Como estamos na Ásia, espere muito arroz. Não conte comer muito pão nem massa aqui; a regra do dia é arroz com legumes e/ou carnes, ainda que haja, sim, grande variedade de pratos.

Há também bastante influência chinesa e do restante do Sudeste Asiático em geral, com suas comidas condimentadas e com leite de coco.

O mais notável, porém, e tipicamente filipino, é o boodle fight, que infelizmente só faz sentido em grupo — mas veja se dá um jeito de integrar-se a um. É uma mesa comprida, inteira recoberta de montículos de arroz com comidas por cima, e que todo mundo come de mão junto. É “pra se acabar”, mas pode ser uma experiência. 

Mesa de boodle fight nas Filipinas
Uma mesa de boodle fight é assim. Acontece em eventos e confraternizações. Muito arroz, com direito a tudo ali por cima.

Já o alimento filipino mais cantado em verso e prosa, incitado pelos filipinos para que os turistas comam, e amado ou odiado com repulsa por estes últimos é balut, a prova cabal de que nojo é algo subjetivo.

Trata-se de ovo (geralmente de pato) fertilizado e deixado para se desenvolver por algumas semanas. Daí, cozinha-se o ovo com o embrião de ave em formação dentro — e come-se tudo com um molhinho vinagrete. 

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Moças se preparando para comer balut nas Filipinas, ovo cozido com o embrião de pato dentro. (Busquem fotos na internet, se não quiserem dormir hoje de noite.)

No reino dos doces e das bebidas, não vi nada assim que fosse particularmente típico. Há doces em comum com o restante do Sudeste Asiático, como o que eles chamam de halo-halo, um misturam de frutas em conserva com leite condensado, gelo, e uma bola de sorvete daquela batata-doce roxa que se encontra pela Ásia (muito comum no Japão).

Nas bebidas, há os coquetéis vários, mas no dia-dia você pode abusar da água de coco e de muitos sucos tropicais, como no Brasil (aqui que uma diversidade algo menor que a brasileira).

Manila 1 10
Halo-Halo, uma sobremesa gelada típica das Filipinas, com bola de sorvete de batata-doce roxa, frutas em conserva, flocos de arroz e leite condensado.
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Suco de graviola de respeito que descolei no aeroporto de Manila.

WifiConectividade e Wi-Fi

Você, em geral, não terá dificuldade para estar conectado aqui, e a coisa melhora a cada ano. Mas nas ilhas mais remotas das Filipinas (incluso em Palawan), não se surpreenda se faltar luz, cair a internet na ilha toda por um dia inteiro, ou se simplesmente a velocidade da conexão estiver aquém das suas expectativas.

Certa vez, em Alona Beach tivemos queda de energia por várias horas durante uma chuva, e em El Nido certo dia caiu a internet no povoado inteiro e ficamos todos incomunicados até a manhã seguinte. Estas coisas ocorrem; tenham-nas em conta.

Se a coisa não mudar no pós-pandemia, os grandes aeroportos das Filipinas têm um desleal sistema de wi-fi gratuito que eu nunca vi noutro lugar do mundo. Você precisa fornecer seu número de telefone para eles enviarem uma mensagem de texto com um código de confirmação para acessar — mas só são válidos números de uma penca de países vizinhos: da Ásia, Oceania, além de EUA, Canadá e às vezes um outro país europeu (só vi França e Reino Unido). Os outros ficam na mão. 

O jeito aí é comprar um chip de celular ou filar a wi-fi de algum estabelecimento. No Terminal 3 de Manila, há cafeterias com wi-fi próprio.


Dicas Filipinas 1 05Idiomas & Comunicação

É facílimo se comunicar em inglês nas Filipinas. Tudo aqui está escrito no idioma de Shakespeare (cardápios, placas, formulários a preencher, etc.), e os filipinos são mais fluentes em inglês até que a maioria dos europeus. É praticamente a segunda língua de todo mundo no país.

Por outro lado, o espanhol também é útil. Não tente utilizá-lo para se comunicar; as pessoas aqui não falam espanhol. Porém, você verá a imensidade de palavras espanholas adotadas nas línguas locais aqui, como os nomes dos números e muitos nomes de comida. Quando encontrar “arrozcaldo” ou “lechón” nos cardápios, ou vir suco de “guayabano” (do espanhol guanabano para graviola), é o idioma de Cervantes quem vai te ajudar, em vez do de Shakespeare.

Propaganda Cebu Pacific
Eles aqui usam o inglês cotidianamente mas adoram também brincar com a sua herança espanhola, ainda que não falem realmente o idioma.
Tagalog e espanhol
São muitas as palavras espanholas absorvidas na língua Tagalog, a mais falada das mais de 100 línguas parecidas que há aqui Filipinas. Às vezes, ela é tratada como idioma nacional e chamada de “filipino”, mas isso é controverso. (A minha favorita é kumusta.)

Aonde ir, e quantos dias em cada lugar

As Filipinas são um país difícil de conhecer todo numa viagem só, a menos que você disponha de muito tempo. Como esta nação-arquipélago é espalhada, você acaba tendo que escolher a qual ilhas ir. Um tanto como a vizinha Indonésia, é um lugar rico de diversidade, ao qual certamente vale a pena retornar diversas vezes para conhecer seus recantos.

Manila (2 noites) é a capital e, quase que inevitavelmente, seu ponto de entrada e saída do país. Os guias turísticos não a têm em grande conta, mas se você curte centros históricos, fortes e igrejas coloniais, vale sim a pena passar um dia inteiro circulando numa boa pelo seu centro antigo Intramuros.

Manila 1 36
Manila é uma cidade grande, uma megalópole com 20 milhões de habitantes, mas possui um centro histórico (o Intramuros) bem aconchegante com mais de 300 anos de obras espanholas no que eram estas Índias Orientais da Espanha.
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O centro histórico de Manila nos transporta à América Latina. Mostra mesmo o parentesco, e como por mais de três séculos estas terras pertenceram a um mesmo império ibérico.
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O centro histórico de Manila está repleto de conventos antigos, museus, igrejas barrocas, praças e ruas com casario de época.

Ainda nessa pegada, se você gosta de História e igrejas, vale a pena ir a Cebu (2 noites). Foi naquela região que teve início a colonização espanhola destas ilhas no século XVI, e onde ainda se encontra a cruz plantada aqui pelo navegador Fernão de Magalhães e seus homens em 1521.

Cebu tem uma bela catedral e também um santuário, o do Santo Niño (o menino Jesus), uma versão menor do que é Aparecida no Brasil ou Guadalupe no México.

Muito interessante e bonito, pra quem gosta. E há o Forte de San Pedro construído pelos espanhóis. Afora isso, Cebu é uma cidade comum de médio porte; pode não ter grandes espetáculos, mas é uma forma de ver o que é uma cidade normal e a vida do dia-dia aqui nas Filipinas. É uma cidade relativamente fácil de andar.

Cebu 1 30
No Forte de San Pedro, em Cebu.
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Na Basílica do Santo Niño, talvez o mais popular e reverenciado em todas as Filipinas, já que se crê que a imagem original (ainda aqui) chegou com Fernão de Magalhães em 1521 e deflagrou o início do cristianismo no país.

Há outros lugares históricos nas Filipinas, como outras igrejas barrocas tombadas pela UNESCO no país, mas a realidade é que o principal chamariz turístico daqui é mesmo a natureza. Adoro conhecer a História e a cultura de qualquer país aonde vou, mas é um crime vir às Filipinas e não ir conhecer seu litoral.

Palawan, esta ilha de que poucos brasileiros já ouviram falar (afora os fãs de La Casa de Papel), é sem dúvida o ponto alto. Coron (3 noites) e El Nido (3-5 noites) são dos lugares mais espetaculares que eu já encontrei na Terra. Vale muito a pena ir a ambos.

Coron 1 13
Coron em si é um povoado assim.
Coron 2 01 1
À beira-mar, e de onde você faz passeios para ver (e nadar ou mergulhar) em lugares assim.
El Nido 1 49
El Nido é outro vilarejo simples, com vistas assim.
El Nido 1 52
E você faz vários passeios a praias e costas assim.

Coron tem uma diversidade menor de passeios, daí eu sugerir 3 noites. (2 noites são factíveis se você quiser concentrar tudo num dia só, mas com 3 você faz tudo com maior tranquilidade.)

El Nido oferece quatro a cinco roteiros de dia inteiro (listados por letras, A, B, C, D, E). A e C são os mais populares — e, alguns diriam, os melhores. Requerem ao menos 3 noites aqui. Se você quiser esbanjar e fazer todos eles, caso não se canse de água, calcule aí 5 noites em El Nido.

El Nido 1 51
Mares em El Nido. Todos os passeios tendem a ser com grupos de suas 15 pessoas e almoço incluído. Você sai de manhã umas 8h e volta umas 16-17h.

Há outros destinos de praia nas Filipinas — inúmeros! Não poderia ser diferente neste país arquipélago. O mais famoso nos últimos 20 anos foi Boracay, que contudo caiu em desgraça depois de um turismo insustentável acabar com o lugar. Fecharam ao turismo por um tempo para regenerá-lo e reabriram antes da pandemia, mas não sei como está.

Bohol é outra área de interesse (e que está absorvendo parte dos turistas que não vão mais a Boracay). Há uma série de curiosidades nesta ilha próxima de Cebu, como as famosas Colinas de Chocolate ou os endêmicos társios, dos menores primatas do mundo.

A maior parte dos turistas fica hospedada em Alona Beach (3 noites) um balneário com algumas praias legais nos arredores e várias agências que organizam tours em Bohol. Eu recomendaria 3 noites ali como um básico.

Você pode chegar por Cebu, tomar um ferry de 2h para cá, e depois ir embora pelo Aeroporto de Tagbilaran para não ter que retornar a Cebu.

Bohol 1 01
Nas Colinas de Chocolate em Bohol. (No post eu explico o porquê desse nome.)
Alona Beach 1 32
Alona Beach.

Abaixo, você pode ver as principais ilhas e centros urbanos das Filipinas. Saiba que o grosso dos destinos turísticos estão naquele miolo, no meio de ilhas menores, mais que nas ilhas principais. Eu, todavia, ainda quero um dia ir a Mindanao, a grande ilha mais ao sul onde os filipinos são muçulmanos.

O que eu recomendei acima é o que conheci e, digamos, dos lugares mais cotados das Filipinas. Certamente, há ainda outros por descobrir.

Mapa Visayas nas Filipinas
Mapa das Filipinas com as suas principais cidades.

Bônus: Semelhanças com o Brasil — e diferenças

Os filipinos são muito “zoeiros”, para usar o termo atual. Adoram tirar uma onda, fazer uma graça ou uma irreverência. Têm malícia, não são bobos, e volta e meia curtem fazer um comentário capcioso ou de duplo sentido. Grande parte faz aquele tradicional estilo “cristão-família que fala de sexo”, embora não sejam fundamentalistas. Talvez haja uma ligeira reserva maior que no Brasil. 

Desnecessário dizer, é claro, que tal como no Brasil há diferenças regionais e de classe. Há mauricinhos e patricinhas algo esnobes, assim como você têm funcionários mais simples, gente do interior e pessoas mais abertas que outras. Neste sentido, me pareceu mais a América Latina que o restante da Ásia.

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Veja se não parece o Brasil. Em Cebu.
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Com um pessoal muito simpático que conheci na rua.

Uma diferença é que, pela influência histórica e cultural dos EUA, o esporte n.1 aqui é o basquete, e os fãs de esporte internacional acompanham as partidas da NBA americana em vez da Champions League europeia. O futebol aqui passa longe — as Filipinas nunca se classificaram para uma Copa do Mundo.

Uma semelhança boba, mas a se ter em conta, é que nas Filipinas o ar condicionado é forte a ponto de, em plena Ásia tropical, as pessoas trazerem casacos para vestir nos saguões do aeroporto e dentro do avião.

Aliás, nos aeroportos, você verá como as pessoas são desesperadas para começar a formar fila ao portão de embarque. Mais que no Brasil. É engraçado que os funcionários aqui, quando começam a anunciar o voo, sempre frisam “*NÃO* estamos ainda chamando para o embarque”, mas não adianta muito porque as pessoas começam a formar fila mesmo assim.

Venha ver pessoalmente.

Bohol 1 31
Chegando a Coron, na ilha de Palawan, Filipinas.

Se você ficou com alguma dúvida, quer algum toque, ou tem alguma pergunta que eu não respondi, é só pôr abaixo nos comentários.

Mairon Giovani
Cidadão do mundo e viajante independente. Gosta de cultura, risadas, e comida bem feita. Não acha que viajar sozinho seja tão assustador quanto costumam imaginar, e se joga com frequência em novos ambientes. Crê que um país deixa de ser um mero lugar no mapa a partir do momento em que você o conhece e vive experiências com as pessoas de lá.

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