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Dinamarca

Copenhague na primavera & os Jardins de Tivoli

Nem só na Holanda vivem as tulipas, essas magníficas flores que você vê na foto — e nem tudo que há no Reino da Dinamarca está podre. Há muito também de florido, como Copenhague na primavera lhe mostrará.

Essas emblemáticas flores que tanto embelezam o norte da Europa hoje em dia são originárias da Pérsia, atual Irã. Você verá muitas delas lá em seu ambiente nativo se for a Teerã na primavera (é bem mais bonito e menos perigoso do que você imagina). Verá delas também em Istambul, na Turquia, pois foi através do Império Otomano que os europeus tomaram conhecimento e trouxeram dessas flores.

Hoje, elas embelezam Copenhague na estação das flores.

É reabertura de vida na Europa, também primavera após o longo e tenebroso inverno da pandemia — pelo menos por aqui.

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Parque em Copenhague na primavera. Os gramados ficam cobertos de pequenas flores rasteiras.

Flores e aconchego — hygge em Copenhague na primavera

Eu já mostrei bastante de Copenhague aqui no site. Falei de Copenhague no Outono, Copenhague no Inverno e no Natal, e mostrei Copenhague no Verão — com várias de suas atrações.

O que não mostrei ainda foi Copenhague na Primavera, quando as principais atrações são suas flores, e os encantadores Jardins de Tivoli — um dos lugares mais visitados da cidade — ficam especialmente belos. É a melhor época do ano para visitá-los.

Os Jardins de Tivoli seguem um padrão muito comum aqui pela Escandinávia de mistos de jardins e parque de diversões, com entrada paga, e cuja temática e decoração varia ao longo do ano (primavera/verão, Halloween, Natal…). Você encontra esquemas parecidos em Gotemburgo e Estocolmo na vizinha Suécia.

Só que, para dizer de forma bruta, Tivoli são os mais bonitos da região em matéria de primavera.

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Tulipas nos Jardins de Tivoli, Copenhague.
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Os canteiros dos jardins no fim de tarde.

Eu chegava a Copenhague vindo da Suécia, onde moro. Nas minhas primeiras vezes na cidade, eu buscava ficar em albergues para economizar — até me dar conta de que, nesta cara capital dinamarquesa (até para os padrões suecos), as acomodações de baixo custo não são tão baixo-custo assim. Às vezes, vale mais a pena investir um pouco mais e ficar logo numa acomodação boa, sobretudo se sua estadia for curta.

Eu desta vez fiquei no Hotel Kong Arthur (assim com O mesmo), e o recomendo. Recomendo por pura satisfação; eles não estão me patrocinando. Agrada-me em especial sua “hora do aconchego”, um happy hour à tarde em que servem vinhos de graça aos hóspedes (!). Isso representa um aspecto importante da cultura dinamarquesa.

Um termo dinamarquês muito bem-quisto hoje em dia é hygge, que eles definem como “uma qualidade de aconchego e convívio confortável que desperta sentimentos de bem-estar e contentamento”. Acaba quase sempre sendo traduzido ao inglês como cozy (“aconchegante”), embora os dinamarqueses insistam que a palavra inglesa não captura tão bem o significado todo.

Hygge na Dinamarca
Hygge é um conceito dinamarquês que se aproxima da noção de aconchego. Denota aquele convívio gostoso, descansado, agradável, de relaxamento e socialização leve. O hotel tem uns agradáveis sofás assim onde se sentar para conversar.
Hotel Kong Arthur
O café da manhã no Hotel Kong Arthur é repleto de geleias de frutas do norte da Europa. Há das habituais frutas vermelhas que nos aparecem no Brasil, e mais outras que eu não vejo sequer noutras partes europeias, como a vermelhinha lingon e a amarela hjortron.
hjortron
Hjortron, a quem ficou curioso. É traduzida comumente em inglês como cloudberry, e em português como amora-ártica, amora-branca-silvestre, ou ainda como framboesa-amarela. É menos azedinha que a framboesa comum.

Entre frutos e flores eu portanto estava, em Copenhague.

Visitando os Jardins de Tivoli

Os Jardins de Tivoli não são em algum lugar afastado, nem fora da cidade (como é o belo jardim Keukenhof na Holanda). Não; eles ficam exatamente no centro de Copenhague, a um passo da sua estação central de trens.

Isso se dá porque se trata de um estabelecimento antigo, de quando os centros de cidade dedicavam mais espaços à alta sociedade.

Tivoli, inaugurado ainda em 1843, foi dos primeiros jardins de passeio na Europa, lugares destinados a abrigar concertos musicais, entretenimento, e atividades sociais num espaço agradável.

Com o tempo desenvolveria-se num parque de diversões com montanha russa etc., mas sem perder o charme original.

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Rara foto colorida dos Jardins de Tivoli em Copenhague por volta do ano 1900.
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Os Jardins de Tivoli hoje.
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Aquele navio antigo de madeira da foto de 1900 segue aqui. É um restaurante.

Há mais de um lugar onde comer e tomar algo neste interior dos Jardins de Tivoli. A coisa é feita de forma que muitas famílias vêm passar o dia.

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Eu por ali na primavera.
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Com uma estátua de Georg Cartensen (1812-1857), um dos idealizadores do parque.
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A entrada para os Jardins de Tivoli atualmente. A entrada custa algo em torno de 18 euros.

Você pode visitar o site oficial do jardim para ter todas as opções de ingresso. É possível comprá-lo na hora ou online antecipadamente. Há vários combos, inclusos ingressos com idas ilimitadas aos brinquedos. Se você quer só andar pelo interior, sai mais barato. (Notar que os preços estão em coroas dinamarquesas, já que a Dinamarca é membro da União Europeia mas não usa o euro.

Eu fiz questão somente de circular pelo interior — eu que já havia vindo a Copenhague pelo menos três outras vezes, passado pela frente de Tivoli, e nunca entrado.

Já gostei de montanha-russa, mas deixei pra lá. Por ora, me contentava em ver as belezas, sentir aquele ar da primavera, que aqui em Copenhague era ainda algo frio, algo não raro em maio ou mesmo junho neste país escandinavo. É somente em julho, agosto e setembro que realmente esquenta mais.

Eu que já vim tanto na primavera quanto no verão, porém, lhes afirmo que — a meu ver — a primavera aqui é mais bela.

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O interior de Tivoli, com suas lagoas, flores, e casario de época.
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As tulipas multi-cores.
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Como nem só de tulipas é feita a primavera, digo há são inúmeras as flores. E, ali atrás, um carrossel clássico.
Prédio de arquitetura islâmica no interior dos Jardins de Tivoli em Copenhague
Belo prédio de inspiração islâmica no interior dos Jardins de Tivoli. Representa o olhar orientalista da alta sociedade europeia do século XIX.

Voltas por Copenhague na primavera

É claro que Tivoli não é o único lugar digno da sua visita aqui na primavera. Dá para se passar umas boas horas nele, ainda que você não vá nos brinquedos. Porém, o centro de Copenhague e seus vários recantos também se embelezam com o chegar do sol e o despertar das plantas após o escandinavo inverno.

Eu me punha ali a passear e a sentir o ar ainda frio.

Aonde ir? Eu mostrei vários lugares aonde fui em Copenhague no verão e que também cabem bem numa vinda aqui na primavera. Retornei agora ao Castelo Rosenborg, por exemplo, com o seu jardim, e fui ao pitoresco porto de Nyvavn perto do centro.

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As pessoas a circular ainda com as suas jaquetas no centro de Copenhague, na área de Nyhavn.
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As árvores aos poucos a recuperar novas folhas na primavera dinamarquesa ainda fria.
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A Prefeitura de Copenhague ali em destaque numa das praças principais da cidade.
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O castelo renascentista de Rosenborg, do século XVII.

A Dinamarca ainda tem família real, a quem não souber. É a monarquia mais antiga da Europa (tendo sido fundada no século VIII), e eles possuem vários castelos de diversas épocas pela cidade e no país afora.

Rosenborg provavelmente é o mais popular entre os visitantes, em parte pelos seus jardins. 

Eu já o havia visitado no verão, e retornei para dar umas voltas aqui na primavera.

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No Castelo Rosenborg na primavera.
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Rosenborg data do século XVII, obra renascentista para a família real dinamarquesa. O país é uma monarquia parlamentarista como a Holanda, a Suécia, e o Reino Unido.

Com seus 1.4 milhão de pessoas, Copenhague é uma cidade deveras vivaz — mas faz o tipo pessoa simpática introvertida. Quieta, mas você olha e ela sorri. Se você for atrás dela, a descobri-la, percebe as qualidades, seus recantos por vezes escondidos.

Se não, sai com uma impressão superficial — que ocorre a muitos — de tédio, de que “não tem nada pra fazer”. Eu lhes garanto que tem. É que, como lidar com os introvertidos humanos, exige certa atividade da outra parte no exercício da descoberta.

Faz parte do reservado estilo escandinavo de ser.

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Há um Museu de História Natural aqui, aos interessados. Aqui diante de mim, uma estátua de Tycho Brahe (1546-1601), o grande astrônomo dinamarquês.

Os interessados na revolução científica talvez reconheçam o nome de Tycho Brahe, que foi contemporâneo de Galileu.

Uma curiosidade que nunca me contaram nas minhas aulas de filosofia da ciência foi que ele tinha um nariz postiço. Perdeu parte do original fazendo um duelo de espada no escuro com um companheiro, com quem — depois de muita bebida — teve um desentendimento acerca de qual dos dois era superior em conhecimentos matemáticos. (!)

Depois se reconciliaram (não sei se na manhã seguinte ou mais tempo depois), mas ele teve que passar a usar um nariz de latão, que em ocasiões solenes era substituído por um de ouro e prata. Já imaginou?

Ah, que esses antigos aprontavam…

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Tycho Brahe, no aprazível e pacato jardim botânico de Copenhague, com o Castelo Rosenborg ali adiante.

Alguns idosos passavam conversando, e vários jovens espichados sobre a grama tomavam sol, às vezes lendo algum livro ou observando o celular.

Eu acho que, não importa a época, não importa a estação, Copenhague tem uma invencível atmosfera de tranquilidade e paz. Até quando há agito — como o festejo LGBT com que topei num certo agosto —, fica aquela sensação de um estouro na floresta: um estrondo num lugar localizado, que dá e passa, deixando seus ecos mas sem afetar a aura da cidade como um todo.

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A entrada para os Jardins de Tivoli à noite, iluminada.
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Anoitecer tardio na primavera.

Você pode também conferir:

 Copenhague no outono: Brumas, vistas e folhas na capital da Dinamarca
Copenhague no inverno e no Natal
Copenhague no verão: Nyhavn, o Castelo Rosenborg, e a Coleção de David
Mairon Giovani
Cidadão do mundo e viajante independente. Gosta de cultura, risadas, e comida bem feita. Não acha que viajar sozinho seja tão assustador quanto costumam imaginar, e se joga com frequência em novos ambientes. Crê que um país deixa de ser um mero lugar no mapa a partir do momento em que você o conhece e vive experiências com as pessoas de lá.

2 Replies to “Copenhague na primavera & os Jardins de Tivoli

  1. Uuuuuuu, que maravilha!… Meu amigo, que deslumbre!… Que lugar bonito é esse? Quantas flores!..Os olhos da sua amiga estão extasiados de tanta beleza. Que é que isso.. arremaria!…Que tulipas belíssimas, lindíssimas, de um colorido esplendoroso. uaauu, nesse que parece um Parque temático deslumbrante. Lindo. Um sonho.
    Interessante ver um parque lindo desse, com essas características campestres no centro de uma capital como Copenhague.
    Que belo portal de entrada, os espelhos d’água, as flores, as construções antigas e os jardins são de encher os olhos. As luzes e o céu engalanam o cenário de filme romântico.
    Fantásticos esses jardins de Tivoli. Aprazível local.
    Amei.
    Parabéns meu amigo. Bela postagem.

  2. Além desses jardins maravilhosos, com portal de 1672 dC, a cidade tem belos recantos e uma arquitetura magistral. Lindos estilos do museu, da prefeitura e do magnifico castelo. Bela capital. A Primavera a faz viçosa, florida, leve, alegre e charmosa.
    Encantadora Copenhague na Primavera.
    Esse buffet está apetitoso. Adoro essa frutinhas . E o senhor como sempre parece fazer parte do cenário hahah.
    Adorei . Obrigada.

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