Viena Museu de Arte 1 01
Austria

O Museu de História da Arte em Viena – em 20 fotos

O Museu de História da Arte (Kunsthistorisches Museum) em Viena é provavelmente o principal da capital austríaca, juntamente com o seu irmão gêmeo que fica logo do outro lado da mesma praça, o Museu de História Natural. Neste último, você encontra muito sobre ciência, educação ambiental, e outros. Já no primeiro — que vos apresento aqui hoje — temos um tanto do patrimônio artístico imperial dos Habsburgo, e que hoje pertence ao estado austríaco.

Este museu de história da arte data de 1891 (o seu irmão sobre história natural, inaugurado em 1889, é dois anos mais jovem). O século XIX foi quando a moda dos museus públicos tomou conta — é de quando datam grande parte dos maiores museus do mundo, pois foi quando se difundiu este conceito de que o patrimônio ou o histórico da nação (um conceito novo) deveria estar publicamente exposto para criar consciência e orgulho nacional. (Orgulho este que seria devidamente utilizado, claro, para motivar as pessoas a morrer “pela pátria”.)

Viena Museu de Arte 1 02
Estátua de Teseu com uma máscara para conscientização sobre a Covid, no Museu de História da Arte em Viena. (Daqui a pouco falo sobre a obra; ela está numa das 20 fotos selecionadas.)

Até então, tais coleções eram algo sobretudo privado, de grandes famílias da realeza, do restante da nobreza, ou da burguesia.

Não foi diferente com este Museu de História da Arte em Viena, que nos mostra hoje publicamente obras e itens de coleções antigas, medievais e modernas da família imperial dos Habsburgo da Áustria.

Para deixar claro, é essencialmente um museu de belas-artes — o “história da arte” vai como floreio descritivo. Você compra um ingresso facilmente online no site oficial por €16 adulto ou €12 para estudantes de até 25 anos munidos de uma carteira válida na Europa (preços de 2021).

Os horários exatos de abertura você vê nesta página. Eles variam um pouco a depender da época do ano, sendo mais extensos no verão e mais curtos no inverno. De toda maneira, o museu abre todos os dias exceto às segundas-feiras, e tende a ter horas que entram pela noite às quintas. (Evite trazer mochilas, ou terá que guardá-las num armário.)

Viena Museu de Arte 1 21
Prontos?

São muitas grandes obras, de Caravaggio aos pintores holandeses e flamengos da Renascença, além de itens do Egito e da Grécia antiga.

Não dá para mostrar tudo, então vão aqui 20 fotos selecionadas de peças que me chamaram a atenção (há, portanto, uma subjetividade). Ou do próprio museu, em que em si é uma obra de arte.

Page break 1

Foto com a praça onde fica o Museu de História da Arte em Viena
1. O Museu de História da Arte, na Praça de Maria Theresa, em Viena. Eis a suprema governante austríaca dos Habsburgo do século XVIII, Maria Theresa (1717-1780), rodeada de cavaleiros, no eixo principal do que é o MuseumsQuartier de Viena. Este prédio de estilo renascentista italiano que abriga o museu foi aberto ao público em 1891, e é obra dos arquitetos Gottfried Semper e Karl von Hasenauer.
Viena Museu de Arte 1 24
2. A Grande Escadaria. A primeira grande atração em que o visitante põe os olhos neste Museu de História da Arte em Viena é seu próprio prédio, um deslumbre majestoso como se vê aqui nesta grande escadaria principal. Lá em cima há obras dos irmãos Ersnt e Gustav Klimt, dentre outros, pintadas aqui direto no teto do prédio em fins do século XIX. Ao fundo, a chamativa estátua que abordo em detalhe na foto seguinte.
Viena Museu de Arte 1 16
3. Teseu derrota o centauro (1805-1819), do italiano Antonio Canova (1757-1822), em mármore. Sim, Teseu é mais famoso por ter escapado do labirinto do minotauro com a ajuda de Ariadne, mas este não foi o único feito do herói mitológico da Grécia Antiga. Num outro mito, os centauros atacam um casamento dos lápitas (um povo na Grécia Antiga) e levam embora as mulheres, que são resgatadas com a ajuda de Teseu. A obra remonta uma visão da Grécia Antiga do homem soprepujando a ferocidade animal  e as pulsões — algo que se encontrava novamente em voga neste começo do século XIX, após o Iluminismo.
Viena Museu de Arte 1 19
4. Sarcófago das amazonas (330-310 a.C.). Já que estamos em obras de mármore que remontam à Grécia Antiga, eis aqui uma original, com imagens em alto-relevo das combativas amazonas — as mulheres guerreiras da mitologia grega, que os ibéricos julgaram ter encontrado na matas da Terra Brasilis e que batizaria para sempre a maior região do país. Obra de autoria desconhecida, encontrada em Chipre e adquirida pelos Habsburgo no século XVII.
Viena Museu de Arte 1 18
5. Estela de Ihel, eunuco do faraó, com oferendas a Ísis e Osíris (589-570 a.C.). Uma estela, aqui neste significado, nada tem a ver com estrela: refere-se a estes marcos erguidos, em pedra ou madeira, que podem ser funerários ou não. Os hieróglifos contêm passagens do Livro dos Mortos do Antigo Egito.
Viena Museu de Arte 1 17
6. Crocodilo mumificado. Sim, os egípcios antigos mumificavam não apenas gente mas também crocodilos, que eram animais-totem do deus Sobek. Eu mostrei mais sobre mumificação de crocodilos quando visitei um templo a esse deus no Egito em Kom Ombo, às margens do Nilo. Se quiser algo mais fácil de visitar, pode ver de perto dessas múmias aqui no Museu de História da Arte em Viena.
Viena Museu de Arte 1 11
7. Altar de Todos os Santos (Altar de Landauer, Nurembergue) (1511), pelo pintor germânico Albrecht Dürer (1471-1528). Um dos maiores expoentes da renascença germânica, Dürer é notório por suas pinturas complexas e ricas — um visual que me lembra cartas de tarô. Aqui, temos anjos e santos em adoração à Santíssima Trindade. Dürer fez a obra para a capela do mercador Mateus Landauer, em Nurembergue.
Viena Museu de Arte 1 03
8. A Virgem Maria com a criança e Santa Anna (1633), do pintor napolitano Giovanni Battista Caracciolo (1578-1635). Temos aqui a humanização de figuras sacras dantes pintadas exclusivamente de modo idealizado. Santa Ana, mãe de Maria, foi portanto a avó do menino Jesus. Aqui temos ilustrado, com simplicidade, o que talvez seja o mais comum arranjo dos lares latino-americanos.
Viena Museu de Arte 1 04
9. São Miguel vencendo os demônios (1664), obra do também napolitano pintor barroco Luca Giordano (1634-1705). Temos Miguel Arcanjo subjugando os anjos caídos, que se rebelaram contra Deus e, assim, tombaram ao inferno. Note as faces distorcidas, e a riqueza de cores e tons próprios do período barroco.
Viena Museu de Arte 1 08
10. Santa Margarete e o Dragão (1518), do mestre italiano Rafael Sanzio (1483-1520). Temos aqui uma versão plácida — como são mesmo as obras de Rafael, que comunica uma tranquilidade indissoluta — da hagiografia de Santa Margarete, uma mulher de Antioquia, na Anatólia, que teria sido engolida por um dragão e saído viva de dentro dele com a ajuda do crucifixo que se vê ali em mãos.
Viena Museu de Arte 1 23
11. A cafeteria do Museu de História da Arte em Viena. Agora que chegamos à metade, faça-se uma pausa. Não sei se há outra cafeteria mais elegante que esta em outro museu mundo afora. Vale a pena vir aqui, no segundo piso, mesmo que não queira consumir nada.

Vêm pesos pesados por aí.

Viena Museu de Arte 1 13
12. Autorretrato de Rembrandt (1652). Rembrandt van Rijn (1606-1669), nativo de Leiden, na Holanda, foi dos grandes nomes da chamada Renascença do Norte da Europa. Gostava de se autorretratar, e assim realizou mais de 60 retratos de si. Se em alguns desses autorretratos o temos numa fase rica e bem-sucedida, neste de cá o temos já mais maduro e nos robes simples de um artista. O que mais me impressiona, porém, é como ele conseguia capturar — e pintar — o próprio olhar e expressão facial.
Viena Museu de Arte 1 14
13. A Cabeça da Medusa (1616/1617), pelo pintor de Antuérpia Peter Paul Rubens (1577-1640). A vivacidade que este mestre flamengo conseguiu dar à famosa figura mitológica chega a ser assombradora. Ela, que transformava em pedra quem a olhasse, tinha serpentes como cabelo. O herói Perseu a decapita num só golpe olhando-a pelo reflexo no escudo. Aqui, vê-se o sangue da cabeça decapitada e os olhos enrubescidos num realismo expressivo, com gotas de sangue que também se transformam em pequenas serpentes.
Viena Museu de Arte 1 12
14. A Torre de Babel (1563), do também flamengo pintor Pieter Brueghel, o velho (1526-1569), por muitos considerado o maior pintor da Renascença propriamente dita nos Países Baixos, onde hoje ficam a Bélgica e a Holanda — e que então eram terras imperiais dos Habsburgo. Temos ali, curiosamente, um porto típico daquelas bandas ao lado da imensa Torre de Babel em construção, pintada aqui com ricos detalhes de engenharia e arquitetura romanesca. Este trabalho de Brueghel é a versão mais famosa de muitos que buscaram retratar essa passagem do Gênesis (Antigo Testamento) em que Deus teria dado diversos idiomas aos humanos para dividi-los e, assim, impedir que seguissem construindo uma torre para chegar ao céu.
Viena Museu de Arte 1 06
15. Davi com a cabeça de Golias (1600/1601), pelo gênio italiano Caravaggio (1571-1601), mestre da técnica do claro-e-escuro. Ele, que se chamava Michelangelo Merisi mas atendia pelo apelido de Caravaggio por ter vivido no vilarejo com esse nome, próximo de Milão, mostra aqui com um realismo marcante esta outra passagem do Antigo Testamento, em que o pequeno Davi vence o “gigante” Golias. Note como, na genialidade de Caravaggio, vemos um Davi muito humano, como que a refletir sobre o que acaba de fazer — sobre si próprio e seu rival.
Viena Museu de Arte 1 10
16. A Madona Cigana (1510), pelas mãos de Tiziano (1488-1576) numa das primeiras pinturas ainda preservadas desse mestre veneziano da Renascença. A humanidade dos personagens sacros estava em voga. Maria, que na tradição euro-cristã acabou sendo branqueada e alourada, aqui (re)ganha cabelos negros — que portanto levaram os contemporâneos a apelidar a obra de a Madonna (ou Nossa Senhora) cigana.
Viena Museu de Arte 1 09
17. Marte, Vênus e Amor (1550), aqui uma obra mais tardia de Tiziano (1488-1576) retratando o deus da guerra, a deusa do amor e da beleza, e o pequeno Cupido (amor). Da união do amor e da guerra, nasce a deusa grega Harmonia — a quem os romanos chamam de Concórdia.
Viena Museu de Arte 1 05
18. Coroamento de espinhos (1603), pelo mestre Caravaggio (1571-1601). Ele era simplesmente fenomenal. Aqui, retrata com realismo e sombra a ocasião em que Jesus é humilhado como “rei dos judeus”, sendo posta em sua cabeça uma coroa de espinhos. Jesus, ali jovem e pensativo, era mostrado aos europeus de 1600 com uma humanidade que a arte jamais havia retratado.
Viena Museu de Arte 1 15
19. Os Milagres de São Francisco Xavier (1617/1618), pelo pintor flamengo Peter Paul Rubens (1577-1640). Lembrem que ele viveu na era da Contrarreforma — e os Habsburgo, que governavam também Flandres no seu império, eram bastiões da reação católica ao protestantismo na Europa. São Francisco Xavier (1506-1552) foi co-fundador da Companhia de Jesus, dos jesuítas, e missionário na Ásia. Morreria na China. Aqui, temo-lo diante de ídolos que se quebram no templo pagão e em meio a outros milagres, como o cego que volta a ver, e um morto ressuscitando. É um quadro imponente e enorme, que toma a parede toda.
Viena Museu de Arte 1 07
20. Os Três Filósofos (1508-1509), do pintor veneziano Giorgione (“Jorjão”), alcunha de Giorgio Barbarelli da Castelfranco (147X-1510). Não se sabe exatamente quando ele nasceu, mas foi um dos pais da Renascença em Veneza. Na formação rochosa que alguns interpretam como a entrada para o Oráculo de Delfos, temos Pitágoras jovem (sentado) e seus dois mestres, Ferécides de Siro e Tales de Mileto. Dos idos do ano 500 a.C., eles eram tidos na Renascença como os primeiros filósofos do Ocidente.

Page break 1

Aí estamos. Algumas obras chamativas do Museu de História da Arte em Viena — as que mais me atraíram, dentre muitas outras.

Uma observação que eu faço é que a seção de Antiguidades é relativamente pequena. Não se compara ao Museu Britânico ou ao Louvre nesse quesito, mas há belezas.

Se o seu tempo estiver curto, minha sugestão é que vá tão logo quanto possível à área de pinturas no andar superior — sem, sob hipótese alguma, deixar de dar uma passada breve na cafeteria do museu. Ela fica numa área linda, no segundo piso. Adentre mesmo que não vá tomar nada e, se quiser, sente-se para um café com bolo. 

Note também que, se muitas pinturas parecem não ter legenda alguma, é porque a legenda fica meio escondida, no corrimão. Procura e acharás.

Para a grandiosidade imperial de Viena, este museu tem menos vastidão que um Museu do Prado, em Madrid, ou o Hermitage, em São Petersburgo (além dos já-referidos Louve e Museu Britânico), mas vale a pena. O prédio é encantador e, afinal, estas obras você só as encontrará aqui, no Museu de História da Arte em Viena.

Viena Museu de Arte 1 22
Na Praça Maria-Theresa em Viena.
Mairon Giovani
Cidadão do mundo e viajante independente. Gosta de cultura, risadas, e comida bem feita. Não acha que viajar sozinho seja tão assustador quanto costumam imaginar, e se joga com frequência em novos ambientes. Crê que um país deixa de ser um mero lugar no mapa a partir do momento em que você o conhece e vive experiências com as pessoas de lá.

One Reply to “O Museu de História da Arte em Viena – em 20 fotos

  1. Meu jovem, que espetáculo essa estilosa fachada desse deslumbrante Museu de Belas Artes, na artística Viena protagonista de tantas histórias. Magnífica, pomposa rica em detalhes e decoração. Espetacular.
    Impressionante o monumento em homenagem à Maria Tereza, histórica e forte soberana desse império que varou o século XIX e inicio do XX.
    Os jardins bem cuidados são uma beleza à parte. Encantadores.
    Magnífica escadaria. Impressionante a escultura de Teseu. Os leões que ladeiam a escadaria são magníficos. E o teto, um primor. Belíssimos tons. Elegantérrimos.
    Lindas as colunas e seus capitéis. Deslumbrantes.
    Belíssima a escultura de Teseu!… Parece viva, Pujante, forte. Dá a impressão de movimento.
    Lindo esse marco egípcio, assim como o sarcófago, que também parece que se movimenta.
    Horrivel essa múmia, assim como essa tenebrosa cabeça cheia de bichos da meduza. Eca. Adoro Rubens mas esse quadro é pavoroso.
    Ah!. esse quadro de Dürer é maravilhoso. Gosto muito desse pintor. Gosto da graça, leveza, expressão dos retratados e dos tons da obras dele. É um dos meus preferidos fora da Itália. Esta obra é divina, alegre, parece que há festa nos céus.
    Eu gosto de Caravaggio sua “coragem” em retratar pessoas da sua convivência nas sua obras, pela expressão dos retratados e pelo seu interessante jogo de claro escuro. Mas esse de Golias é terrivel. Quem será que ele colocou como Golias haha ?Em geral eram desafetos hahah e depois ele tinha que sair à pressas da cidade para não morrer hahah
    Bela sugestiva, humana, essa pintura com Santa Anna. Os gestos, os olhares são bastante humanizados e simples.
    Interessante a vossa observação, meu jovem amigo. Simples sim, como o são muitas das pessoas aqui da Latinoamérica e como o era a família de Nazareth.
    Uaaau, possante essa pintura com Miguel Arcanjo, conhecido como Chefe das Legiões Celestes e portador do Raio Azul. Belíssima. Não é fraco não o moço.
    Ah!… Raphael, meu predileto!… Amo Raphael. Muito bonita a obra. Sobressaem a sobriedade, a segurança da moça diante da fera.
    Outro monstro sagrado, Rembrandt e seus auto retratos. Famoso e famosos. Uma figura impar.
    Tiziano é outro magnífico gênio na arte de pintar. Lindos os seus personagens, plácidos, tranquilos, nesse ambiente simples e bucólico.
    Bela e simbólica essa outra obra de Tiziano. Vênus, Marte e o Amor.
    Impressionante essa cena da coroa de espinho, desse gênio. Os tons se parecem com os das obras de El Greco.
    Belíssima essa outra pintura de Rubens. Linda. Com muita luz, alegre, com tons fortes e vibrantes.
    Belo, vivo, simples e mesmo singelo esse último quadro. Curioso esse Pitágoras jovem entre outros sábios. Creio que seja único. Lindo efeito visual. O ambiente agradável ,tranquilo, em contato com a Natureza, convida ao ócio grego.
    Magnifico acervo.
    E por fim, não poderia deixa de comentar a visão fantástica da esplendorosa da bela cafeteria.
    Meu amigo, que espetáculo!… Preciosa. Magnífica. Quantos detalhes, que delicadeza, jogo de luzes, tons soberbos, belos arcos. Elegantes linhas arquitetônicas e decoração requintada. Belíssima.
    Que museu!… Digno da bela capital da Áustria.
    Amei a postagem, o museu, e claro, a oportunidade dessa visita online tão interessante. Um colírio para os olhos.
    Obrigada, jovem viajante brasileiro. Que venham mais beleza. Viajar com o senhor é um prazer sempre renovado.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *