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México

Teotihuacán (México) e o histórico Restaurante La Gruta

Teotihuacán. Suas imensas pirâmides são simplesmente fenomenais. A meros 40 Km da Cidade do México — um curto bate-e-volta de mesmo dia —, um dos monumentos mais impressionantes que há no mundo.

Teotihuacán significa “nascedouro dos deuses” na língua náhuatl, a que falavam os astecas. Teotihuacán, no entanto, é um sítio muito mais antigo, que os próprios astecas viam como algo ancestral.

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Montezuma (1466-1520) foi o imperador asteca morto com a chegada dos espanhóis de Hernán Cortés à cidade de Tenochtitlán, atual Cidade do México.

Os astecas dominaram esta região central do México entre os anos 1300 e 1520, ocasião do ataque espanhol a Tenochtitlán, como era então chamada esta capital onde se edificaria a atual Cidade do México.

Teotihuacán com suas imensas pirâmides — tendo sido a maior cidade indígena das Américas à sua época — são ruínas bem mais antigas, dos idos do ano 500 d.C., e que os astecas portanto viam com certa mitologia, como um lugar sagrado de outras eras, que havia quiçá sido edificado pelos próprios deuses há muito tempo.

Não se conhece o nome que a própria gente desta cidade lhe dava à época.

Debate-se ainda a etnia dos povos que aqui viviam. Os astecas, claro, diziam-se descendentes deles. Há quem sugira que era uma grande cidade multi-étnica — um tanto como a Cidade do México hoje, esta imensa capital de 21 milhões de pessoas que mistura mexicanos de todas as partes do país. Um lugar incrível, ainda que com os problemas habituais de cidade grande.

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O Aqueduto de Chapultepec, originalmente construído aqui pelos astecas no século XV para trazer água a esta então cidade de Tenochtitlán. Os espanhóis o substituiriam por uma versão do tempo colonial, que você vê aqui.

Voltar ao México sempre é preciso, pois é dos países mais ricos que há no planeta, e a Cidade do México acaba sendo quase sempre seu porto de entrada.

Alguns anos atrás, eu iniciei a minha primeira vinda a este país com um relato da visita a Teotihuacán — que fiz logo no dia da chegada, após uma degustação de pulque e tequila, e que relatei com detalhes aqui.

Desta vez, já a minha terceira vinda aqui, eu fiz quase o mesmo:  Teotihuacán seria prelúdio a uma série de lugares novos a conhecer.

Desta vez, vim até ela em transporte público (instruções que dou mais abaixo) e com uma visita memorável ao — recomendadíssimo — célebre e histórico restaurante La Gruta, onde vinham Frida Kahlo, Diego Rivera, e onde até a rainha da Inglaterra já veio.

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O Restaurante La Gruta é a mais memorável opção de almoço a quem vier a Teotihuacán.

Prólogo: Retornando à Cidade do México

Apitos e gritaria. Embora já fossem 10h da manhã, a hora de pico no metrô estava como se fossem ainda sete. No meio da turba de gente que chegava sem parar como num formigueiro, policiais mexicanos(as) tentavam pôr ordem com rigor e apitos. Eu estava ali no meio ambientando-me, na estação San Lázaro.

Atención a sus pertenencias por favor!!”, bradava uma das policiais no ínterim de poucos minutos entre um metrô e outro — sempre insuficientes para acomodar todos ali. “Vamos ser cuidado-sos!!”, frisava alto em bom espanhol. 

Deixem que desembarquem primeiro!! *Priiiii*”, anunciava ela seguida do forte apito ao que um metrô se aproximava. Era uma cacofonia metroviária pior que a de São Paulo, ainda que a quantidade de pessoas fosse semelhante. Foi talvez só comparável aos aconchego dos trens da SuperVia vindos da Zona Norte no Rio de Janeiro, só que aqui com vários policiais e organizadores em coletes marca-texto pondo ordem.

São os agitos de uma cidade imensa, talvez por demais populosa, e que tem também seus problemas de tráfego e poluição, mas rica de cultura, áreas arborizadas, e belas avenidas.

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Bem-vindos de volta à Cidade do México, e agora especialmente no tempo das celebrações do Día de Muertos — talvez a mais notável celebração mexicana, sobre a qual falarei tudo depois. Na avenida Paseo de la Reforma.
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As celebrações de Finados (Día de Muertos) no México deixam tudo com um ar muito particular, inesquecível. Falarei mais a respeito.

Bem-vindos (de volta) à Cidade do México. Se possível, quando vierem, façam um favor a si mesmos e peçam um Uber ou equivalente desde o aeroporto. Ou tomem um táxi, se dinheiro não lhes for um problema. O metrô aqui com bagagem é só para os mais heróicos. (Se você for se hospedar no centro histórico, o MetroBus Linha 4 Aeroporto é perfeitamente seguro, barato, e tranquilo. O problema é só se você dele precisar trocar para uma linha de metrô normal.)

Às vezes eu pareço que escolho jogar a vida no nível hard, mas enfim, eu naquela cacofonia da estação San Lázaro, onde desembarquei do MetroBus L4 para passar a outro, fui salvo por um metrô vazio que chegou excepcionalmente entre os cheios.

Na superfície, entretanto, a coisa pode ser bem mais tranquila, sobretudo se você se hospedar num dos bairros mais arrumados da capital, como entre La Condesa, Roma, e San Rafael.

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A avenida Paseo de la Reforma, a mais bela da capital mexicana, numa de suas áreas mais agradáveis.

Eu logo estaria de novo no ar friozinho e seco da altitude de mais de 2.200m da Cidade do México, reencontrando-me com paragens familiares que eu há anos não via e, agora, tentava reconhecer.

Reencontrei-me com señor Alfonso, o dono da hospedaria onde normalmente fico. (Eu, secretamente, temia que ele pudesse ter padecido de COVID-19, mas me alegrei ao vê-lo bem vivo — um pouquinho mais calvo, mas com a mesma disposição.)

Seu Alfonso é um senhor baixinho e sexagenário mexicano, que fala com aquelas pausas focadas de quem sofre de bronquite crônica e precisa pegar um ar antes de voltar a falar, mas que não se embaraça com isso. Sabe tudo sobre o México.

Ali, na Colonia Roma Norte — como eles aqui no México chamam os bairros — senhor Alfonso serviu-nos um café, pão e ovos enquanto eu me reabituava.

Tudo parecia igual; as mesmas flores, as mesmas calçadas aqui quebradas, ali inteiras, mas a mesma boa arborização mexicana. Até a barraquinha onde eu há anos comprava sanduíches à noite ali perto seguia a mesma.

Só parece apenas haver ainda mais gente na Cidade do México, o que as estatísticas confirmam e o metrô não deixa mentir. Há, porém, também linhas novas, como a linha 7 do MetroBus, inaugurada em 2018, e que leva estrategicamente ao Santuário da Basílica de Nossa Senhora de Guadalupe — um dos sítios mais visitados do México. 

Por ora, vamos a Teotihuacán. De transporte público, é claro.

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O Ángel de la Independencia, um dos maiores símbolos da Cidade do México. Ele aparece na abertura de Sense8, a quem assistia ao seriado. Eu, embora esteja falando dos metrôs cheios — e nem tenha chegado a falar das ruas congestionadas à là São Paulo — as avenidas ao pedestre seguem magníficas aqui.
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O Terminal Norte, uma das rodoviárias do México. Tem a sua própria estação de metrô (Autobuses del Norte), e é de onde saem os ônibus até as pirâmides pré-astecas de Teotihuacán, nas vizinhanças aqui da capital.

Indo da Cidade do México a Teotihuacán

As rodoviárias no México são organizadas. Se bobear, são melhores que as do Brasil. Perto da Puerta 8, você encontrará o guichê que vende passagens até San Martín de las Pirámides, o pequenino município mais próximo de Teotihuacán. O ônibus tem paradas à entrada do parque arqueológico.

Antes que alguém pense que estou buscando algo muito “raiz”, saiba que a fila para este ônibus é notavelmente cheia de turistas. Pelo menos uns três casais jovens estrangeiros estavam à minha frente na fila.

O ônibus custa 52 pesos mexicanos (MXN) a ida, ou 104 se você já quiser assegurar ida e volta (com horário aberto, mas data fixa para o mesmo dia). Em 2021, isso deu cerca de R$ 15 por trecho. A viagem dura 30min em tese, mas durou 1h20min na prática devido ao tráfego. Venha cedo, se possível. Há saídas a cada 20 minutos.

(Aqui, o linguajar todo é ônibus com destino às “pirâmides“. Se você falar Teotihuacán, pode ser mal-compreendido e darem passagem a um ônibus para a cidade de San Juan de Teotihuacán, que fica perto mas não é exatamente o mesmo lugar.)

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Área de embarque na rodoviária Terminal Norte, na Cidade do México. (Como no Brasil, ainda nestes fins de pandemia, usam-se máscaras obrigatoriamente nos ambientes internos, e passa-se álcool em gel nas mãos ao entrar.)
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O interior do ônibus, que era uma arabaca velha embora arrumadinho por dentro.

Os ônibus no México costumam ser bons. Nas empresas de alta linha — bastante utilizadas pelos turistas estrangeiros e mexicanos de classe média entre suas cidades — como ETN, ADOPrimera Plus ou Estrella Blanca, os ônibus são excelentes e por vezes melhores que no Brasil.

Já nestas viagens de curta distância você acha uma coisa mais vintage, daqueles ônibus às antigas, com motor do tempo do ronca e vendedores ou músicos ambulantes vindo a bordo em busca de uma moeda. É uma diversão.

A caixa de marcha deste ônibus no qual ficamos presos no tráfego fazia frisson na minha bunda de tanto que arranhava. O motorista pôs um batidão mexicano lá à frente que ecoava por todo o ônibus, estilo som de ginástica coletiva de domingo de manhã, o qual só era pausado quanto entravam os músicos ambulantes.

Tivemos um rapper carente na ida, e na volta teríamos um seresteiro com o violão tocando e cantando de pé músicas de amor — ou dor de cotovelo — no corredor. (O Brasil às vezes fica parecendo tão quadrado se comparado à animação diária daqui.)

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O desembarque numa das muitas entradas para a área arqueológica de Teotihuacán. O motorista em geral avisa e se detem na Porta 1 do parque.
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A área com seus notáveis cactos, típicos aqui do México.
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Uma área com muitas lojas — e sanitários — nesta entrada n.1 para Teotihuacán. A entrada em 2021 estava custando 80 pesos mexicanos, pouco mais de R$ 20.
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A dita Calzada de los Muertos nas ruínas de Teotihuacán, México.
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Eu aqui de volta.

Conhecendo Teotihuacán, a maior cidade das Américas à sua época

Teotihuacán foi o maior centro urbano das Américas antes de os astecas construírem, em 1325, sua Tenochtitlán que daria origem à Cidade do México.

Teotihuacán é bem mais antiga, já dos primeiros séculos depois de Cristo. Teria tido seu apogeu nos idos do ano 500 d.C., e estima-se que cerca de 125 mil habitantes ou mais.

À sua época, ela era a maior cidade das Américas e a sexta maior do mundo. No centro, como uma artéria principal, estava a avenida ou calçada dos mortos, com diversas pirâmides escalonadas de pedra em ambos dos lados.

A maior delas, a Pirâmide do Sol, data de 200 d.C. Não se conhecem os detalhes dos seus usos, mas se sabe que havia toda sorte de usos religiosos aqui nas pirâmides de Teotihuacán — inclusos os afamados sacrifícios humanos. Várias outras edificações serviam funções governamentais ou de morada aos nobres. (O povão vivia em casas de materiais simples como madeira e barro, que não resistem à passagem do tempo.)

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As pirâmides escalonadas características desta região.
Foto da Pirâmide do Sol em Teotihuacán
A Pirâmide do Sol, a maior das de Teotihuacán, com 65m de altura e uma vasta base de 220-224m. Estima-se que date de pouco antes do ano 200 d.C.

Em situações normais, é permitido subir até o seu topo — o que é uma tarefa relativamente hercúlea, devido ao seu tamanho e degraus altos, mas factível e compensadora. Em 2021, o acesso ao alto da pirâmide estava vetado devido à pandemia (suponho que porque não há como fazer distanciamento social ao subir, e as filas conseguem juntar muita gente).

Em geral, evite vir nos fins de semana e sobretudo aos domingos se quiser menos gente.

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Eu no alto a Pirâmide da Lua (a segunda maior deste sítio, com 43m de altura, e 147x130m de base), na minha vinda anterior a Teotihuacán.
Foto da Avenida dos Mortos em Teotihuacán
A Avenida dos Mortos, ou Calzada de los Muertos, vista lá de cima. Note-se a grandiosa Pirâmide do Sol também ali, à esquerda. Esta avenida tem mais de 2,5 Km de extensão.

É ou não é incrível?

Se você enxerga esta quantidade de pessoas espalhadas pela extensão do sítio nestas duas fotos acima, da minha viagem anterior, desta vez o lugar estava bem mais rarefeito.

Misturávamos-nos, nós os poucos turistas, aos ambulantes que ali tipicamente circulam vendendo chapéus, souvenirs plásticos de origem chinesa, e artesanias de rocha ou acrílico disfarçado de rocha (cuidado para não levar gato por lebre). 

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Na Avenida dos Mortos, artéria central de Teotihuacán, o vendedor aguarda passarem os raros turistas que havia para a imensidão deste sítio.
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Eu de volta a Teotihuacán com a Pirâmide do Sol lá atrás.
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Vendedor de chapéu no sítio rarefeito.

O que esses vendedores mais oferecem é artesanato em pedra obsidiana — ou pseudo-pedra obsidiana, vulgo plástico chinês.

A rocha obsidiana, também chamada vidro vulcânico, foi a inspiração para o dragonglass da série Game of Thrones. Pedra de aspecto vítreo que os indígenas aqui usavam como lâmina, sobretudo para os seus rituais de sacrifício.  

Eu mostrei alguns desses objetos na minha vinda anterior aqui, quando vim num tour e nós visitamos uma oficina desses produtos. Serve para você sentir o peso da pedra autêntica e o seu toque.

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Imagem talhada em rocha obsidiana. Rendem figuras belíssimas e que reluzem no sol.

Os antigos habitantes de Teotihuacán produziam ferramentas e objetos de rocha obsidiana que eram vendidos Mesoamérica afora entre os seus muitos povos.

A cidade prosperou tanto que seus homens chegaram a conquistar as cidades mayas de Tikal (na atual Guatemala) e Copán (na atual Honduras) bem mais ao sul, na América Central.

Veem-se aqui murais impressionantes, além de rocha esculpida, com símbolos característicos das religiões mesoamericanas, como a deidade Quetzalcoatl — a mística serpente emplumada.

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Figuras místicas milenares no que hoje são templos conservados em Teotihuacán, e que você pode visitar.
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Murais pintados. A pintura em murais é uma vetusta tradição indígena que permanece viva no México pós-colonial.

A logística e o almoço

Alguns pontos-chave de logística para vir a Teotihuacán, e daqui a pouco falo do almoço no emblemático La Gruta.

  • Teotihuacán é passeio de um dia inteiro. Os tours por vezes a combinam com uma passadinha rápida na Basílica de Nossa Senhora de Guadalupe, mas para fazer isso por conta própria você necessitaria iniciar o dia bastante cedo. Você leva 1h ou mais no trajeto, e necessitará de pelo menos algumas horas aqui dentro da área arqueológica.
  • O custo da entrada é de 80 pesos mexicanos por pessoa (valor de 2021). O bilhete lhe dá direito a sair e entrar novamente na área antes das 16h. O parque está aberto das 9-17h.
  • A área é vasta, com quilômetros de extensão e 5 entradas numeradas (chamam-na puertas). As portas 2 e 5 são as mais centrais. Mesmo assim, prepare-se para caminhar um bom tempo lá dentro, para apreciar tudo. 
  • Há muitos vendedores ambulantes por todo o sítio, oferecendo basicamente souvenirs. Negocie os preços e, quanto a coisas supostamente de rocha, cuide para não levar gato por lebre.
  • Há sanitários e lanchonetes básicas às entradas (dessas com uma geladeira de refrigerantes e um freezer de picolés). Se você quiser almoçar propriamente, melhor sair do parque e entrar novamente — conservando o seu ticket de entrada, obviamente.
  • Os ônibus de retorno à Cidade do México passam nas entradas 1 e 2. O restaurante La Gruta fica à saída a porta 5, que é diretamente oposta à 2, por detrás da Pirâmide do Sol.

Se vier por conta e for ao La Gruta, recomendo almoçar cedo para dar tempo de entrar novamente no parque pela porta 5 e atravessar à porta 2 para aguardar o ônibus. Foi o que eu não fiz.  

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Vendedor em cadeira de rodas, na Avenida dos Mortos relativamente vazia em Teotihuacán. O sítio é bastante extenso no eixo norte-sul, mas no eixo leste-oeste você o atravessa em 10-15 minutos. Por detrás da Pirâmide do Sol ali à direita fica a porta 5, e logo em frente do outro lado, a porta 2.

O Restaurante La Gruta

La Gruta é um destes restaurantes mais conhecidos pelo ambiente e tradição que propriamente pela comida. Ele tem também preços notadamente maiores que a média mexicana, mas vale como uma experiência única para quem vem aqui a Teotihuacán.

Ele data de 1906, e já se tornou praticamente um patrimônio público dos mexicanos. Tem um foco bastante grande em culinária indígena mesoamericana — ou pré-hispânica, como eles aqui gostam de chamar.

Os sabores dividem opiniões, mas o que costuma ser consensual é mesmo o charme do lugar. (O cardápio se encontra no site oficial.)

Você adentra e desce por umas escadarias até encontrar mesas em dois níveis de profundidade, numa gruta natural que os indígenas já utilizavam.

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O Restaurante La Gruta, o mais famoso e tradicional das vizinhanças de Teotihuacán. Vale vir aqui para almoçar.

Como era época do Día de Muertos (Dia de Finados), uma das festividades mais emblemáticas e celebradas aqui do México, você vê os cravos de defunto ali enfeitando.

Mais abaixo, gruta adentro, elaboraram também um detalhado altar com retratos de pessoas que já se foram, uma imagem de Nossa Senhora de Guadalupe, mais flores, velas, e as típicas caveiras enfeitadas. Tudo isso faz parte do festejo — que detalharei melhor no post seguinte.

Eles aqui servem das afamadas tortillas mexicanas com toda sorte de pratos — mas peça para ver o cardápio, pois os garçons são conhecidos por saírem oferecendo entradas e coquetéis sem lhe dizer o preço, e depois vem a conta. O nosso já veio cantando em verso e prosa uma “bebida pré-hispânica” que se revelaria um coquetel de 12 dólares, e que eu por providência não quis.

Peça o menu e seja feliz com as suas escolhas.

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Sopes de entrada. Não confundir com sopas. Sopes são estas tortilhas de massa de milho elaboradas com queijo, feijão, e legumes em cima.
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As tortilhas de milho acompanham quase todas as refeições aqui no México. Tratei em detalhes sobre elas no meu post sobre comida mexicana. É comum que venham assim, quentinhas, enroladas num pano ou numa bolsa como esta.
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A comida aqui em La Gruta divide opiniões — preciso ser franco. Aqui, um guisado de frango com folhas da região, servido na panela de barro.
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Como era época de Día de Muertos, fizeram um altar dedicado, como se faz por todo o México.

Sendo esta época, um garçom ao final da refeição veio-nos com uma vela, para que a acendêssemos e puséssemos lá no fim da gruta, no lugar mais alto que pudéssemos, deixando lá nossas angústias e retornando renovados.

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No altar do Día de Muertos do restaurante La Gruta, próximo de Teotihuacán.
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No altar.

Sobre todo o festejo mexicano do Día de Muertos eu tratarei em detalhes no post seguinte.

Por ora, era preciso voltar de Teotihuacán. O serviço aqui não é lá muito veloz, então venha com tempo, sobretudo se pretender ainda retornar à área arqueológica antes de fecharem os portões às 16h. (Quem já estiver dentro ainda pode ficar até as 17h.)

Acabamos passando da hora. Fomos esperar um táxi — ou carro qualquer — que passasse à entrada 5, já que não dava mais para entrar e cruzar o parque de Teotihuacán até a entrada 2, onde passam os ônibus de retorno. 

Por sorte, após um tempo, veio um cidadão feito Uber informal que nos levou até a cidadezinha próxima de San Martín de la Pirámides por um preço. Coisa de 10 min de carro ou 45 min a pé, se não houver outra opção.

No caminho, recolhemos um jovem casal de gringos que haviam desistido de esperar táxi e decidido andar na poeira dos arredores de Teotihuacán. Destas curiosidades da vida, eles aconteciam de ser nossos vizinhos de quarto, na mesma pousada de señor Alfonso na Cidade do México. Ê vida com suas curiosidades!

Após uns 20 minutos de espera no “terminal” da cidadezinha (na real, uma garagem de ônibus), rumávamos com seresta a bordo de volta à capital.

Mairon Giovani
Cidadão do mundo e viajante independente. Gosta de cultura, risadas, e comida bem feita. Não acha que viajar sozinho seja tão assustador quanto costumam imaginar, e se joga com frequência em novos ambientes. Crê que um país deixa de ser um mero lugar no mapa a partir do momento em que você o conhece e vive experiências com as pessoas de lá.

One Reply to “Teotihuacán (México) e o histórico Restaurante La Gruta

  1. Que maravilha, meu jovem amigo viajante. Encantada com essa visão magnífica das ruínas dessa imensa e vetusta cidade, e parecendo perceber a energia impar e gostosa que transparece no ar.
    Lugar fantástico que revela a bela e prodigiosa civilização que ai floresceu antes dos colonizadores. Dá para imaginar o bulício da vida nesses tempo idos.
    Impressionante. Bela e emocionante postagem. Amei.

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