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Polônia

Trens na Polônia: Tipos, dicas e como comprar online

Viajar de trem na Polônia está se tornando cada vez mais simples — e confortável, além de barato. Você percorre 200 Km em alta velocidade de uma cidade a outra pelo equivalente a menos de €10.

Foram-se os tempos em que os trens poloneses eram todos dos idos da Guerra Fria. Até poucos anos atrás, eu próprio cheguei a recomendar usar ônibus para se deslocar dentro da Polônia, mas hoje já retifico essa sugestão.

Reservar viagens de trem dentro da Polônia se tornou bastante simples pela internet, e os trens são suficientemente confortáveis e rápidos.

Abaixo, um breve guia para orientar quem quiser vir descobrir este que é o maior país do antigo Leste Europeu e terra ancestral de tantos brasileiros.

where is poland in the world
Eis a Polônia, membro da União Europeia desde 2004, e parte da Zona Schengen de fronteiras abertas desde 2008. Não é parte da Zona do Euro, e usa a sua moeda própria, o zloty (PLN).
Mapa da Polonia 02
A quem ainda não andou por aqui, estas são as principais cidades do país.

Viagens internacionais para a Polônia

A Polônia está no miolo da Europa Central, por onde passam mil rotas. Então a primeira observação é que nem todos os trens que adentram ou passam pela Polônia são poloneses (isto é, geridos por companhias ferroviárias polonesas; fabricação das locomotivas seria uma outra conversa.)

Não faltam trens tchecos (da České dráhy), austríacos (ÖBB), ou alemães da Deutsche Bahn (DB) passando por aqui. Para viagens internacionais nesta área da Europa, o site mais completo para pesquisa de preços, horários, assim como também para as compras, continua sendo o alemão da DB (banh.com).

Assim sendo, para rotas como Berlim – Varsóvia ou Praga – Cracóvia, eu vou sugerir — como demonstração de franqueza — que vocês utilizem os sites da Deutsche Bahn ou da České dráhy, que a meu ver são melhores. Mesmo para saídas a partir da Polônia.

Os sites poloneses são bons o bastante, mas para viagens domésticas dentro da Polônia. Acreditem, há bastante o que visitar.

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Viajando de trem pela Polônia durante o inverno.

Os tipos de trem polonês hoje

Vamos lá. Há duas companhias ferroviárias públicas na Polônia, que administram a grande maioria dos trens. Elas são a InterCity, responsável pelos trens de longa distância (e provavelmente a que você irá mais utilizar) e a PolRegio, que cuida dos trens regionais pinga-pinga. Afora elas, há empresas regionais que operam pequenas linhas em certas partes do país.

O site que você utiliza para fazer buscar gerais é o mt.rozklad-pkp.pl. Ele é uma espécie de agregador ferroviário polonês, que o redirecionará para a companhia respectiva do trem selecionado. A compra você faz, então, no site apropriado (o da InterCity ou da PolRegio). Mais sobre como fazer as reservas abaixo. Todos os sites têm versão em inglês.

Os tipos mais comum de trem são:

  • InterCity (IC): Trens que viajam a mais de 100 Km/h, os mais comuns para viajar entre as principais cidades polonesas. Possuem raque de bagagem e espaço para volumes médios (mochilões inclusos) também acima das poltronas.
  • Express InterCity (EIC): O mesmo acima, só que parando em menos estações.
  • Express InterCity Premium (EIP): O serviço supremo na Polônia, com trens Pendolino (os mesmos usados pela RENFE espanhola e pela Trenitalia) viajando a mais de 250 Km/h com conforto. Disponível apenas para ligações entre a capital Varsóvia e outras cidades de médio porte (como Cracóvia, Gdansk, Katowice, e Breslávia).
  • Regional (REGIO): os clássicos trens pinga-pinga, que param em todas as estações, úteis (às vezes) para viagens de curta distância ou média distância quando os InterCity não existem para aquela rota.
  • TLK (Twoje Linie Kolejowe – “Suas Linhas Ferroviárias”): A resposta da InterCity aos habituais trens regionais da PolRegio. Ou seja, são pinga-pinga também, mas vendidos pela companhia que opera os trens de longa distância.
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Por fora, todos os trens aqui são relativamente parecidos. Por dentro é que a coisa varia.
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Alguns ainda fazem o estilo clássico, com compartimentos que cabem até 6 ou 8 pessoas. Nem sempre vão cheios, mas às vezes, vão.
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Compartimento num trem InterCity polonês.
Imagem de trem na Polônia com assentos 2x2
Os InterCity mais comuns, porém, são estes assim.
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Note que há espaço relativamente amplo onde pôr a bagagem. Só seja ágil e entre logo, pois se o trem for lotado, todo o espaço pode já estar ocupado. Para volumes maiores, há certo espaço nas extremidades de cada vagão.

Por que comprar as passagens online

Preciso reservar com antecedência? Geralmente, não, mas mesmo assim é quase sempre melhor comprar online porque:

(1) As máquinas de venda de passagem nas estações podem não existir ou, em existindo, serem difíceis de manejar.

(2) As filas dos guichês podem ser homéricas e brutalmente lentas, bem mais que no Brasil.

(3) Muitos dos funcionários são de meia-idade, e não falam bem inglês.

Já passei pela situação de quase perder o trem devido a uma fila lentíssima, e o que me salvou foi acessar o site e comprar a passagem online ali na própria fila. Foi simples assim.

A antecedência, portanto, pode ser de minutos. O que eu recomendo é reservar um dia ou dois antes — assim que você já tiver definido seu plano de viagem e souber que horas quer viajar.

Dito isso, se você antevir época de festas tipo o Natal, ou as férias de verão (junho-agosto), pode ser prudente garantir já o seu espaço, pois na Polônia se viaja também em pé caso já haja muita gente e você não tenha o seu assento marcado.

Se você estiver viajando em grupo e quiserem ir sentados juntos, também vale a pena reservar pelo menos uns dias antes. De qualquer modo, o site da InterCity informa como está a lotação do trem naquele momento, com base no numero de bilhetes já vendidos.  

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A fila nem estava muito grande nesta estação ferroviária polonesa em Lublin. Só que ela não andava: só havia um guichê atendendo, e a funcionária levava um tempo imenso com certas pessoas que discutiam sabe-se-Deus-o-quê.

Como adquirir as passagens pelos sites oficiais

Há sites de empresas de turismo por aí afora que vendem passagens de trem para qualquer lugar da Europa. Pode ser conveniente, mas essa conveniência tem um custo adicional que você não vê e que costuma ser significativo.

As passagens de trem na Polônia são bastante baratas para o padrão europeu, e  vale a pena usufruir de toda essa barateza comprando-as diretamente pelos sites oficiais. Eu aqui lhe indico como fazer.

PASSO 1: Pesquisar suas opções

É normal que haja vários trens por dia entre as principais cidades polonesas, mas às vezes esta disponibilidade é menor. Vale a pena se informar de antemão sobre quais as rotas existentes e os horários de partida. 

Para isso, mt.rozklad-pkp.pl/en

A tradução em inglês não é fantástica, mas funciona. Só se lembre de pôr os nomes das cidades na forma como elas são escritas na Polônia: Warszawa em vez de Varsóvia, Kraków em vez de Cracóvia, Wroclaw em vez de Breslávia, e Rzeszów em vez de Resóvia. Entre outras. 

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A página agregadora de serviços ferroviários na Polônia. Aqui você pesquisa todas as rotas. Só se lembre de pôr os nomes das cidades polonesas com a escrita original (ex. Warszawa, nem Warsaw nem Varsóvia).

PASSO 2: Registrar-se (ou não)

Se você for fazer várias viagens internas pela Polônia, vale muito a pena fazer logo um cadastro gratuito num ou mais dos sites ferroviários daqui, onde você fará as compras. Poupa tempo; em vez de ter que ficar preenchendo todos os casos a cada vez, tudo já estará lá preenchido. 

O registro é muito simples. Informações pessoais mais um endereço de e-mail onde você receberá as passagens em PDF. 

Eu diria que só não vale a pena se registrar se você for fazer apenas uma ou duas viagens. Na PolRegio, por exemplo. Na InterCity, eu me registrei e ficou super prático percorrer o país.

Os sites oficiais a que me refiro são: PolRegio (para trens exclusivamente regionais) e Intercity (para todos os demais). Os links aí já estão para as respectivas versões em inglês dos sites destas companhias.

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O site da InterCity. Ou PKP Intercity, seu nome completo. É a mais útil ao viajante dentre as duas companhias ferroviárias públicas da Polônia, responsável pelos trens de longa ou média distância.

PASSO 3: Fazendo a compra

Eu já comentei acima sobre usar os nomes originais das cidades polonesas. Não há grande mistério: se você quebrar muito a cuca para descobrir algum que eu não pus acima, abra algum artigo sobre a cidade na Wikipedia e descubra o nome original.

Os sites poloneses indicam os preços em zloty (PLN) e como vai a lotação do trem até aquele momento. É útil para saber se é preciso se apressar e comprar logo.

Não precisa se incomodar com os descontos. Pode adquirir bilhete normal para todos, mesmo idosos. Muitas vezes, sai elas por elas.

Escolhe-se a passagem, e se paga tudo sem problemas com cartão de crédito. Você verá que recebe uns três e-mails para cada compra: um para informar da compra, outro para detalhar a transação e preço, e um terceiro com o bilhete propriamente dito. 

Não é preciso imprimir os bilhetes para nenhuma viagem doméstica. Eles têm QR code que a pessoa no trem irá ler com a máquina se passar verificando as passagens.

Algumas observações: 

    • Você não precisa pôr os nomes e detalhes de todos os passageiros, apenas de quem está comprando. Notará que no bilhete há um desenhinho de uma pessoa seguida de “x2” ou “x3” etc., informando a quantidade.
    • Os bilhetes informam o vagão e seus assentos. De praxe, o sistema automaticamente põe as pessoas juntas — se ainda for possível diante da lotação do trem.
    • Poucos condutores de trem checam sua identidade para ver se aquele é mesmo você, mas em tese isso é obrigatório, e alguns o fazem. Significa dizer que, mesmo que esteja num bate-e-volta, em tese deve ter o passaporte consigo caso peçam.
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A parte principal de uma passagem entre Cracóvia e Resóvia, por exemplo. Mais abaixo, vem o custo discriminado. Note o vagão e os assentos assinalados, assim como o número de pessoas ali indicado. Virá também com o seu nome. (Glowny indica as estações principais em cada cidade.)

Amenidades a bordo

Necessidades básicas. Todos os trens poloneses têm banheiro digno (com vaso, papel etc., mesmo os regionais.) Claro que nem sempre está cheirando a perfume, e por vezes ocorre de estar sem sabão, etc., mas via de regra são banheiros “íveis”.

Comida. Os trens melhores (InterCity Premium e alguns expressos) têm vagão restaurante. Nos outros, de médio conforto, há um cidadão ou cidadã descendo o corredor com um carrinho de batata chips e café de qualidade reprovada. Mas serve como último recurso. Aceitam cartão.

Internet? Em geral, não. Nenhum deles têm wi-fi, exceto os pendolino InterCity Express Premium. Provavelmente, no futuro terão, mas melhor não contar com isso ainda.

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Cidadão vindo com o carrinho de lanches num trem polonês InterCity.

Observações finais

Os trens poloneses por vezes atrasam, mas não mais que os suecos, por exemplo. Os atrasos que experimentei, ademais, costumaram ser de 20-30 minutos no máximo. Por via das dúvidas, melhor deixar certa gordura no seu tempo.

Nas estações, só ouvi anúncios em inglês em Cracóvia e Varsóvia. No mais, tudo em polonês, mas não hesite em perguntar a algum(a) jovem polonês ou polonesa, e eles são bastante prestativos, além de dominar suficientemente o inglês para lhe informar. 

Uma observação final — para os que gostam de adrenalina — é que os trens poloneses, na maioria das vezes, deixam para chegar à plataforma em cima da hora. Raras foram as vezes em que pude entrar vários minutos antes do horário da partida. Era aquela expectativa pela chegada, e ao entrar, ele logo partia. Não bobeie demais procurando o seu vagão. Se não houver tempo, entre onde quer que for e depois procure pelos seus assentos. 

Altas emoções. A Polônia o espera.

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Plataforma de trem na Polônia.

Qualquer dúvida, é só perguntar nos comentários.

Mairon Giovani
Cidadão do mundo e viajante independente. Gosta de cultura, risadas, e comida bem feita. Não acha que viajar sozinho seja tão assustador quanto costumam imaginar, e se joga com frequência em novos ambientes. Crê que um país deixa de ser um mero lugar no mapa a partir do momento em que você o conhece e vive experiências com as pessoas de lá.

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