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Itália Puglia

Martina Franca, cidade neoclássica no sul da Itália

Estamos na Puglia, a região que fica no salto da bota italiana, mais especificamente na área do Vale de Ítria, onde Martina Franca completa o trio de cidades históricas após Alberobello e Locorotondo, que lhes mostrei nas postagens anteriores.

Martina Franca no mapa da Italia

Martina Franca é a maior dessas três cidades. É também a mais nova, fundada em 1300 d.C. como cidade, e plena de elementos barrocos e neoclássicos no seu centro histórico.

Ela pode não ser o tipo de cidade esplendorosa que faz você vir à Itália só para vê-la, mas se estiver por perto, pode valer sua visita.

Eu vim a pé, caminhando 6 Km num pós-almoço vindo desde Locorotondo, a caminhar pelas videiras que produzem o vinho branco de designação protegida desta região.

Ela é consideravelmente menos turística que as demais; parece até uma cidade normal, sem qualquer turismo, em que as pessoas levavam suas vidas normalmente numa tarde de terça-feira.

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Os caminhos rurais entre Locorotondo e Martina Franca, na Puglia. Não espere cenário de propaganda da L’Oréal, nem lugar produzido de foto de Instagram — a coisa aqui é bem simples e autêntica.
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Uvas nesta campania do sul italiano, numa tarde ensolarada.
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Oliveiras também no caminho. Boa parte da caminhada vai por esta estradinha, onde não havia mais ninguém.

Adentrando Martina Franca

Após 1h e algo de caminhada — boa parte da qual fui falando ao telefone — eu chegava a Martina Franca, esta cidade medieval de contornos barrocos. Embora ela exista aqui enquanto povoamento desde pelo menos o ano 1000, por devotos de São Martinho de Tours (daí seu nome “Martina”), ela ganha status de cidade em 1300 e tem um aspecto bastante barroco-neoclássico. 

Boa parte do quieto centro histórico de Martina Franca data dos idos de 1700-1800, quando estas obras neoclássicas com enfeites barrocos eram a moda na Europa inteira.

Primeiro, porém, eu me achei na parte menos turística e mais residencial da cidade, perdendo-me por becos brancos vazios onde seria fácil se perder sem o GPS.

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A Martina Franca que eu encontrei quando cheguei nesta tarde. Pacata, com suas casas de detalhes neoclássicos, no que pareceu uma cidade “normal”.
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Até que fui adentrando pelos seus becos, sua “medina” que em tanto me lembrava os centros históricos árabes — embora bem mais quieto.
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Quem tiver interesse em comprar casa no sul da Itália…
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Fui percorrendo aquelas vias vazias de Martina Franca…
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Não encontrei muita gente, mas vi recantos belos.
Ruas do centro de Martina Franca, Itália.
…até que você desemboca na área mais central.

Essas brancas vias quietas de Martina Franca, eu admito, não são o lugar mais animado da cidade; parecem algo mortas, como se as vias tivessem permanecido ali após as pessoas irem embora. Achei-as meio sem vida, como que a percorrer becos vazios — ainda que pitorescos aqui e ali.

Martina Franca ganha mais vida nas suas vias principais, onde há as arcadas da bela Piazza Plebiscito com sua torre do relógio e a Catedral-Basílica de São Martinho

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A Torre do Relógio em meio às casas na Piazza Plebiscito, em Martina Franca.
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A Piazza Maria Immacolata, grudada na outra, com as suas arcadas românicas neoclássicas.
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A Catedral-Basílica de São Martinho (Basilica Cattedrale di San Martino).

Esta catedral-basílica foi consagrada no ano de 1775 em estilo barroco com elementos neoclássicos no interior. É uma basílica e tanto.

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O interior da Catedral-Basílica de São Martinho.
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Por fora.
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Os meandros desta parte do centro.

Você nota, todavia, que Martina Franca insiste no seu ar quieto, mesmo aqui. É um lugar tranquilo onde passear, se é isso que você busca.

Segui por estes caminhos até descobri das suas portas neoclássicas, que imitam os portais e arcos romanos de antigamente. O mais notável dele é a chamada Porta di Santo Stefano, de 1764.

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A Porta di Santo Stefano, um arco barroco inaugurado em 1764 aqui em Martina Franca.
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A cidade é plena de portas neoclássicas por entre o casario e os calçadões.
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Calçadão tranquilo no centro.
Praça cercada de arcos romanos em Martina Franca
A Piazza Maria Immacolata, minha paragem favorita aqui em Martina Franca.

Circulei por ali naquele fim de tarde e não me demorei. Verdade seja dita, não há muito o que fazer em Martina Franca afora explorar estas ruas, ver sua arquitetura, e conhecer estas praças e igreja. Há um Palazzo Ducale muito recomendado, mas que estava fechado na ocasião.

Eu jantaria de volta em Bari, e começava portanto a tomar meu rumo.

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Fonte elaborada perto da Porta di Santo Stefano.
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Seguindo caminho.

Assim como eu havia ido num ônibus de Trenitalia (em substituição aos trens nesta rota) até Alberobello, a mesma linha voltava, passando primeiro aqui por Martina Franca, depois Locorotondo, e por fim Alberobello — onde massas de turistas tentariam entrar.

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Meu ônibus de retorno, já da parte mais moderna de Martina Franca, que é uma cidade relativamente extensa para além do seu centro histórico.
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Os turistas esperando mais além no caminho.
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A alegria de já estar dentro do ônibus sentadinho.

Vem mais da Puglia a caminho.

Mairon Giovani
Cidadão do mundo e viajante independente. Gosta de cultura, risadas, e comida bem feita. Não acha que viajar sozinho seja tão assustador quanto costumam imaginar, e se joga com frequência em novos ambientes. Crê que um país deixa de ser um mero lugar no mapa a partir do momento em que você o conhece e vive experiências com as pessoas de lá.

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