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Brasil Pará

Santarém e as 23 cidades do Pará homônimas de cidades portuguesas

Eu nunca suspeitei de Santarém. Belém eu descobri a portuguesa depois de um tempo, embora sempre associasse bem mais à do nascimento de Jesus. Foi quanto avistei Óbidos que eu disse, peraí, o que é isso assim.

Sempre fiz questão de observar a muita gente como os portugueses distinguiram-se dos espanhóis por não repetir tanto os nomes das suas cidades no Brasil. Os hispânicos, ah, esses os repetiram a rodo: é Córdoba na Espanha e na Argentina, Cartagena na Espanha e na Colômbia, Mérida na Espanha, outra no México, e ainda uma terceira nas Filipinas. Haja!

Aí eu me dou conta de que no Pará os lusos fizeram das deles. São nada menos que 23 cidades paraenses que repetem os nomes de cidades portuguesas. Belém, Santarém, Bragança, Óbidos, Faro e Aveiro são só algumas. Até a insuspeita Alter do Chão, cujo nome você nunca suspeitou de hoje veio, e que — como eu — talvez um dia tenha até suspeitado provir do chão de areia da beira do rio, provem na prática de Portugal. Sim, há uma Alter do Chão original portuguesa. 

É curioso. Associa-se às vezes o eixo cultural da colonização portuguesa no Rio de Janeiro, ou ainda talvez no Nordeste. Mas foi aqui, no antigo Grão-Pará nesta plena Amazônia, que Portugal quis fazer mais das suas.

Perdoem a nossa ignorância, irmãos paraenses. Eu vim conhecer vosso estado para retificar isso. E, ah, como eu amei.

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O centro histórico de Santarém, com casario de inspiração portuguesa.

O “causo” das tantas cidades paraenses de nome português

Causa incausada só Deus. Já este causo tem sim causa, muito embora não seja uma coisa muito objetiva nem clara. Ou seja, não houve uma política deliberada de repentinamente, no Pará, o governo colonial adotar nomes de cidades portuguesas.

Não há uma explicação, mas o que se pode observar é que estas cidades paraenses, quase todas elas, foram fundadas nos séculos XVII ou XVIII, portanto coisa de 100 ou 200 anos depois da maior parte das cidades costeiras do Brasil. Nos áureos tempos das grandes navegações portuguesas, ao longo dos séculos XV e XVI, os descobridores tinham por hábito batizar os lugares com o nome do santo do dia ou alguma homenagem religiosa que lhe fosse cara (ex. Baía de Todos os Santos, São Jorge dos Ilhéus, São Sebastião do Rio de Janeiro), ou ainda com referência a algum marco geográfico (ex. Recife, Cabo Verde).

Passada aquela Era dos Descobrimentos (1415-1580), a tônica portuguesa já era outra. Aqui na Amazônia, era realizar uma ocupação tardia do território e assegurar-se de que ingleses, franceses nem holandeses se instalariam aqui para roubá-lo. Talvez daí também o preciosismo de dar nomes bastante portugueses às novas povoações que faziam.

O curioso é que, por iniciativa espanhola, no tempo da União Ibérica (1580-1640) em que Portugal esteve sob o controle de Madrid, esta região se tornou administrativamente separada do restante do Brasil. Em 1621, o rei Filipe III da Espanha desagregou as posses portuguesas na América do Sul em duas colônias distintas: o Estado do Brasil, com sua capital permanecendo em Salvador, e o Estado do Maranhão e Grão-Pará, com a capital em São Luís. Assim seria até a Independência em 1822.

America Portuguesa 1766 Brasil Colonia
Vejam como era o mapa desta colônia portuguesa naquele tempo. Havia desde 1621 dois estados administrativamente distintos: O Estado do Brasil e o Estado do Grão-Pará e Maranhão. (O nome deste último foi mudando diversas vezes porque pelo visto não se decidiam: começou só como Estado do Maranhão, depois virou Estado do Maranhão e Grão-Pará, aí depois inverteu para Estado do Grão-Pará e Maranhão. Acho que quiseram dar mais ênfase às novas terras que iam ocupando Amazônia adentro.)

O objetivo dessa separação foi assegurar melhor estes domínios dando-lhe um governo próprio, temerosos que os ibéricos estavam da aproximação de ingleses, franceses e holandeses ali próximo pelo Caribe e nas suas respectivas Guianas.

Seria uma questão de tempo até Belém do Pará — que teve início em 1616 com o mimoso nome de Feliz Lusitânia, talvez por nostalgia portuguesa diante da soberania perdida para os espanhóis, ou quem sabe por rebeldia, como que a dizer que ali eram territórios lusos e não hispânicos — receber a companhia de outras 22 cidades com nome português ao longo daquele e do próximo século.

São elas:

    • Alenquer
    • Almeirim
    • Alter do Chão
    • Aveiro
    • Barcarena
    • Beja
    • Belém
    • Bragança
    • Chaves
    • Faro
    • Melgaço
    • Monte Alegre
    • Nazaré
    • Óbidos
    • Odivelas
    • Oeiras
    • Ourém
    • Porto de mós
    • Salvaterra
    • Santarém
    • Soure
    • Vila do Conde
    • Viseu

Não são as únicas no país, é claro: alguém certa vez contou 77 cidades brasileiras homônimas às portuguesas; mas veja aí que, delas, quase 1/3 estão aqui neste estado, e outras 16 das demais são no Maranhão ou no Piauí, que como vimos ficavam fora do Brasil e eram parte do Grão-Pará.

Verdade seja dita, naquele tempo colonial era mais fácil ir de Belém a Lisboa do que de Belém ao Rio de Janeiro, esta que se torna a capital do Brasil em 1763. Era um trajeto mais curto de navio e, talvez não à toa, os colonos daqui desenvolveram uma relação mais próxima com Portugal que com o restante do Brasil. 

Ou ao menos foi assim que o governo colonial e seus colonos viram a situação. Subjacente a isso, a realidade é um pouco distinta, mestiça, misturada e junta.

Foi um pouco dela que eu vim descobrir melhor cá em Santarém, Pará, após fazer minha épica viagem de barco na rede desde Manaus.

Vista para as águas azuis do Rio Tapajós na orla de Santarém com árvores
A orla do rio Tapajós em Santarém, ele que parece quase um mar.

Vindo conhecer e experimentar a Santarém do Pará

Santarém não é assim uma cidade excepcionalmente turística, eu preciso dizer; mas isso não significa que não tenha suas paragens interessantes ou o que ver — e experimentar.

Sim, experimentar da culinária paraense, e especificamente tapajônica (como eles se referem a este recanto do estado banhado pelo rio Tapajós), é parte fundamental da experiência. Eu diria até que Santarém se aprecia mais com a língua que com os olhos.

A cidade se revelou até mais arrumadinha do que eu imaginara. Quem encanta os olhos são alguns resquícios da era colonial portuguesa e o magnífico rio Tapajós, que aqui tem uma orla e é a referência-mãe na cidade.

Para quem visita a cidade, eu diria que o seu lugar mais interessante é o Terminal Fluvial Turístico (TFT), um breve (e moderno, reinaugurado em 2019) complexo sobre as águas tapajônicas com restaurante de comidas típicas e centrinho vendendo artesanatos e produtos da região.

O TFT serve também de referência na cidade: eu diria que quanto mais perto a sua acomodação ou hotel for dali, melhor localizado você estará, pois é a parte mais bela de Santarém.

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Eis ali o imenso rio Tapajós, e aqui mais perto o Terminal Fluvial Turístico, um gostoso centro de visitação com coisas da região. Ei, está vendo mais adiante lá aquele contraste na água?
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Eis mais um “encontro das águas”, mais de perto. Aqui é onde o azulado rio Tapajós se derrama no barrento rio Amazonas, que continua Pará adiante cada vez maior.
Mapa detalhado do Para
Aos fãs de geografia, é ali que estamos, naquela esquina de rios no oeste do Pará.

Eu nem sabia ao certo o que iria encontrar quando decidir vir aqui. Em termos de cidade, talvez tivesse até esperado algo mais “zoneado”, e Santarém acabou por se revelar um lugar afável onde recomendo passar pelo menos uma noite.

Os visitantes têm por hábito nem se deter aqui e rumar direto do aeroporto ou do porto para Alter do Chão, mas eu diria que uma noite aqui é bem passada.

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A chamada Praça do Pescador, no breve centro histórico de Santarém.
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Loja de artesanias bem ali, com MUITA coisa indígena. Se nem sempre feita por índios, os motivos indígenas pelo menos são ubíquos.
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A calçada de Santarém com o seu sapo-símbolo e letreiro à margem do rio e do TFT, na era do Instagram. O preto-e-branco do calçamento é de inspiração portuguesa, mas os motivos são daqui da Amazônia. Você pode pisar sem nem saber.

Esse sapo-símbolo em Santarém é um muiraquitã, amuleto da cultura amazônica — e especificamente desta região. Diz a lenda e algumas crônicas que as mulheres guerreiras Icamiabas, que os primeiros ibéricos aqui chamariam de amazonas (relacionando-as à mitologia grega), faziam rituais à lua à beira da água, e convidavam homens de uma outra tribo para se relacionar. (Afinal, a tribo só de mulheres tinha de procriar de alguma forma!)

Com a argila ou com pedras da região, faziam então amuletos em forma de animais (rãs, tartarugas, cobras) que eram dados aos homens. Chamavam-nos muiraquitãs, que os cronistas europeus apelidaram de “pedras divinas”.

Há quem aqui os use a título de simpatia ou crença. Porém, se é verdade eu não sei, mas me alertaram que — dada a lenda — você não pode obter um muiraquitã para si mesmo: ele precisa lhe ser dado. Se você quiser adquirir um, que seja para presentear outra pessoa.

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Ali com o letreiro, e o Tapajós ao fundo.

Em lugares pelo mundo, eu gosto às vezes de resgatar a canção Dans ma rue [Na minha rua] de Edith Piaf, trazida de volta mais recentemente à baila pela francesa Zaz, e cuja letra descreve o que ela via na sua rua, o passar de gentes o que mais ela sentia naquela Paris dos anos 1930-1940.

Na minha rua aqui em Santarém havia calor, aquele calor úmido equatorial entre um sol fulgurante e as nuvens que passam. Certo dia nublou. A cidade se revelou ligeiramente menos quente que Manaus, mas ainda bem mais que Belém. Pouca gente circulava na rua da orla à tarde.

Talvez pela quentura, era como se estivessem todos a fazer a sesta. Nem a sorveteria abria antes das quatro ou cinco da tarde. Um ou outro taxista ali de prosa, como que a esperar o que fazer, mendigo ou outro a tomar um banco sob as belas mangueiras, e rapazes sentados imersos no celular na Praça do Pescador.

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Numa tarde em Santarém, com um antigo orelhão em forma de arara e o casario anda mais antigo atrás.

A arborização não é má, embora a infraestrutura deixe algo a desejar. Muitos dos casarões antigos estão precisados de uma boa mão. (Você ali vê o sinal de “aluga” atrás de mim.)

O australiano que eu conheci na viagem de barco entre Manaus e aqui Santarém, tendo percorrido boa parte do Brasil após passar um tempo no México, me relatou encanto com toda a cultura e a natureza mas desapontamento com o estado de conservação do patrimônio histórico — matéria em que, de fato, os mexicanos dão de 7 a 1 no Brasil diariamente. Soltou-me um “Eu fico a me perguntar se o Brasil não estaria melhor se tivesse sido colonizado pelos espanhóis.” Essa pra mim foi nova.

Não vou entrar aqui no mérito. Foram os portugueses, afinal, que colonizaram o Pará e lhe deram as tantas cidades homônimas às da terrinha. Porém, a orla por onde eu andava hoje, fruto de um aterramento da margem do rio Tapajós, foi obra do governo militar na década de 1970. 

Orla de Santarem em 1935
Esta é uma foto de época, da orla de Santarém em 1935. (A tal Praça do Pescador é, ora, porque havia pescadores.)
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A minha caminhada hoje. O governo do prefeito interventor federal Capitão Elmano de Moura Melo a partir de 1969 fez este aterramento de 20m. Esta foto é na época de cheia; no verão amazônico a areia lá embaixo aparece.

Ah, nada como pensamento modernista do século XX de obrar para “conter” a natureza em vez de se trabalhar com ela!

Faltavam-me uns “pés de árvore” nessa orla para me dar sombra, mas eu logo os encontraria junto com a igrejinha que você viu na foto antiga de 1935. Aquela é a Catedral Metropolitana de Nossa Senhora da Conceição. A honra emula aquela de uma Catedral de Nossa Senhora da Conceição existente também na Santarém portuguesa.

Esta aqui de Santarém do Pará teve a sua construção iniciada em 1761, cinquenta anos após a conclusão da sua “mãe” portuguesa. Concluiria-se em 1819, mas esta versão que vós vedes data de uma reforma concluída em 1881. Restaurou-se depois disso, a mais recente vez em 2018, daí o seu azul-e-branco mimoso estar tão bem conservado — contrastando-se com alguns dos outros prédios de época em Santarém.

A catedral fica numa praça simpática onde, durante o dia, há vendedoras e vendedores de redes e um camelódromo.

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A bela Catedral Metropolitana de Nossa Senhora da Conceição, neste formato datado e 1881 e com seu coreto em Santarém, Pará.
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Lindas redes ali do lado à venda. (Os preços de rede são sempre negociáveis.)
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A vista para o coreto com o tio Tapajós lá atrás, e umas barracas aqui. O lugar já tem mesmo um certo ambiente de centro de cidade.
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O simples interior da catedral.

Eu deixei a minha rua da orla e adentrei ao que é o centro mais contemporâneo da cidade — por demais semelhante ao de centenas de cidades Brasil afora. As agências bancárias, as lojas, os pedintes e os ambulantes à calçada tendo como clientela aqueles muitos que aguardam o ônibus ou entram e saem de alguma repartição.

Passei por esgotos a céu aberto que corriam rente ao meio-fio (dans ma rue havia portanto um certo fedor) no que eu buscava a Av. Rui Barbosa, uma das principais. As mangueiras ocasionais é que davam a beleza. 

Uma curiosidade é que, ao término dessa Av. Rui Barbosa, há a Praça Elias Ribeiro Pinto, que foi onde a ditadura miliar erigiu um monumento com três figuras — do exército, marinha, e aeronáutica — e que ficou popularmente conhecida como a Praça dos Três Patetas (!).

Mas não era ela que eu buscava; eu buscava o Centro Cultural João Fona, um outro bom lugar para quem busca algo da Santarém antiga. É um breve espaço de exposição num casarão antigo e com a entrada franca.

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Caminhos pelo centro de Santarém.
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As mangueiras frondosas na rua. Não chegam a ser tantas quanto as de Belém, mas há várias delas — poderia haver até mais.
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O Centro Cultural João Fona.

Este centro público e de entrada franca tem no seu pequeno interior algumas salas com pinturas daqui de outrora, peças de museu de arte indígena, um breve jardim, além de fotos antigas da cidade e explicações sobre o histórico de Santarém.

Ele é a terceira edificação mais antiga da cidade, datada de 1868. Chegou até a ser sede da prefeitura por um tempo. João Fona ele próprio, caso você esteja a se perguntar, foi um pintor nascido aqui em Santarém e responsável por algumas das telas que você vê neste interior.

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O interior do Centro Cultural João Fona, em Santarém (PA).
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Foto antigas da cidade, esta de sua fronte com o rio em 1953.
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Figuretas indígenas antigas.
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Memórias de Santarém ao longo da História. Aqui, sua participação na Cabanagem (1835-1840), um daqueles levantes contra o Império Brasileiro no século XIX — como a Farroupilha, a Sabinada e outros. Todos viriam a ser suprimidos, aqui com a morte de 30 mil.

Eu daqui segui o meu caminho de volta ao rio, como que a completar um breve périplo pelo centro de Santarém antes de retornar à margem o Tapajós, onde havia iniciado.

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Coitada da “Casa da Memória” ali em azul!
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O teor de Santarém é um tanto este.
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O fim da tarde à margem do Tapajós!

É somente à tardinha que tudo isto aqui ganha mais vida. Abrem-se os lugares, e surgem os muitos vendedores de rua com seus carrinhos a oferecer batata frita, milho cozido ou bebidas geladas de isopor.

É hora de sentar-se no restaurante Massabor Orla, no Terminal Fluvial Turístico, e apreciar o belo pôr-de-sol acompanhado de comes e bebes da região. Eu avisei ser necessário “experimentar” Santarém, e reitero o que disse.

Você aqui ganha um peso lerdo se for na base do “deixa a vida me levar, vida leva eu”.

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Bolinhos de piracuí para começar, um bolinho de peixe típico daqui.
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O sol se pondo lá atrás do rio Tapajós.
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Eis o famoso pato no tucupi, típico da culinária paraense. O tucupi é o sumo amarelo extraído da mandioca brava. Há o tucupi doce e o tucupi azedo, ambos muito saborosos neste caldo que também leva tempero verde e jambu, a emblemática folha amazônica que adormece a língua.
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Olha este pôr do sol detrás do rio Tapajós. Pode isso, produção?

Este Terminal Fluvial Turístico tem música ao vivo à noitinha nos fins de semana e também um centrinho rotativo onde estandes vendem produtos típicos, tanto de comer não-perecíveis quanto artesanias.

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Esta orla à noite.
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Produtos à venda. Aqui uma cachaça com jambu, outra “arte” paraense.
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Aqui o meu jantar com um combo de comidas típicas, incluindo o arroz paraense e farofa de piracuí (com banana frita e peixe).
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Do outro lado (afora aquele lindo copo de suco de cupuaçu), vatapá e maniçoba feitos à maneira paraense.

Como baiano, eu achei curioso reencontrar aqui e ficar conhecendo a versão paraense destes pratos que conheço desde sempre. Refiro-me ao vatapá e à maniçoba, que na Bahia também se encontram.

Maniçoba é folha de mandioca cozida com carnes. Aqui no Pará se faz dela com as folhas da mandioca-brava, que in natura contêm ácido cianídrico e portanto precisam ser cozidas por um longo tempo antes do consumo. Na Bahia e em Sergipe se usam as folhas da dita mandioca-mansa (aipim ou macaxeira), que requerem um cozimento mais curto — mas o sabor acaba sendo praticamente o mesmo.

Vatapá é um pirão amarelado feito com farinha, camarão, e outros ingredientes que aí variam. O vatapá paraense é mais fino que o baiano e mais puxado pro tucupi que pro azeite de dendê com notas de amendoim e castanha como é na Bahia.

Ah, as culinárias do Brasil! Vê-se tanto da raiz indígena — ou afro-indígena em alguns lugares — por debaixo do manto português. Os restaurantes Piracema e Mascote também são recomendados a quem vier querendo experimentar das coisas da região.

Como eu disse, é preciso experimentar Santarém.

Mairon Giovani
Cidadão do mundo e viajante independente. Gosta de cultura, risadas, e comida bem feita. Não acha que viajar sozinho seja tão assustador quanto costumam imaginar, e se joga com frequência em novos ambientes. Crê que um país deixa de ser um mero lugar no mapa a partir do momento em que você o conhece e vive experiências com as pessoas de lá.

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