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Israel-Palestina

Visitando Jerusalém (Parte 5): Os Jardins do Getsêmani no Monte das Oliveiras e o Túmulo de Maria

Ah o Monte das Oliveiras, onde Jesus esteve antes da Via Crucis! Talvez alguns tenham achado que eu tinha esquecido ele, mas é que ficou apenas para o fim. Parte final destas andanças em Jerusalém.

Eu já lhes mostrei a Via Crucis (ou Dolorosa) com a Igreja do Santo Sepulcro de onde Jesus foi crucificado e enterrado, o Muro das Lamentações com o dourado Domo da Rocha islâmico, o Bairro Judeu com legado romano antigo, e o Cenáculo, onde teria se dado a Última Ceia. Mas é que Jerusalém sempre tem mais coisa; o número de marcos históricos ou religiosos aqui parece infinito, então são necessários vários dias para tentar cobrir tudo. 

Vamos então nos bandear hoje para o lado do Monte das Oliveiras, a leste do centro histórico da cidade. Trata-se de uma região palestina; ainda que sob domínio de Israel, você verá como o ambiente e as pessoas no seu entorno são essencialmente árabes. Ali ficam os Jardins do Getsêmani — que nada mais quer dizer que “prensa de óleo” em aramaico, a língua de Jesus. Então, praticamente, com Getsêmani ou jardim ou monte das oliveiras, estamos falando do mesmo lugar. 

Jesus ascending to heaven
Jesus ascende aos céus (1775), do pintor bostoniano John Singleton Copley.

Lá no alto, num lugar hoje controlado pelos árabes, fica a Capela da Ascensão, de onde se diz que Cristo partiu aos céus. (A quem não sabe, de acordo com a Bíblia, ele depois de ressuscitar permanece na Terra 40 dias após a Páscoa, até enfim ascender aos céus. Isso teria ocorrido cá do alto do Monte das Oliveiras, onde hoje há uma capela. O Dia da Ascensão, sempre numa quinta-feira, segue sendo feriado em muito da Europa.)

Já embaixo, no sopé do monte, há a Igreja de Todas as Nações com a chamada Pedra da Agonia, onde Jesus orou pedindo forças para enfrentar tudo que precisaria enfrentar, na véspera da sua crucificação.

Ali perto está também o lugar que os armênios sugerem ser o Túmulo de Maria, mãe de Jesus. Aqui eu preciso pontuar que há duas grandes versões sobre seu destino: uma diz que ela se mudou a Éfeso, a viver com João evangelista como Jesus sugeriu na cruz. (“Mulher, eis aí o teu filho“, e ao discípulo, “Eis aí tua mãe.” João 19: 26-27). Teria vivido na casa que hoje se visita na atual Turquia e falecido por lá.

Já a outra versão, sustentada mais pela igreja ortodoxa que pelos católicos ou protestantes, sugere que Maria voltou e faleceu aqui em Jerusalém. Chegou a ser enterrada, e depois seu corpo foi levado aos céus — a Assunção de Maria, do corpo, e que portanto não é ascensão. Todos os sobrenomes — assim a capital paraguaia — se referem a isso, já que a doutrina da Assunção de Nossa Senhora ganhou força durante o período medieval e renascentista.

Como eu disse: Jerusalém é um sem-fim de coisas, de lugares ricamente simbólicos. Vamos dar mais umas voltas e vê-los de perto.

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Imagens sacras na igreja ortodoxa armênia do Túmulo de Maria, com passagens da infância de Jesus com sua mãe.
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Jerusalém tem muitos lados, uma cidade religiosamente vibrante e cosmopolita.
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Jerusalém Ocidental, aonde eu retornei após meu tour a Massada e ao Mar Morto.

Jornada ao Monte das Oliveiras

Esse sósia de Rasputin tocava guitarra à praça a colher moedas no que eu passei. Era mais um dia de semana em Jerusalém. O tempo ora estava firme, ora nublava e nos brindava com chuviscos de inverno. Imagine aí seus 14 graus, aquele inverno leve, mas que pode requerer uma jaqueta.

No que eu retornava ao meu hotel numa dessas noites em Jerusalém Ocidental (a parte mais moderna e rica, que pertence oficialmente a Israel e onde ficam os hoteis), uma negra moça norte-americana começou a me seguir na rua, falando em hebraico. Disse-lhe que não entendia, ao que prontamente começou a me pregar — amigável mas insistentemente — algo sobre a Palavra de Cristo. Disparou feito uma carretilha, e eu vi a hora de ela entrar no hotel comigo se a pregação ainda não tivesse terminado.

Jerusalém tem dessas; é uma cidade que fervilha, animada no sentido mundano da palavra, mas também exaltada de anima (no sentido grego para “alma”) e Palavras de pelo menos três religiões diferentes. Ora pois. Você aqui se sente num centro epicentro de sentimentos e paixões tantas.

Eu, homem de fé que pouco duvidei, mas também pouco afeito a exaltações (ou conversões forçadas), tentava passar ao largo daquilo dentro do possível, olhava tudo com meus olhos abertos e também sentia, mas sem desnecessariamente me envolver com os apaixonados. Era hora de rumar ao Monte das Oliveiras. 

Monte das Oliveiras
O Monte das Oliveiras, no lado oriental de Jerusalém (formalmente, Palestina), fica fora de suas muralhas, numa zona árabe, mas conquistada por Israel em 1967 e portanto integrada à cidade, sem nenhuma fronteira.

O Monte das Oliveiras é toda uma região elevada fora dos muros de Jerusalém — não imagine só um mirante, cheio de oliveiras, lá esperando você. A começar, ele é famoso porque há muitos túmulos de rabinos ali, mas depois naturalmente ganhou fama pelas passagens bíblicas do Novo Testamento.

Vários táxis põem-se à sua espera, a oferecer corridas para o alto a qualquer turista que saia pelo lado oriental dos muros. Fi-lo no Portão dos Leões no meu primeiro dia na cidade, ali que é o início da Via Dolorosa, e avistei já o Monte, que contudo ficou para ser visitado depois.

Da zona hoteleira na mui judaica Jerusalém Ocidental, você facilmente toma um ônibus que o deixe já ali. O Google lhe informa qual o melhor, pois há vários.

Uma vez lá, você terá — ainda na base, sem nada subir — o chamado grotto (uma gruta) e os Jardins do Getsêmani, ao lado do que é hoje a Igreja de Todas as Nações, com a Pedra da Agonia. Do outro lado da rua, a Igreja Ortodoxa da Tumba de Maria. Como você vê, tudo aqui está pertinho, sem nem subir.

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Assim é a área do Monte das Oliveiras na vida real. Não espere um monte redondo, mas uma vizinhança elevada, com lugares importantes também cá na base.
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A entrada para a igreja ortodoxa onde se diz estar a Tumba de Maria.
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Eu vou começar por aqui porque foi o que primeiro visitei. Desçamos.

O Túmulo de Maria em Jerusalém

Eu ia iniciar pelo Getsêmani, onde ainda se veem formosas oliveiras bem arranjadas, mas aí um desses matutos de rua, um árabe, bondosamente me indicou que visse este túmulo de Maria primeiro, porque pela hora iria fechar. De fato, as capelas e igrejas aqui em Jerusalém — afora a Igreja do Santo Sepulcro — possuem horários um tanto ladinos e difíceis de acompanhar. Abre duas horas, fecha para almoço, abre outra hora durante a tarde, e nem a internet toma pé. Por sorte, o meu gentil informante aqui tomou. 

Estamos aqui numa pequena igreja de pedra, toda ela praticamente subterrânea. Viam-se os sacerdotes ortodoxos de preto, com suas longas barbas, a observar quem passava e vender suas imagens sacras em estilo bizantino, como de hábito.

Desce-se uma longa escadaria até o vão principal, tudo decorado de imagens sacras em redor.

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O interior da igreja ortodoxa da Tumba de Maria, pleno de imagens sacras, candelabros e incensários em meio à rústica rocha.
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Detalhes de um altar com iluminura de Maria no seu leito de morte, os apóstolos ao seu redor e Jesus no céu entre os anjos a aguardá-la. À direita, sua assunção ao céu.
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Altar à Virgem Maria neste lugar. Tudo em grego.

Em grego, Maria é tida como Theotókos (Θεοτόκος), às vezes traduzida teótoco, o que literalmente significa “portadora de Deus”, por ter levado em seu ventre a figura divina de Jesus. Notem que é um conceito mais preciso que sua tradução latina em Mater Dei ou “Mãe de Deus”, o que soa às vezes estranho, ainda que habitual aos ouvidos.

Como lhes disse na nossa visita ao Cenáculo da Última Ceia, o dogma cristão nas Igrejas ortodoxas é o da “dormição” de Maria — nome estranho à maioria dos ocidentais, mas extremamente habitual nos países de religião ortodoxa (Grécia, Bulgária, Rússia, Ucrânia, Romênia e outros). Segundo essa crença, Maria voltou de Éfeso, e cá em Jerusalém morreu de morte natural, sem dor, dormindo, cerca de 11 anos após a morte e ressurreição de Cristo. (Alguns cravam a data em 15 de agosto de 41 d.C. A data de 15 de agosto é, portanto, amplamente celebrada.)

Em paralelo, os católicos romanos em geral se centram na chamada Assunção de Maria, inicialmente dizendo que ela sequer morreu, mas foi levada aos céus em corpo e alma ao fim da vida. Celebra-se o evento no mesmo 15 de agosto, apesar do entendimento diferente. 

Os ortodoxos também creem na Assunção de Maria, só não lhe põem tanta ênfase. Desde o século V, quando as igrejas ainda não estavam separadas, já havia textos indicando que Tomé — sempre ele — chegou atrasado e não viu o corpo de Maria antes de ela ser enterrada. Pediu que abrissem o túmulo, e quando o fizeram, só havia ali as suas roupas. 

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Altar ortodoxo com velas, incensários, e uma imagem dourada da dormição de Maria em meio aos apóstolos — Tomé chegou depois.
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E eis ali embaixo, sob aos papeis de oração deixados pelos peregrinos, a rocha onde o corpo de Maria teria sido deitado para “dormir”.

Ao Horto das Oliveiras

Saímos dali ainda antes de os sacerdotes cessarem o acesso à igreja. Logo ao lado, à saída na superfície, fica o acesso ao chamado grotto (ou gruta) do Getsêmani, onde Jesus às vezes pregava aos apóstolos. 

O acesso a esse grotto propriamente dito estava fechado, mas nada tema, pois do outro lado da rua estão os jardins ou horto das oliveiras, o lugar à base do monte onde Jesus teria meditado na véspera da crucificação — e ali sido preso. 

Hoje, o lugar pertence ao chamado Santuário da Agonia de Jesus Cristo, mantido pelo franciscanos desde o século XII. Os cruzados foram vencidos e expulsos daqui em 1187 pelo líder muçulmano Saladino, que contudo permitiu que cristãos desarmados mantivessem seus lugares sagrados e peregrinação. Foi aí então que a Igreja pôs isso a cargo dos franciscanos desde 1217.

O ambiente atual é de paz, as oliveiras seculares ali entre flores e pássaros na quietude — nada que exale as tensões que a Bíblia relata Jesus ter sofrido aqui a ponto de suar gotas de sangue. 

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Os Jardins do Getsêmani, o mesmo Horto das Oliveiras, cá no sopé do monte, fora das muralhas de Jerusalém.

Lucas (22: 39-54) é quem essencialmente nos narra os eventos aqui após a Última Ceia. Jesus teria vindo cá a meditar, seguido pelos apóstolos, e já sabendo do que o aguardava, ora. 

Aqui é o momento em que Jesus fala em “afasta de mim esse cálice, pai”, mas também em “não se faça a minha vontade, mas a tua”.

Judas, que havia abandonado a Ceia antes do fim, então aparece acompanhado de soldados e, com um beijo no rosto, indica-lhes Jesus. Eis a famosa traição. De acordo com Mateus, Judas depois se arrepende quando vê que Jesus acaba sendo condenado à morte. Atira as 30 moedas de prata de volta ao Templo de Jerusalém e se enforca (Mateus 27: 3-5).

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Judas deixando a Última Ceia, obra do pintor dinamarquês Carl Bloch (1834-1890).
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Jesus com seus discípulos no Horto das Oliveiras, ou Jardim do Getsêmani, à chegada dos soldados para prendê-lo.
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O beijo da traição de Judas. Estes mosaicos estão no interior da Igreja de Todas as Nações, também chamada de Basílica da Agonia, logo aqui adjacente.

Apesar dos momentos de sofrimento de Cristo aqui, o que temos é um lugar plácido. O inverno cinzento e frio o tornava algo sóbrio, certamente mais do que é na primavera ou no verão, mas ainda assim era um local pacato.

O acesso é livre, gratuito, mas restrito ao entorno do jardim de oliveiras — certamente para que fieis não saiam levando galhos e acabem por desmatá-lo em uma semana.

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Você passeia assim ao redor do jardim.
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No dito horto das oliveiras, também conhecido como Getsêmani (do aramaico para “prensa de óleo”, pois se extrai azeite aqui desde a Antiguidade).
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Os caminhos entre as vetustas oliveiras em Jerusalém.
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Algumas delas são mais jovens e datadas, como esta plantada em 1964.
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Já outras, bem mais largas, são seculares. Em média, uma oliveira vive 500 anos. As mais velhas passam dos 1000, mas a bem da verdade preciso dizer que nenhuma destas é mais do tempo de Cristo.

Se você quiser vir com segurança, pode consultar neste site oficial da Custodia Terrae Sanctae dos franciscanos os horários exatos de abertura tanto deste espaço quanto da gruta do Getsêmani. 

Passemos então à Igreja de Todas as Nações, logo ao lado. Aqui, deparei-me com uma família brasileira evangélica em visita. O homem era apresentador de canal de YouTube e loquaz no seu entusiasmo. Comentava que não era católico, mas que reconhecia o que as igrejas fizeram para preservar estes lugares associados a Cristo.

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A bela Igreja de Todas as Nações, também chamada de Basílica da Agonia. A edificação atual, neoclássica, data de 1924.
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O interior da Basílica da Agonia. Suas colunas e arcadas são neoclássicas, mas há enfeites mil no teto.
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O teto desta basílica.
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Note os enfeites e as figuras dos apóstolos lá sob a cúpula.
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O altar principal com a figura de Jesus agoniado sobre a pedra.
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Eis aqui a própria.

A Capela da Ascensão de Cristo

Algo mais do que 500 degraus nos separam cá embaixo da Capela da Ascensão de Cristo lá no alto, onde a imaginação humana vê até pegada da alma de Jesus gravada numa rocha (à moda do que fazem os budistas com Buda no Sri Lanka também). 

Você verá pessoas subindo pela rua asfaltada, mas esse é um caminho pouco indicado, sem qualquer calçada, e desnecessário.

Necessário era, pois, tomar um café antes de eu subir, então me detive numa bodega árabe familiar — destas em que o marido atende os clientes e a esposa traz o café.

Verdade seja dita, eu não estava dando ponto sem nó. Queria provar do famoso café árabe, que é semelhante ao café turco (ou grego) com o pó dentro, salvo por um detalhe: cardamomo, especiaria asiática que os árabes aqui do Levante põem dentro do café.

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Estão servidos, senhoras e senhores? A mesa simples e o café caseiro no ar frio fazia eu me sentir em certas áreas do interior brasileiro no inverno.

Imagino que alguns estejam curiosos para saber que gosto tem café com cardamomo. Eu preciso já dizer que sou do tipo que não gosta de firulas com o meu café — tenho pavor daqueles saborizantes artificiais que os norte-americanos usam, ao arrepio da moralidade, para vender cafés com gosto de baunilha, caramelo ou framboesa, e via de regra eu não ponho nem leite no meu café.

Cardamomo e mao
Pequeninas bagas de cardamomo, especiaria asiática que alguns árabes põem com o café.

Mas, sim, tomo com açúcar (melhor ainda se for rapadura), e digo que o cardamomo passou a ser a única coisa extrânea que passei aceitar no meu café afora a especiaria da cana.

O cardamomo é originalmente indiano (como a cana) e vem em pequeninas bagas verdes como o pistache, com breves bolinhas pretas dentro (do tamanho de pimenta-do-reino) com um sabor simpaticamente refrescante no estilo da menta.

Você tem o café, portanto, trazendo um leve toque de frescor e uma ponta de diferente. Se for caseiro, pode achar uns pedacinhos do cardamomo moído na boca. Gosto dessas coisas artesanais.

Pronto. Agora eu estava finalmente energizado para as centenas de degraus até a Capela da Ascensão.

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Caminhante, há caminho, e ele é longo.
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Após mais de 500 degraus, você avista o lugar da Capela Ascensão no alto do Monte das Oliveiras.
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Isso, contudo, não é a capela, mas um minarete de mesquita, pois há séculos este lugar é árabe, e aquele chapa palestino cobra 10 shekels para os turistas ou peregrinos cristãos interessados em ver o lugar da ascensão.

Quis a ironia do destino que nós chegássemos bem à hora do ezam, o chamamento do muezzin, que reverberava dos megafones do minarete bem sobre nossas cabeças, como que a ecoar urbi et orbi a partir de toda Jerusalém, a qual aqui víamos ao longe.

Detive-me, pois eu gosto de escutar esse chamamento. Tomo-o como oportunidade de introspecção.

O chapa palestino era camarada, com um ar informal quase brasileiro. Ao celular, ficava ali com uma banquinha de souvenirs cristãos (cada um vive do que pode) e controlando o acesso ao pátio do que já foi uma capela cristã.

Eu aqui preciso compartilhar com vocês meu certo desapontamento e lhes prevenir que nada há demais de encher os olhos cá, até porque o lugar não é cuidado por nenhuma Igreja. Os muçulmanos o preservam por consideração que têm a Cristo e como fonte de renda.

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Eis a Capela da Ascensão. Humilde, porém histórica: afora a sua significação religiosa, esta mini-basílica de estilo bizantino data de 1150.
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Ruínas da igreja mais antiga que havia aqui, de 390.
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O interior da capela hoje. Não “funciona” mais como capela, já que está sob jurisdição islâmica, mas ali naquele retângulo se diz que há uma pegada de Cristo — e você vê as velas deixadas pelos fiéis.
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Eu deixo por sua conta identificar uma pegada da alma de Jesus aí na pedra. É o que dizem. Eu respeito a crença, mas acho que as pessoas também têm imaginação.

Epílogo: Outros lugares de Jerusalém

Compramos algumas lembrancinhas cristãs a bom preço na mão do rapaz palestino, e logo entramos na bodega ao lado para comer um sanduíche de falafel e um doce árabe. Tocava um breve batidão arabesco de fundo enquanto homens de fora se misturavam com os funcionários e às vezes puxavam uma cadeira — aquela meio de bairro, tão diferente da “higiene” organizada do turístico Bairro Judeu em Jerusalém.

A descida desta colina da Ascensão, graças a Deus, seria de ônibus. Voltaríamos ao miolo do lado palestino de Jerusalém, ao inesquecível Portão de Damasco, de onde tomaríamos um outro ônibus para ver museus de Jerusalém. Subestimamos, todavia, o quanto estes ônibus aqui de Jerusalém atrasam na hora do rush — quase nível Brasil. Põem o Google Mapas para ficar louco. 

Ao longo de cinco postagens, eu lhes mostrei bastante de Jerusalém, mas é claro que há sempre mais. Por exemplo, há o Yad Vashem, um memorial às vítimas do holocausto, nos arredores da cidade. (Você precisa agendar a visita antecipadamente pela internet ali no site oficial.) 

Fica a dica, e eu respeito esses memoriais, mas às vezes os visitantes (e suas avaliações internet afora) confundem a experiência da visita com a importância histórica da coisa. Nada substitui uma visita ao campo de concentração de Auschwitz-Birkenau na atual Polônia, se você tem interesse no tema do holocausto.

Ainda nesta tardinha, fomos também ao Museu de Israel na arborizada periferia do lado judaico de Jerusalém. Há também 

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O Museu de Israel, num fim de tarde em Jerusalém. Ele é uma área campal relativamente extensa nos arrabaldes da cidade.

Este Museu de Israel fica numa ampla área campal bonita, mas é um tanto rarefeito de peças. Segue mais uma onda contemporânea, avant-garde, com um objeto aqui e outro aqui — um tanto como panela de feijão com bastante água para render, onde de vez em quando você encontra um grãozinho aqui, outro acolá.

Há algumas peças históricas, mas não há comparação com a riqueza global (sim, pilhada) cosmopolita que se encontra nos grandes museus de Berlim, Paris ou Londres, nem com nenhum dos grandes museus de arte da Europa. Acaba se focando em documentação, réplicas, e aí vira mais centro de estudos que museu.

O grande “tchan” mesmo são os originais dos Manuscritos dos Mar Morto ali exibidos, o que aos interessados pode valer a visita.

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O centro de recepção de visitantes do museu. O lugar tem boa infraestrutura moderna e algumas peças históricas, mas tem mais ares de centro educativo e de arte contemporânea. Não espere nada parecido com a densidade de peças que há nos museus europeus.
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A atração principal são mesmo alguns dos originais dos Manuscritos do Mar Morto, escritos judaicos do tempo de Cristo. Eles ficavam no antigo Museu Arqueológico Palestino, atualmente chamado Rockefeller Archeological Museum, até serem trazidos para cá. Falei mais deles na postagem da visita ao Mar Morto.

Eu encerrava assim as minhas andanças por Jerusalém, mas ainda havia um último lugar histórico a visitar aqui na Palestina antes de ir embora.

Mairon Giovani
Cidadão do mundo e viajante independente. Gosta de cultura, risadas, e comida bem feita. Não acha que viajar sozinho seja tão assustador quanto costumam imaginar, e se joga com frequência em novos ambientes. Crê que um país deixa de ser um mero lugar no mapa a partir do momento em que você o conhece e vive experiências com as pessoas de lá.

2 thoughts on “Visitando Jerusalém (Parte 5): Os Jardins do Getsêmani no Monte das Oliveiras e o Túmulo de Maria

  1. Emocionante, ver, pisar ,conhecer essa Terra Santa onde viveu, agiu, ensinou, padeceu e reviveu , iluminou e partiu aquele ser aquele ser Divino, como um meteoro.
    Extraordinário apreciar os lugares por onde ele passou e deixou suas marcas, suas lembranças na terra onde viveu e nos corações dos que o amaram e amam.
    Imagino a sua emoção, meu jovem amigo…
    Que lindo e cheio de energia, esse Getsêmani… de histórico simbolismo. Transpira amor e soletude, coragem e resignaçào e , sobretudo, energia espiritual.
    Muito bom ter ficado a cargo dos franciscanos.
    Reflete um ambiente com muita paz, por entre as vetustas oliveiras. Essa mais idosa é soberba…Linda
    Emocionante esse jardim… Parece que a qualquer momento o Mestre vai aparece ali com seus discípulos.

    E que bela essa Igreja das Nações… Linda fachada com seus belos arcos romanos e seus capitéis…
    Impressionante o seu interior… Teto fabuloso, cheio de estrelinhas… azul e dourado. Lindíssima cúpula..
    Altar mor de rara beleza e significaçao. Impressionante a pedra sobre a qual Jesus teria meditado, orado ao Pai e ganho forças para enfrentar o que viria. Maravilha….
    Preciosas telas narrando parte daquele drama de então: a saída precoce de Judas e o patognomônico e corajoso “Ego sum”… sou eu.

    Belíssima essa capela armênia , ortodoxa, em homenagem à ”Dormição ”de Maria com sua tumba. Impressionante. Ricamente decorada, e de rara beleza. E praticamente dentro da rocha… Com riquíssimos candelabros e encantadores figuras sacras no estilo Bizantino, de representações sacras visuais em telas /quadros e iluminuras.
    Maravilhosa essa representação de Maria com o filho em prata. Magnífica!…
    Amei os detalhes Ortodoxos. Gosto muito.
    Muito interessante esse título grego de ” Portadora de Deus.” filho de Deus, parte de Deus, é.
    Também me agrada muito o termo Dormição. Nao deixa de ser um sono.
    Em relação ao que de fato ocorreu, o que se sabe é que ela após a partida de Jesus, e com a dispersão dos apóstolos, João foi para Éfeso e la fundou uma comunidade. E. de acordo com o pedido de Jesus levou consigo Maria. Esta se manteve la com ele, o auxiliou na organização da Igreja de Éfeso e teria falecido na sua companhia uns 15 anos após a partida de Jesus.
    Se após sua partida se ela foi trazida para Jerusalém .Nao se sabe. Pode ter sido.
    Interessante esse fato de Tomé ter chegado depois, haha como sempre. quem sabe?……
    Belissima essa representação dourada da Dormição de Maria rodeada pelos Apóstolos.
    Na versão citada acima e com base em fontes como “João, a ‘Última Testemunha”publicada pela revista Planeta, não ha referencia à vinda dos Apóstolos.para a despedida de Maria.
    Mas as fontes dizem pouco ou quase nada. Importante e imponente é essa bela homenagem feita pelo armênios ortodoxos , àquela que cuidou e seguiu o Mestre até o fim. e corajosamente estava de pé ( stabat mater), diz a fonte latina, ao pé da cruz.
    Encantada e tocada por essas belas visões e histórias vividas nesse passeio pelo senhor, meu jovem.
    Maravilha

  2. Que lindo esse Monte das Oliveiras..lugar especialíssimo… cheio de energia, ricamente arborizado, bem cuidado cheio de ciprestes, hoje povoado.
    Parece bom o café … tiene una buena cara… e o local parece agradável…
    Vilgen!… que caminho terrível é esse, meu amigo.. afimaria…. quantos degraus são esses…… misericórdia… parece mais uma Via Sacra.. embora que o tempo e o lugar sejam próprios… Jesus…
    Não chegou lá em cima pondo a alma pela boca não?

    Ohhh, meu amigo… que lindo deve ter sido ouvir esse Muezim!…. Que bênção…ouvir esse canto… Amo esse chamamento… Belíssimo..emocionante. Allah, Clemente e Misericordioso seja sempre louvado e olhe por todos nós…. O meu respeito e o meu amor por Ele.

    Singela essa capelinha. Bonitinha e simbólica.
    Sua amiga aqui não está conseguindo ver mas também não duvida.

    Famoso esse Portão de Damasco.

    Deus me livre desses Campos da Polônia.. terríveis…dramáticos… embora verdadeiros e necessário que sejam vistos e conhecidos, para que não se repitam. Ave-Maria.

    Bela a entrada desse Museu de Israel… Bem iluminado largo e bem arborizado. Parece, entretanto um pouco vazio…
    Hahahaha Adorei o feijão aguado para render hhhhh. Verdade…rarefeitas as pecas importantes.
    Funcional.. Áreas bem cuidadas…e bem iluminadas.
    Também gostei mais daqueles manuscritos la da vossa publicação no Mar Morte. Parecem mais bem conservados.

    E na Jerusalém Ocidental belas avenidas e o Rasputin barbudo.. Bem ativos eles.
    Parece outra cidade.
    Fecho de ouro essa postagem, essa magnífica viagem, meu caro… Um sonho…
    Fiquei encantada..
    Que maravilha viajar com o senhor nessas postagens..
    Deus o acompanhe sempre, jovem viajante brasileiro.
    E que venham mais viagens lindas assim……
    Grande abraço.

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