“Rotemburgo sobre o Tauber” (Rothenburg ob der Tauber), referindo-se ao burgo ou vilarejo medieval fortificado vermelho (Rot) acima do rio Tauber na Baviera, é dos vilarejos mais encantadores de toda a Alemanha.
Poucas vezes vi um lugar medieval tão pitoresco e bem preservado, e chocado fiquei de não ter ouvido falar deste lugar até recentemente.
Rotemburgo fica na chamada Rota Romântica (Romantic Road ou Romantische Straße) de que lhes falei na postagem anterior, um seguimento no sul alemão que caiu nas graças da indústria do turismo a partir dos anos 1950 por abrigar lugares tradicionais alemães — muitos deles poupados do arraso da Segunda Guerra Mundial. Rotemburgo é um exemplo.
Trata-se de uma cidadezinha com meros 11 mil habitantes, hoje praticamente uma atração turística. Preserva muito bem suas casas, e conta com muitos moradores que criam uma ambiência residencial nas várias ruas fora das praças principais, mas é do turismo que ela sobretudo vive. Vamos entrando.





Situando-se em Rotemburgo
Rotemburgo é uma cidade pequena, onde tudo se faz a pé. A cidade tem duas magias, a meu ver. Uma é o miolo dela, seu centrinho com as praças bem povoadas, lojas e, nesta época natalina, as encantadoras feirinhas de Natal típicas da Europa Central. A outra são seus recantos mais quietos, onde às vezes se tem sua muralha medieval sem ninguém, e você pode se sentir noutros tempos.
Minha acomodação ficava na parte interna à muralha, o que facilitava na hora de chegar às praças principais em 5-10 minutos de caminhada. Era uma pensão despretensiosa à moda antiga, que parecia a casa de alguém. Apesar do ar interiorano, como vem muitos turistas dos Estados Unidos aqui, não é raro que os anfitriões falem inglês bem (o que não é sempre o caso na Alemanha).



Este sul da Alemanha têm um clima mais continental que o norte. Se lá em Hamburgo e vizinhanças é habitual chover, aqui é comum que tenhamos neve, além de temperaturas mais frias.
Havia uma quietude meio montanhesca no ar, mas que não chega a ser das montanhas propriamente ditas (como se vê na Suíça e Áustria). Aqui, assemelhava-se mais ao que se encontra também pelo interior da vizinha Tchéquia.
Eu às vezes caminhava pelas ruas e me perguntava onde andavam as pessoas que supostamente moravam naquelas casas. Tudo era tão quieto. Ocasionalmente, um carro passava dando sinal de vida urbana. No mais, eram o tempo e as árvores e a arquitetura tradicional.
Aos poucos, caminhando rumo ao centro, começavam a aparecer as pessoas e as luzes de Natal.




Voltas natalinas por Rotemburgo
O que há para ver em Rotemburgo? A cidade como um tempo. Suas muralhas (onde você pode subir se quiser), seu casario com armações de madeira, suas ruas fotogênicas, algumas torres específicas (vou mostrá-las), a linda prefeitura de época na praça principal, e a impressionante igreja gótica de São Tiago de 1485.
Há quem venha cá num bate-e-volta a partir de Wurzburgo ou Nurembergue — ou às vezes até de mais longe, como de Frankfurt ou Munique —, mas eu diria que vale a pena dormir aqui uma noite (ou mais, se você quiser descansar) e ver a cidade à noite iluminada também.
Não há segredos. Vamos circular e ver as ruas da cidade como ficam.



Um pouquinho sobre o passado de Rotemburgo
Rotemburgo é uma cidade onde se crê ter havido habitação celta nos tempos antigos — antes de os romanos e depois os germânicos aparecerem, estes oriundos do leste.
Adiantemos a fita para o fim do Império Romano e as “invasões bárbaras”, e temos a nobreza medieval germânica estabelecendo um castelo e depois um vilarejo aqui nos idos dos séculos XI-XII, já cristianizados e envolvidos no Sacro-Império Romano Germânico.
Em 1170, a vila é elevada a cidade, e já em 1274 ela adquire os direitos de uma cidade imperial livre — ou seja, prestava contas apenas ao sacro-imperador, não a nenhum dos nobres donos das terras vizinhas. Gozava portanto de muita autonomia.
Como cidades eram lugares de comércio, ela se estabelece em torno da Praça do Mercado, com a Igreja de São Tiago (St. Jakob em alemão) ali próximo. Essa igreja atual, entretanto, só é levantada no estilo gótico no século XIV, sempre completada e consagrada em 1485.




Se você gosta de coisas de época, vai curtir ver de perto as muralhas e torres ainda desse tempo.






Numa tardinha, com o o sol a se pôr por detrás do céu encoberto, fui caminhando até um dos portões mais remotos (e belos), o Portão Spital (Spitaltor), com sua Torre Spital (Spitalturm). Quase não havia ninguém, e eu parecia ter entrado numa máquina do tempo de retorno à Idade Média.
à noite
as guloseimas do Natal






Rotemburgo à noite e no Natal
Quando a noite cai, a cidade ganha ares novamente distintos, ainda mais convidativos ao aconchego. De certa maneira, Rotemburgo fica ainda mais pitoresca.






Como os dias são curtos, e neste caso aqui estavam nublados, até as horas de luz remetem ainda a um encanto invernal.
Aqui eu não achei das fritadas de batatas (kartoffelpuffer) que encontrei em Frankfurt, mas há sempre o que comer para acompanhar o quentão (glühwein, o vinho quente com especiarias).




E assim o tempo mágico em Rotemburgo se passa. Há algumas coisas específicas a quem se detiver mais tempo aqui, como um tour noturno a pé (disponível de 01/04 a 30/12) por 9 euros, em inglês ou alemão, e um museu sobre a História da cidade.
Eu encerrava minha estadia curta aqui, encantando-me com os seus espaços, e preparando-me para ir adiante nesta Baviera tão encantadora. Mais cidades por vir.








