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Argentina Uruguai

Ferry entre Buenos Aires – Colônia – Montevidéu

Cruzar de ferry o Rio da Prata entre Buenos Aires, Montevideo e Colônia do Sacramento no Uruguai é parte integrante da viagem a esta região — e tarefa fácil. Só é preciso compreender um pouco como a banda aqui toca.

Duas empresas operam ferries nesta região: Buquebus e Colonia Express. Ambas têm qualidade semelhante: são daqueles ferries enormes, com lojas, lanchonetes, e vários andares de assentos dentro. 

Os preços também são semelhantes: por volta de USD 50 para cruzar entre Colonia e Buenos Aires (1h15-1h30 de viagem), e cerca de USD 100 para a travessia Montevidéu – Buenos Aires, entre as capitais (2h45-3h de viagem).  

Eu li na internet alguns relatos horrorizados (as resenhas tendem a sobre-representar más experiências, vira tipo um ReclameAqui), mas na prática realmente é uma viagem tranquila e prática — bem mais simples que avião. Há apenas algumas coisas a saber e ter em conta acerca da imigração, etc.

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Assentos muitos no ferry chamado Buque Francisco, da Buquebus, o único a fazer a travessia direta entre Buenos Aires e Montevidéu. Tem uma saída por dia.
Mapa Buenos Aires Colonia Montevideo
Buenos Aires na Argentina, com Colonia e Montevidéu no Uruguai, formam o trio mais visitado de cidades no estuário do prata — e o ferry é a formal mais fácil de se deslocar entre elas.

A compra

Vamos por etapas, a começar pela compra e suas pegadinhas.

Você adquire passagens online pelos sites oficiais das duas empresas, Colonia Express e Buquebus. A experiência online é como aquela para comprar passagens de avião: você seleciona a data, se quer só ida ou ida e volta, os destinos, etc. 

O grande “tchan” é que o site da Buquebus é mestre em não aceitar cartões estrangeiros, então não estranhe se não conseguir completar a compra. Muita gente opta pela Colonia Express no trajeto Colonia – Buenos Aires precisamente porque é a que conseguem comprar (foi o meu caso). 

Para comprar Buquebus, o melhor é fazê-lo pessoalmente no terminal — de preferência um dia ou mais antes, para evitar stress.

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O site da Colonia Express, a melhor opção a quem deseja comprar online passagens entre Buenos Aires e Colonia del Sacramento, a cidade histórica mais famosa do Uruguai. Aqueles preços mais camaradas da classe econômica tendem a se esgotar cerca de 1 mês antes. Compre com essa antecipação se quiser deles.
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Já o site da Buquebus é um tanto fresco — com traduções automáticas que nem sempre funciona, e pouca aceitação de cartões estrangeiros. Você pode, entretanto, pelo menos consultar os horários e preços — e ir comprar pessoalmente no terminal.

Note que, em Buenos Aires, Colonia Express e Buquebus têm terminais distintos — uma na extremidade norte e a outra na extremidade sul da região de Puerto Madero. 

Até os próprios funcionários da Buquebus esculhambaram o site deles, dizendo que tentar comprar por lá era perda de tempo. No escritório deles no terminal, você pode comprar usando cartão de crédito estrangeiro sem problemas. Pode também pagar em espécie (en efectivo, como dizem em espanhol), se você preferir.

A utilidade da Buquebus é que ela opera — sozinha — a via direta entre Montevidéu e Buenos Aires, o que é uma mão na roda. Há quem opte pelo passeio composto ferry + bus (ônibus entre Montevidéu e Colonia, com ferry de Colonia a Buenos Aires), mas não vejo razão para isso. Colonia é boa de visitar, mas pra isso requer uma noite ou pelo menos um turno perambulando pela cidadezinha.

No terminal da Buquebus em Buenos Aires, você se informa fácil in loco para ver onde comprar. Se for passagem para o mesmo dia, pegue a fila principal onde verá gente fazendo check-in. Se não for para o mesmo dia, vá nos escritórios ali do lado, onde se tira uma ficha com um número e espera ser chamado para tratar com alguém atrás de uma mesa.

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Os ferries da Buquebus (o escuro) e da Colonia Express (o claro) usados no trajeto Buenos Aires – Colonia são muito semelhantes. A principal diferença é que o da Colonia Express tem uma pequena área externa, caso você goste de tomar vento.
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Pequena área externa no ferry da Colonia Express, que faz o trajeto entre Colonia e Buenos Aires.

As amenidades a bordo

Já que os preços não variam tanto, que serviços esperar a bordo nas duas companhias? Há, basicamente, as mesmas amenidades em ambos. Vamos de forma rápida:

  • Wi-fi a bordo? Sim, mas não é gratuito. Você pode comprar um voucher a bordo com código, se quiser. 
  • Sinal de celular? Pega no começo e no final da viagem, mas no meio da travessia, ele some.
  • Banheiros? Sem dúvidas. Há vários, e são dignos o suficiente.
  • Assento marcado? Não, nenhum deles têm assento marcado, então quem entra primeiro pega os melhores lugares — o que pode ser importante se você estiver num grupo de várias pessoas querendo sentar juntas, pois logo as pessoas começam a se espalhar com bolsas e mochilas naquela onda de “este está ocupado”. No mais, se quiser, você pode passar viagem inteira sentado no chão ou perambulando ou onde bem quiser estar.
  • Lojas duty free? Si, las hay, especializadas em perfures, biritas, chocolates e essas coisas.
  • Lanchonetes? Há lanchonetes vendendo café, quitutes, e às vezes sanduíches daqueles de pão de forma frio cortado em triângulo e embalado, mas não espere fazer nenhum refeição de respeito a bordo.
  • Tem espaço onde pôr as bagagens? No ferry da Colonia Express eu vi uns raques, mas nos da BuqueBus, não vi nada específico no andar em que eu estava. Você pode simplesmente ir com as bagagens perto do seu assento, como numa sala de espera de aeroporto. Todavia, malas grandes às vezes eles obrigam você a despachar, daí você pega no destino numa esteira após desembarcar, como em aeroporto.
  • Balança muito? Não, pois os ferries são grandes. Olha que eu mareio fácil, e não mareei. Entretanto, treme um pouco, então se você tem a vista sensível, talvez vibre demais para você ler ou estar ao computador, por exemplo. Para celular, geralmente não tem problema.
  • Passa filme, ou tem algum tipo de entretenimento a bordo? Não. Há telas em alguns casos, mas passando apenas propaganda dos patrocinadores. Nada que vá distraí-lo por mais que alguns segundos. Venha preparado para se entreter ou ocupar seu tempo — ou cochilar no assento.
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Interior do ferry da Colonia Express.

O processo de embarque e a imigração

Esta talvez seja a parte mais importante deste pacote de informações. Brasileiros (assim como portugueses) têm dispensa de visto para circular aqui, então estamos falando de um processo imigratório sem dramas — os argentinos apenas perguntam, sempre, onde você ficará hospedado, mas afora isso pouco perguntam.

A questão é o tempo de filas que a coisa toda toma.

O processo de embarque se dá da seguinte forma: em qualquer dos terminais, você primeiro chega para fazer um check-in (que fecha 30 min antes do embarque, mas você seria louco de deixar para tão em cima da hora), como num aeroporto. Apresenta sua documentação, a reserva no telefone ou em papel, e eles lhes dão os papeletes com ar de recibo de supermercado parecendo os cartões de embarque da Gol.

De Buenos Aires para o Uruguai, chegue 2h antes ao terminal, pois ali serão feitos ambos os processos imigratórios: a saída da Argentina e já ali mesmo a entrada no Uruguai, de modo que quando você desembarca em solo uruguaio é só partir para o abraço. Já saindo do Uruguai, basta chegar ao terminal com 1h de antecedência, pois é mais organizado e você ali só faz a emigração do Uruguai e esperará para fazer a imigração argentina após o desembarque, em solo argentino.

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Fila para o check-in. Todo o processo é muito semelhante ao de uma viagem internacional via aeroporto: pegam-se cartões de embarque, despacha-se ali mesmo a bagagem se você tiver volumes bem grandes, e você depois passa pela emigração antes de embarcar.

O processo todo no lado uruguaio é pura seda. Já do lado argentino, saindo de Buenos Aires, requer certa paciência — daí a recomendação de chegar ao terminal 2h antes da hora de saída.

Eu saí de Buenos Aires pelo terminal da Colonia Express, mas não sei se o da Buquebus é muito diferente. Faltou investirem nuns bons divisores de fluxos, e ficou uma certa zona.

Você faz o check in e entra na tal fila do embarque, onde primeiro passa as bagagens num detector de metal, faz a emigração argentina, e chega a um saguão. Mas não siga ainda para o ferry — você precisa agora pegar uma fila para regressar à mesma sala de imigração de onde saiu.

Passa por um espaço exíguo como se fosse salinha onde as crianças encontrarem o Papai Noel, com mala e tudo, com a fila que vai e a fila que vem, para desta vez passar pelos guichês uruguaios, que carimbarão seu passaporte e cartão de embarque, para aí sim você voltar ao saguão “em definitivo” e poder finalmente subir as escadas rolantes e partir.

Uma breve fila para embarcar, e se chega. Não há assentos marcados, como lhes disse acima. Tivemos dificuldade de achar assentos para três juntos. Se fizer questão, chegue com mais que 1h30 de antecedência — o que chegamos. Entendi as 2h sugeridas, e recomendaria o mesmo.

Não fique chocado se o ferry não sair exatamente no horário. Há relatos de demoras longas, mas o meu atrasou apenas 10 min para zarpar. Logo estávamos navegando as águas barrentas do Rio da Prata neste verão sul-americano. As vistas podem não ser fantásticas, mas é ainda assim o melhor transporte para se deslocar entre Buenos Aires, Montevidéu, e a simpática Colonia del Sacramento. Volto com os bordejos por essas cidades.

Se tiverem alguma pergunta, ou se ficou alguma dúvida, é só perguntar abaixo nos comentários.

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O arrumadinho terminal da Buquebus em Montevidéu, de onde sai o Buque Francisco, como chamam o ferry que faz o trajeto direto entre as capitais uruguaia e argentina.
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O terminal em Colonia del Sacramento, no Uruguai, é arrumadinho e parece um pequeno aeroporto.
Mairon Giovani
Cidadão do mundo e viajante independente. Gosta de cultura, risadas, e comida bem feita. Não acha que viajar sozinho seja tão assustador quanto costumam imaginar, e se joga com frequência em novos ambientes. Crê que um país deixa de ser um mero lugar no mapa a partir do momento em que você o conhece e vive experiências com as pessoas de lá.

One thought on “Ferry entre Buenos Aires – Colônia – Montevidéu

  1. Interessantes e muito úteis as dicas.
    Os terminais parecem bons, principalmente os uruguaios. . Arrumadinhos.
    Bons ferrys. Grandes. O Prata parece calmo.
    E a viagem parece ter sido tranquila.
    Uma emoção ver essa imensa e histórica bacia do magnífico e significativo Prata, tao importante para nós da latino-américa. Testemunha de tanta História. Uma maravilha.
    Obrigada, amigo por esse resgate histórico

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