San Martín de los Andes é uma irmã menor de Bariloche. Daquelas que são menos famosas, mas até mais bonitas que a irmã maior e mais conhecida.
Aproximadamente 190 Km de estrada as separam uma da outra, San Martín ainda mais escondida entre os Andes e seus lagos andinos, já na fronteira montanhosa com o Chile. As agências de turismo contam sete lagos pelos quais se passa no trajeto. Portanto, a Ruta de los 7 lagos, às vezes também chamado Camino de los 7 lagos, acaba sendo um dos passeios mais benquistos aqui, com saídas praticamente todos os dias
Foi um tour que eu fiz e recomendo — e foi como eu cheguei a San Martín de los Andes. Ele é para quem adora vistas panorâmicas e não se importa de passar um tempo na estrada, já que se deslocar é preciso. (Quem alugar um carro pode também fazê-lo no seu próprio passo, por conta própria.)
Você deixa Bariloche umas 8h manhã, detém-se duas horas depois em Villa La Angostura, para muitas vezes para fotos com lagos na estrada, e chega a San Martín de los Andes a tempo de almoçar. Ali, normalmente, o deixam um par de horas até retornar, chegando de volta a Bariloche umas 19h. Quem só quiser San Martín de los Andes pode também tomar o ônibus de linha direto, com os detalhes que darei abaixo.
Como vocês verão, é uma atmosfera bem mais relaxada que Bariloche. Achei-a até mais aconchegante, pitoresca e gostosa de estar, talvez exatamente por ser mais isolada.




Como ir de Bariloche a San Martín de los Andes
Deixem-me começar pela parte logística antes de relatar os detalhes da minha experiência.
Há basicamente três formas ir de Bariloche a San Martín. A primeira é com um carro alugado para cobrir os 190 Km no seu próprio passo. Muita gente faz isso. Tende em conta que há certo trânsito para sair e sobretudo entrar em Bariloche nas épocas de férias, pois as estradas são estreitas, mas nada que um pouco de paciência não resolva.
Já o ônibus de linha — a segunda opção para quem deseja ir de Bariloche a San Martín de los Andes — leva 3h40 em tese no trajeto. Costuma haver três saídas por dia com a Albus. Você compra direto online no site oficial deles, e não precisa imprimir nada, basta ter a passagem no celular. As passagens custam em torno de USD 12-13 por trajeto.
Já o tour Ruta de los 7 Lagos, a terceira forma de ir, sai na casa de USD 55-60 por pessoa (sem o almoço incluído). A variação corre aí por conta da sua habilidade de pechinchar caso pague em dinheiro. (Na minha experiência, as agências de Bariloche preferem receber em pesos argentinos, mas às vezes aceitam notas de dólares 50 ou 100 dólares).
Eu optei pelo tour porque é mais completo, você tem um(a) guia explicando as coisas, e acho mais abrangente para quem vem aqui pela primeira vez. Numa outra vinda, quem sabe aí eu vou direto a San Martín de los Andes e durmo uma(s) noite(s) por lá. Que tudo aqui é lindo vocês verão.

Os 7 lagos
Antes de mostrar San Martín de los Andes, vamos aos 7 lagos que compõem esta rota. Cada um é mais lindo que o outro, ainda sejam parecidos por estarem no mesmo ambiente.
A guia foi falando no caminho o nome de cada um deles, mas não há como nem razão para memorizar a menos que você fique decorando. A exceção corre por conta do Lago Escondido, que de fato está por detrás das árvores.
A saber, as águas são próprias para banho, mas infelizmente não há tempo para se banhar durante o tour. Quem desejar fazer isso tem de vir por conta, exceção feita talvez ao Lago Lácar em San Martín de los Andes se você quiser se molhar rapidamente durante a parada do almoço. A água é previsivelmente fria, mas nada que uma alma corajosa não encare — e até goste, passados os primeiros cinco minutos.




Vamos aos lagos. (Eu já aviso que você nunca sabe ao certo se está olhando para um novo lago ou para uma outra ponta do mesmo anterior, já que eles são sinuosos e fazem curvas na paisagem.)





San Martín de los Andes
Aos curiosos, leva-se cerca de 2h desde Villa La Angostura até San Martín dos los Andes, que alcançamos por volta das 12:45 para almoçar.
Desembarcamos no estacionamento anexo à rodoviária no que era um dia de sol, e logo pudemos ver a tranquilidade daquelas ruas. Havia pessoas, caminhando em meio aos pinheiros em meio às casas, seus jardins floridos de rosas como em Angostura, só que numa diagramação mais residencial. Havia quadras como num bairro, não uma avenida única central como em Angostura.
A gente sabe que a tônica aqui é imitar a Europa, e sobram referências à Suíça ou à Áustria nos nomes das coisas, além da arquitetura de inspiração alpina. Todavia, San Martín de los Andes transmite uma atmosfera muito mais de Novo Mundo que talvez suponha a vã filosofia argentina. Eu me senti numa daquelas cidadezinhas das Montanhas Rochosas da América do Norte, como Banff ou Canmore no Canadá.
É que quase tudo é novo, falta o “velho” europeu para que parecesse Europa. Ademais, não há as casas em tons pasteis características da Europa Central, tão comuns por exemplo em cidades de montanha da Áustria como Bad Ischl ou a famosa Hallstatt (que ficou famosa pela Disney mas é uma certa pega-turista, preferi muito mais Steyr). Só vai “se sentir na Europa” quem não conhece a Europa.
Mas nada há de errado com a atmosfera de Novo Mundo em San Martín de los Andes. Ao contrário, é uma atmosfera deliciosa, tranquila, de estar em meio à quietude da natureza mesmo estando na cidade, como se potência das árvores e dos Andes se impusesse ali sobre o que o ser humano construiu.



Se você lê espanhol, você até nota os anúncios ali no cavalete dizendo que certas coisas custam menos en efectivo (em espécie), portanto venha com pesos argentinos já trocados de Bariloche — ou, melhor ainda, desde Buenos Aires se puder — caso queira aproveitar certas coisas aqui. Como em La Angostura, os restaurantes via de regra aceitam tudo, mas lojinhas e vendedores de artesania não raramente só aceitam dinheiro vivo (e pesos, ou por vezes dólares numa má cotação, mas nem sempre).
San Martín de los Andes espalha-se assim por diversas quadras, indo desde um pequeno promenade à beira do lago até várias quadras adentro, com a Plaza San Martín sendo o centro não-oficial da cidade. Se você gosta de rosas, a Plaza Centenario faz as vezes de um encantador jardim de rosas no verão.
Eu fui para aquelas bandas de lá curtindo todo o ambiente, e vendo onde almoçaria.






A situação de almoço aqui não foi muito diferente daquela em muito da Argentina: as opções são pouquíssimas, em geral limitadas a milanesa com fritas ou comidas rápidas — essa coisa sem tempero. A solução, como de outras vezes, foi partir aos restaurantes vegetarianos ou naturalistas — bem mesmo em clima de Novo Mundo e século XXI — que aqui também há.
Fomos salvos pelo Zen Tea, que talvez seja o melhor restaurante na cidade. Aqui, sim, se cozinha, já que noutras partes parece que só se assa ou frita. Pessoal também bem mais simpático que a média argentina, já que é um público diferenciado.



Terminado o almoço, antes de ir ao Lago Lácar eu fui ver a Plaza San Martín, para não passar por San Martín de los Andes sem ver o seu centro espiritual. Lá, previsivelmente, havia uma estátua do General José de San Martín (1778-1850), que a quem não sabe é tido como o libertador da Argentina, Chile e Peru. Foi o equivalente de Simón Bolívar nestas partes mais meridionais da América hispânica na ocasião das guerras de independência.
É curioso como a América Latina já foi bem mais integrada do que é hoje. Tenho para mim que, lá pelos idos de 2200, se olhará para trás e verá este período dos séculos XX e XXI como um hiato, uma breve lacuna no que foi um passado e será um futuro unido.


Depois de umas voltas por essa praça e pelas ruas, comecei aos poucos a retornar para ver a orlinha à beira do Lago Lácar.
A praia em si não é nada estrondoso — como não é a de nenhum destes lagos daqui, por mais que as páginas promocionais falem delas quase como se fosse o Caribe —, mas as vistas são belas e as águas também.
Vi um aviso de “Proibido cães”, sumariamente ignorado por todos, e vi algumas pessoas ali sentadas ou passeando na praia. Poucos se atreviam a estar na água fria, mas havia alguns.




Logo chegava a hora de retornar a Bariloche — e de lá partir a outros destinos nos Andes.
San Martín de los Andes acabava se revelando um lugar onde eu de bom grado teria passado mais tempo. Quiçá até uma estadia mais sossegada, não só se exploração para conhecer, mas onde passar uns dias “de boa”, quem sabe escrevendo um livro e só curtindo aquele ambiente.
Mas hoje não era assim, e a estrada nos chamava de retorno. Passaríamos pelo Lago Escondido na volta, e às 19h estávamos de volta a San Carlos de Bariloche. De lá, tomaríamos um ônibus no dia seguinte para atravessar os Andes e chegar até Puerto Varas, no Chile.






Lindíssimo, o lugarzinho. Parece um lugar encantado… Um verdadeiro paraíso. Coisa de Deus.
A natureza primorosa encanta quem a visita. E as flores se encarrega de abrilhantar o cenário maravilhoso.
Que maravilha de viagem, meu jovem…
Um espetáculo.
Amo a Cordilheira… E essas lagos azuis são uma festa para os olhos e o espírito. Maravilhosos.
Amei.
Creio que, como o senhor, me quedaria ai por um bom tempo a curtir essa atmosfera de paz e de embevecimento.
Valeu, viajante brasileiro.
É isso ai.
Encarregam*