Bus Bariloche Puerto Varas 1 01
Argentina Chile Patagônia argentina Patagônia chilena

O ônibus e o trajeto entre Bariloche (Argentina) e Puerto Varas (Chile)

Estão preparados para cruzar os Andes? Aqui não é aquele cruce entre Santiago e Mendoza, nem as famosas estradas perigosas mais ao norte em Peru e Bolívia, mas uma travessia ao sul entre as belas Bariloche (Argentina) e Puerto Varas (Chile), duas cidades que precisam ser visitadas aqui nas margens da cordilheira.

Verdade seja dita, esta é uma travessia bastante tranquila. Não vi nenhum despenhadeiro perigoso. A estrada fica sinuosa em algumas partes, mas nada do outro mundo ou que o faça enjoar.

Os cuidados ficam por conta dos preparativos logísticos, pois há que se ter atenção com algumas coisas para evitar estresse de última hora. 

Eu aqui conto qual foi a minha experiência, e tocamos para frente a nossa viagem pelo Cone Sul. Puerto Varas nos aguarda. De quebra, eu deixo as lições a quem quiser vir por estas bandas.

Bus Bariloche Puerto Varas 1 02
Todos a bordo do ônibus da Andesmar, a empresa que realiza este trajeto entre Bariloche e Puerto Varas (nos dois sentidos). Note que esta linha tem como destino final Puerto Montt. Puerto Varas é a penúltima parada, onde quase todos os turistas descem.

A logística para a viagem entre Bariloche e Puerto Varas

Deixem-me cobrir logo a parte logística antes de contar os meus “causos” ou relatar a minha experiência de viagem.

A Andesmar atualmente é a única empresa que realiza este trajeto entre Bariloche e Puerto Varas. Você pode comprar as passagens online sem grandes problemas no seu site oficial. Não tive dificuldade em usar cartões estrangeiros. Uma passagem só de ida custa na casa de USD 30-40. (Os preços são cotados em pesos argentinos, mas essa informação fica rapidamente desatualizada conforme avança a inflação no país.)

Esses são ônibus diretos e semi-leito, que eles aqui chamam de semicama. Alguns são daqueles de dois andares, outros de um andar só. Têm climatização e banheiro a bordo. Meu ônibus também tinha wi-fi — daquelas que existem, mas não funcionam. Típico. Sinal de celular pega bem do lado chileno (com até 5G), mas desaparece por completo na maior parte da estrada argentina.

Costuma haver duas saídas diárias em cada sentido, uma um pouco mais cedo que a outra. O site dá uma estimativa da duração, mas não leve aquilo muito ao pé da letra. Na concretude da prática, o trajeto dura cerca de 7h-7h30. Isso em grande parte devido aos trâmites na fronteira. (Agora aguardem para as pegadinhas...) 

Bus Bariloche Puerto Varas 1 03
O site da Andesmar é tranquilo de usar, sem grandes dramas. Há sempre dois ônibus por dia entre Bariloche e Puerto Varas. Eles podem lotar já alguns dias antes da viagem, então adquira sua passagem online com antecedência; e não leve ao pé da letra aquela duração estimada, pois geralmente dura mais.

Três alertas de amigo

O primeiro alerta que eu faço é não deixar para comprar de véspera, ou não achará mais passagem. Procure comprar pelo menos uns 3 dias antes — preferivelmente uma semana, se quiser escolher assentos. Comprei 3 dias antes, e só sobrava uma última opção de dois lugares juntos, perto do banheiro.

Segundo alerta: Não ache que é como viagem de ônibus no Brasil, em que o motorista invariavelmente se detém em restaurantes de beira de pista para cada refeição. Aqui, você se vira com o que trouxe consigo. Se não tiver trazido nada, arrisca-se a passar fome, pois — apesar do horário e da duração da viagem — não há parada técnica nenhuma em restaurante nenhum. (Aliás, nem restaurante onde parar eu vi). No muito, você poderá comprar umas empanadas com café quando parar na fronteira do lado chileno, e só.

Terceiro alerta importante: O Chile exige que você preencha uma declaração aduaneira antes de viajar. Sem isso, você não entra. Se bobear, nem embarca no ônibus. É algo aplicável apenas para quem viaja no sentido Bariloche – Puerto Varas (o meu caso).

Essa é a Declaração SAG (de Servicio Agrícola y Ganadero), e você pode tanto baixar o formulário e imprimi-lo quanto pode preencher tudo aqui no celular e gerar um QR code para apresentar.   

Basicamente, trata-se de uma declaração jurada de que você não está levando nenhum alimento cru que ofereça risco agropecuário ao Chile. No mais, são dados pessoais.

Eles na aduana de fato passam todas as bagagens — de mão e de porão — numa máquina de raio-x, e é possível que joguem fora o que você porventura tiver consigo de alimentos frescos. (Chocolate, sanduíche e essas bobagens ninguém repara, mas frutas frescas podem ser apreendidas.)

Eu, é claro, não tive quem me dissesse isso antes, e tive que me virar nos 30, o que foi curioso.

Bus Bariloche Puerto Varas 1 04
Quem quiser pode usar esse QR code aí da foto mesmo. A foto está um pouco turva, mas seu celular lerá. A informação-chave de que você irá precisar é que este ponto de entrada no Chile aqui se chama Cardenal Antonio Samoré.

A experiência da ida de ônibus Bariloche – Puerto Varas

O dia

Era um dia luminoso em Bariloche, tomando café da manhã no meu honroso saguão de hotel com vista para o lago, onde a desonra corria apenas por conta do pífio café da manhã argentino. Eu, que gosto de comer bem de manhã (e que brasileiro não aprecia um bom café da manhã de hotel?), sofria feito mãe de filho delinquente.

Eu havia dito que tampouco os argentinos funcionários de hotel faziam minha cabeça, com seu jeito às vezes sisudo, frequentemente cheio de si e fechado, por vezes espótico, mas com certo nariz em pé que não os deixa, salvas certas exceções — e aí me dei a partir do segundo dia um senhor idoso moreno de biotipo indígena pra lá de simpático.

Nesta manhã, comentamos com ele que estávamos de partida, que íamos para o Chile. “Ah, van para mi país!“, declarou animado. Eu bem deveria ter desconfiado que ele estava afável demais para ser daqui. (“Ai, como você pode generalizar?” Porque comportamento é uma coisa socialmente construída, e cada lugar têm seus hábitos.)

Breve pediríamos um Uber, que levou 15 minutos para chegar, mas chegou. Eu já falei sobre as limitações do Uber em Bariloche.

Bus Bariloche Puerto Varas 1 05
Este saguão de café da manhã do hotel em Bariloche era glorioso, mas, via de regra, os cafés da manhã de hotel na Argentina são extremamente simples. Café, pão de forma, queijo e presunto fatiados, algumas frutas, umas meia-luas, e alguma bobagem com doce de leite ou goiabada. Não espere grandes buffets, exceto talvez em hoteis cinco estrelas.

Surpresas à rodoviária

O Uber nos deixou bem perto da rodoviária, sem todavia adentrá-la. Disse-me que era melhor assim para evitar encrenca com os taxistas que lá estavam. Embora funcional em Bariloche oficialmente desde 2023, o Uber aqui segue controverso, como há uns anos atrás no Brasil.  

A rodoviária de Bariloche tem um espaço externo bem amplo, com um prédio baixo e relativamente modesto. Eram 10h da manhã, e o ônibus só estava previsto sair às 10:30. Fiquei contente ao ver que em verdade ele já estava lá, embarcando gente.

Faço fila para primeiro deixar a bagagem no bagageiro e em seguida com o calmo funcionário que verificava o documento de todo mundo para entrada no ônibus. É quando ele pergunta com tranquilidade “A donde van?“, pois havia paradas ainda nacionais na Argentina, pede os passaportes e pergunta pela “Declaración SAG“. Oi?

Diante da minha cara de perdido, ele intrigantemente perguntou quando e onde entramos no país, e se tínhamos os tickets ainda. Entramos de ferry via Uruguai, e não, não temos mais os bilhetes.

— “Então vão ali dentro no quiosque da Milka que eles preenchem para vocês. Você pode fazer você mesmo on-line escaneando o QR code se você tiver internet no celular, mas lá é mais rápido. Paga 800 pesos argentinos e elas fazem”, indicou ele com paz de espírito, como sendo algo acostumado.

Quiosque da Milka? Sim, Milka aquele chocolate de embalagem roxa com a vaquinha.

Bus Bariloche Puerto Varas 1 06
As coisas da vida. Entrando na lojeta da Milka — uma dessas de rodoviária que vende revistas e bombons — para solucionar a questão da Declaração SAG.

Estresse na Milka

Eu fiquei contente de ver que não era o único naquela situação, o que sempre é um consolo.

As três funcionárias da loja da Milka eram um tanto cansadas, daquelas que já repetiam quase em tom de mantra que esperássemos do lado de fora da loja enquanto elas faziam o trâmite no computador (acho que para não abarrotar demais aquele espaço e impedir que outros clientes entrassem a comprar bombons).

O motorista disse ser mais rápido fazer isso através dela, mas não me convenci. O preço do equivalente a 1 dólar (800 pesos a esta altura) é irrisório, mas elas demoram com seu passaporte e você fica ali naquele estresse esperando. Uma turista australiana se pôs a fazer online no próprio celular e conseguiu terminar antes de as moças da Milka concluírem pra mim. Levaram, literalmente, meia hora para processar os nossos 3 passaportes brasileiros, pois pelo visto caiu o sistema no meio (o afamado sistema que cai…) e passaram outras pessoas na minha frente.

Ele espera“, disse casual uma das moças da loja acerca do motorista quando eu comecei a ficar impaciente olhando o relógio. Já passava das 10:40, dez minutos de atraso, e eu não vou lhes dizer que estava tranquilo: as mulheres da lanchonete processavam os nossos passaportes a conta gotas. Faltavam ainda dois. Eu a olhar ansioso pelo vidro da rodoviária para me certificar de que o ônibus, sim, ainda estava ali. Por quanto tempo mais, eu não sabia. Tudo tem limites, afinal. 

Bus Bariloche Puerto Varas 1 07
Esta é a rodoviária de Bariloche, onde estávamos. Lá fora você vê os passageiros junto to meu ônibus.

Acabei ficando para o final, com apenas um rapaz branco com cara de turista atrás de mim, e que me pediu para inteirar o dinheiro dos 800 pesos. Dei mil, ele me voltou 200. Eu já estava pouco preocupado com dinheiro a esta altura e não iria me furtar por causa de menos de um dólar.

Apressei as mulheres, e fiquei já do lado de dentro — não queria mais saber — quando faltava só um passaporte, e uma me solta um “os dados não estão entrando”. Tá de brincadeira, moça. Quando tudo finalmente ficou pronto, eu já a esbravejar sobre esta burocracia, e a dizer que todo dia aqui deve ser isto, e que não avisam, e que em outros lugares do mundo se cruzam fronteiras sem esta novela toda, as moças dantes nem tão simpáticas começaram a concordar.

Afinal me devolveram o último passaporte que faltava, e eu praticamente corri de volta ao ônibus — a plataforma já vazia, exceto por meu amigo de sentinela do lado de fora junto à porta aberta para segurar, e o motorista já sentado com o pé no acelerador. Ele me disse que foi preciso ficar de pé aqui, pois o motorista já queria ter ido sem mim.

Foi eu entrar, subir ao segundo andar para reencontrar os meus, e o ônibus zarpar. Cheguei a ver dos outros que haviam esperado la comigo já em seus assentos, poltronas bonitas de forro de couro preto. Confortável este ônibus, com um ar condicionado que não era nem só de decoração nem frio demais. Janelas com cortinas e vidro levemente escurecido davam à paisagem dos Andes uma beleza diferente por este prisma.

Bus Bariloche Puerto Varas 1 08
Afinal.

Esqueceram de mim

Andamos 1 Km com o ônibus, saindo finalmente às 10:45 no que era para ter sido 10:30, e ainda antes das 11:00 nós paramos. Achei que era o tráfego, até que notei que não havia carros nem trânsito nenhum à frente. Estávamos simplesmente parados no acostamento. Não dei bola, até que começava a demorar um pouco demais.

A razão? Ficou para trás o rapaz a quem eu tinha dado dinheiro para o trâmite. Se por um lado achei mesquinharia termos zarpado sem a última pessoa, por outro achei gentil que, mesmo atrasados, tenhamos lhe dado a chance de nos alcançar. Como fizeram exatamente, não sei, mas dali a pouco sobe ele no ônibus com a cara de alívio. 

O tio co-piloto passaria tranquilamente dali a pouco, como se nada tivesse ocorrido, com uma pranchetinha a fazer a chamada e ver que todos os passageiros estavam a bordo. Seguíamos finalmente a ver o que nos esperava mais adiante.

Bus Bariloche Puerto Varas 1 09
A vista tinturada pelo vidro fumê.
Bus Bariloche Puerto Varas 1 10
A estrada aqui no sul dos Andes.

As aduanas

Quem não está habituado a cruzar fronteiras terrestres sempre se esquece de que há duas aduanas e processos de migração a se fazer: primeiro os do país de onde se está saindo e depois aqueles do país onde se está entrando. Não é tudo uma coisa só.

Por volta das 13:00 — portanto após 2h15 de viagem — começaram a falar na aduana Argentina. Às 13:10 paramos, 13:15 começamos a formar fila lá fora, tudo simples e relativamente tranquilo. Um policial entrou com um cão simpático no interior do ônibus e no bagageiro, e às 13:45 saímos oficialmente da Argentina, portanto pouco mais de meia hora de procedimento.

Demora um tempo até chegarmos à aduana chilena — quase 1h de estrada, em que passávamos por um bosque de árvores secas, calcinadas talvez por alguma erupção vulcânica.

Bus Bariloche Puerto Varas 1 11
Não havia viv’alma nestas bandas, como por quase toda esta região de fronteira. Nada de bodeguinhas de beira de estrada, posto de gasolina, nada. Éramos as paisagens e nós nestes lugares que às vezes lembravam cenário de O Senhor dos Anéis.

Somente 14:35 chegamos ao posto de aduana chilena, 40 minutos exatos após deixarmos a Argentina. Se lá bastava descermos com os documentos pessoais, aqui era preciso descer com todos os pertences de mão para passá-los numa máquina de raio-x.

Você primeiro pega a fila da imigração em si. Ali é só mostrar o passaporte, o rapaz não me perguntou absolutamente nada (presumiu que o motivo da viagem eram férias), e em instantes me deu o passaporte carimbado acompanhado de um recibinho de papel — tipo notinha de supermercado — com meus dados, data da entrada, estadia permitida (até 90 dias), etc. Esse documento é o que se apelida de PDI (o nome vem de Polícia de Investigaciones, o equivalente à nossa Polícia Federal e quem faz o controle de imigração).

Dali, você passa à segunda sala com um scanner detector de metais e sabe-se lá do que mais. Uma atendente morena simpática com feições mestiças de espanhola e índia, como nenhuma na Argentina, nos solicitava a tal declaração mágica da SAG. Olhava e nem tomava nota nem nada. Púnhamos os volumes de mão na esteira do scanner (como num aeroporto) e pegávamos do outro lado. Pronto, agora era só esperar todo mundo terminar os procedimentos. Não havia praticamente ninguém além de nós do ônibus nesta fagueira tarde de sábado nestes Andes.

Agora, era hora livre para irmos à única cafeteria que há, ou aos banheiros. Sem papel nem sabão para lavar as mãos, mas afora isso eram usáveis. Já na cafeteria, aceitam-se todos os pesos e medidas da região, além de dólares gringos. A funcionária era uma moçoila de seus 23 anos, rosto meio mapuche e o cabelo longo mais lindo que vi este ano — num pendente rabo de cavalo com múltiplas pregas e que ia até o quadril da moça.

Bus Bariloche Puerto Varas 1 12
A área da parada para aduana chilena. Tudo simples, mas funcional. Esta cafeteria é praticamente o único lugar onde achar comida em todo o trajeto.

A lanchonete vendia empanadas só de carne (mas temperadas!), além de cappuccinos e coisas daquela linha da Nestlé em que você só põe água fervente e mexe, além de batata chips e refrigerantes. Nós, que às 3 da tarde estávamos ávidos por comida, nós enchemos. Os passageiros passavam com duas latas de coca na mesma mão e enormes pacotes de salgadinho para ir matar a fome nos bancos dos fundos.

Eles aceitam cartão de crédito sem problema. Ao pagar, comentei com a moça mestiça que “quando eu crescer, quero que meu cabelo seja comprido como o seu”, ao que ela riu um riso discreto de quem achou inusitada a observação.

Às 15:25 — portanto após 40 minutos aqui — nós zarpamos novamente após todo mundo ter passado pelos procedimentos. Não vi ninguém ter que jogar nada fora, então realmente não há grandes dramas. 

Daqui seriam 1h20 até a cidade chilena de Osorno, disse-me Juan Patrício, o motorista de barriguinha avantajada e cabeça larga. Osorno era a última parada antes de Puerto Varas e, enfim, Puerto Montt, o destino final deste ônibus.

A cobertura de celular já se mostrava melhor no Chile, e não fácil aparece o 5G.

Bus Bariloche Puerto Varas 1 13
As vistas aqui do Chile naquela tarde.

Enfim chegando a Puerto Varas

Juan Patrício estava certo, e exatamente às 16:45 chegamos a Osorno, para de lá sair às 16:55. Uma breve parada na rodoviária de uma cidade sem muito sal, com aquela cara de muitas casas parecidas pré-montadas. Chamava-se mais a atenção o biotipo das pessoas, já que este é um território ancestral dos Mapuche, povo indígena principal daqui. As madeixas negras e a pele morena são bem comuns.

Chegamos 18h a Puerto Varas, portanto 7h15 após a partida de Bariloche. Novamente, cuidado para não levar as estimativas de horários do site muito ao pé da letra. (Haviam estimado 6h20 de viagem.)

A saber, para a volta os trâmites são mais simples, pois não há nenhuma Declaração SAG a preencher. As autoridades chilenas para você sair do Chile pedem apenas o passaporte e o papelzinho do PDI que emitiram na entrada.

Era hora agora de conhecer o lado chileno desta região dos Andes em Puerto Varas.

Bus Bariloche Puerto Varas 1 14
Puerto Varas, Chile.
Mairon Giovani
Cidadão do mundo e viajante independente. Gosta de cultura, risadas, e comida bem feita. Não acha que viajar sozinho seja tão assustador quanto costumam imaginar, e se joga com frequência em novos ambientes. Crê que um país deixa de ser um mero lugar no mapa a partir do momento em que você o conhece e vive experiências com as pessoas de lá.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *