As Aerolíneas Argentinas são a cia aérea nacional argentina, a sua chamada porta-bandeira (flagship carrier, para os mais chegados na terminologia internacional), coisa que o Brasil não tem. Se deveria ter ou não, é um debate. A questão é que você dificilmente hoje passeia pela nossa querida irmã Argentina sem fazer uso de sua cia aérea. E como é voar com as Aerolíneas Argentinas?
Não há nada muito misterioso em voar pelas Aerolíneas Argentinas — ela sequer é lá muito cara —, mas sim, há de se ter em conta algumas coisas.
Vantagens:
- Parcela em até 12x sem juros as compras feitas com saída do Brasil.
- Tem rotas para muitas cidades brasileiras, o que lhe permite evitar aquela conexão em Guarulhos.
- Voos domésticos frequentes para todo canto dentro da Argentina.
- Preços acessíveis.
Desvantagens:
- Altera os horários com frequência. Você receberá vários e-mails após a compra dizendo que seu voo foi modificado e que lamentam qualquer inconveniência causada. Às vezes, puxa só 10 minutos para trás ou para frente, coisa boba. Outras vezes, muda você até de aeroporto em Buenos Aires.
- Não serve nada a bordo além de café, refrigerante e uma barra de cereal falsa — dessas que são açúcar e sabor artificial. Tampouco há cardápio de vendas.
- Eliminaram o transfer que havia entre um aeroporto de Buenos Aires e o outro. Você estará por conta. Qualquer informação pré-2024 na internet falando nesse transporte está desatualizada.
Querem que eu desenvolva um pouco?

Conforto
As aeronaves da Aerolíneas Argentinas são praticamente todas Boeing 737 — aquelas aeronaves da Gol. São menos confortáveis que os Airbus, usados por exemplo pela Azul. (A norte-americana Boeing e a francesa Airbus são praticamente as duas únicas fabricantes de grandes aviões comerciais. Os europeus mandam muito melhor, é minha franca opinião.)
A maior parte dos passageiros habituados a voos domésticos brasileiros, portanto, não vai lá notar grande coisa, pois o espaço para as pernas é normal, mas num voo internacional para Buenos Aires, fica um pouco com cara de voo doméstico com duração de internacional.
Os funcionários, via de regra, não os achei nem particularmente simpáticos nem antipáticos. (Quem já viajou bastante sabe que por vezes há padrões.) Não lhe chamarão a atenção.
A pedra falsa é o serviço de bordo. Como indiquei acima, você pode ter um voo longo como Salvador – Buenos Aires (4h25) ou Buenos Aires – Ushuaia (3h25), e ainda assim não haverá disponível nenhum alimento digno deste nome — nem gratuito nem à venda. Se você for do tipo que fica com fome (ou, pior, que fica nervoso quando fica com fome), eu sugiro trazer algo consigo.


A logística com os aeroportos de Buenos Aires: Ezeiza (EZE) e Aeroparque (AEP)
Esta para mim é a parte mais séria de todas — até porque conforto dentro do avião a gente às vezes releva. Todo mundo gostaria de sempre voar Emirates, mas ninguém morre por tolerar uma coisa mais básica de vez em quando.
Já a questão da logística entre os dois aeroportos de Buenos Aires pode colocar você em apuros. Não é algo exclusivo das Aerolíneas Argentinas, mas é algo que diz respeito sobretudo a ela, especialmente em se tratando de conexões.
Ezeiza (EZE) é o Guarulhos de Buenos Aires: aquele aeroporto maior, especializado em voos internacionais e distante do centro da cidade. Calcule sempre coisa de 1h para deslocar-se dele até o miolo da cidade. Numa madrugada de domingo sem tráfego nenhum, tomou-me 35 minutos. Já com o tráfego, depende do horário, e o céu é o limite. Tomou-me 50 minutos numa outra vez à noite, mas em hora de pico dura mais.
Jorge Newbery, apelidado de Aeroparque (AEP), é o Congonhas ou Santos Dumont de Buenos Aires, localizado no bairro de Palermo. É aquele aeroporto mais perto de tudo na cidade, a coisa de 15 ou 20 minutos da maior parte dos hoteis. Menor, ele é muito mais conveniente, e usado bastante para voos domésticos.
O bicho só pega se você chegar por um e tiver que pegar conexão no outro no mesmo dia, o que eu evitaria.



Eu não vou ficar aqui malhando meus irmãos argentinos, que têm as suas qualidades, mas senti falta da tecnologia do divisor de fluxos em muitos lugares nestes aeroportos. Se você acha que fila é desorganizada no Brasil, aqui recalibrará seus parâmetros.
Opte sempre pelo Aeroparque se tiver a chance, pela conveniência. Já se não houver como meter uns dias de estadia em Buenos Aires para evitar o deslocamento entre um aeroporto e o outro num mesmo dia, fique atento.
Caso não dê para evitar a conexão com troca de aeroporto…
As Aerolineas Argentinas já *não* oferecem mais nenhum tipo de transporte entre os aeroportos de Ezeiza (EZE) e o Aeroparque Jorge Newbery (AEP). Notícias a esse respeito falando da existência de um transfer estão velhas. Muitos funcionários de hotel também estão desatualizados a esse respeito, caso você pergunte.
Se você tiver uma conexão entre um aeroporto e outro, terá que manualmente fazer todo o processo — pegar as bagagens em um, virar-se para encontrar transporte (ônibus público, táxi ou Uber) para o trajeto de cerca de 1h (a depender do horário e, portanto, do tráfego) entre um aeroporto e outro, e re-despachar as bagagens no outro. Mesmo que seja um voo doméstico, ambos com a mesma empresa, eles não transferirão a bagagem por você.
Conte aí umas boas 5h entre a hora de chegada num e a de saída noutro para poder fazer tudo em relativa paz — sem contar imprevistos. Tive 4h certa vez, e a funcionária das Aerolineas Argentinas torceu o nariz com ar de que estava apertado e que o trânsito em Buenos Aires poderia me complicar a vida.
Ao se programar, lembre que as Aerolineas Argentinas alteram os horários dos voos sem muita cerimônia. Embora geralmente sejam alterações bobas, de coisa de 10 ou 20 minutos, às vezes são alterações maiores, de várias horas para mais ou para menos. Não chegaram em nenhum momento a alterar as *datas* dos meus voos, todavia.

O que fizeram certa vez comigo foi mudar o aeroporto de chegada de uma conexão doméstica que eu tinha em Buenos Aires, fazendo-me chegar em Ezeiza em vez de no Aeroparque, de onde eu teria o meu outro voo.
De repente se criou um problema, pois em vez de uma conexão sossegada, em que as bagagens vão direto e você só precisa ficar de boa na área dos portões de embarque, de repente eu me vi tendo que retirar a bagagem em Buenos Aires, atravessar a cidade (pagando do meu proprio bolso!) para me despencar de um aeroporto ao outro, e pegar nova fila para la para despachar tudo outra vez e passar novamente pela segurança — tudo isso em menos de 4h. Factível, mas estressante e arriscado, alem de injustamente incluir um custo de deslocamento entre um aeroporto e o outro que não estava previsto.
O que fiz, deu certo e recomendo foi chegar cedo ao aeroporto de origem e ver se não te mudam para um voo que vá ao Aeroparque. Se você tiver comprado originalmente para o aeroporto desejado, eles ficarão compelidos a aceitar — e, geralmente, os voos domésticos das Aerolineas Argentinas são bem frequentes e não vão lotados. Faça a sua parte, com educação, e pode dar certo.




Havendo qualquer dúvidas, é só escrever abaixo nos comentários e eu tento responder.





vilgen… Deus nos livre…
Amigo, acabaram de fazer isso da troca de aeroporto comigo. Agora tenho uma escala que vou chegar 4:05 em AEP e decolar 6:30 de EZE. E agora, ferrou?
E como que é a questão da bagagem deles? São muito restritos ou mais abertos? Pretendo levar a bagagem de mão e uma mochila razoável
Poutz! Complicado, essa combinação de horários aí é inviável — e eles lá no balcão saberão disso. Não sei até que ponto você quer tentar o Atendimento ao Cliente deles, mas se não funcionar, a minha dica é que procure na internet quais os voos outros da Aerolíneas Argentinas que há (1) do seu ponto de partida inicial para EZE em vez de para AEP, e (2) quais há de AEP ou EZE mais tarde para o seu destino final.
Sabendo disso, você pode tentar chegar bem antes ao aeroporto inicial e tratar com eles diretamente ali balcão. Depende um pouco de boa vontade, então se você pedir a compreensão com jeito, eles hão de perceber que o que você está pedindo é razoável. Daí eles trocam sem custo. (Imperativo informar que, originalmente, sua reserva não incluía troca de aeroporto, senão eles dirão que foi vc que criou o problema pra si, e lavam as mãos.)
Já sobre bagagem de mão, eles me pareceram bem abertos. Se a sua mochila é pequena o bastante para entrar na categoria do “cabe debaixo do assento à sua frente”, acho que não terá problema nenhum.
Fala Mairon, obrigado pela resposta.
Nesse meio tempo consegui falar com eles pelo whatsapp. Inclusive tem uma opção “mudar algo que não foi solicitado”, provavelmente de tanto que eles mudam sem pedir hahaha deu certo mudar para um vôo com um intervalo de 1h15 mas tudo dentro de AEP.
Maravilha! Bom também saber dessa opção “mudar algo que não foi solicitado”.
Bom dia, Mairon! Tenho voo c eles direto Bsb-AEP, esse fds, viajo sempre pela Latam, inclusive na última vez fui a Bsas. AA é realmente segura? Ou os aviões estão tão velhos e sem manutenção como dizem? Estou c certo receio, confesso!
Olá, Priscila! Eu entendo seu receio. Também ouço as histórias na mídia e pela internet, mas francamente acho que são exageradas e que você pode viajar numa boa. A prova é que há dezenas de voos da AA todos os dias, e praticamente sem incidentes. Se você for ver, notícias sobre algo ter de fato ocorrido são bem raras. Nos últimos anos houve até mais casos nos EUA que na Argentina. Então acho que ocorre um certo exagero. Viaje em paz e aproveite! 🙂
Olá Marion, e em relação a segurança do voo? Tenho voo direto BSB-AEP esse fds e em várias idas à BSAS, nunca fui de AA e confesso que fico c receio! Obrigada