Buenos Aires 3 00
Argentina

O Museu Nacional de Belas-Artes em Buenos Aires em 10 obras

O Museu Nacional de Belas-Artes (ou Museo Nacional de Bellas Artes) em Buenos Aires é o mais benquisto da capital argentina e, provavelmente, de todo o país.

Estamos aqui diante de uma coleção e tanto, com peças de grandes nomes da História da Arte europeia (Monet, Gauguin, Rodin, Veronese, Tintoretto) assim como de artistas argentinos dos últimos 200 anos e obras históricas para toda a América Latina. De quebra, este museu é gratuito. Sim, entrada franca. Aberto todos os dias até as 20h, e fechado apenas às segundas-feiras.

Para dar um gostinho do que este museu mostra, selecionei aqui 10 obras. Não as selecionei com base na fama do pintor, e é claro que este é apenas um tira-gosto. Como já fiz no Museu do Louvre e no Musée d’Orsay, no Museu Britânico em Londres, no Museu Egípcio no Cairo e em outros lugares, a seleção é essencialmente subjetiva. São das obras que mais me chamaram a atenção, e que podem talvez chamar a sua também.

Busquei, de toda forma, ser representativo das diversas seções do museu. Caso você pretenda vir pessoalmente, reserve umas 2h de visita para olhar tudo em detalhes. (Evite trazer mochilas, ou será exigido que você a coloque na frente do corpo).

Vamos às obras. Começarei com as clássicas, passando depois às latino-americanas.

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1. O Casamento Místico de Santa Catarina, por Paolo Veronese (1528-1588). Tema recorrente nas obras do pintor italiano, mostra Santa Catarina de Alexandria (que teria vivido lá pelo ano 300) num chamado “casamento místico” com o Menino Jesus, aqui representado no colo de Maria. É uma noção de origem judaica que, no cristianismo, tornou-se a ideia da devoção a Cristo como um matrimônio.
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2. Santa Conversa, obra renascentista de 1525-1530 por Nicolau Pisano. Mostra uma litania de personagens, com Maria no centro e o Menino Jesus, João Batista também pequeno engatinhando no chão, provavelmente Santo André e São Felipe à esquerda, São José (ou, segundo outras interpretações, Santo Antão) à direita, e São Sebastião flechado.
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3. Diana surpreendida (1879), pelo pintor francês Jules Joseph Lefebvre. O quadro retrata o mito clássico em que Ártemis, a Diana dos romanos, deusa da caça, virgem e que não podia ser vista assim nua por homens, é surpreendida durante o seu banho na floresta com as ninfas pelo caçador Acteon. Esse mito se tornou bastante popular no Renascimento, e inspirou muitas obras. Seguiu sendo retratado no período romântico e neoclássico do século XIX. (No mito, Diana joga água em Acteon e com ela uma maldição para puni-lo pelo atrevimento, transformando-o num cervo que se perde na floresta e acaba comido pelos próprios cães que o acompanhavam na caçada.)

Esse acima é um quadro bastante grande, como a foto abaixo não deixa mentir.

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Um dos saguões com obras de inspiração clássica no Museu Nacional de Belas-Artes em Buenos Aires, Argentina.
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4. O Beijo, escultura de 1882 em mármore por Auguste Rodin. Esta é uma das obras mais famosas do célebre escultor francês — talvez perdendo em fama apenas para O Pensador. Não existe apenas uma, mas várias desta escultura mundo afora. Seu título original era Francesca da Rimini, pois esta não é uma escultura genérica, mas uma obra que retrata uma nobre italiana do século XIII (que aparece no Inferno, na Divina Comédia de Dante Alighieri) a qual trai o esposo Giovanni Malatesta com o irmão mais novo deste, Paolo, em cujo enlace está aqui retratada. Na vida real, ambos acabam mortos pelo marido chifrado. Dizem que a motivação foi ler sobre o romance proibido da Rainha Guinevere com o cavaleiro Lancelot.
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5. A Anunciação e Cristo morto (1928 e 1931), pelo argentino Alfredo Guttero. Ele retratou no típico estilo modernista latino-americano daquele período estas cenas características da pintura clássica europeia. Note também como os personagens são mais morenos que o habitual — talvez até mais fidedignos ao que foram Maria e Jesus na realidade. O estilo lembra o contemporâneo Diego Rivera e os outros muralistas mexicanos.
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6. Sem pão e sem trabalho (1894), pelo pintor argentino Ernesto de la Cárcova. Ele foi dos principais representantes da escola realista argentina. Pintou a Buenos Aires que se industrializava, mas que sofreu pesadamente com a crise de 1890 — uma das muitas que sacolejaram o capitalismo ao longo do século XIX, embora se fale quase que apenas na de 1929. A Argentina, como o Brasil, mergulhou numa profunda crise econômica e social. Ernesto de la Cárcova trouxe aqui a dimensão humana.

Você é capaz de ficar ali um bom tempo meditando sobre estes quadros.

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Visitante a mirar o quadro de Ernesto de la Cárcova no Museu Nacional de Belas-Artes em Buenos Aires.
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7. Carregadores a pleno sol (1945), por Benito Quinquela Martín. Dos mais famosos artistas argentinos, ele era um pintor de portos por excelência. Aqui, ainda na década de 1940, mostrando a pujança industrial — com seus prós e contras — que a argentina experimentava. Dizem que é esta a origem das casas coloridas do Caminito, no popular bairro de La Boca: os restantes de tintas dos navios no porto.
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8. La Vuelta del Malón (1892), por Ángel della Valle. Situado naquele fim do século XIX, quando a Argentina exterminava seus índios, o quadro retrata uma razia — um ataque — indígena sobre um assentamento dos brancos na Patagônia.
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9. A Conquista do México, 24 tábuas pelos irmãos Miguel e Juan González (1696-1715). Eles pintaram ainda no temo colonial, no fim do século XVII, o que teria sido a conquista de Tenochtitlán e dos astecas pelos espanhóis, baseados na obra Historia verdadera de la conquista de la Nueva España (1568) de Bernal Díaz del Castillo.
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10. Tafá, índia fueguina (1887), pelo escultor italiano Victor de Pol. Esta foi uma pessoa de verdade, que o italiano conheceu aqui na argentina e que registrou em bronze. Ela provinha do Estreito de Magalhães, na Patagônia, quando do genocídio dos indígenas perpetrado pelo governo. Tal qual o cacique Inacayal que teve seus cabelos cortados e veio trabalhar como porteiro de museu em Buenos Aires, Tafá realizava aqui limpeza doméstica quando o italiano a encontrou. Eternizou-se.
Mairon Giovani
Cidadão do mundo e viajante independente. Gosta de cultura, risadas, e comida bem feita. Não acha que viajar sozinho seja tão assustador quanto costumam imaginar, e se joga com frequência em novos ambientes. Crê que um país deixa de ser um mero lugar no mapa a partir do momento em que você o conhece e vive experiências com as pessoas de lá.

One thought on “O Museu Nacional de Belas-Artes em Buenos Aires em 10 obras

  1. Magnífico esse Museu. Belíssimas obras. Maravilhosa escolha. Imagino as demais.
    Ambientação excelente com adequada iluminação.
    Belo demonstrativo.
    Gostei muito.
    Valeu.

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