Dinheiro na Argentina 1 05
Argentina

Buenos Aires em 7 experiências essenciais: Lugares como eles são na realidade na capital da Argentina

(Este será um post longo.)

Buenos Aires provavelmente é a capital estrangeira mais visitada por brasileiros, de modo que muitos já vieram diversas vezes e têm até os seus “points” favoritos. 

Eu já tinha vindo aqui nos anos 90, passado uns dias, e retornar era preciso — para rever lugares antigos e visitar um pouco melhor os diversos pontos turísticos de que ouvi falar nos últimos tempos.

Há tantos lugares em Buenos Aires que você precisa de pelo menos uns 3-4 dias inteiros para lhe fazer justiça. Quem quiser, venha e passe mais, mas eu me satisfiz com esse tempo aí. Não vou lhes dizer que morro de amores pela capital argentina — os meus amores eu guardo para outros lugares —, mas isso não me impede de reconhecer as coisas boas e interessantes que há. Isto também lhe dá certa garantia de que vai ler aqui um relato sóbrio, não uma eulogia apaixonada. 

Resolvi dividir este post em 7 atos — vivências, experiências, “causos” ou momentos pelos cantos mais famosos de Buenos Aires. Achei melhor deixar tudo aqui em vez de segregá-los em postagens separadas. Assim fica mais claro o “todo” do que é esta capital. Todas me pareceram essenciais numa visita aqui.

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O letreiro BA foi instalado em 2016 junto do famoso obelisco de Buenos Aires — acompanhando o surgimento da era do Instagram — e hoje é dos xodós mais fotografados da cidade. Em janeiro ele ainda estava com o chapeuzinho natalino.

Ato I. No centro de Buenos Aires (Casa Rosada, Catedral Metropolitana, obelisco & cia)

Dizem que o centro de Buenos Aires é onde você deve se hospedar quando vem aqui pela primeira vez. Não era mais a minha primeira vez, mas já fazia tanto tempo (mais de 25 anos!) que era um tanto como se fosse.

Grosso modo, alguém mais simplista que eu diria que Buenos Aires parece uma São Paulo com tango, aquela mesma textura de cidade grande com atrações essencialmente urbanas-modernas.

Só que aqui as pessoas dirigem muito pior — fecham os cruzamentos sem cerimônia, e buzinam na rua feito loucos agoniados. Por outro lado, as avenidas de Buenos Aires são mais elegantes, e sua arborização dá de dez a zero na de qualquer grande cidade brasileira.

Eu ali no centro me hospedei, a uma distância que eu pudesse cobrir a pé dos famosos pontos de maior interesse no centro de Buenos Aires: a Casa Rosada, a catedral, o obelisco, etc.  

Os argentinos entram na categoria dos povos nostálgicos, aqueles que não se conformam de terem perdido o status e a proeminência econômica de que um dia gozaram (ponha aí também os russos e boa parte dos europeus ocidentais, especialmente os que tinham colônias).

Vivem portanto numa realidade paralela onde ainda são mais importantes do que realmente são. Instalei-me, pois, num hotel já mesmo com cara de outrora, onde tocava tango baixinho no café da manhã, e se viam retratos em molduras ovais dos grandes nomes da cena cultural de um século atrás.

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Papel de parede, como noutros tempos, e retratos de figurões de antigamente no meu quarto do hotel.
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O salão de café da manhã tinha a figura de Carlos Gardel dentre muitos outros que fizeram a cena cultural argentina da primeira metade do século XX. É um charme.

Eu não vou negar que isso é um charme e tanto. De fato, exatamente o que muitos de nós estrangeiros buscamos na Argentina.

A quem não sabe, este país foi dos mais prósperos das Américas entre o final do século XIX e a década de 1940. Nos albores do século XX, havia quem achasse que a Argentina seria um novo Estados Unidos, agora na América do Sul.

Os observadores estavam influenciados pela pujança econômica portenha como pelo fato de que aqui, como nos EUA, a população nativa havia sido genocidada em grande número. Sem tanta miscigenação quanto no restante da América Latina, tínhamos portanto uma sociedade essencialmente branca europeia transplantada às Américas. Encantavam-se os padrões da época.

Eu sei discernir entre o ético e o estético, portanto sei curtir meu tango sem me preocupar demais com aquilo — da mesma forma que eu curto a atmosfera da Belle-Époque francesa sem me preocupar demais com o imperialismo francês de então. (Não gosto de maniqueísmo nem de excesso de militância. Prefiro o civil.)

Uma lágrima“, ofereceu-me a sisuda mulher que nos servia ao café da manhã quando lhe pedi um café pingado. Eu depois descobriria que aqui há muitos tipos de lágrimas, desde as com muito leite e um pouco de café até o contrário. Ela, no entanto, soube captar meu sentimento e me deu a lágrima escura que eu buscava.

Fazia 28ºC lá fora num dia de sol que se acalentaria nas próximas horas. Os jacarandás lilases estavam em flor em algumas arborizadas avenidas; outras eram simplesmente verdes, e era hora de começar a ver, afinal, o que Buenos Aires tinha. 

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As arborizadas e largas avenidas de Buenos Aires chamam a atenção.
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Faixas e corredor de ônibus. Os motoristas são meio deseducados, mas o urbanismo de Buenos Aires supera claramente o da maior parte das metrópoles brasileiras.
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No centro da cidade com os edifícios do século XX.

Você caminha pelo centro de Buenos Aires e, fora dos espaços abertos de suas avenidas largas e arborizadas, mete-se essencialmente por ruas assim de prédios antigos — do século XX — em tons de creme ou cinza. Entre eles, algumas ruas estreitas e calçadões onde hoje não faltam mendigos. 

Onde me hospedei, eu estava a um passo do famoso obelisco de Buenos Aires, que fica na Praça da República. Ali diversas das suas avenidas se encontram. 

O obelisco de Buenos Aires foi inaugurado em 1936. Ao contrário dos obeliscos europeus, que em geral são antigos — e, via de regra, roubados do Egito —, este aqui foi erigido em comemoração aos 400 anos do primeiro assentamento colonial espanhol nesta região do Rio da Prata.

Aquele período dos anos 1930 foram frutuosos para a Argentina, que à época materializava seus desvarios de grandeza em mais que conquistas no futebol. Não à toa, tantos dos nazistas fugiram para cá ao término da Segunda Guerra Mundial nos anos 1940.

Hoje, isto aqui tem outra atmosfera. O letreiro BA, unicamente aqui a representar Buenos Aires em vez de Bahia, ingressa a avenida definitivamente na era do Instagram. As pessoas — muitos turistas, sobretudo brasileiros — pululavam ali em torno a tirar fotos do verdume sob o sol.

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Flores, palmeiras e prédios antigos na Avenida Carlos Pellegrini no centro de Buenos Aires, com o obelisco de 1936 em vista lá ao fundo.
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O letreiro instalado aqui em 2016, hoje sempre pleno de turistas tirando fotos. Conservava ainda o chapeuzinho natalino em janeiro.
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O verdume e o obelisco em Buenos Aires.

Para além dos turistas (quase todos, brasileiros) e outros transeuntes ocasionais, se notavam ali pelas ruas também grupos pequenos e grandes de argentinos como que a convergir numa mesma direção. Parecia que ia ter sorvete grátis ou show beneficente do Rolling Stones a pleno dia n’alguma praça, mas eram as pessoas se dirigindo a um protesto contra Javier Milei. Disso eu trato — e mostro — depois.

Por ora, descíamos a diagonal que leva até a Plaza de Mayo, outra das mais importantes de Buenos Aires. Lá ficam a Casa Rosada e a Catedral Metropolitana. A maior fama internacional da praça acaba sendo porque ela passou a sediar, desde 1977, os protestos de mães e avós que tiveram suas crianças levadas embora pela ditadura para serem criadas por famílias de militares.

A ditadura argentina (1966-1973, e depois de novo em 1976-1983) foi das mais belicosas e sangrentas da América Latina. Até hoje, segue ativo o famoso grupo das Avós da Praça de Maio, que com a ajuda de geneticistas têm buscado encontrar seus netos surrupiados para a adoção. Muitas vezes, os pais haviam sido presos e mortos.

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A famosa Plaza de Mayo em Buenos Aires neste verão.
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Este parece, mas não é outro obelisco. Tecnicamente falando, é uma pirâmide (a base é mais larga). É chamada a Pirâmide de Maio, o mais antigo monumento público de Buenos Aires, erigido em 1811 em honra à Revolução de Maio de 1810 contra a coroa espanhola.
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A bela Casa Rosada ali atrás.

A Casa Rosada, eu acho que todo mundo sabe, é a sede de governo da Argentina. Não é onde o presidente mora — esta seria a Quinta dos Olivos, nos arredores de Buenos Aires. A Quinta é como se fosse o nosso Palácio da Alvorada (morada), enquanto que a Casa Rosada equivale ao Palácio do Planalto (lugar de governo).

Aqui ficava uma antiga fortaleza espanhola, até que em 1873 se ordenou a construção dessa sede. Ela sofreria diversas alterações, danos e restauros, até ser tombada como monumento histórico em 1942.

Costumava haver tours guiados pelo interior da Casa Rosada aos sábados, mas eles foram suspensos após Milei tomar posse em dezembro de 2023. Quando você ler isto, se o interessar, verifique neste site de Buenos Aires se os tours já foram retomados. Tradicionalmente, o site onde registrar-se para realizar a visita era este aqui (sem funcionar neste momento em que vos escrevo, mas verifique).

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Eu juro que a escolha da cor da minha roupa não foi de propósito.
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O panorama da Casa Rosada em Buenos Aires com a estátua equestre do General Manuel Belgrano (1770-1820), que teve parte das lutas de independência da Argentina.
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Estas muitas pedras em torno da imagem do general são em homenagem aos argentinos mortos durante a pandemia de Covid-19. A Plaza de Mayo é, de muitas formas, o coração de Buenos Aires.

Há outros lugares históricos nesta praça também.

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Esta não é a catedral, mas o Museo Nacional del Cabildo de Buenos Aires y de la Revolución de Mayo. Cabildo é uma palavra espanhola que se refere à unidade administrativa colonial que equivalia a um município hoje. Daqui, declarou-se a Revolução de Maio contra os espanhóis no então Vice-Reino do Rio da Prata em 1810.
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Esta de fechada greco-romana é a Catedral Metropolitana de Buenos Aires. Também fica na Praça de Maio.

A Catedral Metropolitana de la Santísima Trinidad de Buenos Aires data oficialmente de 1580, mas essa edificação neoclássica diante de vós é posterior, completada apenas em 1823.

Aqui, Jorge Mario Bergoglio foi arcebispo e depois cardeal por 15 anos, a partir de 1998, até em 2013 tornar-se o Papa Francisco no Vaticano.

A catedral é bastante imponente e, como em Montevidéu, tinha cantos gregorianos tocando harmoniosamente ao fundo.

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Umas telinhas mostram o Papa Francisco aqui quando ainda era o arcebispo Jorge Mario Bergoglio na catedral de Buenos Aires.
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O interior neoclássico desta Catedral Metropolitana. Arquitetura do século XVIII, com a edificação completada no início do século XIX.
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In mundo pressuram habebitis: sed confidite, ego vici mundum (João 16: 33).

Por mim eu nem traduzia latim, que de tão bonito dá vontade de nem mexer, mas esse versículo é geralmente passado ao português como “No mundo tereis tribulações; mas tende bom ânimo, eu venci o mundo”.

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O altar-mor com as bandeiras do Vaticano (branca e amarela) e da Argentina.
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Numa capela ao lado, por detrás das sentinelas, o Mausoléu de José de San Martín. Ele foi o principal líder da guerra de independência que libertou Argentina, Chile e Peru da coroa espanhola, em 1810. Equivaleu ao papel que teve Simón Bolívar nas colônias espanholas mais a norte na América do Sul: Venezuela, Colômbia, Equador e Bolívia. Esta última chegou a ser disputada por ambos, antes da segregação das ex-colônias de Espanha em múltiplos países.

Buenos Aires tem os seus marcos históricos, afinal. Nem só de tango e empanadas se faz isto aqui.

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Ato II – Puerto Madero, suas cercanias e brasileiros

Em muitos lugares do centro — não só nos monumentos, como também nas ruas e nos shoppings — eu ficava às vezes com a impressão de que havia mais brasileiros que argentinos em Buenos Aires. Por razões geográficas evidentes, sobretudo brasileiros da Região Sul, mas havia de tudo. Sentei-me num banco de shopping, a mulher ali me ouve falar, e solta um “Você também é da Bahia?“. Estamos tomando de assalto isto aqui. Poderia anexar logo. Fazer logo um grande país chamado América Latina e pronto.

Logo detrás da Casa Rosada, o lugar dos onde vi mais brasileiros: Puerto Madero.

Puerto Madero é toda uma área de docas que nos anos 90 foi requalificada. Gentrificada, diriam alguns mais críticos, mas a verdade é que ela estava abandonada antes. Tomaram-na então para construir hoteis de luxo e restaurantes. É uma área um tanto “plástica” de Buenos Aires, com a cara das cidades dos Estados Unidos, aqueles espaços estranhamente artificiais saídos claramente da mesa de algum arquiteto ou de um jogo de simulador (feito SimCity), mas tem seu charme e beleza.

Puerto Madero, inclusive, foi a inspiração para Belém do Pará fazer o mesmo em 2000 e criar a sua Estação das Docas. (Só é pena que aqui em Buenos Aires não tenha sorvete de cupuaçu.) 

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“Rodizinho”. Não se escondem as marcas da presença brasileira por aqui. Note os antigos guindastes das docas, mantidos aqui como em Belém do Pará.
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A região de Puerto Madero hoje tem amplas calçadas, prédios modernos e árvores às margens destes canais do Rio da Prata. (O rio propriamente dito fica mais adiante. Ali, não se vê nem o outro lado, mas você pode atravessar de ferry para o Uruguai.)

Não há terrivelmente muito o que fazer aí — é uma área fotogênica, mas meio erma, e onde a arborização neste dia quente de verão vinha a calhar. Lembra um pouco os distritos financeiros de algumas outras cidades, com hoteis e sedes de bancos.

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Ali, a chamada Ponte da Mulher, e os prédios modernos atrás. Um daqueles mais quadrados é do Banco da China.
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A Ponte da Mulher (Puente de la Mujer) com os prédios de Puerto Madero atrás. Esta ponte foi inaugurada em 2001. Dizem que o nome tem a ver com ruas que levam nomes de mulheres aqui perto — já outros afirmam que é porque essa estrutura inclinada lembraria uma dançarina de tango.

Eu cheguei a mostrar esta região à noite na postagem sobre o Réveillon em Buenos Aires, quando você escuta mais português que espanhol na capital argentina. Cheguei ali até a conferir o hotel Hilton, aonde eu soube que vão as pessoas que necessitam de banheiro durante a festa.

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As docas de Puerto Madero em Buenos Aires, estruturas antigas hoje com restaurantes variados.

Restaurantes “variados” até certo ponto, isto é. Predominam as churrascarias, como o “Rodizinho” talvez já lhe tenha sugerido. Mas há pizzarias a quem não for muito chegado na carne. Só não espere nada muito temperado por aqui — a Argentina não é uma terra de temperos. Sentei-me, pois, num daqueles avarandados com toldo preto e cercados de plantas para comer uma pizza.

As flores presentes nos arredores marcavam este dia quente de verão. Era um entorno um tanto insólito, com mais edificações que gente. Os argentinos, afinal, viajam em massa em janeiro e fevereiro — há uma certa troca populacional, com os brasileiros vindo para cá e eles indo ao Brasil.

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Onde almocei em Puerto Madero, Buenos Aires. Há lugares agradáveis aqui.

Eu vinha da caminhada pelo centro histórico, almocei, e também buscava onde assistir tango numa noite destas. Sabendo dos turistas que transeuntam por aqui, não faltam moçoilas simpáticas com brochuras promocionais sobre “o melhor tango da cidade”, arranhando até certas palavras em português.

Numa dessas, acabei cedendo e entrando numa agência, onde até funcionária brasileira já dedicada a lidar com a clientela tupiniquim havia. A moça simpaticíssima, mas tenha muito cuidado com os cantos da sereia — “de brasileiro pra brasileiro” —, pois é aí que mora o perigo de você acabar sendo seduzido a gastar demais.

Ofereceram-me um show de tango de quase 300 dólares por pessoa (!), certamente crendo-me parvo, como diriam os portugueses. Acabei tomando meu rumo após o café de cortesia da agência. 

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Ficam nestas cercanias de Puerto Madero os terminais de ferry que levam ao Uruguai, caso alguém se interesse. (Ver esta postagem.) Como o sistema online deles, digamos, deixa a desejar, via de regra é preciso vir aqui pessoalmente comprar as passagens. Foi o que eu fiz.

Se você vier até estas bandas e se sentir tentado a entrar nas Galerías Pacífico nestas cercanias, não deixe de ver também o antigo Mosteiro de Santa Catalina logo em frente, dos espaços históricos mais gostosos que visitei em Buenos Aires.

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Mosteiro de Santa Catalina de Siena, perto dali, hoje transformado num espaço com cafeteria que muito me lembrou o Páteo do Colégio em São Paulo.
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Há a igreja também, ambos de 1745. Era gostoso ver algo mais histórico nesta cidade moderna.
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Quem não gosta de um bom pedaço de torta com coco e doce de leite para uma merenda da tarde? Há merendas — e café — no pátio do próprio mosteiro, mas esta foi na praça de alimentação das Galerías Pacífico.

É claro que o shopping também estava repleto de brasileiros, já que estes espaços fazem parte do habitus social dos meus conterrâneos. Lavávamos-nos nas coisas com doce de leite, afinal. (Eu só advirto contra os quiches insossos do Brioche Dorée daqui, que a matriz francesa deveria mandar fechar para não continuar a desonrar o nome da rede.)

O doce de leite provavelmente compete com as empanadas para saber qual quitute argentino é mais procurado aqui. (Não que haja muitos concorrentes).

Os alfajores argentinos, estes biscoitos por vezes cobertos de chocolate ou coco e recheados com doce de leite, já invadiram o Brasil tal como nós o fizemos aqui. A gostosa invasão é de de mão dupla.

O nome vem do árabe al-fakhir, que quer dizer algo como “iguaria” ou “luxuoso”. No Brasil, nós o conhecemos excepcionalmente por suas variedades argentinas ou uruguaias, mas é algo inventado na Andaluzia (consta nos dicionários de espanhol desde pelo menos o século XIV), e existe por toda a América hispânica. Cada país hoje tem as suas variedades. 

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Os alfajores argentinos e uruguaios, biscoitos com recheio de doce de leite e às vezes cobertura de coco ou de chocolate.

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Ato III – No Teatro Colón com seus protestos

O Teatro Colón é um dos sine qua non de Buenos Aires. Não dá para vir e não ver. Ele é das atrações mais bonitas e bem-apreciadas pelos turistas, e com razão.

O teatro é um monumento à arte europeia barroca e neoclássica, feito claramente inspirado em Versalhes e nos palácios europeus do século XVIII. Não faltam lustres, espelhos nem mármore de Carrara. Ao mesmo tempo, os vitrais de clara inspiração Art Nouveau denunciam — belamente — que se trata de uma obra dos albores do século XX. 

É possível fazer um tour guiado de 50-60 minutos pelo seu interior, e eu recomendo. A entrada cotada em cerca de US$ 17 (14 mil pesos no início de 2024) é um certo assalto — bem mais cara que aquela do Teatro Amazonas em Manaus ou do Theatro da Paz em Belém, ambos seus contemporâneos —, mas o crime aqui compensa.

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O lindo Teatro Colón em Buenos Aires, inaugurado em 1908. Estava havendo protestos do lado de fora, mas deles eu falo daqui a pouco.

Meti-me por ali, vi a entrada frontal e o sinal de que a entrada para visitas turísticas era virando a outra esquina. Cheguei daí a uma entrada pouco notável, onde um senhor algo gordo e de preto amparava a porta para que nenhuma turba adentrasse onde não devia. 

Entra-se ali por um corredor com cara de galeria simpática antiga, onde há um café (bastante caro) e os sinais da bilheteria.

Cheguei 10:10 da manhã, e a próxima entrada guiada era para as 11:30. Portanto, é possível chegar sem ingressos e comprar na hora, mas às vezes tem estas demoras. Eu acabei não querendo esperar, e voltei num outro dia com a entrada reservada pela internet.

Há tours em espanhol saindo a cada 15 minutos, e estes são fáceis de obter para o mesmo dia, mas se você fizer questão de pegar um dos dois tours diários em português, certifique-se de reservá-lo online com alguns dias de antecedência pelo menos. Como há muitos visitantes brasileiros em Buenos Aires, essas entradas se esgotam na velocidade da luz. (Eles costumam abrir as vendas no site oficial mês por mês. Só no finzinho de um mês é que abrem as vendas para o outro.)

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No interior do Teatro Colón em Buenos Aires.
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As cúpulas de vitrais no estilo Art Nouveau, predominante na Europa do início do século XX.
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O Art Nouveau (ou Arte Nova, como às vezes é traduzido) tem por característica estas cores vivas e contrastantes, o uso do vidro para a entrada de luz, e temáticas relacionadas à natureza.
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Lustres palacianos no Teatro Colón para a próspera alta sociedade portenha do início do século XX.
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Parecia até uma dança ali, mas não era.

Esse aí acima é o chamado Salão Dourado, onde o burguesia argentina se comunicava em francês para se provar  familiarizada com a cultura europeia.

Há uma óbvia inspiração francesa, como no caso dos outros teatros dessa época. A construção se deu de 1888 a 1908, portanto quando já havia eletricidade. Daí os lustres iluminados — enquanto que os dos palácios barrocos europeus usavam velas.  

A nossa guia aqui foi Shéssica, quer dizer, Jesica, mas em espanhol e no seu sotaque argentino ela falava Shéssica. Uma simpatia, e com um português bastante hábil. Animada pelo Brasil, perguntava de cada um era — para quebrar aquele clichê besta, futebolístico, de que todo e qualquer argentino antagoniza com os brasileiros. “Este tour está sempre lotado”, comentou entusiasmada, juntando-se ao coro que concordava que faria sentindo ter mais tours diários em português. 

Seguimos dali à Galeria dos Bustos antes de prosseguir ao interior da sala de espetáculos.

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A Galeria dos Bustos, com ali à esquerda o compositor húngaro Férenc Liszt (que dá nome ao aeroporto de Budapeste, por sinal). Os outros estão no teto.
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Charles Gounod, compositor francês autor de uma das melodias mais famosas da Ave Maria. Vários outros compositores o acompanham neste teto, como Mozart e Rossini. À exceção de Amadeus (Mozart), há uma predominância de compositores do século XIX, que foram também autores de óperas de teatro.
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A riqueza de detalhes do teto.
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Já aquela escultura que você viu ali é esta, singela, de Eros (Cupido) e sua mãe, Afrodite (a Vênus dos romanos), deusa do amor. Ele certamente lhe segredando sobre alguém que flechou.

É hora de finalmente adentrarmos a sala de espetáculos do Teatro Colón.

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O esplendoroso Teatro Colón em Buenos Aires, inaugurado em 1908. Há visitas guiadas diárias, mas se desejar assistir a algum espetáculo, leve em conta que ele entra em recesso em janeiro.
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Há capacidade para 3.000 pessoas.
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Nas laterais, os camarotes vários. Os mais baixos — e visíveis — eram reservados às grandes famílias da aristocracia. Já nos superiores, menos à mostra, se ficava de pé. Chamam-nos tradicionalmente de cazuela, tertulia, e mais em cima o paraiso — também apelidado de o “galinheiro”, pois era o menos glamuroso de todos.
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O teto deste teatro em forma de ferradura, que — como todos — dizem ter das melhores acústicas.

Deu vontade de regressar numa outra época para assistir a alguma peça de teatro ou ópera aqui. Você pode ver sempre a programação no site oficial.

Por ora, a peça — mui real — eram os protestos ocorrendo logo ali fora, aos fundos do teatro na praça em cujo outro lado fica a Suprema Corte de Justiça da Argentina. Ali moram alguns dos embates com o governo que tomou posse em 2023.

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Protesto em Buenos Aires. Não há como falar da Argentina sem incluir sua forte tradição de panelazos, protestos, greves e tudo o mais. Apesar dos seus descalabros administrativos subsequentes, não há como negar que é uma sociedade bastante mobilizada.
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Sonho de uma tarde de verão em Buenos Aires, em defesa da Constituição.

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Ato IV – No Cemitério da Recoleta

Um dos problemas de base da Argentina sempre foram a desigualdade, tal como no Brasil. Os índios — e a gente morena, mais mestiça que os brancos capitalinos portenhos — sofrem com a extração desregrada de minérios no norte do país, fronteira com a Bolívia, e os índices de discrepância entre a renda dos que têm muito e a dos que têm pouco é aquela habitual obscenidade latino-americana herdada da História.

Ao mesmo tempo, talvez lhes surpreenda saber que, embora maior que seus vizinhos Chile e Uruguai, a desigualdade aqui nem ameaça encostar no que ocorre em Brasil, Colômbia e outros países mais violentos. Talvez por isso ainda exista certa paz social na Argentina, apesar dos sacolejos políticos. Por outro lado, é um país que está empobrecendo, claramente. Se no Brasil cerca de um terço da população vive abaixo da linha da pobreza, na Argentina esse contingente chegou a 40% em 2023.

Triste Buenos Aires, ó quão dessemelhante. Foi usar o BA de Bahia, evocou-me de usar o célebre poema de Gregório de Matos como referência. 

Triste Bahia! Ó quão dessemelhante
Estás e estou do nosso antigo estado!
Pobre te vejo a ti, tu a mi empenhado,
Rica te vi eu já, tu a mi abundante.

O poema continua, a quem se interessar em lê-lo por completo. Versa sobre o que são, afinal, os altos e baixos dos lugares. Então a Salvador do século XVII, agora a Buenos Aires do século XXI.

Quem vem aqui, se não olhar os mendigos, talvez dirá: que pobreza, ó cara pálida (nem tão pálida)? Que tristeza? De fato, Buenos Aires e os portenhos ainda conservam a altivez de quem um dia teve muito. Nenhum outro lugar da cidade talvez dê mais evidência da pujança perdulária quanto o Cemitério da Recoleta, outros dos pontos de destaque turístico aqui na capital.

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O Cemitério da Recoleta, inaugurado junto com o Brasil em 1822, é das principais atrações artísticas e turísticas em Buenos Aires.
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Aqui jazem as grandes famílias donas do dinheiro da Buenos Aires pomposa da segunda metade do século XIX e da primeira do XX, além de figurões argentinos famosos, como Evita Perón. Eles fizeram para si mausoléus suntuosos que hoje se transformaram em patrimônio cultural nacional.
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É um passeio um tanto lúgubre, se você não se incomodar, mas os olhos verão coisas bonitas.

Eso es una invasión“, decretou categórico o gordinho de óculos, com gesto de mão e tudo, ele a única pessoa realmente simpática do hotel onde eu me instalei. Era uma figura, a exceção que prova a regra, o argentino divertido e buena onda entre os outros excessivamente sobranceiros. Tratava aqui da infestação de pernilongos que acometeu Buenos Aires neste verão — como também Colônia do Sacramento e todo este litoral do Rio da Prata. Você ia ao sanitário, e lá estavam os endiabrados mosquitos a atentá-lo sobre o vaso. Matá-los sobre as pernas e braços lembrava um ato de auto-flagelação, tamanha a constância dos tapas.

Lá estavam eles, também em grande número, no Cemitério da Recoleta buscando o sangue dos turistas. Era por vezes difícil se concentrar na arte, mas tive a sorte de estar acompanhado de pessoas cujo sangue era aparentemente mais doce que o meu. Quem já não teve essa vivência do amigo pára-raios?

Do hotel, chamei um Uber para o Cemitério da Recoleta, e me veio um táxi. Aqui, e talvez também alhures, o Uber tem desses contratos com taxistas que “van por la aplicación“, mas são taxistas em táxis, em matéria e espírito. O querido me largou a mais de uma quadra da entrada do cemitério, e ainda veio com firulas suspeitosas de ligar o táximetro e cobri-lo com o negocinho do carro que serve para proteger os olhos do motorista do sol. Tenha certeza de que ali trocamos umas boas notas baixas.

Mas enfim chegamos ao cemitério, nesse lugar que é chamado de Recoleta devido aos frades franciscanos com voto de pobreza que se instalaram ali no século XIX (da Ordo Fratrum Minorum Recollectorum), mas que ironicamente viria a se tornar um lugar de opulência.

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A Recoleta é, sob qualquer medida, um bairro agradável de Buenos Aires. Desenvolveu-se bastante entre os idos de 1850 e 1950, e há quem o chame hiperbolicamente de “Paris argentina”.
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A entrada neoclássica do Cemitério da Recoleta, a grande atração turística do bairro.

O Cemitério da Recoleta é arquitetonicamente lindo, e você passa uma boa hora ali dentro. É fotogênico como talvez nenhum outro cemitério no mundo.

Você não precisa ter parente enterrado ali, pode vir como visitante e pagar o equivalente a uns US$ 6 para circular o quanto quiser e tirar suas fotos. Há tours gratuitos com guia em espanhol a cada hora das 10-16h. Não é preciso fazer reserva prévia, mas caso queira consultar o valor atualizado em peso e os horários exatos de abertura, veja o site oficial. O atendimento, via de regra, não é essa Brastemp, mas você meio que se acostuma com isso aqui na Argentina. Paga-se com cartão sem problemas.

O tour, eu já lhes aviso, é bastante focado nos “causos” desta ou daquela pessoa, dessa ou aquela família. Contextualiza o que você vê, mas adianto que o achei um pouco enfadonho e demorado. Não demorei a largar a guia e o grupo à deriva. Você daí passeia a gosto, lugubremente deleitando os olhos com as obras de arte feitas por e para os que já se foram.

Todo mundo fica atrás do mausoléu de Evita Peron, que está enterrada aqui como uma Duarte — seu sobrenome de solteira, antes de se casar com o presidente Juan Domingo Perón. (No aplicativo Maps.me você encontra os diferentes túmulos, ou acompanhe a guia ou pergunte a alguém, pois o espaço é vasto.)

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Eva Perón, talvez a pessoa mais célebre enterrada aqui.
189px Eva Duarte by Annemarie Heinrich 1944 later Eva Peron
Maria Eva Duarte, que em tempo se converteria na famosa Evita Perón.

Eva — ou Evita — Perón (1919-1952) foi uma dessas mulheres que, tal qual Lady Di mais tarde, proveio de uma origem simples, acabou tiete das câmeras mais que seus maridos poderosos, e morreu jovem tragicamente.

Eva foi atriz antes de se casar com o presidente Juan Perón, e chegou a fazer visitas  internacionais de Estado na Europa em seu lugar. Essas e outras acabariam levando-a a um estrelato na mídia internacional.

Ela, entretanto, deixaria este mundo já aos 33 anos, vítima de um câncer cervical. Foi um luto generalizado no qual a Argentina, sim, chorou.

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Os restos mortais de Evita estão aqui no mausoléu de sua família.
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Há muitos outros. Este cemitério, realmente, é pleno de obras de arte.
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Glamour arquitetônico por toda parte.
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Mausoléus e imagens.
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Os turistas ali diante.
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Eis aí uma ideia, da estátua por sobre o sarcófago.
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Se é sem dúvidas um tanto soturno, o Cemitério da Recoleta é dos lugares mais fotogênicos de Buenos Aires.

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Ato V – No Caminito, La Boca e La Bombonera

Boemia, aqui me tens de regresso. Ou, ao menos, essa é a imagem que muitos estrangeiros fazemos do famoso bairro de La Boca em Buenos Aires.

Tens-me de regresso, pois aqui eu vim décadas atrás e me lembro da fuzarca, dos shows. Hoje, a coisa está um tanto mais comercial. As fotos, após as câmeras digitais, tornaram-se lugar-comum. (Tão comum que às vezes me parecem vir antes da própria experiência.)

La Boca continua um lugar colorido, tendo seu epicentro no afamado Caminito. Trata-se de um calçadão — ou calçadinho — que supostamente celebra o tango, mas que na prática é uma hagiografia visual às coisas da Argentina. Maradona e Messi, e até o argentino Papa Francisco, aqui têm mais destaque que Carlos Gardel.

Aliás, caso alguém não tenha ainda feito a associação, La Boca é o bairro-sede do Boca Juniors, cujo famoso estádio La Bombonera fica aqui.

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Grafite em La Boca mostrando Lionel Messi com a taça da Copa do Mundo de 2022, vencida pela Argentina no Catar.
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Ilustração de 1990 mostrando dançarinos de tango, neste lugar que encerra parte das origens populares dessa dança. Hoje, as referências ao tango aqui estão um tanto afogadas em merchandising da “Argentina Inc.”.
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Figura do argentino Papa Francisco ali no meio das barracas de souvenirs.

Pega-turista? É o que muita gente fala do Caminito. Eu fico tentado a concordar — e ele me pegou.

O Caminito surge na segunda metade do século XIX, quando a Argentina recebeu centenas de milhares de imigrantes italianos, além de gente de outras partes da Europa, como Espanha e França.

A quem não sabia, Carlos Gardel (1890-1935), o mais célebre dos cantores de tango, era francês de nascimento, batizado Charles Romuald Gardès antes de se radicar aqui. Quem sabe até por isso — como que para asseverar seu vínculo emocional com a Argentina — escreveu Mi Buenos Aires Querido.       

Mi buenos aires querido
Pôster com Carlos Gardel e aquele que é talvez o seu mais famoso tango, Mi Buenos Aires Querido, lançado em 1934 — um ano antes do seu falecimento num desastre de avião.

Há, inclusive, uma observação de que o tango Caminito (1926), de Juan de Dios Filiberto, viria daqui, mas isso é uma inverdade. O compositor falava de outro lugar em La Rioja, noutra parte da Argentina. De toda maneira, entrou no imaginário popular, com as suas letras sobre a vida da gente simples à época.

O tango, assim como o samba, emana dos bairros pobres das metrópoles, numa vida que se urbanizava — algo desordenadamente — nos princípios do século XX.

Aqui em La Boca, eram sobretudo imigrantes genoveses, dos muitos que a Argentina — como o Brasil — convidou com transporte, alojamento e trabalho no seu esforço de branquear a população (pois acreditava que mestiçagem era sinal atraso, como era o paradigma da época) e fazer crescer sua economia. 

Hoje, estima-se em 30 milhões o número de descendentes de italianos na Argentina, 2 milhões a menos que o Brasil, mas uma percentagem muito maior — mais de 60% dos 47 milhões de argentinos.

Há toda uma lenda de que o casario aqui é colorido porque os trabalhadores não tinham dinheiro e usavam as sobras das tintas dos barcos, mas não sei até que ponto isso é verdade ou folclore.

Sei que o Caminito na altura de 1950 estava abandonado, acumulando lixo, quando teve início um esforço estatal de restauração. Um pintor aqui do bairro, Benito Quinquela Martín, liderou os esforços e conseguiu que a prefeitura de Buenos Aires “tombasse” o lugar como uma rua-museu.

“Tombasse” entre aspas porque não há as salvaguardas habituais da UNESCO e outras entidades acerca da preservação da originalidade do patrimônio cultural. O Caminito, portanto, é mais uma fabricação — uma obra de arte, se quiserem — que algo conservado de outrora.

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Turistas e cores no Caminito, em Buenos Aires.
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O epicentro do Caminito, o lugar mais fotografado do bairro de La Boca.

Eu cheguei aqui no que era uma manhã quente de verão, aquela umidade e os mais de 30 graus no ar. As pedras do Caminito se misturavam à gente e ao sol forte fazendo um certo caldeirão. Diria minha avó que eu não deveria me queixar, pois estávamos no verão, afinal. Ela era de reconhecer a propriedade do tempo de cada coisa.

Vi logo aquele carnaval de cores, bonecos, bares e grafites de parede — como numa mistura de Lapa, Olinda e Beco do Batman, só que com temas argentinos. Não se fala, mas La Boca hoje é mais um recanto da livre “arte de rua” latino-americana que qualquer outra coisa.

Tudo aqui é obviamente comercializado e turístico, como num parque. Há filas e pagamento para subir numa janelinha e tirar foto; barraqueiros deixam seus ímãs e outros souvenirs Made in China à mostra enquanto, entediados, olham algo no celular; os bares e restaurantes pululam com turistas; e todo mundo tira fotos.

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As ruas do Carnavalito.
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A habitual hagiografia às figuras argentinas aqui.
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Há um certo ar micaretesco aqui, de que você pode gostar ou não.
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Os vendedores pobres entediados.
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Turistas a tirar fotos das artes de rua — é o que há para fazer.
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Restaurantes.

A pior decisão que eu tomei aqui foi almoçar no Caminito — que desvario! Os restaurantes aqui são caros, o serviço que vi foi aquele lerdo, cansado, e pouco amigável, típico de lugares para turista, e a comida é de uma limitação homérica. Quase que só se come carne assada ou frango empanado com fritas aqui. Sugiro enfaticamente que você veja as avaliações do lugar no Google antes de entrar. Ou, melhor ainda, que se programe para passar umas horinhas vendo o ambiente aqui sem fazer refeição.

No mais, não há lá muito o que fazer. O Caminito é, claramente, aquele lugar de Buenos Aires aonde você vem para sentir — e depois dizer — que veio.

Só que como estamos no bairro de La Boca, pode valer a pena dar uma esticadinha para uma espiadela (ao menos por fora) no famoso estádio La Bombonera (a “caixa de bombons”, chamada assim porque a torcida fica bem perto do campo, criando a sensação de estar num lugar apertado — é o que dizem).

No caminho, você vê mais graffiti — até mais bonitos que os que estão no epicentro do Caminito.

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Os casebres antigos pintados bem coloridos. Foi um projeto artístico de resgate do lugar lançado com a Prefeitura de Buenos Aires a partir de 1959.
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Pelas ruas de La Boca. A situação da Argentina hoje é um tanto esta.
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Alguns belos murais.
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A hagiografia habitual a Maradona, algo que vai muito além do bem-querer que se tem por Pelé no Brasil. Maradona se projetou pelo Club Atlético Boca Juniors no princípio dos anos 80, e onde voltou a jogar no fim da carreira, de 95 a 97. Segue sendo um ídolo. (Como já observei, os argentinos — não necessariamente no plano individual, mas enquanto sociedade — são um povo nostálgico, um tanto voltados sempre para o passado.)
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Com La Bombonera e as cores de Boca Juniors — por quem nem tenho simpatia, mas como eu disse, La Boca é aquele lugar aonde você vem para sentir que veio e viu.

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Ato VI – Uma noite de tango. Com ou sem jantar?

Hoy ustedes van a tener, como decimos aqui en Argentina, una noche de puta madre“, proclamou Juan, o nosso chofer. Pegava-nos no hotel de carro para levar a um dos muitos espetáculos de tango que se oferecem em Buenos Aires.

Não há Buenos Aires — muito menos visita a Buenos Aires — sem tango, sabemos disso. 

Eu, na minha inocência, achei que ainda poderia ver tango de esquina um pouco como se via fado vadio em Portugal com certa facilidade até uns anos atrás — aquela coisa espontânea, sem ser um espetáculo fabricado para turista ver. Certamente, os moradores e outros veteranos de Buenos Aires conhecerão os recônditos lugares onde isso talvez ainda seja possível, mas o que no mais das vezes acaba acontecendo é ir a uma das mui profissionais casas de show de tango da cidade.

Não faltam opções, todas elas aparentemente muito iguais. As mais famosas são o Tango Porteño e o Señor Tango. Se você ler as avaliações, encontrará um misto de extremos: pessoas encantadas dando cinco estrelas e pessoas reclamando da qualidade algo industrial da coisa toda, dando às vezes uma ou duas. Todas viram provavelmente o mesmo espetáculo. A diferença? As expectativas.

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Hábeis dançarinos de tango numa das casas de shows mais populares da cidade, na tal “noche de puta madre” que me prometeram.

Para começo de conversa, não é barato. A entrada no show com o jantar incluído sai na casa de US$ 80-100 por pessoa — o que é um certo assalto, sobretudo considerando-se que estamos na Argentina e não na Suíça. Já fui em espetáculos europeus mais em conta que isso.

Você pode adquirir bilhetes online, como pode ir pessoalmente às bilheterias em Buenos Aires, mas pode valer a pena tentar adquirir através da recepção do seu hotel, que às vezes lhe concede desconto — sobretudo se você oferecer pagar em dinheiro, em pesos argentinos. Via de regra, é suficiente reservar de um dia para o outro, ou uns poucos dias antes. Essas casas de shows são enormes.

Elas todas fazem feito teatro, e se você quiser estar mais perto do palco, terá que pagar mais. Não sei até que ponto é necessário, já que mesmo de mais atrás dá para enxergar, e a música você ouvirá perfeitamente de qualquer parte. Fica aí a seu critério e de acordo com seu bolso

A grande questão sempre é: incluir o jantar ou apenas assistir ao show? O show sem o jantar sai cerca de US$ 20-25 a menos. Minha recomendação? Se você for da turma da carne assada, cogite. Se não, nem lhe ocorra a ideia de jantar, pois a comida outra é toda medíocre. (Essa, aliás, é uma observação corrente nas avaliações.) Eu, se for de novo, já sei que pegarei ingresso só para o show.

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A mesa onde fiquei, na tarifa padrão, me permitiu ver bem o bastante — exceto pelo turista brasileiro na mesa à frente que, depois, filmaria quase o show inteiro com os braços elevados como se não houvesse ninguém atrás. Isso, no entanto, é sorte ou falta de. Se você desejar se sentar lá mais perto do palco, as tarifas são maiores.

A estrutura é quase sempre a mesma — daí haver um caráter comercial e mesmo de “consumo de massa” nestes espetáculos.

Eles geralmente buscam você no hotel às 20h, o jantar se inicia às 20:30, e o show começa às 22h, indo até as 23:30-23:30. Daí costumam levá-lo de volta. Ou seja, você não come enquanto o show está acontecendo, você faz a refeição antes. Se não tiver a refeição incluída, pode chegar mais tarde. Houve quem fizesse isso na minha mesa, mas verifique com a casa aonde você for.

Juan, o nosso chofer, tinha aquele habitual jeito sobranceiro dos argentinos, meio excessivamente confiante, aquela pinta de malandrão arrumado. Desenvolveu, ainda no carro, um pouco o que seria, afinal, a tal noche de puta madre.

Van a ver un espetáculo bellissimo. Van a comer bien, tomar um vino…horrible”, completou ele depois de uma demoradinha, caindo para o lado da ironia. Não sabia eu que, na verdade, deveria sim tê-lo tomado ao pé da letra, pois o vinho que servem é de quinta categoria. Ele só estava certo acerca do espetáculo.

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O cardápio na minha noite, para não ficar só no opinionesco. Parece até interessante, não é? Só que não. É que tem gente que sabe dourar bem estas descrições (exceto pela rúcula comicamente mal-traduzida do inglês, rocket, como foguete em português), mas não quer dizer que venha bem-feito.

A carne, o meu amigo que comeu, elogiou. Eu, a cada vez me convencia mais de que os argentinos não sabem preparar comida nenhuma além de churrasco. Meu prato de massa não tinha sabor nenhum; qualquer massa de franquia do Vapiano na Europa seria melhor.

Pudim vagabundo da p****”, depois escutei exclamar do meu lado meu amigo que havia gostado da carne, quando vieram as sobremesas. A coisa não é necessariamente ruim, mas é ordinária. O próprio vinho é do tipo que se acha no Brasil por R$ 20 a garrafa. Quem não conhece vinho vai virar sem reclamar, empolgado pela liberdade de tomar o quanto quiser, mas não espere qualidade.

Pouco antes de o show começar, os dançarinos aparecem meio às pressas acompanhados de uma fotógrafa profissional. Eles lhe perguntam se você gostaria de uma foto posando ao lado deles. A pressa se deve à quantidade de comensais, mas também ao fato de que não é permitido tirar fotos com a sua própria câmera ou celular; apenas a fotógrafa ali, já com o dedo no gatilho, pode coletar tais imagens, que vão lhe vender depois pelo equivalente a US$ 20 a foto (!). 

Enfim, reduzem-se as luzes, o garçom deixava uma garrafa nova do vinho barato à mesa já que não seria fácil chamá-lo para trazer mais durante o espetáculo, e chegavam finalmente ao palco os artistas. Há um óbvio quê de cabaré na coisa toda, sem qualquer juízo de menos-valia aqui por isso, mas para dizer que é evidentemente inspirado nos cabarés franceses de outrora, como o Moulin Rouge.

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Show de tango para turistas em Buenos Aires.
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Os dançarinos, muito hábeis.
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A música é ao vivo, e de fato é um esplendor.

A saber, na tarifa padrão eles combinam você e seu grupo com outras pessoas numa mesma mesa para 6 ou mais pessoas, mas ninguém morre por isso. Uma coisa engraçada foi, na nossa mesa, uma senhora pegar no sono durante o espetáculo — daí despertar repentinamente (se é que despertou mesmo) acompanhando de olhos fechados a cantoria de um dos tangos antigos que ela sabia.

Para não ficar só nas imagens, abaixo eu compartilho algumas palhinhas do espetáculo — alguns instantes dos gaúchos com suas boleadeiras, os dançarinos de tango, e um bom momento da banda a tocar. No terceiro vídeo há uns solos instrumentais bem impressionantes.

Como eu disse: os artistas são hábeis. É uma casa de shows, afinal, não um restaurante. Fariam bem em melhorar a qualidade do que servem, mas na ausência disso, recomendo francamente que se veja o espetáculo sem o jantar incluído. Comer antes e chegar a tempo para o show às 22h é a coisa mais fácil do mundo.

O espetáculo no Tango Porteño dura cerca de 1h20. Não é muito diferente nas outras casas. 

Às 23:30, quase como um agente secreto cumprindo missão pontualmente, lá estava o chofer Juan à mesa para nos trasladar de volta ao hotel. A coisa é assim, meio com essa eficiência da produção em massa.

Ele perguntou o que achamos, já algo mais tímido que quando nos anunciou a “noche de puta madre”. “Os artistas são muito bons“, respondi eu. Para bom entendedor, meia palavra basta.

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Ato VII – Em Palermo, nos grandes museus de Buenos Aires e no Jardim Japonês

Chegamos ao último ato, quase ao fim desta minha estadia em Buenos Aires. São muitas as atrações aqui, como já observamos, e outras das essenciais são os seus museus. Em especial, o Museu Nacional de Belas-Artes e o Museu de Arte Latino-americana de Buenos Aires, apelidado de MALBA. De quebra, não é museu, mas ali por perto também é o charmoso — e benquisto — Jardim Japonês da cidade, que vale a sua visita. 

Tudo isso fica no entorno do bairro de Palermo, homônimo à capital siciliana. Isso se deve a uma abadia franciscana que havia aqui no período colonial e cujo patrono era São Benedito, que na Itália é chamado São Benedito de Palermo, pois nasceu e morreu ali na Sicília no século XVI. (Eu já lhes apresentei a Palermo original siciliana nesta postagem).

Já este bairro de Palermo se desenvolveu a partir do século XIX, e hoje abriga o Aeroparque — segundo aeroporto de Buenos Aires em tamanho, o primeiro em conveniência. Tem cheiro de bairro de classe média, com hoteis, padarias etc., e é onde alguns recomendam se hospedar se você já tiver feito a sua passagem pelo centro para ver aqueles pontos mais históricos.

Foi o que eu fiz quando retornei a Buenos Aires após meu périplo pela Patagônia, com as visitas a Bariloche e Ushuaia que lhes mostrei. Você fica a um pulo destes grandes museus da capital argentina, separado deles por agradáveis e arborizadas avenidas.

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Avenida nos entornos do bairro de Palermo em Buenos Aires.
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Bela arborização, com o Museu Nacional de Belas-Artes já aqui à minha direita.
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Ei-lo.

Se você quiser ver os detalhes das obras desse Museu Nacional de Belas-Artes de Buenos Aires, sugiro checar minha postagem anterior, O Museu Nacional de Belas-Artes em Buenos Aires em 10 obras, caso ainda não o tenha feito.

Era um dia de verão calmo e caloroso quando eu cheguei ali. As pessoas passavam circulando, argentinos e turistas, uns a visitar, outros a fazer caminhada ou percorrer de bicicleta a longa extensão dessa avenida. Não há muitas opções onde comer, pois o lugar é mais residencial que comercial, mas há uma atmosfera agradável aí.

O Museu Nacional é gratuito, e nele você passa umas boas 2h se quiser ver as coisas em detalhes. Ele não é tão grande — não se compara à imensidade que são certos museus de arte europeus, onde voce precisa passar o dia ou visitar em mais de uma vez —, mas é denso de obras, tanto de grandes nomes europeus quanto de artistas do nosso continente, além de peças históricas latino-americanas.

Aos fundos, voltado para a outra via desta avenida após o canteiro central, há um café onde me detive, onde as pessoas ocupavam logo as mesas à sombra, deixando apenas aquelas ao sol. Um brasileiro que encontrei aqui não falava patavinas de espanhol e, já animado, meio ensandecido com a quantidade de lusofonia que havia encontrado, comentou que já não ia mais nem tentar falar espanhol, porque estava encontrando mais brasileiros que argentinos aqui.

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O Museu Nacional de Belas-Artes é o mais benquisto de Buenos Aires. Eu o comentei e mostrei algumas de suas obras em maiores detalhes na postagem anterior.
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Uma cafeteria nos fundos. É simples o lugar — não espere muita coisa.
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Aquele prédio lá do outro lado pertence à faculdade de direito daqui. Nesta larga avenida você caminha 20 minutos e se deparará com o…
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… MALBA, o estimado Museu de Arte Latino-Americana de Buenos Aires, outro dos mais benquistos da cidade.

O pessoal da esquerda cirandeira terá orgasmos múltiplos dentro do MALBA. É um público notadamente mais jovem que o do Museu Nacional de Belas-Artes. Eu tive a impressão de que 80% das pessoas ali tinham menos de 40 anos — muitos desses, menos de 30.

Entrei e circulei, pois vê-lo era preciso.

Há um foco bastante grande em arte moderna ou contemporânea, desde clássicos modernos do século XX (como Frida Kahlo e Tarsila do Amaral) a obras recentes naquela pegada mais abstrata de atualmente.

Você talvez não soubesse, mas alguns dos originais desses artistas brasileiros modernos estão aqui.

Abaporu no MALBA
Você já viu este quadro? É o Abaporu (1928), o quadro mais famoso da paulista Tarsila do Amaral e a tela brasileira mais valiosa no mercado. Abaporu quer dizer algo como “homem que come gente” na língua tupi, e foi o que deflagrou o movimento antropofágico no Brasil — a ideia de absorver e metabolizar aqui os elementos culturais estrangeiros.
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O MALBA tem toda uma atmosfera bem mais jovem e alternativa.

Você pode ver os detalhes logísticos de preço e horários de visita ao MALBA no site oficial do museu. Abaixo, algumas obras que me chamaram a atenção.

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Autorretrato com mico e louro (1942), da mexicana Frida Kahlo.
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Candombe (1921), do uruguaio Pedro Figari, sobre a versão uruguaia da mesma cultura de matriz afro que há no Brasil. É, evidentemente, a mesma etimologia de candomblé.
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O viúvo ou Os viúvos (1968), do inconfundível pintor colombiano Fernando Botero. (Mais das obras dele eu mostrei em visita a Bogotá).
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Festa de São João (1936-1939), do brasileiro Cândido Portinari.
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Aquele ali atrás da moça é Manifestação (1934), do argentino Antonio Berni.
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Há também bastantes destas artes mais contemporâneas, que não me dizem muito.

Verdade seja dita, é maravilhoso que haja um museu de tanta expressão centrado na arte latino-americana. Se há um lado um tanto chovinista nos argentinos, há também um outro que abraça — e toca pra frente — muito bem um espírito de América Latina irmanada. O MALBA acaba por encarnar este segundo lado. Que se goste ou não deste ou daquele estilo artístico acaba sendo uma consideração secundária, onde cada um é livre.

Eu não me demorei demais no MALBA. Acho que em 1h eu concluí minha visita. Ele tem um porte pequeno pra médio.

Antes de entrar, eu já havia almoçado no (bonzinho) restaurante japonês que há quase em frente, em verdade porque estava com fome de almoço e era o que havia, mas calhou também de combinar com a visita ao Jardim Japonês de Buenos Aires logo em seguida, no final daquela tarde. Ele fica a um pulo do MALBA.

Este jardim japonês é dos maiores que há fora do Japão. Ele talvez até merecesse um nome mais genérico, por pertence àquele estilo que você também encontra na China e nos demais países do Leste da Ásia: pontes curvas em jardins bem cuidados e com carpas coloridas na água. Parece mesmo que você está no Oriente.

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Os simpáticos ares de Palermo numa tarde de verão.
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O Jardim Japonês de Buenos Aires abre todos os dias até o fim da tarde, via de regra das 10h às 18:45, mas você pode ver as informações atualizadas sempre no site oficial. Cobra-se uma tarifa módica de pouco mais de um dólar. (Note que ele costuma entrar em recesso entre o Natal e o Ano Novo.)
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Portal xintoísta no Jardim Japonês de Buenos Aires.

Ninguém ache que vai estar aqui passeando sozinho — muitos turistas já descobriram este lugar, então o lugar fica bastante adensado, sobretudo no final de semana. Não me impediu de admirar as flores, ver os peixes coloridos na água (o que é quase uma meditação), e tomar um ar.

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O Jardim Japonês com bastantes visitantes neste fim de tarde de sábado.
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As pontes são os points favoritos dos instagrameiros.
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…mas não impede você de curtir. Não fosse ali o aviso em espanhol, se poderia crer que eu estava mesmo no Japão ou na China.
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As típicas carpas na água.
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A vista para os prédios de Buenos Aires mais além.
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Palermo, Buenos Aires.

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Cada uma dessas vivências — desses Atos — me mostrou algo da capital argentina. Como disse no começo, é um lugar de atrações bastante urbanas-modernas, como ocorre em certas outras metrópoles. A parte cultural corre sobretudo por conta do tango e de todo aquele período de glórias do início do século XX, que os argentinos tanto gostam de rememorar.

Na madrugada de domingo, sem tráfego nem contratempos, eu daqui zarparia de volta ao Brasil após 40 minutos até Ezeiza. O escambo populacional chamaria-me a atenção: acho que, no meu voo para Salvador, uns 15% éramos brasileiros. Todos os demais eram hermanos indo passar veraneio na Bahia. A fila de nacionais estava mais curta até que a da prioridade na hora da imigração.  

Seja feita a sua vontade — e a nossa. É bom que nos conheçamos mais. De misturas se faz o sal da terra.

Mairon Giovani
Cidadão do mundo e viajante independente. Gosta de cultura, risadas, e comida bem feita. Não acha que viajar sozinho seja tão assustador quanto costumam imaginar, e se joga com frequência em novos ambientes. Crê que um país deixa de ser um mero lugar no mapa a partir do momento em que você o conhece e vive experiências com as pessoas de lá.

One thought on “Buenos Aires em 7 experiências essenciais: Lugares como eles são na realidade na capital da Argentina

  1. Magnífica essa postagem.
    O viajante brasileiro conseguiu fazer um maravilhoso resumo da bela viagem que fez à terra de los hermanos.
    Linda a postagem, mostrando o que que B.A tem.
    Apreciei bastante os museus, a Casa Rosada, a Catedral, o Palermo, o Jardim Japonês, o Lindo Teatro, as praças e belas avenidas e a intensa arborização, esta, um exemplo para outras metrópoles .
    Apesar de interessante gostei pouco de La Boca\do caminito, achei muito cheio e com cara de coisa para turista ver, e muito menos ainda do Cemitério…. Lúgubre.
    O Teatro é majestoso, espetacular… parece que voce está na França.
    O tango me parece feito para turista achar que viu. Pareceu-me muito fraco.
    Palermo é o point ideal. Agradabilíssimo p bairro.
    No geral, muito bonita BA. Vale ser conhecida
    By the way, curioso e simpático o vosso hotel, hahah parece coisa do passado hahaha.
    Bela viagem, regiões e paisagens incríveis, muita cultura e conhecimento, além das magnificas belezas naturais.
    Valeu viajante.

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