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Argentina

Viajar pela Argentina: É caro? Aonde ir? Lugares e outras dicas

Já ponho uma foto assim dos Andes e seus lagos para lhes lembrar que a Argentina não é só Buenos Aires, como alguns argentinos gostam de frisar. 

Bem-vindos a este que é talvez o país estrangeiro mais visitado por brasileiros. Nos nossos muitos vizinhos na América do Sul, é aquele com quem temos mais interação. Significa que não faltam compatriotas por cá — em certos lugares, parece até que há mais brasileiros que argentinos —, mas muitos concentrados em certos lugares já de praxe, enquanto que outros ainda recebem pouca visita. 

Abaixo segue o meu pacote de dicas após a minha experiência de algumas semanas aqui no início de 2024. Primeiro, um balanço da minha estadia.


  • O que mais gostou. As paisagens magníficas da Terra do Fogo, que você pode ver a partir de Ushuaia — a cidade mais austral do planeta. 
  • Visita obrigatória. Buenos Aires, por supuesto. Não dá para conhecer a Argentina sem passar pelo menos uns dias na sua capital. Ela de fato condensa muito da vida do país — um pouco como se fosse Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro misturadas: o centro político, o coração econômico, e tradicional imagem da cultura nacional numa só cidade. (A Amazônia aí seria a Patagônia, e o nosso Nordeste seria o norte muito “de raiz” da Argentina.)
  • O que não gostou. Da comida — pelo amor de Jesus. Os argentinos não sabem cozinhar; só fazem churrasco, fritas, frango empanado, essas coisas. Os milhões de imigrantes italianos no país devem ter todos sido expostos àquela luzinha vermelha dos Homens de Preto que apaga a memória, porque até as massas, você precisa forragear bem para achar uma digna.
  • Queria ter visto mas não viu. O norte do país — mais precisamente as cidades de Salta, San Miguel de Tucumán e San Salvador de Jujuy, região de muita cultura popular, herança indígena, e onde veio (e vem) muito do patrimônio argentino. (A inesquecível Mercedes Sosa, por exemplo, era de lá). Ficou para uma próxima vinda aqui ao país.
  • Comes & bebes a experimentar. As guloseimas com doce de leite. Não só os famosos alfajores, mas você chega numa sorveteria e tem tipo 5 sabores diferentes de doce de leite. Os vinhos podem ser muito bons, se você for seletivo. (Os de restaurantes boca-livre são pífios, mas até no supermercado você encontra os de grande qualidade.) No extremo sul, onde eles sabem comer, daí há muita coisa com mariscos. (Mais detalhes na seção de Comes e Bebes abaixo.)
  • Momento mais memorável da visita. As vistas costeiras na Terra do Fogo, tanto no passeio de barco pelo Canal Beagle quanto na visita à Isla Martillo para ver pinguins de perto. As paisagens são surrealmente lindas — tipo National Geographic, só que ao vivo e talvez ainda mais bonitas.  
  • Alguma decepção. Dos descendentes na Argentina eu já tratei — e em clima de zoeira interna, porque eu próprio também sou, mas no Brasil nós guardamos melhor as tradições, aparentemente. Minha leve decepção talvez corra então por ter achado Bariloche um pouco “plástica” e turistada demais. Gostei mais das cidadezinhas próximas, como Villa La Angostura e San Martín de los Andes. (Uber em Bariloche também é uma novela, o que não necessariamente ocorre noutros lugares do país.)
  • Maior surpresa. Que Ushuaia seja uma cidade relativamente grande e tão interessante, além da beleza natural com o mar ali e as montanhas ao redor. Achei que a recomendação de passar três dias inteiros nela era exagero, mas valeu a pena, e se pudesse eu teria ainda passado mais um!

PRINCIPAIS DICAS

Visto gifVisto & imigração. Brasileiros e portugueses não precisam de visto para visitar a Argentina.

Do que você precisa? Ter a sua passagem de volta e informar ao oficial de imigração o hotel onde ficará hospedado (basta o da primeira noite). Via de regra, eles só querem que você responda e dê à informação — em momento nenhum precisei mostrar a prova da reserva nem nada mais.

No começo de 2024, muitos ficaram meio ressabiados com o noticiário brasileiro falando dos estudantes barrados e deportados como “falsos turistas”. Isso é uma situação muito específica e que não afeta quem vem ao país realmente a turismo. Não se trata de gente que veio passear, mas de estudantes brasileiros ingressando em universidades argentinas e os vistos necessários — é portanto um outro assunto.

Pode vir só com a carteira de identidade? Sim, brasileiros podem entrar portando apenas o RG, se este tiver sido emitido nos últimos 10 anos e você ainda estiver parecido na foto. De todo jeito, eu sempre opto por viajar com o passaporte, pois assim não há embeleque, nem fico eu na dúvida se o oficial vai inventar alguma moda ou não.

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Segurança. Eu às vezes fico meio de cara com as pessoas que fazem um escarcéu, dizendo que Buenos Aires está perigosa, que isso e que aquilo. Buenos Aires está com cada vez mais pobreza, isso sim, e não faltarão desabrigados nas ruas, e você certamente precisa ficar de olho onde anda, mas não há nem comparação com o Brasil. 

Você aqui anda na maior tranquilidade, sem obsessão com a doideira brasileira dos dois homens numa moto, roubo de celular à mão armada, etc. Há furtos? Há, e você precisa portanto ficar de olho, mas no mais foi quase como viajar na França ou na Espanha (onde você também precisa ficar de olho nos seus pertences, para que não sejam afanados na surdina, mas onde ninguém virá com o revólver em mãos a assaltá-lo).

E isso aí se refere a Buenos Aires e outras cidades grandes. Em cidades mais remotas, como Ushuaia e as pequenas dos Lagos Andinos, é o mesmo que Gramado e Canela. Eu andei com a mesma tranquilidade com que ando em Estocolmo (onde eu moro).  

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Sol emoji

Clima, quando vir & melhor época. Não tem época “certa” para vir à Argentina. Depende de aonde você vai e da estação do ano de que gosta. Como toda região de clima temperado, a Argentina tem estações bem marcadas.

Quem quer ver neve e aquela coisa toda, precisa vir no inverno (e torcer). Já quem abomina frio precisa vir no verão.

A saber, no auge do verão (janeiro e fevereiro), Bariloche fica na casa dos 15-25 graus, e você pode precisar de um casaquinho. Ushuaia, mais ao sul, fica em geral na casa dos 5-10 graus, com muito vento. Ou seja, são verões amenos cá na Patagônia, e com dias bastante longos (pôr do sol às 21-22h, a depender da época exata e de onde você estiver). Já em Buenos Aires no verão você pegará 25-35 graus com bastante umidade, pela Bacia do Prata ali. Vai de gosto.

Vale saber que em julho Bariloche se enche de brasileiros — a ponto de chamarem-na Brasiloche —, sobretudo brasileiros do Centro-Sul, que têm as férias escolares nessa época e vêm atrás da neve. No mais, Buenos Aires durante o verão também às vezes lhe dá a impressão de ser uma cidade de brasileiros. Se quiser evitar esse congestionamento todo, venha nas meias-estações do outono ou da primavera.

Por fim, leve em conta a duração dos dias se for à Patagônia. Em Ushuaia, em julho, amanhece só às 10 da manhã e escurece às 17h. É certamente uma experiência bem distinta daquela que se tem no verão, quando amanhece às 5h e anoitece às 22h.

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As paisagens incríveis da Terra do Fogo, nos arredores de Ushuaia, no verão.
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Os lagos e montanhas ao redor de Bariloche no verão.

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Isto aqui em dólares seriam duas ou três notas.

Custos, Dinheiro & Câmbio. A Argentina usa o peso argentino, essa moeda hoje em dia bastante desvalorizada, e que faz a gente andar com maços de notas feito jogadores de Banco Imobiliário. 

Eu fiz uma postagem bastante detalhada sobre câmbio, como trocar dinheiro, se usar o cartão, etc. 

Desde as mudanças no fim de 2023, a Argentina já não é mais aquela pechincha que se dizia ser devido ao abismo que havia entre o câmbio oficial e o paralelo (dito blue).

Viajei pela Argentina já em 2024, após essas mudanças, e lhes digo que a coisa aqui não é tão barata assim. Em verdade, achei-a até mais cara do que eu imaginava. Um show de tango com jantar lhe arranca quase 100 dólares, os hoteis são todos mais caros que no Brasil (ou até que no Chile), e a comida nos restaurantes bacanas tem preços equivalentes.

O Uber é igualmente barato como no Brasil, e as besteiras de rua — tipo empanadas na esquina ou churros do vendedor ambulante — são mesmo uma pechincha (tipo R$ 5 por uma boa empanada ou o menos por um trio de churros), mas a viagem como um todo não é esse passeio no parque como fazem crer.

Aquele índice do Big Mac, por exemplo, que compara os preços do mesmo sanduíche países afora, mostra que a Argentina só não é mais cara que o Uruguai. Supera o Brasil, e é bem mais salgada que todo o restante da América Latina. Se preço é uma variável chave para você, saiba que seus reais ou dólares o levarão muito mais longe na Colômbia, na Bolívia ou no Peru que aqui na Argentina.

Abaixo eu dou mais detalhes, como preços de acomodações e transporte.

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Esta foto eu tirei na recepção de um hostel. São notas de mil pesos, as que mais circulam. Equivalem a cerca de R$ 5 ou US$ 1. Há notas de dois mil pesos, mas elas circulam pouco. O governo argentino no começo de 2024 disse que lançaria novas de 20 mil e 50 mil pesos. Resta ver. Você pode optar pelo cartão se não quiser carregar tudo isso. Mais detalhes sobre câmbio e dinheiro nesta outra postagem.

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Acomodações e seus custos. A Argentina é um lugar que está bastante turístico, e eu recomendo enfaticamente que você faça as suas reservas de acomodação com bastante antecedência. Em casos como Bariloche e sobretudo Ushuaia, de preferência vários meses antes, se puder — e se quiser ter boas escolhas ainda com disponibilidade.

Dinheiro em maos

Quem ouviu o canto da sereia de que aqui tudo era barato, eu acho bom acordar. Não é exorbitante, mas é mais caro que viajar no Brasil. Ou, em alguns aspectos, equivalente, e portanto acima de outros países da América Latina como Colômbia ou México.

Exemplos? Vamos lá. Uma cama em dormitório em Ushuaia sai na faixa de US$ 40 por noite. Um quarto com banheiro privativo num hotel três estrelas nessa cidade, a partir de US$ 100 a noite. Não são os preços de Paris, mas tampouco é uma pechincha.

Um hotel quatro estrelas em Buenos Aires, caso você queira maior conforto, será equivalente a hotel na frente da beira-mar numa capital do Nordeste. Via de regra, a partir de US$ 100 por noite.

Bariloche é um pouco mais cara, e um três estrelas simples lhe poderá custar US$ 130 por noite. Você consegue melhor qualidade por esse mesmo preço no Chile em Puerto Varas, logo do outro lado da fronteira.

Enfim, eu não quero dissuadir ninguém de vir visitar a Argentina, apenas que tenham a noção realista dos gastos aqui. E, seja como for, lembre-se de sempre pagar hoteis com o cartão, pois assim se evita o imposto de 21% que incide sobre pagamentos feitos em espécie. (E nunca espere demais do café da manhã, que quase sempre se resume a café com pão, frios, requeijão cremoso e doce de leite. Nos quatro estrelas, servem ovos mexidos, uma iguaria.)

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Há hoteis bem estilosos — e tradicionais, a quem gosta — em Buenos Aires. Este é o Tanguero Hotel Boutique Antique, aos curiosos. Um hotel assim sai por coisa de US$ 100-120 a noite, a depender da época e do nível de conforto do quarto.
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Uma mesa de café da manhã noutro hotel onde fiquei na Argentina. Parece até vasta, mas a diversidade é pequena. Consiste em café, leite, algum iogurte bobo, pães, frios, umas frutas e daqueles quitutes de hotel com recheio de goiabada ou doce de leite. Não costuma variar de um dia para o outro.

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As empanadas são onipresentes aqui na Argentina.

Comes & Bebes. Eu já deixei claro a esta altura que não morri de amores pela culinária argentina. Acho que desde a Mongólia eu não comia tão mal numa viagem.

A parte dos lanches não é má — você encontra empanadas de 20 recheios distintos em várias padarias de esquina, de qualidade variadas, e come também bons doces, ainda que eles aqui sejam um tanto fixados em doce de leite. Um tanto como são os brasileiros com leite condensado.

Os alfajores — dois biscoitos com recheio de doce de leite, e às vezes recobertos com raspas de coco ou uma camada de chocolate — são, naturalmente, o que muita gente busca, e não é difícil encontrá-los. O doce não é exatamente argentino, é espanhol e presente na maior parte das ex-colônias hispânicas, mas é, sim, habitual aqui. O mesmo se aplica aos churros.

Já o churrasco, é claro, é o grande carro-chefe da gastronomia argentina. Os cortes são distintos daqueles feitos no Brasil, e eu deixo aí ao pessoal da carne que descubra. No mais, é muita milanesa de frango com fritas e coisas do gênero. Parece não haver praticamente nenhum uso de tempero na tradicional cozinha argentina.

Se você quiser mais variedade, e sabor, sugiro buscar os restaurantes alternativos meio “verdes”, como os vegetarianos. Ali você pode encontrar uma culinária mais criativa.

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O PF mais típico aqui na Argentina me pareceu ser esse combinado de frango à milanesa com fritas e salada de alface com tomate. (Esse, suprema e milanesa, inclusive é um dos dísticos mais comuns na mesa argentina. “Suprema” significa o peito do frango empanado, enquanto que a “milanesa” aqui na Argentina se refere a outros cortes da ave.)
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Um almoço comum aqui.
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Se você quiser comer algo diferenciado, uma boa opção é recorrer aos restaurantes naturalistas ou vegetarianos, onde eles usam tempero. Há vários bons, e são a tábua de salvação.

A grande exceção a tudo isto que estou dizendo é a Terra do Fogo, onde fica Ushuaia. Lá, eles tem uma culinária regional bastante forte, com pescados e mariscos vários. Há desde merluza negra a centolla, o caranguejo-rei também consumido na Patagônia chilena.

Você ali passa muito bem, e Ushuaia tem uma concentração impressionante de bons restaurantes. Alguns, inclusive, você vai precisar reservar se fizer questão de comer nas horas de pico, pois a demanda é alta.

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Caranguejo catado no molho com queijo, o que eles chamam de chupe de centolla. Típico na Terra do Fogo, e uma delícia!

No mais, há os vinhos, que você pode experimentar sobretudo na região de Mendoza, mas esse é um lugar aonde ainda não fui. Também preciso ainda descobrir o que o norte — San Miguel de Tucumán, Salta e Jujuy — reservam. 

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Transportes. A Argentina é um país bem extenso — para ser preciso, o 8º maior do mundo, sendo que o Brasil é o 5º —, então a maior parte do seu deslocamento aqui se dará pela via aérea.

Chegar na Argentina não é complicado, e você pode escolher desde as várias companhias que operam no Brasil (GOL, LATAM, Azul…) até as Aerolíneas Argentinas, sobre a qual escrevi em maiores detalhes neste post.

Já para os voos domésticos, nenhuma alternativa se compara ao vasto rol de opções que a cia nacional argentina lhe oferece. Há voos praticamente o tempo todo entre as cidades, ainda que por vezes seja ridiculamente necessário fazer conexão em Buenos Aires (ex. para viajar entre Bariloche e Ushuaia). Sugiro comprá-los com bastante antecedência, pois os preços sobem, como no Brasil. 

Você também fique atento para qual aeroporto de Buenos Aires usará, se o distante Aeroporto de Ezeiza ou o Aeroparque, que fica praticamente dentro da cidade. Na minha postagem de avaliação das Aerolíneas Argentinas eu dou mais dicas sobre isso.

Já para ir de Buenos Aires a Montevidéu ou Colônia do Sacramento no Uruguai, o ferry é sua melhor opção.

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As Aerolíneas Argentinas são o elo de ligação entre os vários recantos da Argentina. Você pode ver alguns toques e ler mais sobre minha experiência com ela aqui.

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Aonde ir, e quantas noites em cada cidade? Buenos Aires é o carro-chefe indiscutível da Argentina, e via de regra o seu porto de entrada, mas não perca a chance de ir conhecer também as outras bandas do país. Elas, inclusive, me são mais belas e impressionantes que a capital.

Dito isso, vale a pena você se deter pelo menos umas 4 noites na capital argentina. Buenos Aires tem muitos lugares a conhecer — o centro, o característico bairro de La Boca, os muito bons museus em Palermo, o Cemitério da Recoleta, e por aí vai. Eu fiz um post bastante extenso contando em detalhes as minhas várias experiências na capital e mostrando esses lugares.

Há sempre quem sugira você ficar uma semana inteira, um mês, uma vida, mas eu acho que 4 noites — com 3 dias inteiros — são um mínimo para você ver bem a capital argentina. É que você deve também guardar do seu tempo de viagem para sair de Buenos Aires e ir ver o que mais o país tem.

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Mi Buenos Aires querido, cantou Carlos Gardel. Aqui você tem a Casa Rosada (o palácio presidencial da Argentina) ao fundo. Vale a pena passar pelo menos uns 3 dias inteiros na capital.
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Show de tango é, naturalmente, algo que quase todo turista que vem aqui busca assistir. Você tem opções diversas, ainda que sejam quase todas elas no estilo espetáculo para estrangeiros. Você pode ler mais a respeito nesta postagem em Buenos Aires.

Bariloche é outro lugar de que os brasileiros muito ouvem falar, e onde alguns sugerirão você passar uma semana inteira. Exagero. Para a cidade em si, um dia é o bastante — e isso incluindo o tour de meio-período que se pode fazer para conhecer as atrações nos arredores da cidade, como o Cerro Campanario e o Hotel Llao Llao.

Pouco há dentro de Bariloche propriamente dita. Em verdade, o mais lindo (a meu ver) são as cidadezinhas próximas dela, como Villa La Angostura e San Martín de Los Andes. Se tiver tempo, eu sugiro até pernoitar nelas.

Para Bariloche em si, 2-3 noites são o suficiente. Mais que isso, só se você quiser alugar um carro e ir verificar cada lago, cada recanto que aí. É possível, mas mais para os aficcionados.

Eu, se tivesse várias noites a investir nesta parte da Argentina, poria 2 noites em Bariloche, 1 em Villa La Angostura e 1 em San Martín de Los Andes.

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Villa La Angostura é uma cidadezinha agradabilíssima, a cerca de 2h de Bariloche, e plena de flores durante o verão. É pequena, e feita para quem quer pegar leve e devagar num ambiente gostoso.
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San Martín de los Andes, a cerca de 4h de Bariloche, é outra das belas cidadezinhas desta região. Você pode visitá-la num tour de um dia, mas me apeteceu dormir aqui numa outra vez.
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Bariloche é uma cidade no inverno e outra no verão. A cidade em si é relativamente pequena — uma versão mais gloriosa de Gramado, com um entorno natural mais impressionante.
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Os arredores de Bariloche é que são a joia da estadia nesta cidade, com seus lagos e montanhas. Há vários tours com passeios por cá, caso você não esteja de carro.

Os argentinos já chamam esta região de Bariloche de Patagônia, mas se você quiser ver a Patagônia mesmo, precisa rumar mais ao sul, para El Calafate e Ushuaia. 

El Calafate é onde fica o impressionante Glaciar Perito Moreno, uma geleira azul como nos filmes. Há também uma série de trilhas, de modo que El Calafate acaba sendo um destino mais jovem — ou no mínimo para pessoas ainda com físico e disposição para caminhar pelas montanhas. Há, inclusive, facilmente a possibilidade de organizar aqui um tour para caminhar sobre a geleira com aqueles sapatos com espinhos nas solas (grampons) para não deslizar. Eu sugeriria 2 noites aqui, ou mais se você quiser fazer trilhas.

Ushuaia é um lugar mais versátil, embora também tenham destaque as belezas naturais dos arredores. A cidade tem mais de 80 mil habitantes, então não é o vilarejo que você talvez imagine. Eu diria que 3-4 noites aqui são o mínimo (a depender um pouco dos horários dos seus voos de chegada e saída). 

O tour pelo Parque Nacional da Terra do Fogo com o Trem do Fim do Mundo dura meio dia. O (imperdível) passeio de barco pelo Canal Beagle também dura meio dia, embora eu não recomende — nem sei se os horários permitiriam — tentar conciliá-los num mesmo dia. Por fim, há também a chamada Pinguinera Terrestre, tour que lhe permite andar ao lado dos pinguins durante o verão — um tour de um dia inteiro.

Eu não cheguei a fazer, mas em Ushuaia a trilha da Laguna Esmeralda é a mais famosa de todas, por vezes casada com a subida (mais dura) à geleira Ojo de Albino. Informe-se in loco se quiser ir; não há dramas, sobretudo para a Laguna Esmeralda. Já os outros passeios acima eu recomendo você reservar com pelo menos alguns dias de antecedência. A Pinguinera Terrestre eu reservaria meses antes, se possível, pois só uma empresa oferece e os números são bem limitados.

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As paisagens da Terra do Fogo nos arredores de Ushuaia são das coisas mais incríveis que há para ver na Argentina.
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Praticamente, você se verá dentro de um daqueles documentários do Discovery ou da National Geographic.
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A cidade em si é simples, mas ela tem seus pequenos museus e restaurantes bem gostosos. Recomendo planejar pelo menos 3 dias inteiros em Ushuaia. Afinal, não é todo dia que se vem ao fim do mundo!

Claro que a Argentina tem ainda mais coisa: todo o norte tradicional e tão rico em cultura popular, a que me referi antes; Puerto Iguazú; Córdoba; Rosario; Mendoza como suas vinícolas, etc. Note que essa última, todavia, é mais facilmente acessada de Santiago do Chile que de Buenos Aires. 

Resta ainda por ver, e dificilmente se percorrerá o país inteiro numa só viagem. Um dia eu ainda faço um pacote de dicas ainda mais completo após preencher essas lacunas (e outras sugestões de destinos no país serão bem-vindas!).

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WifiConectividade na Argentina. Não há falta de Wi-Fi na Argentina, como você há de imaginar. A cobertura de celular fora das cidades deixa algo a desejar — tive sorte muito melhor, e até cobertura 5G, no Chile —, mas nenhum drama. 

O que talvez mais requeira a sua atenção aqui é que a tomada padrão na Argentina é diferente da brasileira — e de quase qualquer outra mundo afora.

Há hoteis que oferecem várias entradas de tomada, mas boa parte dos lugares tem só essa tradicional. Se você não tiver um daqueles adaptadores mundiais que inclua essa entrada, chegue numa loja de produtos elétricos e compre um. (Nesse caso, leve em conta que essas lojas geralmente estão fechadas nos fins de semana após o meio dia de sábado.)

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A tomada típica na Argentina é esta. Às vezes, há só aquelas duas entradas inclinadas, sem a parte à direita. Traga um adaptador ou adquira um em casas de produtos elétricos. Em caso de urgência, veja se há algum a pedir emprestado na recepção do hotel.

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E os argentinos? Os argentinos são uns apaixonados, na política como no esporte. 

Como no Brasil, eles têm aquele nacionalismo paradoxal, que julga que o próprio país é ao mesmo tempo o pior e o melhor do mundo. Freud explica.

Os argentinos tipicamente carregam consigo certo ar sobranceiro, altivo, e — para dizer num português claro — são facilmente os latino-americanos menos simpáticos que há. Muitos carregam um certo ar sisudo de quem muito se acha. (Creem-se europeus.)

Há bastante gente buena onda — tenho amigos argentinos divertidos e maravilhosos —, mas o costume social do lugar não é de muita gentileza com estranhos, tato social, nem grande carisma. 

Salvas as exceções que a gente sempre encontra, os argentinos são pouco dados e pouco abertos. Não espere grande simpatia nos serviços. Ainda que falem bastante, eles são relativamente reservados, e não há aquela coisa comum na maioria da América Latina de fazer amizade facilmente. Esse é especialmente o caso em Buenos Aires. No interior, as pessoas se abrem um pouco mais, como costuma ser o caso em todo lugar. 

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Minha guia em Bariloche, uma figuraça. Os argentinos podem, via de regra, não ter os modos mais simpáticos do mundo, mas em todo lugar a gente acha gente boa.

Se você ficou com alguma dúvida, quer algum toque, ou tem alguma pergunta que eu não respondi, é só pôr abaixo nos comentários.

Mairon Giovani
Cidadão do mundo e viajante independente. Gosta de cultura, risadas, e comida bem feita. Não acha que viajar sozinho seja tão assustador quanto costumam imaginar, e se joga com frequência em novos ambientes. Crê que um país deixa de ser um mero lugar no mapa a partir do momento em que você o conhece e vive experiências com as pessoas de lá.

2 thoughts on “Viajar pela Argentina: É caro? Aonde ir? Lugares e outras dicas

  1. Parabéns Mairon pelo relato com tanta riqueza de detalhes, certamente utilizá-lo-ei em minha próxima viagem à Argentina. Estive em Buenos Aires no início de dezembro, ainda colhendo os últimos louros do cambio blue e pude notar que a realidade agora mudou um pouco por lá… Minha única dúvida é se a Azul de fato iniciou rotas aéreas para aquele país, porque até pouquíssimo tempo atrás, salvo engano, não havia.

  2. Nota mil para a Magnifica Cordilheira e suas incríveis paisagens, para seus lagos e mares belissimos. Magnifica a beleza Natural, sobretudo no sul.
    Dei valor. Impressionantes.
    Coisa de cinema.

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