Caso alguém esteja a se perguntar como está ou estava Paris antes das Olimpíadas de 2024, a resposta é: efusiva. Deve estar outras coisas também, e não faltam moradores reclamando disso ou daquilo, soltando a versão francesa do “Imagina na Copa!” (como no Brasil de 2014). Mas reclamar é um esporte nacional francês, ainda que não olímpico. Fazem-no sempre.
Tudo aparentemente em obras, Paris resplandece apesar dos tapumes. É incrível como uma cidade consegue ser tão luminosa. Não é à toa que atrai tanta gente, desde a velha guarda até aqueles mais preocupados com foto para o Instagram que com aprendizado cultural.
O sol raiava neste mês de maio — um mês excelente para se visitar Paris, diga-se de passagem. Era um gosto e um gozo marchar por aquele Jardim das Tulherias defronte ao Museu do Louvre em meio a tanta gente que se espichava nas cadeiras verdes fixadas no chão. Fazia calor, mas aquele calor simpático de seus vinte e tantos graus.
E ali eu visitaria uma atração que a tantos passa despercebida, e que eu próprio apesar de muitas visitas a Paris nunca havia dado atenção: o pequeno Musée de l’Orangerie, onde fica uma das obras mais impressionantes de Claude Monet. Adoradores do excelente Musée d’Orsay, ou que visitam Giverny, nem sempre atentam para atravessar a rua e completar sua visita aqui.


Estes jardins e palácios franceses são muito de inspiração italiana, como dos Jardins de Tivoli próximo de Roma. Quem quiser ler mais sobre como Catarina e outros de seu tempo trouxeram o Renascimento italiano à França no século XVI, sugiro ver minha postagem no Château de Blois no Vale do Loire, com detalhes.



Visitando o Musée de l’Orangerie
Musée de l’Orangerie é um nome um tanto traiçoeiro de traduzir. Em português, literalmente seria algo como Museu do Laranjal. Não sei que imagem isso evoca nos meus queridos lusófonos leitores. Talvez uma paisagem rural?
Em francês, orangerie se refere às estufas de plantas tropicais — ou pelo menos de clima quente — que os monarcas e nobres da Europa temperada gostavam de ter como sinal de seu gosto e riqueza. Um mimo para si e símbolo de distinção social, como bem nos explicaria o sociólogo Pierre Bourdieu mais tarde.
Os franceses já conheciam a laranja desde a Idade Média, fruta chinesa trazida à Europa pelos árabes e plantada como decoração nas cidades andaluzes (como Granada e Sevilha), mas ela ainda carregava um quê de exotismo. Com as grandes navegações e os descobrimentos, foi uma questão de tempo até as plantas tropicais também aparecerem. Um exemplo foi a bougainvíllea, planta sul-americana cujas flores carregam o nome do navegador francês Louis Antoine de Bougainville.
Voltando ao museu… Não espere encontrar laranjais aqui, o nome é apenas uma referência a onde ele ficava, mas há sombras de outras árvores e arbustos.

Eu diria que uma semana de antecipação é suficiente para fazer sua reserva se não for no mês de julho. Nessas épocas de férias e muito turismo, melhor se precaver e fazê-lo um pouco antes. Como de hábito, você reserva um horário específico e tem 30 minutos de tolerância. Ainda assim, é preciso pegar uma fila ao chegar, então convém chegar antes. (Ou você achou que era o único a ter feito reserva?)
Nesta página do site oficial você tem os valores e opções de bilhete. Atualmente, sai €12,50 o ingresso. Note que o museu é gratuito no primeiro domingo de cada mês, mas ainda assim é preciso fazer reserva, pois a capacidade é limitada.
O grande tchan do museu são os lírios de Monet, imensas pinturas postas em salões ovais que proporcionam uma experiência meio zen. Seu nome original francês são Nymphéas, que se traduz formalmente por Nenúfares em português — um termo que pouquíssimos reconhecerão, então vou com a tradução mais popular que se usa no inglês, de Water Lilies.
Há outras obras, e em verdade todo um andar de quadros modernistas com século XX, com obras de grandes nomes como Picasso e Modigliani, mas a verdade é que o carro-chefe domina.


Tenho amigos que vieram cá mais de 10 anos atrás e me falam da paz que era, de como era possível se sentar nos bancos que há no centro das salas e contemplar. Hoje em dia, isso é já mais complicado pela quantidade maior de visitantes e, sobretudo, pela infestação dos smartphones — hoje todo mundo quer tirar selfies ou posar na frente dos quadros.
Se isso o incomoda, sugiro procurar fazer uma visita na baixa estação (outubro a março) e/ou num começo da manhã de um meio de semana.
Quando eu vim, de toda forma era possível “mergulhar” naquela beleza insondável que Monet pintou dos seus jardins em Giverny, como que um mergulho na alma daquela natureza.





Contemplando essas obras o suficiente, você pode ir ao outro andar, repleto de outras pinturas do século XX — só que do século XX pós 1920, quando o estilo modernista começa a ganhar voga. Expoentes como Pablo Picasso e Amadeo Modigliani, radicados em Paris, tornam-se então expoentes desse novo movimento.
Não vou entrar aqui em detalhes, mas mostro um pouco do que vi. É a parte mais extensa do museu, embora ele todo seja relativamente pequeno. Em coisa de 30 minutos você vê toda esta parte (a menos que vá se deter nas minudências de cada pintura, aí o céu é o limite).





E assim vai. Agora, uma obra de arte que você realmente não deve perder — e que talvez aqui só perca para as Nymphéas de Monet — é a torta de laranjas da cafeteria do Musée de l’Orangerie. Não cometa contra si esse crime de ignorá-la.
Num misto de laranja com um toque de limão por sobre uma crosta macia e bem-feita, ela supera qualquer cheesecake. #ProntoFalei

Esta é uma visita curta, mas Paris e seus arredores seguem aí plenos de atrações. Mesmo depois de muito ver e de várias vezes vir aqui, eu ainda não tinha visto tudo, então me planejei para visitar o excelentíssimo Château de Fontainebleau, onde Napoleão morou, assim como reis renascentistas antes dele. É aonde os levarei em breve.






PARIS, toujour PARIS… Maravilhosa, sempre. Cidade Luz…
Belíssimo esse Jardim.. tanto verde, diante desse belo seu azul, e sob luz gostosa dessa Primavera Boreal… Um encanto.
E que magnífica, essa visão do Louvre. Amo essa arquitetura…
Belíssima essa tarde de Primavera.. Divina… O verde da grama e as florzinha, fazem a festa de beleza…
Espetacular esse jardim. Lindas flores… verde exuberante…
Linda fonte!.… Que bela!…
Muito verde, bem cuidado. Belo ambiente.
Bela e charmosa Andaluzia…
Maravilhosas essas obras de Claude Monet. Amo . Um sonho, essas Nymphéas.
Parece convidar, mesmo á meditação.
Verdade, meu jovem. Ele pareceu captar a alma daquela Natureza. Uma beleza!…Que delicadeza!…
Gosto muito de Pablo Picasso. Mas gostei muito tambem dos outros, particularmente Matisse.
Ihhh que essa torta parece saborosa hhaha deu água na boca. hahahahah
Lindo esse Museu… Colírio para os olhos.
Obrigada, meu amigo.
Que venham mais belezas