(Este será um post longo).
Se o épico Palácio de Versalhes é magia e glamour real, o Château de Fontainebleau — também a uma curta distância de Paris — é beleza escondida, que num cochicho breve eu até comunicaria a vocês minha dúvida de se ele não é até mais bonito. Quieto e com poucos visitantes diante da estupenda beleza, ele se tenta a virar aquele segredo: shhh.
Aqui viveram Napoleão com sua esposa Maria Luísa e, muito antes deles, toda uma legião de reis franceses, desde Henrique II e Catarina de Medici no Renascimento até Luís XIII, Luís XVI e tantos outros. Vale lembrar que os reis franceses, como outros monarcas, tinham muitos palácios e viviam itinerantes entre um e outro. É um engano moderno nosso imaginá-los fixos como nós numa residência.
Aqui eu descrevo para vocês minha experiência da visita, os detalhes da história de Fontainebleau, e a logística para visitar por conta própria a partir de Paris. Não é difícil, embora requeira atenção. É uma jornada que vale muito a pena, das mais belas que se pode fazer na França.
Já há décadas o château é tombado pela UNESCO como Patrimônio Mundial da Humanidade, e não é sem razão.


Fontainebleau: Uma breve introdução & como chegar
A 62 Km de Paris temos o palácio ou Château de Fontainebleau [Fontaineblô], que vem de Fontaine Belle-Eau, ou a “Fonte da Bela Água”, referindo-se a uma nascente que aqui havia na Idade Média.
O lugar foi adquirido pelos reis da França nas alturas de 1100, quando deram um chega-pra-lá no duque da Borgonha e passaram a controlar diretamente esta área.
Até os idos de 1500, este lugar não passava de uma torre fortificada aonde o rei vinha de vez em quando caçar e se instalar por uns dias — aquela coisa medieval espartana, sem confortos.
É com o Renascimento chegado à França a partir da Itália no século XVI que a coisa muda de figura. François I (1494-1547), considerado o primeiro rei absolutista francês (de quem lhes falei mais em visita ao Château de Blois, no Vale do Loire), decide que esta morada deve estar de acordo com os novos tempos, e traz um número grande de artistas italianos.
Seu filho Henrique II (1519-1559), bem-casado com a italiana Catarina de Medici, da poderosa família de Florença, continuou a obra.


Um século mais tarde, teríamos aqui o tempo barroco dos reis Luís XIII (r. 1610-1643), Luís XIV (r. 1643-1715) e Luís XV (r. 1715-1774), que foram modificando ou agregando mais salões conforme os estilos artísticos iam mudando e o tamanho da corte ia crescendo.
Caminhar por Fontainebleau é transitar pela história artística da França. Por ter servido de morada a tantos reis ao longo dos séculos, ele é como uma árvore cujos anéis no tronco servem de testemunho e registro de diversos períodos. Não será preciso ser especialista para notar.
Chega a Revolução Francesa, que abrevia o curto reino do jovem Luís XVI (r. 1774-1792), mas graças à sua distância de Paris, Fontainebleau não é atacado nem destruído pela turba. Apenas leiloam parte do seu conteúdo, antes que Napoleão se instale aqui como imperador em 1803. O generalíssimo francês mais tarde registraria nas suas memórias em Santa Helena que Fontainebleau era “certamente o mais confortável e mais felizmente situado palácio na Europa“.
O imperador aqui mesmo, em 1814, assinaria a sua abdicação antes do primeiro exílio, numa das salas mais famosas do palácio — que veremos.


A logística: Como chegar desde Paris
Excepcionalmente para os palácios e museus pomposos na região de Paris, Fontainebleau não requer reserva online obrigatória — um sinal de que muitos visitantes realmente ainda não o tem no radar.
Você pode, de qualquer maneira, adquirir o ingresso de antemão e se informar sobre os horários exatos de abertura no site oficial. O ingresso terá data fixa, mas não há daquelas janelas específicas de horário. Note que o palácio está fechado às terças-feiras.
Uma atenção que você precisa ter é com a hora do almoço, a depender dos seus hábitos. Não há muito onde comer, exceto coisas leves de padaria. Eles dizem que o restaurante do palácio fica aberto, mas é só numa janela estreita na hora do almoço. Já lá pelas 14h eles só servem sanduíches frios.
Digo isso para você se planejar. A visita é longa: o palácio é extenso, e por fora ainda há jardins, etc. Recomendo fazer aquela parada técnica numa cafeteria ou padaria aqui da cidade de Fontainebleau antes de entrar no château, de modo que você possa lhe dedicar as ~3h que ele merece de visita sem problemas.
Para deixar claro, eu recomendo a vinda aqui como um programa de dia inteiro. Gasta-se cerca de 1h30 para chegar desde o centro de Paris, como detalho a seguir.


O Hall 3 da estação é um pouquinho escondido — você precisa descer as escadas rolantes após o Hall 2 e se dirigir à mesma área dos metrôs e RERs.
Não perca seu tempo naquelas máquinas brancas convencionais com o nome Grandes Lignes, pois elas não vendem bilhetes de trem regional. Você precisa das máquinas que vendem tickets urbanos. É ali que você acha os bilhetes de trens regionais dentro aqui da região de Île-de-France (ou, se vc estiver usando a máquina em inglês, o que eles traduzem meio imprecisamente como Paris Region).
Ali você vai digitar o destino aonde quer ir, e custa 5 euros para ir até Fontainebleau-Avon. Costuma ter saídas a cada meia hora aqui do Hall 3 mesmo.
Eu sugiro já comprar o bilhete de retorno (return ticket ou aller-retour), pois eles são abertos em termos de horário (isto é, você poderá usá-los em qualquer trem para retornar naquele data), e a estação de trem de Fontainebleau-Avon é bem pequena. Quando eu tive que retornar, não havia guichê com funcionários, e a máquina estava quebrada, o que rendeu uma certa adrenalina que lhes conto depois.


Uma vez na cidadezinha de Fontainebleau, não há mistério: há sinalização muito clara à saída da estação de trens indicando a parada do ônibus n.1, que em cerca de 10-20 minutos o deixa à entrada do Château de Fontainebleau, no centro.
Não é uma área isolada; é uma área com vários restaurantes (a preços turísticos e qualidade duvidosa) e padarias (estas, sim, a bons preços e de autêntica qualidade francesa). O que me referi acima sobre comer é que não é prático voltar cá à rua para fazer uma boquinha no meio da sua visita — é melhor fazê-lo e/ou após o fim.
Para o retorno, quando você precisará tomar esse ônibus tendo já em mente a hora de partida do trem de retorno a Paris, uma dica: não confie demais na estimativa do Google Mapas. O ônibus n.1 facilmente atrasa, e dura mais do que o Google prevê. Você se arrisca a perder o trem se fizer a coisa muito apertada.
(Se você preferir ir a pé, são 3 Km desde a estação ferroviária até o palácio, por uma área urbana um tanto ordinária.)
Pois bem. Vamos agora à minha experiência prática.


A visita ao Château de Fontainebleau na prática
Chegando
Era um dia incerto de primavera francesa quando viemos ao Château de Fontainebleau. Eu há muito já cultivava a vontade de vir aqui — e, tendo já visitado tanto Versalhes quanto Chantilly e vários castelos do Vale do Loire, via Fontainebleau como “a próxima vítima”. Já lhes adianto que, como deixei transparecer, ele é um sério candidato a ser aquele de que eu mais gostei.
Fazia sol de manhã, aquele sol de maio que não é muito quente. A Gare de Lyon se dispunha bela ali naquela manhã de Paris como lhes mostrei na foto acima. Bati-me um pouco dentro dela até achar o lugar certo — e ninguém sabia informar muito bem —, mas ao fim consegui estar lá no Hall 3 para o trem das 10 e algo. O bom café da manhã do hotel me segurava ainda.
A viagem de trem até Fontainebleau-Avon foi sossegada; sequer havia gente demais nem trem cheio, ainda que fosse fim de semana. A coisa, entretanto, mudaria de figura no ônibus.


Chegando lá, não esperamos quase nada até o ônibus n.1 aparecer. Não faltavam outros turistas ao meu redor, quase todos europeus.
O ônibus zarpou lotado, abafado e sem ventilação. Se peidasse alguém, seria uma câmara de gás. Tampouco era claro como comprar a passagem, já que — como em algumas outras cidades europeias — o motorista pelo visto não se mete com isso. Uns turistas italianos ao meu lado comentavam malandramente que, dane-se, iam assim mesmo, e no bolo eu também fui. Uma vez dentro e o motorista dizendo que não vende passagem, você vai fazer o que?
O ônibus parava o tempo todo, de modo que levamos uns bons 15 minutos para cruzar meros 3 Km. De bicicleta você chegaria mais rápido. Até que descemos quase todos na parada Château, quase diante de um carrossel — algo que, por alguma razão, sempre parece mais clássico e romântico na França que noutros lugares.


Desci, e resolvemos nos sentar para tomar um café com pedaço de bolo antes de adentrar o terreno do Château — atendendo àquela vontade que às vezes bate na segunda metade da manhã.
Acabou sendo providencial, pois a visita ao palácio tomaria horas antes que se pudesse almoçar. É prudente estar com o estômago bem forrado antes de iniciar a visita.
Só não prestou foi eles deixarem o meu café esfriando.
Atendiam-nos duas garçonetes adolescentes daquelas simpáticas, porém inexperientes e meio atrapalhadas. Nem éramos muitas mesas, mas se via que elas se atrapalhavam. No fundão vazio da cafeteria, um tio com ar de padeiro francês meio ranzinza servia ia pondo as coisas à revelia num balcão, deixando-os lá à espera de uma das moças.
Foi quando avistei meu café preto que já demorava incrivelmente a chegar, e a intuição me dizia que aquele lá à espera do retorno de D. Sebastião seria o meu. Café frio me dá ojeriza, então me levantei já com a paciência esgotada e fui eu mesmo buscar, agora no estilo irônico francês perguntando ao tio se ele estava esperando o Papai Noel aparecer para vir me entregar. Percebi que na França a gente acaba brigando feito eles.
Concluí a breve refeição com o ar citadino que a França requer das pessoas, e partimos ao Jardim de Diana do outro lado da rua, entrada para o Château de Fontainebleau.





Essas escadarias renascentistas eram a entrada principal para os aposentos reais, mas não é a entrada aberta aos turistas hoje em dia. Nós, mortais, utilizamos um acesso lateral no lado oposto ao Jardim de Diana.
Falando nas vicissitudes da mortalidade, aviso aos navegantes que aqui só há banheiros do lado de fora. Então, caso você seja feito de carne e osso (e líquidos que precisam sair), sugiro ir antes de se meter nas 2-3h de visita palácio adentro. Os nobres d’outras eras usavam penicos que não estão disponíveis aos visitantes.

A visita pelos interiores do Palácio de Fontainebleau
Antes de passarmos pelos detector de metais e, em seguida, pelo rapaz que checa o código de barras dos ingressos, deixem-me dizer que o audioguia por €4 é um bom investimento caso você seja curioso pelos detalhes da história, como eu. Achei que este valeu a pena.
Diz-se que Fontainebleau é palácio mais mobiliado da Europa. Isso não é pouca coisa. Achei-o também mais impressionante que Chantilly, e com mais salas por dentro para se visitar que Versalhes.
A visita aqui não se dá cronologicamente; pelo contrário, inicia-se com o legado de Napoleão neste palácio, ele que viveu por cá nos idos de 1803-1814 quando não estava em campanha militar. Já cheguei a comentar que o general considerava este o melhor palácio europeu por excelência.
Aqui você encontra vestes originais de Napoleão, louças que ele usava na sua vida em família com a primeira esposa Josephine de Beauharnais e, após 1810, a segunda, Maria Luísa da Áustria, e muitos retratos pintados dos Bonaparte. De modo geral, o chamado Museu Napoleão nesta parte do palácio cumpre um bom papel em mostrar um pouco o lado mais pessoal da época napoleônica.





Eu não pretendo recontar aqui toda a saga napoleônica. Você pode ler mais sobre ele na minha visita a Ajaccio na Córsega, onde nasceu, assim como em Waterloo, na Bélgica, onde lutou a sua batalha derradeira.
O que vale saber, como básico, é que Napoleão ascende como general durante a Revolução Francesa (iniciada em 1789), vence uma série de batalhas contra rivais europeus e se estabelece como líder supremo dos franceses. Coroa-se imperador com as bênçãos do papa em 1804, já casado com a também francesa Josephine de Beauharnais.
Inclusive, é um mito que Napoleão tenha tomado a coroa das mãos do papa de surpresa. O papa Pio VII, que veio à França para coroar o imperador e sua consorte Josephine, já sabia que a cerimônia toda se daria de um jeito um tanto inusitado.
Napoleão se recusou a ser coroado “rei”, como que num retorno do Antigo Regime. Quis ser imperador, algo novo, e simplificou o ritual de modo que não precisasse se ajoelhar e que ele próprio pusesse a sua coroa e a de Josephine, pois se via investido na atual posição por seus próprios méritos, não pela Igreja nem pela tradição.

Em 1810, Napoleão se separa, pois queria um casamento politicamente mais útil.
Ele demanda à Igreja a anulação do seu casamento com Josephine, o que cria toda uma celeuma, já que a Igreja Católica tecnicamente não permite o divórcio. Vários cardeais se opuseram, o que levou Napoleão a trancafiá-los todos em exílio junto com o próprio papa Pio VII.
Napoleão foi mestre em fazer valer a sua vontade, então em 1810 se casa com a jovem Maria Luísa dos Habsburgo da Áustria, com a ideia de consolidar uma aliança com os poderosos austríacos para que não lhe fizessem mais oposição.
Maria Luísa, vale dizer, era sobrinha de Maria Antonieta, a esposa do rei Luís XVI, os quais haviam perdido suas cabeças na guilhotina em 1793. A pobre Maria Luísa, aos 21 anos, veio à França então temendo quem sabe sofrer o mesmo destino da finada tia.



Se você notou o berço na foto acima da sala de papel de parede amarelo, ali era para o filho que Napoleão e Maria Luísa tiveram. Nascido em 1811, ele era Napoleão II, e foi apelidado de O Rei de Roma.
Foi Napoleão quem deu esse título ao filho, buscando ali resgatar a coroa mais clássica que havia na História europeia.

Todavia, em 1812 ocorreu a famosa e malfadada invasão da Rússia, quando a maré napoleônica começou a virar. Em 1814, Napoleão acabaria forçado a abdicar — abdicação essa que foi assinada aqui neste palácio, numa sala que veremos a seguir.
Napoleão quis abdicar em nome do seu filho, mas a coalizão de outras potências europeias não permitiu. O garoto cresceria na corte dos Habsburgo, com a família de sua mãe. (Eu mostrei um pouco disso em visita ao Palácio Schonbrunn em Viena. O rapaz não pareceu ter a mais afortunada as vidas, e faleceria de tuberculose aos 21 anos, em 1832.)


Napoleão distribuiu tronos Europa afora entre seus irmãos e parentes outros. Na França, seria o seu sobrinho Napoleão III a criar o chamado Segundo Império francês em 1852, o qual duraria até a derrota na Guerra Franco-Prussiana em 1870.
Pois bem. Ainda veremos salas referentes a coisas específicas desse período napoleônico aqui no Château de Fontainebleau, mas sigamos adiante, voltando um pouco no tempo.
Passemos aos vários aposentos reais de antes da Revolução — embora vários via de regra tenham sido modificados pelo próprio Napoleão ou posteriormente no século XIX, com o retorno do Antigo Regime.







O salão realmente é uma das partes mais impressionantes do Château. A riqueza de detalhes espanta.
Mas sigamos adiante. Uma outra sala que muito impressiona é o Salão de Baile, criado em 1552 sob o rei Henrique II (o esposo de Catarina de Médici e filho de François I).




Você fica se perguntando qual salão é afinal o mais bonito, já que cada um parece superar o anterior.
Passamos por muitos aposentos, além de salas com pinturas de época e tapeçarias — algo medieval, mas que ganhou proeminência como decoração no século XVI.

Aos poucos, passemos aos aposentos com o aspecto dos séculos seguintes, quando o barroco substitui a estética renascentista. Passamos a ter mais uso do dourado e de cores escuras, como o azul ou o vermelho.
Há quem diga que tem a ver com o fato de que o século XVII foi bastante sangrento na Europa, marcado sobretudo pela Guerra dos Trinta Anos (1618-1648) entre católicos e protestantes.



Com o século XVIII, chamado de o Século das Luzes (em grande parte devido ao Iluminismo das ideias, mas também pela mudança estética), as coisas começam a ficar mais leves. Na altura do século XIX, elas já ficam relativamente simples em comparação, e aos poucos vão ficando parecidas com a estética já do começo do século XX.


Eu lhes falei que depois veríamos a Capela da Trindade por baixo, e chegou a hora, ela que foi começada sob François I e depois continuada sob seu filho Henrique II até ser completada em 1608.


Como eu digo, fala-se muito só em Versalhes, mas a realeza francesa se estendia por vários palácios.
Por exemplo, aqui em Fontainebleau nasceu o rei Luís XIII em 1601. Luís XIII, pai de Luís XIV, foi o rei das histórias lá de D’Artagnan e os Três Mosqueteiros — obra do século XIX de Alexandre Dumas, escritor francês.
Luís XIII foi também o monarca que teve como primeiro-ministro o famoso Cardeal Richelieu (1585-1642), que trabalhou para centralizar poder nas mãos do rei, de modo que Luís XIV em seguida assumiu um trono que já era bastante poderoso antes dele.
Entremos agora na sala onde nasceu Luís XIII, remodelada depois no estilo eclético do século XIX após a Revolução.


Quando Napoleão vem cá, ele basicamente se instala e faz uma série de alterações. Os revolucionários haviam feito uma limpa no palácio, então uma remodelação estava mesmo em ordem.
Uma das coisas que Napoleão faz é criar uma nova sala do trono para si, a partir do que antes era um dos aposentos reais.
Ele também estabelece para si um Quarto do Imperador, onde dormia, e um Salão Particular do Imperador que acabaria fatidicamente ficando mais conhecido como Salão da Abdicação.



Como lhes disse, este é um vasto palácio, pleno de salas e de História, e sub-visitado pela beleza que ele tem. Aproveite enquanto os demais turistas não o descobrem, pois é uma visita tranquila sem nem um décimo do número de gente que se vê em Versalhes ou no Museu do Louvre.

As áreas externas do palácio
Fontainebleau tem uma ampla área externa que fica gloriosa sob o sol da primavera ou do verão. Era um começo de tarde fulgurante. Após algumas horas vagando por aqueles suntuosos interiores, pus-me ali do lado de fora a buscar o restaurante do palácio e a ver seus lagos artificiais, onde alguns turistas canoavam nas águas verdes sob o sol.





Sem ter almoçado já às quase três da tarde, fui ao restaurante do palácio, que se dizia em funcionamento o dia inteiro. Mentira, pois às 14:30 o buffet já terminou e eles não servem mais nada — você fica dependente de uma lanchonete vendendo sanduíches frios de atum a preços salgados.
Eu disse ao funcionário que aquilo de o restaurante estar aberto o dia inteiro era fake news, e ele fez uma cara de que não gostou. (Deus me perdoe, mas na França fazer essas reivindicações-desaforo vira quase um esporte. Errado eu não estava. Deve ser as vibrações revolucionárias ainda no ar.)
Sem comida (digna, pois sanduíche de atum até eu faço melhor, com uma cebola cortadinha e um azeite de oliva, num pão mais próprio que a baguete seca que vendiam aqui), terminei meu périplo por esse exterior quente e vazio, ainda que cênico. Retornei à cidade, onde quem fez revolução foi o tempo.
Tive o tempo de passar rapidamente na Igreja de São Luís, inaugurada em 1868, e de passar numa padaria para comprar uns quiches (estes, sim, excelentes) antes que a chuva tombasse com força. O tempo havia virado repentinamente.


Epílogo
A chuva havia chegado sem grande aviso prévio — foi apenas nos últimos 20 minutos que os ventos haviam começado a prenunciá-la. Fiquei preso na padaria, naquela situação de o ponto de ônibus de retorno estar do outro lado da rua, já abarrotado de gente, e você a se perguntar se espera a chuva passar ou se vai logo antes de ela piorar.
Escolhemos ir logo, o que se mostrou presciente, pois ela de fato engrossaria, aquelas chuvas de verão que chegam e despencam.
Chegou a ser engraçado — e o ponto de ônibus inteiro riu — ver um cidadão de carro antigo aberto que, após sair de casa, se viu forçado a abrir um guarda-chuva enquanto dirigia.

Cheguei a perguntar na padaria onde comprar passagem para o ônibus de volta, ao que me responderam que eu fosse à tabacaria — estilo anos 90. Fala sério. A tabacaria estava fechada, pois era domingo. Aí quem disse “dane-se” fui eu, como os italianos de manhã haviam feito.
Novamente, não tome o Google ao pé da letra na hora de calcular seu tempo de viagem até a estação. O ônibus 1 frequentemente passa um pouco atrasado e vai mais lento do que o Google prevê.
Quando ele passou, foi aquela agonia para todo mundo subir sem se molhar (muito). Acho que até o motorista estava um pouco alterado, pois passou do ponto na hora da chegada à estação e teve que voltar. A nossa sorte foi o trem para Paris também estar atrasado.
Quando o ônibus enfim abriu as portas, todos corriam em debandada 10m debaixo do toró e ficava parado à entrada sem atentar aos tantos outros que vinham atrás. Tive que gritar um “entrez!!”, o que ficou curioso até, eu dando ordem aos franceses. (Eu me empolgo nessas horas).
Salpicado, chegamos ao saguão da estação para perceber que a única máquina de vender bilhetes estava quebrada.
O trem atrasado para Paris finalmente se aproximando, via-se ali o frisson e a barulheira no ar de franceses e turistas estrangeiros querendo passar pelas catracas sem ver direito como. Uns passavam, bipavam cartões e dois ou três iam na onda, gente arremessando mochila por cima para o outro apanhar do outro lado.
Na onda, fomos. Não havia jeito. Esses bilhetes de trem regional não se vendem na internet (vive la France!), nem havia bilheteria humana. Com a máquina quebrada, o único caminho era entrar na debandada sem passagem mesmo trem adentro, e assim mais uma vez fomos. Daí eu recomendar que você, bom cidadão, adquira já desde de manhã o bilhete de retorno, para evitar estes impropérios.
Eu, na manhã seguinte, já iria embora da França, experimentando o louco pega-pra-capar que é a Gare du Nord às 6h da manhã de uma segunda-feira. Está beirando o impraticável ir ao aeroporto de transporte público nesse horário. Se estiver com bagagem então, a coisa beira do heroísmo. Mas heroísmo faz parte do nosso pacote. Hora de singrar outros mares.
Até a próxima, França. Enchanté, Fontainebleau.





Uau… Magnífico!…Espetacular!…Formidável…. E outros superlativos…
Maravilhoso na sua arquitetura, beleza artes e história.
Belos tons… Adoro esses tons pastéis franceses.
Amplos belos, verdes, floridos e bem cuidados jardins… com banquinhos e aprazíveis espaços… Muito verde…
Que beleza…. Imponente diante de um belo céu azul primaveril… Um espetáculo para os olhos… Charmant!…
Majestoso no seu todo, inclusive nas maravilhas do seu artístico e histórico interior!… Impressionante.
Um monumento de Beleza, Arte e História…
Apesar das diversas mudanças e adaptações ao longo do tempo, sua longevidade também impressiona…
E que riqueza esse misto de tendências artísticas reveladas por ele, através dos séculos em que foi habitado.
É deslumbrante o seu interior!…
Corredores ricamente decorados, salas e salões magníficos, testemunha da história e tendências artísticas de seus habitantes e de cada época!… Um banho de cultura e arte…
Um belíssimo registro da História secular da França …. da sua arte através do tempo…. dos seus personagens reais… de suas tendências artísticas, de forma magistral e soberba…
O Renascimento chega ã França pleno em sua beleza, pelas mãos dos seus magníficos artistas italianos, sob o patrocínio dos reis franceses….
Grandes nomes da arte italiana renascentista , pintores, escultores, decoradores, e a seguir barroca, maneirista, e a eclética do sex. XIX…
E o que assistimos… Esse espetáculo de uma arte soberba e de beleza sem par!…. É de embasbacar…
Aqui, o belo e o artístico têm seu ponto alto.
Os diversos estilos encantam. São magníficos… Difícil saber qual o mais belo…
Com que beleza e arte contam a história de cada um e de cada época… De como viviam, dos seus gostos…da suas vidas… vitórias e desditas….
Magnífico o Museu de Napoleão, o Corso que reinou e marcou a História Francesa da sua época.
Concordo plenamente com o jovem viajante, no que se refere ao filme lançado recentemente sobre o grande Corso. Muito pouco ou nada a ver com o que parece ter sido a realidade , particularmente em se tratando dele e de Josefina. Para mim, uma ficção.
Interessante essa atitude dele em relação à Península italiana, de ignorar as disputas externas e a “unificar”sob seu poder.. Antecedeu a Unificação da Itália no final do sec XIX
Adorei ver as maravilhas de cada época, seus tons, enfoques, recursos, suas belíssimas porcelanas, . em particular aquelas com fotos dos seus personagens… Um espetáculo.
Que maravilha o salão de baile… Um show… Belissimo!… com seus afrescos , decorações várias, tons, cores, iluminação , impares… Majestoso…
Lindas as tapeçarias… Adoro…
Históricos aposentos…
Belíssimos os quadros…
Maravilhosa a Biblioteca,
Deslumbrante a capela…
Gostei da curiosidade de descobrir personagens reais associados a obras conhecidas como os Três Mosqueteiros
Adorei a cara de espanto do jovem viajante hahaha
E que linda e refrescante essa foto do lago artificial no seu verde magnífico, diante do azul do céu francês…
O viajante brasileiro está muito bem nessa foto perto do lago.. ficou ótimo.
O jovem viajante tem razão… Fontainecleau, um dos mais belos dos Palácios/Châteaux, senão o mais…
A cidadezinha parece bonitinha.
Uma graça a igrejinha de São Luiz, gosto desse estilo arquitetônico iluminado
Valeu, meu jovem… Adorei ver essas belezas históricas.
Enchanté
E que horror esses obstáculos e senões… bons para Mairon Polo resolver … e contar suas aventuras
Que aguaceiro.. e as curiosidades francesas hahahaha Quel”hourreur…
À bientôt
Eu descobri seu bloq e estou adorando! Vou ler tudo da França pra minha viagem do ano que vem!! Que saudade de ler blogs!!!! É bom demais!!! Continue!!! Ri aqui dos seus textos!!! Muito legal!!!
Fico contente, Mariana! Valeu pela mensagem, e seja muito bem-vinda!!