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Japão Kansai (região)

De volta à Terra do Sol Nascente: Agora entrando no Japão sem visto

Ah, que deleite voltar ao Japão! Fazia já tanto tempo. Que nostalgia reencontrar as coisas típicas japonesas com que eu havia me familiarizado na vinda anterior — e me preparar para conhecer muitos lugares novos do país. Se você não as viu, não se preocupe, pois elas marcarão presença nesta nova viagem.

Há uma série de postagens da viagem anterior com o que acaba por ser o roteiro mais arquetípico dos turistas estrangeiro no Japão: Tóquio, Quioto (com uma escapadinha em Nara), Osaka e Hiroshima (com um bate e volta à agradável ilha de Miyajima). Alguns ainda se aventuram a Kamakura perto de Tóquio, que eu tive a sorte de visitar durante o festival do arremesso de feijão (Setsubun). 

Só que o Japão tem bem mais que isso. Veremos portanto muitos novos lugares, como Sapporo e Nagasaki, além de — é claro — rever algumas daquelas emblemáticas cidades principais. De quebra, ainda peguei a épica primavera japonesa com a floração das cerejeiras (🌸), um sonho realizado.

(Eu constataria nesta viagem que o grosso dos turistas continua preso àquele circuito básico, de modo que quando você sai dele — vai, por exemplo, a uma cidade como Fukuoka ou ao Castelo Hirosaki — já quase não há mais ocidentais em vista. Você fica sozinho com os japoneses, imerso. Ficarão as dicas então de novos lugares além do essencial a conhecer.) 

As atuais exigências para entrar no Japão

Bandeira do Japao com o pais

Brasileiros já não necessitam visto para entrar no Japão desde 2023, como já era o caso de portugueses e outros europeus. Abriu-se a porteira da Terra do Sol Nascente, cada vez mais visitada por brasileiros e pelo mundo inteiro.

Não é só retórica: os números mostram que 25 milhões de estrangeiros foram ao Japão em 2023, mais que o dobro dos 10 milhões que o haviam feito dez anos antes.

Entre aqueles no hoje longínquo ano de 2013 estava eu, que agora resolvi retornar.

À época, lembro-me daquele processo todo — ter que provar meios financeiros, reserva de acomodação, etc. — que hoje virou éter. Já não é preciso mais absolutamente nada além de uma passagem de retorno, e tampouco eles lhe encherão o saco com perguntas. Ficou hiper tranquilo. Há apenas um formulário online a se preencher e um QR code a apresentar no desembarque, mas isso eu mostro daqui a pouco.

O Japão ficou mais barato

O Brasil conseguiu a liberação da exigência do visto em parte por méritos da sua atual diplomacia, mas isso não é tudo. O próprio Japão está mal das pernas economicamente.

Após a invasão da Ucrânia em 2022, os investimentos estrangeiros no Japão caíram bastante. Sua dependência de importação de petróleo e gás (parte dos quais vinha da Rússia) tem feito o país rebolar, já que os EUA os fizeram romper economicamente com os vizinhos russos.

Junto com a inflação generalizada do pós-pandemia e certas decisões econômicas do próprio Japão, a moeda japonesa se desvalorizou drasticamente e hoje tem o menor valor em 40 anos. Um dólar equivalia a perto de 100 ienes (¥) antes da pandemia e hoje compra mais de ¥150.

Ao visitante estrangeiro, um café de ¥300 que antes lhe custava US$ 3 hoje sai pelo equivalente a US$ 2 portanto. Uma estadia em hotel que antes lhe custasse US$ 300 hoje são US$ 200. Vocês já entenderam.

O restante do mundo está aproveitando — e o Japão dando boas-vindas a essa entrada de moeda estrangeira.

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O iene (¥), a moeda japonesa, está em apuros. Seu valor é o menor em 40 anos. Desde o início da década de 1980 o iene não valia tão pouco. Não existem centavos aqui, então um iene é como se fosse um centavo — portanto não se apavore com todos esses zeros. Cerca de ¥600 lhe compram uma bela sopa de macarrão (ramen) em muitos lugares, o que antes equivalia a US$ 6; hoje, bastam US$ 4. O Japão ainda não é uma pechincha, mas ficou consideravelmente mais barato. (Se você é do tipo curioso sobre notícias de economia, pode ler mais aqui mais a fundo sobre as razões dessa desvalorização.)

O formulário online que se precisa preencher e o QR code a apresentar

O preenchimento de um formulário online de desembarque para a imigração e a aduana japonesas é a única exigência procedimental para se entrar no Japão hoje.

O custo é zero, e estritamente falando você pode até deixar para preencher no próprio aeroporto de chegada no Japão. Entretanto, gastam-se uns bons 20 minutos no preenchimento, então é muito mais prático fazê-lo no conforto de casa antes de viajar. Daí o sistema gera um QR code que você apresenta já c0m tudo prontinho.

O site oficial que você acessa para aceder ao formulário é este aqui. Você pode apontar o celular para o código abaixo, que irá ao mesmo site: https://services.digital.go.jp/en/visit-japan-web/

Eu até recomendo fazer o preenchimento direto pelo celular, pois aí você salva o QR code no próprio aparelho (com uma captura de tela) e pronto. 

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Este é o QR code que o leva direto à página onde fazer o cadastro.

O procedimento

Você primeiro faz um cadastro com seu endereço de e-mail, dados pessoais e do seu passaporte, e cria uma senha de acesso. É preciso ser um e-mail ao qual você tenha acesso ali naquele momento, pois enviarão de imediato um link para confirmação.

Eles dizem que basta um cadastro por família. Parece-me que cônjuges (ainda que não casados no papel) contam como família, mas amigos viajando juntos provavelmente precisarão fazer cada qual o seu cadastro. Você verá que existe um botão onde adicionar viajante (até 10 familiares), mas ao fim será preciso gerar um QR específico para cada pessoa.

Uma vez cadastrado, você vai em Register new planned entry para registrar a sua viagem planejada. Você precisará da sua reserva da passagem de avião assim como de informações acerca do seu itinerário previsto (especificamente a duração da viagem em número de dias) e detalhes do endereço da primeira acomodação onde vai ficar (inclusive o CEP, que é o que você põe no campo e dá uma busca para o sistema automaticamente preencher o restante, senão você fica se batendo sem saber em qual área administrativa de Tóquio ou Osaka a sua acomodação fica).

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É tudo muito simples, como gostava de dizer um professor meu de anatomia.

Ao fim de uns bons 20 minutos preenchendo coisa ao celular, você gera um código por pessoa. A dica, como noutros casos envolvendo QR code, é você fazer uma captura de tela para nem precisar ter acesso à internet na hora de mostrar — basta mostrar a foto.

Munidos? Então vamos. 

Não me pediram para mostrar o código já no embarque (sabemos que em outros contextos há cias aéreas que já fazem isso), mas agiliza a sua vida na chegada se você já estiver com tudo pronto. Senão, precisará ficar lá tentando se conectar à internet do aeroporto de chegada e preenchendo às pressas enquanto a fila cresce com gente chegando de outros voos. Melhor se antecipar.

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Tomando o meu voo da Emirates a caminho de Tóquio. (Sim, “porque eu mereço”. Em verdade, foi minha primeira vez voando Emirates na vida. E, sim, ela faz jus à fama.)

Meu retorno ao Japão: A experiência da chegada

Volare, oh oh 

O aeroporto de Arlanda — que uma amiga apelida de o meu “quintal” — em Estocolmo, onde moro, estava quase vazio do outro lado da emigração.

São relativamente poucos os voos saindo da Europa por aqui, e mesmo os destinos fora da União Europeia tendem a ser ao Reino Unido. Havia um ar de ermo, de “fora da festa”, que não é mesmo estranho à Suécia, um país onde facilmente alguém se sente mais remoto do mundo do que você aí em outro país talvez imagine.

Já às vizinhanças do portão de embarque, tomei um café da máquina chique com tela de toque e assisti de perto ao desfile da ala das comissárias da Emirates, com seus inconfundíveis chapeuzinhos de odalisca e batons mais vermelhos que o boi garantido.

O avião me parecia ir mais vazio do que cheio. Seriam seis horas e pouco de Estocolmo até Dubai, e dali outras nove até o Aeroporto de Kansai em Osaka. (Sim, pois às vezes é mais barato chegar por Osaka que por Tóquio. Economizei uns bons US$ 200.)

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Aos curiosos, estes eram os assentos da classe executiva na Emirates. A gente passa só para ficar com o gostinho.
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Na classe econômica, bastante confortável, e já entrando no espírito asiático de tirar foto fazendo o V de vitória (lamento desapontar quem achou que era “o paz e amor”, embora cada qual possa interpretar como preferir). 

Há comissários de todas as nacionalidades na Emirates — exceto emirati.

Nota-se aquele garbo e a elegância que o uniforme ajuda a ter, o que pode vir ou não acompanhado de carisma. Isso varia, e nesse sentido foi um bálsamo que meu corredor foi servido por Juana Andrea, uma colombiana de simpatia tranquila que desempenhou o papel daquela comissária boa gente que do nada lhe oferece um café e faz a diferença. 

Aliás, o meu colombiano era suficiente para entender que quando ela ofereceu um chá ou um “tinto”, referia-se a um café e não a vinho. Aprendei para quando fordes à Colômbia. (Ela era rola, alcunha para alguém nascido em Bogotá. A Colômbia tem mais coisas engraçadas do que julga a nossa vã filosofia.)

Aceitei o tinto, o papo, e mais uma vez ficava óbvio e patente que nenhum continente no mundo é tão simpático quanto a América Latina. Pobres de nós neste mundo hostil.

Éramos chegados ao aeroporto de Dubai — uma daquelas conexões no meio da noite, com você saído de um fuso num continente e indo para outro. Estas conexões intercontinentais no Oriente Médio parecem um entreposto físico suspenso no espaço-tempo. 

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Eis o Aeroporto de Dubai com suas palmeiras de plástico.

Conexão no Aeroporto de Dubai

O Aeroporto de Dubai está começando a mostrar um pouco a idade. É arrumado, mas está com certos ares dos anos 2000. A sinalização com ares do começo do século não deixa mentir, além das palmeiras falsas no interior que, embora sejam fake plastic trees como cantou o Radiohead, têm a sua beleza de decoração.

Como talvez se saiba, nas conexões internacionais aqui nos países do Golfo sempre é preciso passar novamente pela segurança. Se os corredores pré-segurança estavam ermos, povoados exclusivamente pelos funcionários indianos (ou de países vizinhos) naquela meia noite, aos portões C não faltava gente de toda sorte. Vi uma pomposa loja de relógios luxuosos que me fez até relembrar certas coisas do noticiário brasileiro envolvendo aqui os Emirados Árabes.

Aliás, você mal chega nesta região do mundo e já começa aquela cultura do serviçalismo desnecessário. Fui ao banheiro, e um cidadão plantado à entrada repetia “Urinois à direita, urinois à direita”. O interesse é obter gorjeta, obviamente.

Um outro já ia praticamente me abrindo a portinha do cubículo para eu entrar. “Toilet?”, perguntou ele e foi me acompanhando. Falta mais o que agora? Se você deixar, o cara o conduz à privada, arranca o papel higiênico pra você e lhe dá na mão. (Dizem que o sanitário feminino tem menos disso. Os homens é que são os interesseiros.)

Simbora, Japão, que eu estava com pouco apetite para o Oriente Médio hoje.

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A vista para o terreno montanhoso do Japão lá do alto.

Chegando ao Japão: Os procedimentos no aeroporto

O Aeroporto Internacional de Kansai em Osaka é simples. Tem um ar dos anos 90, mas é arrumadinho.

Aviso já que levamos cerca de 1h até cruzar tudo, isto é, entre desembarcar e estar efetivamente livres lá do outro lado no saguão de chegadas. Até chegar propriamente ao quarto do hotel no centro de Osaka seriam 4h no total. Só para outros que porventura venham por esta via.

(1) Primeiro, logo quando se sai do avião, passa-se por uma área de quarentena onde um dia se ficou verificando teste de Covid. Vários funcionários estavam ali, mas nenhum passageiro se deteve.

(2) Em seguida vem a imigração. É útil já ter o QR code em mãos para evitar ter que preencher coisas de papel ou fazer o processo online todo desde o começo aqui. Há muitos funcionários orientando por onde ir. Eles são corteses e falam um inglês suficiente.

Já o oficial de imigração que pegamos inicialmente era um moleque de cabelo embolado caindo na cara — um pouco como o nosso querido Baka Gaijin do YouTube, só que mais com cara de adolescente de ensino médio japonês e cabelo cacheado à là Slash do Guns N’ Roses. Era aquela situação em que você mal vê o rosto por detrás de tanto cabelo, e com um moleque azedo ali atrás.

Ele exprimia já impaciente (agora imagine aquele ar de moleque japonês de ensino médio impaciente) que eram dois QR codes, um para cada pessoa. Um casal anglófono de seus 40 anos na nossa frente bateu e voltou, reclamando. Como expliquei, o site do cadastro dá a entender que é possível declarar todos num QR code só, mas ao fim é preciso criar um por indivíduo.

Eles também só atendem uma pessoa por vez, por mais que sejam casal ou da mesma família — e insistem nisso.

As coisas estando em ordem (isto é, cada qual chegando individualmente com seu respectivo QR code), não há conversa nem perguntas. Ganha-se um adesivinho que toma menos da metade de uma página do passaporte, marcando os 90 dias a que você tem direito de permanecer como turista, não importando se você pretende ficar menos que isso.

A saber, a fila da imigração em Osaka era coisa para 20 minutos. Tinha muita gente atendendo. Via-se que a coisa do QR code parece acelerar todo o processo, por mais que haja gente que não o preenche e acaba tendo que ficar preenchendo coisa no papel (ou ao celular) ali no ato.

(3) Passada a imigração, vai-se à área da aduana propriamente dita. Passamos primeiro nuns totens desses de aeroporto em que você escaneia o passaporte e também o sacro QR code novamente, confirma algumas informações, e pimba. Passado isso, é só sair. 

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O saguão de chegadas já após a aduana no Aeroporto Internacional de Kansai, em Osaka. (Novamente: não tome por obrigatório que se tem que viajar ao Japão sempre via Tóquio. Eu descobri que às vezes chegar por Osaka sai mais em conta.)

Reencontrando Osaka — e, em Osaka, o Japão

Ainda no aeroporto, era um júbilo estar de volta ao Japão. O aeroporto fica fora de Osaka, mas o Japão é tão urbanizado — sobretudo nesta região central — que é como se aquela atmosfera de cidade grande emanasse no ar. Era um finzinho de tarde, e se sentia aquele movimento das pessoas retornando aos seus cantos.

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Fim de tarde. Ainda alcancei o pôr do sol no aeroporto.
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O movimento.

Tratei de providenciar logo as coisas que eu tinha já previsto fazer aqui: (1) Sacar dinheiro, pois muita coisa no Japão se paga somente em espécie; (2) pegar o meu Japan Rail Pass ilimitado de 14 dias (mais detalhes sobre ele por vir); e (3) Coletar o Wi-Fi de aluguel que facilita a vida no Japão.

Eu sei que hoje em dia está mais na moda adquirir um chip virtual no celular, mas o wi-fi de aluguel (que é um modemzinho que você leva na mochila numa boa ou até no bolso) atende até 5 aparelhos de uma vez, então pode compensar.

A saber, a empresa que usei foi a Ninja Wi-Fi, que funcionou como uma seda. Você compra o serviço pela internet, coleta quando chega em quase qualquer aeroporto internacional do Japão, e devolve no dia de ir embora. Depois eu darei as dicas todas, como de costume.

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O guichê da Ninja Wi-Fi logo em frente ao portão de desembarque no Aeroporto de Kansai nas vizinhanças de Osaka.
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O escritório da companhia ferroviária nacional japonesa, a Japan Rail. Há passes ilimitados que são uma mão na roda se você planejar se deslocar bastante no espaço de uma, duas ou três semanas. Mais sobre ele numa das próximas postagens. Este JR Ticket Office fica na área da estação ferroviária anexa ao aeroporto.

A atmosfera havia mudado muito pouco. Os bilhetes magnéticos de trem continuam exatamente os mesmos, assim como as onipresentes máquinas de bebidas quentes ou frias.

Dizem que quem viaja vive muitas vidas, e eu me lembrava ainda vividamente da que eu havia tido aqui há tantos anos atrás neste ambiente.

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Estas máquinas de bebidas estão por todo canto no Japão. Muitas oferecem bebidas quentes como café ou chá, além das coisas frias. (Tipicamente, funcionam só com dinheiro. O Japão parece um pouco preso a certas tecnologias, mas disso falaremos mais tarde.)

Dirigi-me então à plataforma de onde sairia o Haruka Express rumo ao centro de Osaka — uma viagem de cerca de 1h. Em bom estilo japonês, tudo estava caracterizado com o tema de Hello Kitty. 

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Bem-vindos ao Haruka Express, que leva do Aeroporto Internacional de Kansai até o centro de Osaka. Os trens aqui frequentemente têm nome, e no Japão não é raro ver estas decorações.

Também em bom estilo japonês, ao que eu esperava à plataforma o trem se abrir aos passageiros, vi que as poltronas automaticamente se reorientavam para estar sempre voltadas na direção em que o trem vai. Incrível. 

Capturei em alguns segundos esse movimento no vídeo abaixo.

Eu havia assistido a Shogun (seriado de 2024) antes de voltar ao Japão, e não me saía da cabeça a fala emblemática do do espanhol Rodríguez ao “inglés” ao final do primeiro episódio.

“Vá e veja, depois que puser os olhos em Osaka, se você ainda acha que o nosso mundo é mesmo o pico da civilização.”

A quem não viu, se trata de um seriado com base no romance homônimo de 1975 do finado autor australiano James Clavell. Versa sobre as movimentações políticas do Japão de 1600, quando o primeiro inglês de que se tem notícia chega ao arquipélago. O protagonista é baseado numa pessoa real.

Ali ele encontra jesuítas, comerciantes portugueses, e toda uma sociedade japonesa radicalmente distinta do que ele conhecia na Europa. (Os diálogos entre japoneses são mesmo em japonês, com atores japoneses, e tudo é muito bem feito. Eu recomendo.

Ao fim do primeiro episódio, ao que vêm de um vilarejo para ancorar em Osaka (que servia de porto à imperial capital histórica de Quioto terra adentro), o inglês se queixa de ter ido parar naquele fim de mundo.

O espanhol Rodríguez, há mais tempo ali e mais matuto que o inglês, então lhe indaga: “Você acha que sua rainha é grande coisa, espere até ver essa cidade. Vá e veja, depois que puser os olhos em Osaka, se você ainda acha que o nosso mundo é mesmo o pico da civilização.” 

Cena de Shogun com Rodriguez
Shogun (2024) é uma superprodução de 2024 baseada no romance homônimo de 1975 de James Clavell. Mostra os primeiros europeus no país nos idos de 1600, descobrindo os contrastes de civilizações. Aqui, os personagens Rodríguez e o protagonista inglês. É uma obra de ficção, mas baseada em fatos reais.

Ele viu a Osaka de 1600. Eu, a desta terceira década do século XXI.

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Bem-vindos a Osaka, Japão.
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O centro da cidade, reluzente à noite.

Osaka estava linda à noite — mais até do que eu me lembrava dela. Vê-se que entrou bastante dinheiro aqui nos últimos 10 anos, desde a minha vinda anterior. Com boa arborização em meio aos prédios e calçadas bastante largas, para pedestres e bicicletas, ela se mostrava uma cidade bem contemporânea.

Notava-se um ânimo no ar, com gente voltando do trabalho em grupos nas suas roupas corporativas a plenas 20:30. Sabe-se que os japoneses trabalham até tarde (em muitos lugares, porque se passarem das 20h a empresa dá o jantar).

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Ao que eu caminhava rumo ao meu hotel, alguns espaços ficavam mais quietos, e se via também a audácia asiática de pistas umas sobre as outras. Isso você também encontra noutras metrópoles da Ásia, como Bangkok e Kuala Lumpur, só que aqui sem a pobreza que se vê lá no Sudeste Asiático.

Por todas as partes há banheiros públicos limpos e gratuitos — um mimo a que você se acostuma fácil, e de pronto fará você julgar o Ocidente como um lugar atrasado e incivilizado.

Os banheiros japoneses, aliás, são uma obra tecnológica à parte. Eu escrevi em detalhes sobre eles antes aqui, e são mais uma coisa que não mudou. É todo um trono high-tech com vários botões. Há papel disponível, mas tipicamente eles usam água para se limpar — e o jato vai lá mesmo bem no olho do furacão, não sei se com ajuda de inteligência artificial ou o que é.  

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Banheiros públicos, limpos e gratuitos estão por toda parte no Japão. Tipicamente, há vários em todas as estações de trem, assim como em lugares na rua.

Daremos muitas voltas pelo país. Sejam bem-vindos de volta ao Japão.

Mairon Giovani
Cidadão do mundo e viajante independente. Gosta de cultura, risadas, e comida bem feita. Não acha que viajar sozinho seja tão assustador quanto costumam imaginar, e se joga com frequência em novos ambientes. Crê que um país deixa de ser um mero lugar no mapa a partir do momento em que você o conhece e vive experiências com as pessoas de lá.

One thought on “De volta à Terra do Sol Nascente: Agora entrando no Japão sem visto

  1. Que maravilha essa foto de abertura…. Parece o Paraíso… Belíssima…
    Que bom que a burocracia diminuiu…
    Hahahaha , adorei a caracterização das Comissárias de Bordo com o chapeuzinho de Odalisca.. E o batom da cor do Boi Garantido do Folclore amazonense.. haha Valeu!…
    Ahahaha … pois é… eu por aqui pensei ser a patognomônica saudação hippie dos anos 70 de Paz e Amor
    E que bom que encontrou uma comissária de bordo Latina… E que foi legal….
    Curioso o nome dos nascidos na capital da Colombia ,,, Achei divertido hahah
    E concordo com o viajante brasileiro a respeito da simpatia dos latino=americanos. São mesmo.
    Curioso, não conhecia a denominação de tinto para o café … hahaha

    Apesar das palmeiras de plástico, e do tempo, o aero é bonito e elegante.
    Adorei a relação entre as joias e certa figura muito conhecida e seu envolvimento com elas. hahaha

    Belissima essa foto do Céu japonês … Lindo o azul, com as nuvenzinhas brancas, e as montanhas abaixo… Linda a foto…
    Majestoso o pôr de sol…

    E que horror esse carinha da Imigração… arremaria…
    Muito bonito esse aero e seus anexos.
    Muito interessantes as medidas tomadas pelo viajante brasileiro… providenciais… Viva viva.. Quem sabe sabe… Esse é Mairon Polo, viajante mor dos tempos modernos hahah… Sabe das coisas… Como dizia a minha mamma, “sabe onde as cobras dormem”hahaha

    Lindinha a temática da Hello Kitty… Uma gracinha… E que linda a estação… limpa, arrumada, bonita.. Povo desenvolvido é outra coisa…
    E que chique esse movimento automático das poltronas do trem … uauuu… legal…

    E que linda, Osaka !… Que espetáculo de cidade!… Charmosíssima… Bem iluminada. bem arborizada, limpa, organizada, bem estruturada…. Que pavimentação maravilhosa… Que belos edifícios, ruas largas, belos calçadões… uma maravilha.!…. Viva a Civilização!…
    Acho que o administrador de Feira aprendeu com ela hahahaha.. o prefeito se espelhou ai hahahaha.

    Que interessante isso da empresa dar jantar e eles trabalharem até um pouco mais…

    Lindas essas pistas superpostas… Bonitas e elegantes. Diferentes de algumas do lado de cá que parecem feitas a facão, feias e deselegantes…

    E que maravilha, isso de banheiros públicos , gratuitos, vários, bem localizados e limpos… Ótimo. Providenciais… Um luxo… Viva o pais desenvolvido… Vilgen, que são tronos com botões hahaha.

    Adorei esse mergulho inicial no país do sol nascente.
    Acho que vou amar conhecê-lo.

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