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Japão Kyushu

Conhecendo Nagasaki e sua história para além da bomba

(Este será um post longo).

Nagasaki é provavelmente a cidade mais internacional de todo o Japão. “Medido em termos de que, Mairon?“. Da sua história.

Para começar, provavelmente nunca lhe disseram, mas Nagasaki foi fundada pelos portugueses, em 1571 como um porto comercial sob as bênçãos das lideranças locais, que viam com interesse certas novidades que os lusos traziam — em especial, as armas de fogo. Embora a pólvora tenha sido inventada na China, seu uso para armamentos no Oriente era primitivo ou inexistente. 

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Representação de uma nau portuguesa no Japão.

Mais tarde, quando em 1639 o Japão expulsa os portugueses — cansados que estavam dos missionários católicos arrebanhando gente e competindo com as autoridades tradicionais —, permite-se que apenas os holandeses (protestantes) sigam fazendo comércio, e exclusivamente num porto: Nagasaki.

Os chineses, logo aqui ao lado, por sua vez tinham Nagasaki como um dos portos japoneses mais importantes onde realizar trocas. E por fim, todos sabem que dia 9 de agosto de 1945 este foi o alvo da segunda bomba atômica lançada pelos Estados Unidos sobre o Japão. Há hoje um memorial à paz como em Hiroshima.

Aliás, há memoriais disso tudo que lhes falo: desde à presença portuguesa e ao princípio do cristianismo no Japão quanto à presença comercial holandesa exclusiva por 200 anos, no que é hoje uma espécie de zona histórica da cidade. Bem-vindos a Nagasaki.

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Bem-vindos. É hora de darmos um mergulho por Nagasaki.

De Fukuoka a Nagasaki

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Nagasaki bem no sul do Japão, na ilha de Kyushu.

Nagasaki fica na ilha de Kyushu, no sul do Japão. Eu lhes falei um tanto sobre esta região num post anterior

Por estar assim no sul, acabou sendo o principal ponto de contato dos japoneses tanto com seus vizinhos chineses e coreanos quanto com os europeus que mais viriam aqui fazer comércio.

Eu estava em Fukuoka, a maior cidade de Kyushu e que serve bem de base para um bate-e-volta até Nagasaki. Eu não sei se recomendaria dormir na cidade — não vi necessidade, só mesmo se você gozar de muito tempo e quiser ficar ali fazendo imersão.

Para ir de trem de Fukuoka a Nagasaki foi preciso fazer uma baldeação rápida em Takeo-Onsen, com um tempo de conexão ultracurto: 3 minutos, acho que o menor que já tive na vida. 

Se isso inicialmente me assustou, depois me dei conta de que o susto era desnecessário (falta de costume com o Japão), pois o segundo trem chega na mesma plataforma e a coisa é toda cronometrada. Nada tema.

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Os trens japoneses são fabulosos, sobretudo os trens-bala (shinkansen). Tratarei mais sobre eles num post especial depois. Por ora, basta saber que são pontualíssimos — deixam a Europa no chinelo.
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Dentro deste chiquérrimo shinkansen Kamome (os diversos tipos têm nome) com piso de “lajota” e talvez as melhores poltronas que eu já tive num trem.

Uma curiosidade é que para Nagasaki circula um trem especial estilizado chamado Huis ten Bosch, todo laranja em homenagem à Holanda.

Huis ten Bosch originalmente é um palácio do século XVII, uma das moradas dos monarcas holandeses, mas cujo nome foi tomado pelos japoneses para fazer um parque temático aqui nos anos 1990 que imita as casas e ruas da Holanda.

Tudo é, naturalmente, para honrar os mais de 200 anos (1639-1853) em que os holandeses foram os únicos que podiam comerciar com os japoneses — aqui por Nagasaki.

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O Huis ten Bosch, trem japonês estilizado à holandesa. Ele não é mais caro nem nada — é um trem normal de linha para Nagasaki.
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O trem Huis ten Bosch faz um estilo meio clássico antigo, com acabamento interno de madeira e paleta de cores meio holandesa.
Huis Ten Bosch em Sasebo Japao min
Vista aérea do parque temático Huis ten Bosch (o maior do Japão!) inaugurado em 1992 para mostrar aos japoneses um pouco de como é a Holanda. Fica em Sasebo, distrito no município de Nagasaki. (Eu, naturalmente, recomendo que você vá à própria Holanda em vez disso.)
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Voltando ao Japão, esta era a paisagem de campos de arroz que eu tive naquela manhã em que cruzava o país do sol da nascente a Nagasaki.
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A paisagem campestre japonesa era quieta e bucólica nesta jornada de Fukuoka a Nagasaki, no sul do país.

Voltas por Nagasaki: as suas diversas naturezas

O trajeto como um todo desde Fukuoka até aqui (inclusa aí a baldeação em Takeo-Onsen) me levou coisa de 1h45. Chegado portanto no final da manhã, era preciso tomar um café antes de sair da estação de trens — um ritual aqui quase diário. 

Nagasaki se revelou uma cidade movimentada, com uma estação de trem bem moderna. Se você aí imagina um lugar ainda derrubado pelo ocorrido em 1945, está desatualizado. A vida andou. 

Nagasaki não é uma metrópole imensa como Tóquio ou Osaka com suas dezenas de milhões de habitantes, tem módicos 400 mil, mas há nela um ar de cidade grande e desenvolvida. 

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A estação ferroviária de Nagasaki, vista por fora. Estas estações japonesas tipicamente são bem modernas, parecendo grandes centros comerciais, e não fazem as vezes daquelas estações de aspecto clássico da Europa.
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Avenida em Nagasaki.
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Um dos orgulhos da cidade é este bonde elétrico, que chamam de streetcar (este sim, de estilo clássico). Ele é bastante útil, e será seu principal meio de transporte aqui. Há um day pass (¥600) que se compra no escritório de turismo na estação e que compensa se você for usá-lo mais de quatro vezes. Cada passagem seria ¥140 no dinheiro exato, sem troco. (Suerte!)
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Uma curiosidade de Nagasaki é que ela foge ao padrão chinês de ruas retas que se cruzam em quadras, e que os japoneses adotaram (comum também na América hispânica). Aqui você tem estas colinas e ruas curvas como em Salvador ou Lisboa. Vai ver é porque foi fundada pelos portugueses, que escolheram um lugar assim entre os morros e o mar.
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São servidos um café?

A Nagasaki portuguesa, das missões jesuítas

Aqui não havia Café Doutor, então fui nesse Seattle’s Best Coffee, que de fato faria você até crer que estava lá do outro lá do Pacífico, na América do Norte. Os Estados Unidos continuam a ter influência cultural imensa aqui, sobretudo nesta esfera do consumo. 

Vi as mulheres japonesas (sobretudo as mais coroas) com seu curioso hábito de usar vestido por cima das calças e tênis (hábito que sabe-se lá de onde pegaram), e tomei rumo. Basta atravessar a passarela por sobre aquela avenida movimentada e caminhar um pouco para chegar ao Museu dos 26 mártires, lugar ideal para conhecer mais da presença portuguesa e cristã aqui. 

Quando estabeleceram Nagasaki em 1571, os portugueses tinham duplo objetivo: estabelecer rotas comerciais lucrativas assim como converter almas à cristandade, como no Brasil. Vinham, afinal, de séculos de História medieval em que a formação de Portugal (e da Espanha) se deu no contexto da luta contra os muçulmanos e expansão do cristianismo — em particular do cristianismo católico, que a recém-formada Ordem Jesuíta promovia no espírito da Contra-Reforma.

Só que os japoneses tinham desde muito tempo relações sociais de respeito e suserania que essa conversão em massa das pessoas ao cristianismo começou a mudar, levando o caldo a entornar dentro de poucas décadas. Venhamos dar uma olhada.

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O Museu dos 26 Mártires em Nagasaki, bem próximo à estação ferroviária. Nesta colina, cristãos japoneses e europeus foram condenados à crucificação em 5 de fevereiro de 1597. Hoje há um memorial junto de uma coleção de peças e documentos históricos.

O que ocorreu, aos curiosos sobre estes “causos” históricos, foi que em 1575 o papa publicou uma bula reconhecendo o Japão como área de atuação dos portugueses, pertencente à Diocese de Macau, colônia portuguesa na China.

Só que em 1580 Portugal perdeu sua independência, sendo anexado à coroa espanhola na União Ibérica (1580-1640). Isso significou que os espanhóis, que tinham as Filipinas como colônia e faziam comércio transpacífico entre Manila e Acapulco (México), também começaram a se meter aqui no Japão.

Com os espanhóis, vieram pregar aqui a partir de 1593 os franciscanos, em competição com os jesuítas que haviam chegado com os portugueses décadas antes. Só que nem os comerciantes espanhóis nem os frades franciscanos, pelo visto, tinham as sutilezas que os portugueses haviam desenvolvido ao longo de décadas para lidar com os japoneses.

Em 1596, encalhou um galeão espanhol noutro lugar da costa japonesa, fora da já habituada Nagasaki, e o senhor local achou de confiscar a rica mercadoria. Os espanhois reagiram, inclusive dizendo abertamente que o objetivo da conversão ao cristianismo era preparar o terreno para conquistas militares, como haviam feito nas Américas — e mostraram um mapa aos japoneses, que ficaram de orelha em pé.

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Memorial aos 26 mortos nesta colina aqui há mais de 400 anos.
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Os 26 missionários franciscanos, entre japoneses e europeus, condenados à crucificação nesta colina em Nagasaki. por Toyotomi Hideyoshi, líder que estava no processo de centralizar politicamente o Japão e preocupado que a lealdade de certos senhores feudais — e da população — convertidos ao cristianismo passava a estar mais com os ocidentais que com ele.

Toyotomi Hideyoshi (1537-1598), líder japonês que tentava fazer do Japão feudal um lugar politicamente mais centralizado (como viria de fato a se tornar, com um xogum governando em nome do imperador), vinha já preocupado que a lealdade de certos senhores feudais — e da população — convertidos ao cristianismo estivesse passando mais aos seus mentores ocidentais que a ele.

O incidente com o galeão espanhol San Felipe em 1596 acabou sendo o estopim para confirmar suas suspeitas.

Se os jesuítas eram mais diplomáticos, prestando serviços de tradução e se mostrando úteis aos japoneses, os franciscanos faziam seu missionarismo mais abertamente, e acabaram capturados para servir de exemplo.

As duas ordens se engalfinhariam em acusações depois desse episódio, com os jesuítas acusando os franciscanos de estragarem suas relações com os japoneses, e os franciscanos acusando os jesuítas de estarem por trás da captura, incitando os nipônicos contra eles para voltar a ter monopólio nestas terras. 

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Os 26 mártires foram canonizados pelo Papa Pio IX em 1862.
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O Museu dos 26 Mártires, que tem um custo módico de entrada de ¥500 (US$ 3-4), é um lugar interessante para os que gostam da História religiosa ou em geral daquele período dos descobrimentos.
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Esta é a figura de São Francisco Xavier (1506-1552), um dos grandes nomes da Ordem Jesuíta. Foi apelidado de Apóstolo do Oriente pelo seu trabalho na Índia portuguesa e aqui no Japão, aonde veio em 1549 antes de falecer na China.
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Carta original do punho de São Francisco Xavier para o rei Dom João III em Portugal, escrita das Ilhas Molucas (na atual Indonésia) em 1546.

Uma curiosidade é que os senhores feudais japoneses inicialmente acolheram os missionários ocidentais com a ideia de reduzir a influência dos monges budistas. O budismo já havia chegado da China ao Japão no século VI e estava bem instalado. 

Isso também significou que não era fácil converter os japoneses ao cristianismo, visto que algumas doutrinas eram radicalmente diferentes. Relatos contam que especialmente difícil era convencer os japoneses de que um Deus todo-poderoso havia criado também o mal e que havia um inferno onde seus cultuados ancestrais talvez estivessem em danação eterna. 

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Imagem japonesa da Virgem Maria com o Menino Jesus.

Seja como for, o cerco se fechou para os missionários católicos e para quase todos os comerciantes europeus. As perseguições aumentaram, e os cristãos que quisessem preservar a sua fé tinham agora que fazê-lo às escondidas — como os cristãos haviam feito aos judeus e muçulmanos lá na Europa um século antes. Muitas cristãos, infelizmente, também acabaram queimados na fogueira à moda da Inquisição.

Era talvez a lei do retorno, karma ou, se você preferir, a volta do cipó de aroeira no lombo de quem mandou dar.

A Rebelião de Shimabara (1637-1638), quando 40 mil camponeses e guerreiros cristãos se levantaram contra a nascente administração centralizada do Japão, foi a gota d’água para o xogum Tokugawa — agora no poder — proibir de vez o cristianismo e a presença ocidental no país.

Os holandeses, protestantes e que a essa altura estavam em ação tentando tomar tanto terreno quanto fosse possível dos portugueses mundo afora, de lá gritavam que sua religião era diferente, e que não misturariam comércio com pregação. Seriam então os únicos ocidentais tolerados aqui pelos próximos 200 anos no Japão do regime Tokugawa — e comerciando exclusivamente num porto: Nagasaki.

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Ilustrações de época no museu com os missionários católicos em meio aos japoneses no século XVI, quando os portugueses chegaram aqui.
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Seda chinesa manchada de sangue daqueles 26 mártires e conservada como relíquia.
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Orações cristãs em japonês. Muitos mantiveram sua religião em segredo — e usando a terminologia portuguesa, como a palavra “Oração”. Quando os estadunidenses aqui chegaram em 1853, encontraram algumas dessas pessoas.

Eu circulei por ali interessado em apreender e aprender daquilo tudo, pelo pacífico lugar com poucos visitantes e algumas fotos grandes do Papa Francisco ao lado dos gentis funcionários japoneses. É uma visita que toma cerca de 1h se você quiser olhar as coisas com calma, um diria.

Quando entrei, o céu estava nublado, uma daquelas manhãs úmidas com a temperatura nos seus vinte e tantos graus, um certo ameaço de chuva no ar. Quando saí, já estava um sol a abrir, aquele sol que rasga a umidade e traz calor na sua pele. 

O memorial de concreto aos 26 mártires, se impressionante, era também algo frio e modernista — resultado talvez da sua época de confecção no século XX. O lugar estava vazio, um tanto ermo. As ruas íngremes e curvas que traziam da estação de trens até aqui tampouco tinham muita gente.

Retornei pra lá, agora sob sol, e reatravessei a passarela para desta vez tomar o bonde antigo até o Memorial da bomba — mas não sem antes almoçar ali por perto.

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De volta àquele eixo monumental de Nagasaki, agora sob sol, e rumando ao Memorial da Paz onde jogaram a bomba.
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Tomemos o bonde antigo. Ele é um tanto apertadinho, mas funciona. Se você tiver comprado o passe de um dia como eu fiz, basta mostrá-lo ao motorista.
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Todos a bordo.

O mui educado motorista do bonde agradecia mecanicamente a cada pessoa que descia — até cansar. Já não me lembro se ele me agradeceu quando eu desci. 

Saltei na área mais ao sul da cidade onde o memorial fica. É uma área de ares quase residenciais, embora a gente aqui no Japão sempre encontre bodegas onde comprar ou comer algo em quase todos os cantos. Era hora de almoço, então comer era premente antes de visitar qualquer coisa outra.

Buscando o ramen nosso de cada dia, achei um lugar de entrada meio espalhafatosa, mas que estava bem avaliado no Google. 

Breve eu estaria lá dentro ouvindo Beyoncé cantar “I’m a survivor” para me encorajar enquanto eu aguardava o meu ramen de conteúdo indefinido chegar. Como de hábito, não sei por que cargas d’água, serviram o copo de água com gelo 0800 para acompanhar. A ideia de tomar água gelada com sopa ainda me é um mistério.

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O meu point de almoço hoje, bodeguinha com ares de lanchonete servindo ramen e muito mais, nas vizinhanças do Memorial da Paz em Nagasaki. Preços camaradas.
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O ramen nosso de hoje, sopa de macarrão com o que seu olho aí estiver vendo. Não sei dizer o que mais tinha — só sei que estava gostoso.
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Ê ô ô, vida de gado, povo marcado ê, povo feliz.

A Nagasaki dos holandeses na Ilha Dejima

Eu quase ia lhes contando de imediato o que fiz após o almoço, que foi visitar o Memorial da Paz, mas achei que talvez fosse mais didático contar primeiro da visita que fiz no fim da tarde à Ilha Dejima, onde os holandeses — e apenas eles — tinham permissão de ancorar durante o tempo em que o Japão se fechou ao mundo. Acho que assim talvez fique mais fácil apreender a cronologia nagasaqueana.

Os japoneses se referiam ao seu comércio com os ocidentais como o comércio Nanban (dos “bárbaros do sul”, literalmente). Era um contraste aos bárbaros do norte, os Ainu, nativos de Hokkaido de quem lhes falei anteriormente

Como se sabe, as culturas orientais são bastante etnocêntricas (não adianta tentar dourar a pílula), os japoneses se achavam a sumidade da civilização e viam com maus olhos ocidentais sem modos, a seu ver sem disciplina, e que não tomavam banho. (Há de se concordar que eles tinham certa razão.)

Ao mesmo tempo, não queriam deixar de realizar lucrativo comércio nem de seguir antenados aos conhecimentos úteis dos ocidentais, ainda que certas tecnologias — como as armas de fogo — fossem banidas. A resposta para isso foram os batavos, os holandeses. 

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A pequena Ilha Dejima foi aonde os holandeses foram alocados por 200 anos neste porto de Nagasaki.
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Representação da ilha. Os holandeses tinham aí seus empórios, armazéns, mas precisavam de permissão para deixar este espaço confinado e ir Nagasaki afora. A ilha foi criada cavando-se um canal na península para reduzir os portugueses àquele espaço em 1636. Com a expulsão dos lusos e de todos os demais em 1639, acabaram alocados em Dejima os holandeses a partir de 1641.
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O canal criado para fazer a ilha artificial de Dejima ainda existe, mas no século XIX os japoneses aterraram parte do porto histórico de Nagasaki. Hoje portanto o mar fica mais longe, e em torno de Dejima há mais cidade.
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Diante da Ilha Dejima em Nagasaki, hoje uma espécie de parque temático sobre a presença holandesa nesta cidade entre 1641 e o fim do século XIX.

Desembarquei de bonde ali no final da tarde para o que talvez seja o lugar turístico mais pitoresco que há em Nagasaki. Fizeram um parque temático até interessante aqui, que vale a sua visita.

Eu me senti um pouco pelas ruas históricas de Singapura, ou pela cidade de Phuket, ou ainda por Penang, na Malásia. Todas têm marcas das presença ocidental aqui na Ásia com casas de madeira do fim do século XIX ou início do XX. O estilo é praticamente o mesmo.

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Ao desembarcar do bonde, é preciso primeiro dar uma volta para chegar até a ponte.
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Você cruza a ponte, que antigamente era toda de pedra, ligando Nagasaki à ilha Dejima, onde os comerciantes holandeses — e alguns outros visitantes ocidentais ocasionais — ficavam restritos. A entrada me custou ¥520 (uns US$ 3).
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Dentro, o casario de época, hoje reconstituído. Bandeirolas laranja em homenagem à Holanda enfeitavam o lugar.

Se você estiver curioso acerca do que os japoneses queriam dos holandeses, a essa altura do campeonato — pense aí os idos de 1700 — os japoneses haviam caído no gosto do açúcar, como os europeus.

Note, entretanto, que não se tratava de açúcar brasileiro nem caribenho, mas de açúcar produzido aqui mais perto na atual Indonésia, colônia onde os portugueses haviam inicialmente se instalado, mas que a partir de 1619 começou a cair em mãos holandesas. (A título de curiosidade, até a independência da Indonésia em 1949, sua capital Jakarta se chamava Batávia.)

Os japoneses também ficaram interessados em medicina ocidental. Então volta e meia vinham médicos e cientistas alemães ou de outras partes da Europa protestante passar temporadas aqui para ter com os japoneses.

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Representação de um armazém de açúcar, que os japoneses muito valorizavam. O açúcar muitas vezes constituía um presente, um agrado aos senhores feudais com quem os japoneses lidavam.
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Mimos holandeses na Ilha Dejima hoje.
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Esta igreja metodista inglesa data de 1877. Durante o tempo em que estiveram aqui, os holandeses eram proibidos de realizar celebrações religiosas. Apenas em 1873 o cristianismo deixou de ser proibido, após o fim do regime Tokugawa e a reabertura do Japão aos ocidentais.

Dejima hoje é como um museu a céu aberto com algumas áreas internas sobre aquele tempo — e com uma certa cara de Velho Oeste aqui e ali. Afinal, a arquitetura em madeira e esse estilo anglo-saxão do século XIX tem suas semelhanças mundo afora. 

Fãs desse período podem também ir ao Jardim Glover (Glover Garden), atração muito popular entre os turistas anglófonos no que era a morada de um mercador escocês — Thomas Glover — que viveu aqui no século XIX, após a reabertura do Japão.

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Vias em Dejima.

Há, claro, uma certa falta de alegria nesse ar aí acima. Dejima por vezes parece um parque temático meio derrubado, meio ermo, onde n’algumas partes eu me via caminhando sozinho por entre aquelas estruturas reconstruídas. (Afinal, lembrem-se de que houve nada menos que uma bomba atômica lançada aqui, meus caros.)

É mimoso e histórico, mas nada assim que tome mais de 1h. Eu passaria mais tempo no Memorial da Paz com os detalhes do que foi o lançamento da bomba atômica aqui. É a visita sine qua non a se fazer em Nagasaki, evidentemente.

A Nagasaki moderna, da bomba

Badala um clique-clique de relógio quando você adentra o museu sobre o ataque atômico em Nagasaki, às 11:02 da manhã do dia 9 de agosto de 1945. É arrepiante. Ainda que você já saiba do que ocorreu, é ainda assim um lembrete potente que o transporta.

Quem assistiu a Oppenheimer (2023) viu os detalhes de como, no calor da Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos investiram bilhões de dólares no chamado Projeto Manhattan para a criação de uma arma atômica que lhes desse uma vantagem bélica definitiva no conflito. 

Se a intenção inicial era usá-la contra os nazistas, à altura de 1944 — quando o Projeto parecia dar resultados — os alemães já estavam mal das pernas e na defensiva, após sua mal-sucedida invasão da União Soviética em 1941 e a virada da maré.

O Japão, que ainda lutava, acabou sendo assim escolhido como alvo. Os estadunidenses argumentariam depois que foi para evitar as mortes decorrentes de uma invasão por terra, e acharam que matar centenas de milhares de civis foi uma boa solução.

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As figuras-chave envolvidas no contexto do desenvolvimento da bomba atômica, no Memorial da Paz em Nagasaki.
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Nagasaki à época era uma cidade pujante. Uma vez reaberto ao mundo, o Japão lançou-se Ásia afora como uma potência imperial. Nagasaki era um dos seus principais estaleiros. Estas são fotos de antes da bomba.

Quando Hiroshima foi bombardeada três dias antes em 6 de agosto de 1945, o Japão ficou atônito que uma só bomba tivesse causado tal devastação. Seus cientistas confirmaram que se tratou de um ataque atômico, mas apontaram que os Estados Unidos não conseguiriam produzir mais do que um número muito restrito daquelas bombas no curto prazo. 

De fato, só se para além da bomba de urânio lançada em Hiroshima, os EUA também haviam desenvolvido bombas de plutônio como a que seria lançada sobre Nagasaki dali a poucos dias. Estas pareciam mais rápidas de preparar, e breve seria possível lançar uma por semana.

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A bomba atômica apelidada de Fat Man (homem gordo, pelo seu formato) tinha um núcleo de plutônio e tecnologia diferente daquela de urânio usada contra Hiroshima três dias antes. Os norte-americanos estavam, claramente, testando as tecnologias que haviam desenvolvido.

Sabemos que o Japão imperial não era nenhum mocinho (como tampouco eram os europeus), tendo matado centenas de milhares no Massacre de Nanquim (1937) na China e feito miséria Sudeste Asiático afora. 

Entretanto, lamentam-se sempre as vidas de pessoas que diretamente nada tinham com as decisões tomadas lá em cima pelos governantes e industriais do império.

A bomba explodiu a 500m de distância do chão, lançando uma onda de calor que arrasou a estrutura da cidade, retorcendo objetos de metal e incinerando dezenas de milhares de pessoas num instante. 

Uma tempestade de fogo daí se forma, reduzindo o restante em chamas, e em cerca de 30 minutos se inicia uma chuva negra daquele cogumelo formado de nuvem no céu, se onde caem partículas radioativas.

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O relógio que parou às 11:02 do dia 9 de agosto de 1945, retorcido pelo calor da explosão.
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Pedras chamuscadas.
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Terço derretido da comunidade cristã que podia após 1873 sair das escondidas e era relativamente pujante em Nagasaki.
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Arroz carbonizado na lancheira da estudante naquele fim de manhã.
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A destruição.

O museu do Memorial da Paz é forte, como não poderia deixar de ser. Não se trata de uma visita água-com-açúcar.

Você é capaz de circular ali por umas 2-3h, a depender da sua capacidade de absorver daquela informação. O custo de entrada, a ¥200 ou pouco mais de 1 dólar, é módico.

Há toda uma área de exposição de itens, assim como painéis explicativos sobre aquele momento histórico e testemunhos gravados em vídeo no fim do século XX com alguns sobreviventes já idosos e legendados em inglês.

Uma curiosidade que poucos conhecem é que houve cerca de 200 dos chamados duplos sobreviventes, ou seja, pessoas que estavam em Hiroshima dia 6 de agosto e se refugiaram em Nagasaki em tempo de sofrer também a segunda bomba — e sobreviver. Há mesmo de tudo sobre esta Terra.

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A extensa exibição.
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Há um memorial com pilares de luz às muitas vítimas que não sobreviveram. Dezenas de milhares morreram depois com os efeitos da radiação.

A bomba de Nagasaki foi o estopim final para a rendição japonesa. Após Hiroshima em 6 de agosto, dia 8 os soviéticos — sentindo o cheiro de oportunidade na debacle japonesa — declaram guerra ao vizinho insular.

Dia 9 ocorre este bombardeio aqui, com o qual os EUA queriam acabar a guerra, mas também mostrar o resultado do investimento feito e, sobretudo, dar um sinal da sua superioridade tecnológica à União Soviética, no prelúdio que já se desenhava da iminente Guerra Fria.

Dia 14 de agosto de 1945, o Japão assinaria sua rendição com a condição de que seu sistema político imperial fosse mantido — ainda que apenas formalmente. Os oficiais dos EUA escreveriam a nova Constituição japonesa oficializada em 1947 e até hoje em vigor.

O Japão, entre outras coisas, ficaria proibido de ter forças armadas, e basicamente desde então é um protetorado norte-americano. Paga todos os anos bilhões de dólares para manter bases militares dos EUA no seu território, e como qualquer observador pode perceber, basicamente não tem mais voz geopolítica própria.  

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O Memorial da Paz em Nagasaki fica na área alta de um amplo parque construído no chamado hipocentro da explosão. Isso porque a bomba atômica explode no ar (neste caso a 500m de altura), sem tocar o chão.
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No exato hipocentro da explosão atômica em Nagasaki.

O parque feito aqui é hoje um lugar plácido e quieto. Um visitante desavisado jamais suporia o que ocorreu. (A propósito, aos preocupados, tampouco há resíduos radioativos mais.)  

Os poucos turistas — mera fração do que se vê em Hiroshima — se diluíam em meio aos moradores japoneses que por ali passavam. Estavam rarefeitos, espalhados pelas várias áreas verdes separadas por escadarias e fontes. Algumas imagens de inspiração religiosa oriental também compunham o ambiente.

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O Parque do Memorial da Paz em Nagasaki, Japão.
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Imagem com uma mulher lamentando a criança morta em 1945.
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Há imagens diversas pelo verdejante parque.
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Estátua da Paz, inaugurada em 1955. A mão direita apontando para o céu relembra a explosão, enquanto a mão esquerda estendida simboliza a paz que é para haver sobre a terra.
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Caminhando pelo parque, com a Fonte da Paz ali adiante. Nas estátuas, mães agora felizes com suas crianças.

Hora de voltarmos à estação e deixarmos Nagasaki. 

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Nagasaki reconstruída. (Há escadas rolantes aqui nesta parte coberta para os que têm dificuldade de subir!)
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Tomando o bonde de novo. As estudantes de uniforme pareciam personagens de algum filme de época.

Está aí a resiliência japonesa, o que junto com os bilhões de dólares depois investidos aqui pelos Estados Unidos em relações comerciais favoráveis (como feito na Europa, para espantar o comunismo soviético) levantou o país como uma nação desenvolvida e moderna, ainda que com seus problemas e geopoliticamente podada. 

Eu daqui fui a Dejima, como lhes narrei, e tomava meu caminho de volta à estação para regressar a Fukuoka. De lá, seria a vez de rever Hiroshima, a qual eu havia visitado há mais de uma década.

Prazer, Nagasaki, cidade fundada pelos lusófonos e que tanto experimentou.

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Estação central de Nagasaki, sul do Japão.
Mairon Giovani
Cidadão do mundo e viajante independente. Gosta de cultura, risadas, e comida bem feita. Não acha que viajar sozinho seja tão assustador quanto costumam imaginar, e se joga com frequência em novos ambientes. Crê que um país deixa de ser um mero lugar no mapa a partir do momento em que você o conhece e vive experiências com as pessoas de lá.

One thought on “Conhecendo Nagasaki e sua história para além da bomba

  1. Quem diria, Nagasaki, fundada pelos portugueses!…Eita povo pioneiro… Que interessante… Não sabia…
    Armas de fogo no Ocidente, provavelmente antes que no Oriente, onde a pólvora foi inventada… Curioso…
    Conhecidos esses abusos do catolicismo… Infelizmente…

    Interessante essa pontualidade japonesa em relação aos trens… Maravilha…
    E que charme, esse trem.. Uauu.. Um espetáculo.. E que velocidade… Meu jovem, invejável… Dá prazer viajar em um trem chique e rápido desses… ora ora… que beleza… Quem dera ter desses por aqui…

    E que curioso, esse amor pela Holanda hahahaha. Não esperava hahaha Mas que o trem é lindo, isso é… Uma graça… todo laranjinha.
    Lindo o parque temático…. Uma graça… Parece a Holanda mesmo hahah.

    Belíssimos esses campos de arroz…Um primor de cultivo e de paisagem… Adoro arroz …hahaha

    E ainda bem que a cidade foi remodelada… O algoz se passa por benemérito, para dominar e controlar… Conhecidas essas histórias…
    Constrangedor é ver que após esse horror, esse mesmo povo, valoriza a língua, muitos dos hábitos, da cultura e até da alimentação horrível desse algoz.

    Chique essa Estação Ferroviária… Parece bem organizada…Tudo limpo e arrumado…
    Essa parte moderna da cidade é bonitinha..
    Uma graça o bondinho antigo…

    Café ???? simm. Sou sim..cadê??? hahaha?????

    Água gelada acompanhando sopa hahah curioso…haha. Não conhecia…
    A comilança está com a cara ótima… Melhor ainda está a do jovem viajante… hahaha . É isso ai… comer bem é preciso…

    Curioso esse hábito de vestido com calça e tênis… Tem algo parecido com algumas mulheres na Índia…

    Horrivel essa crucificação.. Tétrica.. Ave-Maria… Que horror..
    Vilgen, os ocidentais sendo chamados bárbaros ….

    Uma graça esse parque… Lindo o estilo..

    Curiosa essa história do interesse no açúcar… tanto por parte deles quanto por parte dos holandeses, atrás de tomar os pontos açucareiros dos portugueses em todo o mundo conhecido daquele tempo, inclusive a ocupação deles no NE do Brasil, mas particularmente Pernambuco e Bahia.

    História triste, a dessas bombas…
    Impressionantes, o fato em si, a história, as cenas e o Memorial…
    Que horror… Horripilante.. Terrível… As imagens são dantescas…Muito fortes… E que efeitos horríveis…
    E, nossa..houve sobreviventes???? e os mesmos sobreviveram às duas??? uau… Incrível…

    Pelo visto, muito bom o museu… Imagens impressionantes…Que desastre…
    Realmente bonito o Memorial; bem organizado, com flores, jardins e muito verde.
    Muito significativo colocarem uma área verde no local onde foi lançada a bomba, as estátuas de depois da bomba…
    O Monumento à Paz… Lindo e dramático.
    E que horrror, vergonhoso, depois de tanta devastação, aceitar e até “curtir” como se fosse um título, um bonus, o ser “Protetorado norte-americano.” Vá entender ????

    Excelente e histórica viagem, meu jovem.
    Uma aula de História, e um alerta contra a corrida armamentista e suas consequências.
    Maravilha..

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