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As 10 melhores cidades para turismo no mundo: Minhas favoritas

Recentemente, eu postei os meus 10 países favoritos no mundo para turismo. Foi o festejo pela milésima postagem no site e, de quebra, os meus 40 anos. No albor desta data, ainda em clima de “saideira” da festa, eu resolvi complementar e postar também as minhas 10 cidades favoritas para turismo nestas primeiras décadas de vida.

Se destacar países favoritos é uma tarefa difícil, falar de cidades é ainda mais. Cidades têm uma “localidade” maior, são o concreto que a gente experiencia, são algo mais tangível. A subjetividade fala mais alto. Há quem ame Nova Iorque, Paris, São Paulo ou Brasília e quem lhes tenha profunda antipatia. Parece-me algo inevitavelmente controverso.

Assim sendo, vai este post talvez mais até como um diário — para que vocês conheçam onde mora o meu coração — que como um guia. Gostam de dizer que coração de gente é terra onde ninguém passeia. Pois bem, claro que muita gente já passeou no meu, e aqui cidades também passeiam.

Seguem abaixo esses passeios mais marcantes, da décima para a primeira. Destaco que se trata de cidades de porte. Sobre cidadezinhas fofas eu talvez poste um outro dia.


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10. Cidade do México

Certa vez eu li uma postagem no Instagram de uma gringa dizendo que Buenos Aires era mil vezes melhor que a Cidade do México. Com todo o respeito que a capital argentina me deve — ela por onde já passeei memoravelmente —, eu li aquilo como se alguém tivesse injustamente dito que minha filha na escola era menos que sua coleguinha. (Tá louca?!)

A Cidade do México e eu somos “parças”, ela me acolhe e eu entendo ela. Tenho-lhe respeito como que por uma senhora de cuja história de vida eu me inteirei e por quem eu desenvolvi uma afeição. (Uma senhora 600 anos mais velha que eu, mas que importa?

Aos meus compatriotas brasileiros, eu gosto de dizer que a Cidade do México mistura a pujança urbana de uma São Paulo com a centralidade política de Brasília e a polaridade cultural-nacional do Rio de Janeiro — tudo numa só.

A imensa Cidade do México tem coisa para ver que não falta — da herança asteca do tempo em que se chamava Tenochtitlán, a heranças coloniais e um Museu de Antropologia estupendo, aos murais de Diego Rivera, à Casa Azul onde este viveu com Frida Kahlo no fofo bairro de Coyoacán, ao Balé Folclórico Mexicano no Palácio de Belas-Artes e tanto mais. 

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9. Marrakech

Bem-vindos ao Marrocos — e, nele, à minha cidade preferida no país. Marrakech e sua medina são um mundo.

Sim, é um mundo um canto caótico, mas há beleza nesse caos. Por detrás da fuzarca dos vendedores e expositores de tudo o que você imaginar na praça principal (desde acrobatas a encantadores de cobras), há do charme tradicional árabe, suas arcadas, as suas laranjeiras, e as flores em meio a jardins escondidos por entre as antigas edificações. 

Eu fiz várias postagens sobre a cidade, falando da minha chegada nela, do meu dia-e-noite na medina, dos palácios árabes com seus jardins, ou da experiência pessoal de morar um mês numa pousada aqui (Memórias de um Albergue Mouro).

Essas vivências, junto com o charme e a autenticidade de Marrakech, moram no meu coração.

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Lisboa 012

8. Lisboa

Essa acima é uma foto hoje já clássica, mas que pelo meu ar imberbe vocês hão de perceber que foi tirada já há muitos anos atrás — antes de o Instagram existir e de essa foto virar moda. Nesse tempo, Lisboa ainda não era esta cidade de hoje, onde a cada 5 minutos você ouve português brasileiro.

Não serei eu a falar mal da presença tupiniquim em Portugal, até mesmo porque adoro o cosmopolitismo lusófono que Lisboa veio a adquirir — com indianos falantes de português, angolanos, moçambicanos, cabo-verdianos, brasileiros, lusos e outros todos misturados no que é hoje, certamente, a cidade mais global da lusofonia. Digo apenas que gostei de conhecer um pouco a “Lisboa de outras eras”, como canta o fado, tanto que segui e sigo visitando a capital portuguesa anualmente desde então.

Aos que conhecem o Brasil, eu gosto de dizer que Lisboa é tipo Salvador sem muvuca. Tenho uma amiga de Niterói que, coincidentemente, eu descobri que dizia o mesmo comparando Lisboa ao centro do Rio de Janeiro. Há diferenças, por óbvio, mas estou mais interessado nas semelhanças.

Lisboa é a capital da Europa onde eu me sinto em casa, quase que como numa ilha atlântica que faz a ponte entre a América Latina e o Velho Continente. Vai ver que a Jangada de Pedra sobre a qual escreveu Saramago não se despregou, continuou aderida ao continente, mas seu papel de intermédio oceânico entre dois mundos separados apenas por água e pela política segue mais vivo que nunca.

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7. Bangkok

Onde será isso?“, deve ter se perguntado o nobre leitor ao ver a foto, talvez satisfazendo-se ao ver a resposta. Bangkok, a capital tailandesa, é famosa por levar ocidentais à loucura. 

Não fiquei louco, mas fiquei enamorado de Bangkok, sim. Não tanto pelas festas habituais — apresentadas nos filmes americanos — da Bangkok noturna, mas pelo charme e pela autenticidade da cidade de modo geral, tanto de noite quanto de dia, quando reinam a paz e a beleza de seus muitos templos budistas.

Essa foto foi num memorável réveillon na cidade, aonde já voltei duas outras vezes para provar da sua maravilhosa comida regada a leite de coco, tomar café à moda daqui com leite condensado, e até para participar como pagem do noivo num casamento tailandês.

Bangkok tem uma originalidade única que eu admiro, uma aura aventuresca que me toma em qualquer canto seu. 

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6. Praga

Praga é a rainha medieval do meu coração. Não há cidade de porte mais medievalesca que ela, a capital da República Tcheca. Torres e ponte do século XIV, ruelas de pedra, e uma atmosfera que consegue ao mesmo tempo ser soturna e vivaz. Soturno pelos contos de horror medieval que os locais adoram lhe fornecer, e ainda assim vivaz pela pujança turística que a cidade adquiriu.

Já escrevi sobre suas igrejas (inclusa aí a famosa Basílica do Menino Jesus de Praga), sobre o Natal na cidade, assim como sua herança histórica e as voltas na cidade de modo geral. E falando de “volta”, eu acho que já contei uns 10 retornos à cidade após a minha primeira vinda a ela quase 16 anos atrás (ocasião da foto).

Esta não é só uma história subjectiva: a capital da Tchéquia está mesmo entre as mais belas da Europa.

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Budapest 1 47

5. Budapeste

Budapeste é vida. A capital húngara pulsa alegria. Aliás, sabe-se pouco da química que liga latinos e húngaros, esse povo centro-europeu de origem asiática e que se parece tão pouco com os seus vizinhos. São um país diferente, a Hungria, que tem na sua capital uma das mais contemporâneas da Europa.

Fiz uma postagem aqui sobre a cidade que — por gentileza de vocês — está entre as 10 mais lidas de todos os tempos no site. Talvez seja também por haver poucos outros que também vieram e exploraram a fundo Budapeste.

Tenho grandes amigos húngaros, o que é claro que azeita a coisa, mas a verdade é que uma das minhas amizades húngaras mais antigas é Budapeste, ela própria. Outras vieram se adicionando.

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Amsterdam 1 28

 

4. Amsterdã (ou, como escrevem os portugueses, Amesterdão)

Amsterdã é cidade onde eu morei por mais de 5 anos. Já a disse ser, de certa forma, a cidade mais bonita do mundo, ainda que não seja a minha favorita.

Amsterdã, com seus canais e água por toda a cidade, é especial. Não dá para compará-la de modo casual a outras cidades. Seria como comparar um carro a um submarino, uma tartaruga marinha aos jabutis. 

Sim, como Bangkok ela tem o seu lado libertino (ainda que a capital tailandesa de muitos modos vá mais além), porém tem também o seu lado artístico, comunitário e até religioso. É, em todas as suas facetas, uma cidade de beleza — sobretudo se você for sortudo o bastante para pegá-la com sol. 

Não planejei, Amsterdã entrou na minha vida quase que por acidente quando há 17 anos atrás eu buscava um doutorado. Encontrei, mas encontrei também mais que isso.  

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Opera Garnier 1 15

3. Paris 🥉

Este sou eu na Ópera Garnier de Paris este ano — eu que, como que numa versão própria do Curioso Caso de Benjamin Button (2008), passei a ter mais em vez de menos cabelo com o avançar da idade.

Paris é a escolha clichê aqui dentro do meu rol, para usar a palavra francesa. Refere-se àqueles estereótipos da imprensa do século XIX — no sentido literal —, de imagens que se tinham prontas para imprimir em grande quantidade. Paris, de fato, hoje tipicamente aparece em quase todo ranking de cidades favoritas para o turismo. 

No meu caso, quem já havia lido meu post com minhas 20 capitais europeias favoritas (em ordem), certamente sabia que a encontraria aqui. (Já fica aí também aí evidente que, portanto, as duas acima dela neste ranking de cá não são europeias.)

É que não dá para ignorar Paris e o seu papel na cultural mundial — cidade que se atreve a ser ela mesma e a se achar a capital do mundo mesmo num tempo de dominância clara do inglês e da cultura de massa norte-americana. Ela não perde a majestade.

Estar em Paris é um estado de espírito, afinal, não é só algo geográfico. Não sou bobo a ponto de achar que daí a cidade é perfeita e sofrer com a tal Síndrome de Paris de alguns turistas desapontados, mas sei reconhecer que é uma cidade talvez inigualável no tanto de atrações histórico-culturais e coisas para ver. 

Abaixo, vai um rol das minhas andanças aqui até o momento:

Bordejos em Paris na primavera (Parte 1): Conhecendo lugares mais famosos (Arco do Triunfo, Torre Eiffel, e Champs Elysées)

Bordejos em Paris na primavera (Parte 2): “Les Invalides” com o mausoléu de Napoleão, e o “Panteão” de grandes homens da França

Bordejos em Paris na primavera (Parte 3): Monmartre, o Sacré-Coeur, e os contrastes entre a França da belle époque e a de hoje

Bordejos em Paris na primavera (Parte 4): O Museu do Louvre e o Musée d’Orsay em 15 fotos cada

Bordejos em Paris na primavera (Parte 5): A Paris gótica e suas igrejas (Notre-Dame, Saint-Sulpice, Sainte-Chapelle, e a Capela da Medalha Milagrosa)

Bordejos em Paris na primavera (Epílogo): Depois de uma semana em Paris…

Visitando Montmartre, o bairro boêmio de pintores e Amélie Poulain em Paris

Paris no outono – e no pós-pandemia

Musée de l’Orangerie e os lírios de Monet em Paris antes das Olimpíadas de 2024

Visita aos interiores da Ópera Garnier em Paris, inspiração ao Fantasma da Ópera

150 anos do Impressionismo: Visitando a exibição Paris 1874 no Musée d’Orsay

E, como bônus, 

Uma visita completa pelo Palácio de Versalhes na França

Visitando o Castelo de Chantilly perto de Paris

Visitando o magnífico Château de Fontainebleau, o preferido de Napoleão, perto de Paris

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Hong Kong 6 32

2. Hong Kong 🥈

Este sou eu em Hong Kong, a terra de Bruce Lee. A cidade chinesa, que era formalmente britânica até 1997, é das raras metrópoles do planeta a ter trocado de país no passado recente. 

Isso dá a Hong Kong um certo ar internacional. Sim, é China, e isso fica óbvio quando se caminha pela rua, mas há também uma perceptível atmosfera transnacional (ou não-nacional) nesta que parece uma cidade-estado — só que mais aberta e menos identitária que Singapura.

Não digo identitária no sentido corriqueiro que essa palavra hoje tem, mas no sentido de que Singapura doutrina seus cidadãos a abraçarem uma forte identidade singapurense, enquanto que Hong Kong me parece se ocupar menos disso. Resultado? Temos uma cidade que simplesmente “é”. É uma cidade — com moeda própria, aduana própria, língua própria — onde se vê gente de todo lugar, aonde pessoas de quase todos os países do mundo podem ir sem visto.

É uma cidade que, talvez por isso mesmo, seja a cidade por excelência dos expatriados do mundo, daqueles que — longe das suas pátrias de origem — vivem por aí, batizados em águas internacionais e com uma cultura pessoal mundializada.

Acerca daquilo que Hong Kong oferece, você pode ver minhas postagens abaixo:

Bem vindos a Hong Kong: Entre prédios, templos e jardins no dia do aniversário de Buda

Visita a um templo taoísta (Wong Tai Sin) em Hong Kong: Conhecendo a religião tradicional chinesa

Hong Kong: O Mosteiro Po Lin na montanha e o Grande Buda de Tian Tan, na Ilha Lantau

Dim Sum originais cantoneses em Hong Kong: Os restaurantes chineses de petiscos

A experiência de celebrar o Ano Novo Chinês na China, em Hong Kong

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1. Istambul🥇

E o Oscar vai para… Istambul, a cidade que já teve três nomes (Bizâncio e Constantinopla antes do atual) e única metrópole do mundo a se estender por dois continentes, Europa e Ásia. 

Sim, é uma cidade europeia — digo eu ao leitor que porventura possa ter se perguntado sobre a sua ausência no meu ranking de capitais favoritas na Europa —, mas é que Istambul é mais que isso.

Embora esteja na Turquia (cuja capital é Ancara, não Istambul), a antiga Constantinopla dos gregos me transmite algo atemporal, um encontro de civilizações das muitas que já andaram pela Eurásia. Veem-se traços de quase tudo aqui, do passado e do presente. É uma cidade multicultural, uma cidade cosmopolita e — desnecessário dizer — uma cidade pujante.

Istambul faz eu me sentir, de certa forma, fora do tempo e do espaço — faz-me viajar como que num livro de História das civilizações e ignorar que existem fronteiras. Se o mundo um dia abolisse suas fronteiras e pedisse que cada cidadão votasse numa cidade para ser sua capital, Istambul teria o meu voto. E, falando nisso, estou precisando voltar.

Istambul, Turquia (Parte 1): Hagia Sophia, a Cisterna da Basílica, e a Mesquita Azul

Istambul, Turquia (Parte 2): Rumelihisari e um café da manhã turco às margens do Estreito do Bósforo

Istambul, Turquia (Parte 3): Perdendo-se nas ruas, no Grand Bazaar, e nos doces turcos

Istambul, Turquia (Parte 4): O Palácio Topkapi, morada dos sultões otomanos

Istambul na primavera: Revendo o Grand Bazaar, Hagia Sophia, a Mesquita Azul e outros lugares da maior cidade da Turquia

Istambul na primavera (Parte 2): Kariye Museum e as heranças bizantinas para além de Hagia Sophia

Istambul na primavera (Parte 3): Ortakoy e passeio de barco no Estreito do Bósforo

Mairon Giovani
Cidadão do mundo e viajante independente. Gosta de cultura, risadas, e comida bem feita. Não acha que viajar sozinho seja tão assustador quanto costumam imaginar, e se joga com frequência em novos ambientes. Crê que um país deixa de ser um mero lugar no mapa a partir do momento em que você o conhece e vive experiências com as pessoas de lá.

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