(Este será um post longo.)
Quioto (Kyoto) é uma cidade tradicional, efetivamente a mais tradicional do Japão, mas com um ar surpreendentemente moderno.
Lembro-me de quando cheguei à cidade pela primeira vez e tomei um susto. Eu imaginava uma cidadezinha à moda antiga, toda em arquitetura tradicional japonesa, um tanto como nos filmes e animês — uma antítese da Tóquio dos prédios modernos.
Que nada. Quioto se revelou bastante parecida, como realmente é todo o Japão. (A mesma pessoa parece ter planejado o país inteiro na reconstrução do pós-guerra).
Só que Quioto tem o lastro de ter sido a capital imperial por mais de mil anos (794-1867), tem incontáveis templos antigos e um sem-fim de paragens românticas, na acepção original da palavra. Só não espere que a cidade inteira seja assim. Como em outros lugares do Japão, o antigo e o moderno aqui estão justapostos.

Ver todos os templos de Quioto é o mesmo que tentar visitar todas as igrejas de Roma, só que sem um Vaticano para lhe dar centralidade. Há dezenas de templos belíssimos, uns mais que outros, uns xintoístas, outros budistas, e mais de uma dúzia deles reconhecidos pela UNESCO como Patrimônio Mundial da Humanidade.
Assim sendo, várias paragens eu já havia visitado na minha primeira vinda à cidade, como o Pavilhão Dourado (Kinkaku-ji), o Pavilhão de Prata (Ginkaku-ji), o Templo dos Mil Portais (Fushimi Inari), entre outros.
Vale dizer, inclusive, que alguns destes são mais fotogênicos e “de fama” que de sensação da visita propriamente. O famoso bosque de bambu em Arashiyama, inclusive, é um certo pega-turista bonito nas fotos, mas que desaponta muita gente na vida real: curto, e bambuzais como aquele você encontra — com menos gente e mais atmosfera de quietude — noutras áreas.
Há bastantes lugares menos famosos e que, a meu ver, oferecem uma experiência de visita bem mais refinada e potente a quem busca lugares belos ou zen em Quioto.


Exceção feita ao Shoren-in, que eu já havia visitado em 2013, era hora agora de descobrir lugares novos de Quioto, pois sempre há mais aqui.
O meu foco seria a área de Higashiyama, no lado oposto da cidade a Arashiyama, Quioto que fica num vale de norte a sul com verdes colinas no leste e no oeste.
Como eu descobriria aqui neste retorno à cidade, não faltaram daqueles lugares que você visita e se pergunta: “Como é que eu não sabia deste lugar? Como foi que eu não vim aqui antes?”.
Cheguem mais. Vamos dar uma volta pela cidade.




Encontrando a Quioto do dia-dia, antes dos templos
Quioto nos recepcionou com o seu habitual movimento de carros. Avenidas cheias, luzes de prédios modernos perto da estação de trens (que mais lembra um imenso centro comercial), e aquele inconfundível aroma de arroz cozido nas ruas estreitas — dos fundos dos restaurantes — que revela que estamos na Ásia.
Era já noitinha, nós saídos de Kanazawa no oeste do país. Quioto seria a hospedagem final do que foi este longo périplo pelo Japão. Embora eu já tivesse passado aqui vários dias numa outra vinda e visto bastante coisa, é contra a lei visitar o Japão e não passar por Quioto.
Vim eu portanto novamente. Havia agora bem mais turistas estrangeiros, graças em boa parte à enorme desvalorização do iene de 2022 para cá. Franceses e italianos passavam por mim aqui em pequenos grupos, um australiano e outro acolá. Poucos lusófonos ainda, embora o número de turistas brasileiros esteja crescendo desde o fim da exigência de visto.
Ainda que mais visitadas, as coisas japonesas autênticas perseveram na cidade — para o bem ou para o mal.

Eu poderia ter procurado outro, mas este tinha um cardápio que me atraiu — e eu não estava disposto a ficar andando indefinidamente até achar outro.
Entramos, recebidos por uma senhora japonesa sorridente que nos acolheu até arranhando umas frases de inglês, e nos instalamos. Apesar do que o ângulo na foto acima possa sugerir, estes eram assentos de verdade, não almofadas onde se sentar de pernas cruzadas.
Limpamos as mãos em toalhas quentes que recebemos sobre as mesas de madeira e, com elas, um tira-gosto de grãos de soja cozidos.
Viriam depois o meu nasudengaku (berinjela grelhada com um molho preto e ligeiramente adocicado por cima, lembrando o teriyaki) e um chazuke, que é uma espécie de arroz cozido afogado numa tigela de chá verde com algas — e que é mais gostoso do que se talvez imagine.
Tive a sorte de que ninguém perto de mim acendeu cigarro, naquele restaurantezinho enclausurado — ainda que de forma aconchegante, com seus ares de cabana de madeira e teto baixo, com assentos almofadados à japonesa — embora me desse certa ansiedade de que, a qualquer momento, minha refeição seria inundada por fumaça de alcatrão.



Dei ainda uma passada estratégica num 7-Eleven — as onipresentes lojas de conveniências japonesas — do outro lado da rua para ter algo comigo no hotel, e estava pronto para o dia seguinte.
Pela região tradicional de Higashiyama
Quioto fica espremida entre duas áreas de colinas verdes, a leste e a oeste. Espalha-se do norte até, no sul, encontrar-se já com a Grande Osaka, que sempre foi o porto para a antiga capital japonesa.
Higashiyama significa literalmente as “montanhas do leste”, e cobre toda a zona na margem oriental onde a cidade encontra as colinas, uma área plena de templos e ruelas pitorescas.
É possível passar todo um rico dia passeando por lá, que foi o que eu faria hoje. Meu périplo serve até de roteiro para um dia por Quioto a quem gostar.
Tomei um dos ônibus que o Google Mapas orienta até a parada Chionin-mae e desci já perto do Shoren-in — um reencontro, e nossa primeira visita do dia.



Shoren-in
Shoren-in é um templo budista que foi erigido para ser uma residência no século XII, quando o imperador japonês seguia esta vertente do budismo (a Tendai), das muitas que há. Pôs o seu filho para ser instruído pelo sacerdote-chefe, e para eles mandou construir esta casa na colina, onde a instrução pudesse ocorrer.
Em tempo, o lugar acabou se tornando um templo propriamente dito, embora preserve certos ares residenciais.
A 600 ienes (cerca de US$ 4) a entrada, o lugar estava agora mais “turistado” que antes quando eu vim aqui em 2013, mas conserva seu ar quieto — até porque a maioria dos turistas não vêm aqui.
Você passa pelas canforeiras, passei também pelo trabalho de reforma que estavam fazendo no exterior, mas logo me encontrava de volta àquele tatami nos halls amplos do interior, com altares budistas e desenhos cá e lá.




Eu me lembro de como passei frio na primeira visita, que se deu no inverno. Aquecimento zero, seus 5ºC à época, e o chão frio onde era imperativo pisar descalços ou só de meias. Desta vez, sendo primavera, a coisa estava mais amena.
Não se deve deixar de passear também pelo jardim, onde se põem os calçados novamente e onde agora há um percurso pré-estabelecido de visita, embora você não seja impedido de circular à vontade. Só proibiram o acesso às rochas à beira da água, onde eu me lembro de ter andado na década anterior.
Os turistas outros que havia eram ainda bem poucos para a amplitude do lugar, com seus bambuzais e pavilhões outros mais ao fundo.
Tudo tinha uma atmosfera de isolamento dos estímulos da vida moderna. Não direi “do mundo”, pois o mundo está ali: o farfalhar do vento nas árvores, o som da água e o toque das tábuas de madeira sob seus pés.





Demos toda uma volta leve por aqueles jardins e neste quieto pavilhão dos fundos, num ar ainda molhado de começo de primavera e vendo pouquíssimas outras pessoas.
Você leva pelo menos uma meia hora circulando pelo Shoren-in se visitar os jardins, embora evidentemente possa passar todo o tempo do mundo se quiser se aquietar um pouco.
Como eu tinha rumo — e bastante na agenda pra hoje —, despedi-me das portentosas canforeiras e segui.
Chion-in
O templo também budista Chion-in fica logo ao lado do Shoren-in, mas é preciso sair deste, retornar à rua e depois tomar uma escadaria para o que parece a entrada dos fundos do Chion-in. Este é de acesso gratuito.

Chovia um pouco — coincidentemente, como também no dia em que vim ao Shoren-in pela primeira vez —, aquele chuvisco de caboclo, a chuvinha fina de melar mais a janela que você.
Prossegui vendo carros estacionados (pois, quando não estão em ação, os monges daqui são motorizados), o que deu aquele clima de entrar pelos fundos da casa de alguém, mas logo comecei a avistar os pavilhões característicos dos templos japoneses.
Tudo em madeira, havia uma meia dúzia de pavilhões amplos — alguns bem grandes, e certos deles conectados entre si por pontes de madeira.
O lugar, estando fora do roteiro de clássicos instagramáveis em Quioto, estava bem escasso de turistas (fascinante como são estas dinâmicas de manada hoje em dia, em que hordas de pessoas vão todas aos mesmos lugares enquanto outros ficam vazios), o que lhe permitia experimentar da venerável quietude budista sob o aroma de incenso tranquilamente.

Aos curiosos, o Chion-in é contemporâneo do Shoren-in, ambos do século XII — tempos áureos do budismo no Japão, sob grande entusiasmo e patrocínio dos imperadores de então.
Só que o Chion-in pertence a outra vertente, a chamada Seita da Terra Pura, de que lhes falei em Kanazawa e que acontece de ter aqui neste templo a sua sede.
Falar em “seita” em português faz parecer que se trata de coisa de lunático, mas é apenas como se traduz às línguas ocidentais do japonês jodo-shu, a escola de budismo que surgiu a partir da Tendai, mas que começou a enfatizar a prática individual do chamado nenbutsu ou ninfu: recitar o nome de Buda praticar os seus preceitos com atenção plena — ou o que se convencionou hoje a chamar de mindfulness em inglês.
À época do século XII, a ascensão do budismo no Japão como uma força social patrocinada pela corte imperial acabou levando a situações de clientelismo e sacerdotes corruptos. Descontentes, liderados por um monge alguns criaram então esta vertente para pregar a prática da iluminação mesmo num ambiente social corrompido.





Ouviam-se só os sons dos corvos a grasnar lá fora, naquele dia nublado e úmido com 23ºC , cá dentro a fragrância sublime do incenso ao que eu me assentava no tatami de palha diante desse Buda dourado de 2m.
A propósito, aos fãs de incensos japoneses ou de simpatias budistas e lembrancinhas do gênero, aqui no Chion-in há uma loja ampla e boa — inclusive boa de preço. Eu achei aqui uma seleção bem melhor de coisas do que nas lojas cidades afora e pela metade do custo que encontrei no Senso-Ji em Tóquio ou nas áreas mais pop de Quioto.
Eu havia me detido para tomar o segundo café nosso de cada dia (ainda que de lata, mas no Japão faça como os japoneses), e acabei fazendo uma verdadeira feira de incensos para me durar anos — até a próxima viagem para cá.

Parque Maruyama & Santuário de Yasaka
O Parque Maruyama (Maruyama Park) foi onde este périplo por Quioto começou a ficar um tanto mais turístico. Isto é, onde eu comecei a encontrar mais gente, inclusive uma certa abundância de estrangeiros.
Este parque é conhecido como um dos locais mais belos de Quioto onde ver a famosa floração das cerejeiras (hanami) — que já havia ficado para trás —, mas é visitado o ano todo.



Nesta área fica o Santuário Xintoísta de Yasaka — um dos muitos em Quioto e Japão afora que levam o nome de Yasaka Shrines, pois estes nomes dos templos budistas ou xintoístas no país se repetem. (É um pouco como “Igreja da Graça” em Portugal e no Brasil).
Este, entretanto, é dos mais benquistos e antigos do Japão, pois data de 656 d.C., antes mesmo de Quioto se tornar capital.
Como sempre fazem reformas, pela estrutura física não se diria ser ele tão velho, mas o que eles olham aqui sempre é menos a parte arquitetônica e mais a antiguidade do templo ou santuário enquanto instituição.



Aqui ao lado fica a famosa área de gueixas de Gion, e novamente não faltou gente — inclusos turistas chineses, ocidentais ou indianos — vestida de quimono japonês para tirar foto.
Às vezes era engraçado. Certamente há um viés no olhar de quem vê, mas não deixava de ser curioso e meio fora de lugar ver aqueles biotipos não-asiáticos nas roupas tradicionais japonesas.
Vários andavam meio desengonçados de modo claramente desconfortável, como quando a gente olha e sabe que a outra pessoa está andando descalças só pelo desconforto comunicado na linguagem corporal, sem nem precisar ver os pés.
(Eu próprio não sou exceção. Em Bali, vestido obrigatoriamente de sarong para entrar num templo, minha própria mãe riu litros dizendo que eu estava andando como se estivesse cagado.)


Aos poucos, chegava a hora sagrada do almoço. As vias em torno deste Parque Maruyama e do Santuário Yasaka se transformaram já em grande medida em artérias turísticas com coisas à venda, então não foi tão difícil achar um ramen (sopa de macarrão).
As ruas são estreitas e não necessariamente charmosas, mas tinham das habituais máquinas onipresentes de bebidas e algumas bodegas aqui e ali. Ao longe, via-se já o alto de um pagode de 1440, chamado de Torre de Yasaka (Yasaka no to).


Os templos Ryozen Kannon & Kodai-ji
Não é difícil que depois de um tempo vendo templos semelhantes se fique um tanto saturado — o que chamam em inglês de ficar templed out.
Isso pode ocorrer também com quem visita igrejas barrocas em Minas ou, com uma amiga minha, igrejas ortodoxas na Rússia, todas muito parecidas. Porém, quem entra na chuva é pra se molhar, e por isso também eu quis concentrar estas visitas em Quioto num só dia, pois é também a sequência de dias parecidos que pode vir a cansar.
Tendo almoçado, segui então para os vizinhos Ryozen Kannon e Kodai-ji, ambos budistas, mas não sem antes me deter novamente noutra lojas de incensos — avaliando em retrospecto que eu não havia comprado suficientes no Chion-in. (Historicamente, meu arrependimento quase sempre é de ter comprado pouco, raramente de ter comprado deles em excesso.)


O Ryozen Kannon chama a atenção já desde o lado de fora pela imensa estátua budista em posição de lótus. De 1955, ela tem 24m e 500 toneladas de concreto e aço, apesar da placidez que emite.
Paga-se um preço módico de ¥300 (o equivalente a menos de US$ 2) para se chegar à área interna, preço que já inclui uma vara de incenso para acender na sua oração.


A breve malandragem, se é que podemos dizer assim, corre por conta de este ser um templo dedicado aos soldados japoneses mortos na Segunda Guerra Mundial. Daí o incenso ser gratuito — ou já estar incluso no preço da entrada —, para compelir os visitantes a acendê-lo ali no santuário dedicado a essas almas.
Não é todo visitante ocidental ou da China ou do Sudeste Asiático, onde os japoneses cometeram crimes de guerra, que se sente exatamente à vontade prestando o que poderiam parecer honrarias, mas a coisa pode também ser vista da perspectiva da compaixão.
Acendi meu incenso — com minhas próprias intenções — naquele lugar dedicado àquelas almas que, como todas, devem estar precisando de luz, e segui.


Kodai-ji é considerado um dos jardins mais harmoniosos do Japão. De fato, o lugar proporciona uma visita deliciosa, num percurso pré-estabelecido que dura uns 20 minutos (ou mais, se você for devagarinho).
Ele foi construído no comecinho do chamado Período Edo, quando os xoguns sob o nome do imperador unificam e fecham o Japão aos contatos com os estrangeiros (exceção feita aos holandeses comerciando em Nagasaki).
Toyotomi Hideyoshi (1537-1598), que foi um desses unificadores, exercendo autoridade sobre os diversos clãs e potentados regionais do Japão de então, tinha na sua esposa filha de samurai — Toyotomi Yoshiko — uma confidente e aliada política.
Quando Hideyoshi morre, ela se torna uma monja budista sob o nome de Kodai-in e vem morar no que seria este novo jardim zen, que leva esse seu nome.


As pitorescas ruas de Ninenzaka & Sannenzaka
Se você seguir rumando a sul do Kodai-ji, chegará às pitorescas ruelas de Ninenzaka e Sannenzaka, uma após a outra.
Elas são das áreas mais cênicas e fotogênicas de Quioto, a quem busca mesmo um ar mais tradicional e de casas antigas de madeira em meio à cidade moderna que ela se tornou.
Esta foi a primeira zona urbana de Quioto a ser tombada como área de preservação histórica, e foi onde eu encontrei aquele Japão antigo e romântico de arquitetura tradicional, como eu na minha inocência na primeira visita achei que Quioto inteira seria.
Só não se pode esperar estar sozinho. Essas são das áreas mais densamente visitadas da antiga capital imperial japonesa, onde você realmente sente a presença do turismo e do crescente número de estrangeiros vindo ao Japão. As ruelas, claro, hoje são plenas de lojinhas, e há um fluxo intenso de pessoas quase no nível do Senso-Ji em Tóquio.





Atravessei aquele formigueiro hoje comercializado, olhando aqui e ali nas lojinhas, mas verdade seja dita, apesar da fama os japoneses serem esmerados artesãos, eu acho estas lojas quase sempre inundada por produtos industriais — por mais bonitinhos que às vezes sejam.
Acho mais fácil encontrar produto realmente artesanal (e por um preço acessível) noutras partes da Ásia e do mundo (como no sul da Europa ou na América Latina) que aqui no Japão.
Vida que segue, pois — com minha sacola já plena de incensos — eu não estava exatamente atrás de mais compras aqui. Meu objetivo era chegar ao Kiyomizu-dera, o templo final deste périplo.
Passa-se, antes disso, pois mais uma ruela cercada de lojas e plena de turistas, ainda que menos cênica que Ninenzaka e Sannenzaka.


Kiyomizu-dera, templo budista tombado pela UNESCO em Quioto
O Kiyomizu-dera é uma das grandes atrações de Quioto — e uma das que eu, junto com Ninenzaka e Sannenzaka, misteriosamente não vi na minha vinda anterior à cidade.
É que há muito aqui e, como em Istambul ou em Roma, o jeito é vir várias vezes para ir visitando os vários lugares gradualmente.
Kiyomizu-dera é um dos 17 monumentos históricos tombados em Quioto como Patrimônio Mundial da Humanidade, e certamente um dos mais fotogênicos de todos. Isso porque fica numa área elevada, já praticamente nas colinas e com vista para a cidade.





Enquanto instituição este templo data de 798 d.C., mas a edificação atual é dos idos de 1633, tempos do xogunato Tokugawa.
Uma curiosidade é que sua área principal é toda em madeira encaixada, sem um único prego.


Uma curiosidade é que, naquele Período Edo (1603-1868), abraçou-se a crença de que saltar os 13m que separam essa plataforma do chão — e sobreviver — era uma forma de tornar um desejo realidade.
Eu não sei que origem isso tem na cultura oriental, mas lembrou-me o final de O Tigre e o Dragão (2000), quando a personagem de Zhang Ziyi faz algo parecido das montanhas.
Aqui, registraram-se 234 pulos no Período Edo, sendo 35 deles sem final feliz. Nos outros 199 o pulante viveu para avaliar se o desejo se realizaria ou não. Hoje, é proibido por lei se jogar daqui.




Epílogo: De volta à Quioto nova, e encerrando esta viagem no Japão
O Kiyomizu-dera, como essas ruelas históricas em Higashiyama, se revelaram uma descoberta e tanto para mim em Quioto, eu que já havia passado dias aqui na cidade vendo outras coisas há muitos anos atrás.
Quioto fechava com chave de ouro este meu retorno ao Japão depois de mais de uma década desde a visita anterior. Eu ainda fui daqui a Nara num bate-e-volta, ter meu reencontro lá com o Todai-ji e aquele que é o maior Buda de bronze do Japão. Voltava entretanto a Quioto, meu último hotel.
Na minha noite final na cidade, fui ter outro reencontro que posterguei até demais, e sem o qual eu não me veria com dignidade indo embora do Japão: a ida a um kaitenzushi, um daqueles lugares de comer sushi na esteira que vai passando com várias opções. Sei que não é a coisa mais gourmet do mundo, mas para mim é uma experiência sine qua non no Japão.



Falando em “debaixo”, aos interessados este kaitenzushi fica debaixo da Torre de Quioto (Kyoto Tower), no andar B1, onde há toda uma praça de alimentação.
Não é só Tóquio que fica entre o tradicional e o moderno, afinal. O Japão inteiro de hoje é assim.
Eu deixo vocês com um vídeo de música de rua que fiz numa das noites aqui em Quioto, mostrando um outro lado desta antiga capital imperial hoje. Um dia eu retorno.





Que maravilha essa viajada por esse vibrante e majestoso país.
simplesmente maravilhoso.
Fiquei encantada. Um mundo mágico, diferente, magnifico.
Tudo lindo… Uma natureza fantástica, harmoniosa, divina, belíssima.
Belissimos templos, uma cultura maravilhosa. sem igual.
Belas e encantadoras paragens, lindas e modernas cidades…. Uma graça….
Amei…
Obrigada, meu jovem por tanta beleza e história.
Fabuloso.