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Costa Rica

O Jardim das Cachoeiras La Paz na Costa Rica

A Costa Rica é talvez o país com o setor ecoturístico mais avançado e organizado do mundo. 

Em clima de Carnaval, eu sou daqueles que já vai gritando “É campeã!” antes mesmo de o desfile terminar. Embora ainda fosse o começo do meu passeio pela Costa Rica, o padrão já ia ficando claro.

Cada restaurante ou atração aqui parece um parque ecológico de fazer inveja no Brasil — não à natureza brasileira, mas na estrutura e organização para o turismo, além do marketing eficaz. As estruturas fazem parecer que você está num parque da Disney. (Os preços também, mas a Costa Rica graças a um abundante turismo internacional consegue fazer que as pessoas paguem por isso.)

Aí você veja como são as coisas e como o dinheiro flui: o brasileiro de poder aquisitivo vai à Disney, gasta lá; o estadunidense vem à Costa Rica para conhecer o trópico e gasta aqui. 

Falta-nos talvez um hábito de curtir e valorizar natureza que não sejam praias — ao brasileiro médio, que pudesse fazê-lo à là família, para a pessoa mediana e para todos os gostos, não apenas aos trilheiros.

Mas esse é um papo que continua depois. Por ora, eu havia terminado meu agroturismo à produção de café e a visita ao vulcão Poás, e agora chegávamos ao Jardim das Cataratas La Paz (La Paz Waterfalls Garden) para o almoço. 

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A Costa Rica tem muitos ambientes serranos assim de Mata Atlântica. Eles gostam de chamar estes ambientes de matas nubladas (bosques nubosos ou cloud forests), que têm certo frescor de temperatura pela altura serrana e uma umidade característica.

Em visita ao Jardim das Cataratas La Paz

A área zoobotânica

Não ache que está indo para alguma das chapadas brasileiras tomar banho de cachoeira — não vai. A pegada aqui é outra. Nada tem a ver com as trilhas nas chapadas brasileiras, a começar pela natureza aqui semelhante à Mata Atlântica, bem mais densa e úmida.

Este lugar é mesmo um complexo de visitação, com muita natureza, mas dentro de uma certa estrutura, como veremos. Tudo (ou quase) tudo é pavimentado, sinalizado, com corrimãos etc. 

É um parque com diferentes zonas, e — ainda num fim de manhã — nós começamos pela área zoobotânica, que no que se refere aos animais contém apenas espécimes apreendidos de gente que os tinha ilegalmente como mascotes, etc.

Este é, portanto, um refúgio de animais resgatados, que muitas vezes não têm mais condições de sobreviverem sozinhos se fossem retornados à vida selvagem. Há áreas de aves, anfíbios, entre outros.

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Este é um daqueles parques com mapas, do tipo que tem diferentes zonas. A névoa lá atrás por sobre a mata dava o tom. Há uma certa sensação de magia no ar.
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Arara resgatada.
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Esta, que é a mesma acima, é a que se chama em português de araracanga (Ara macao).

Nativa cá das Américas como todas as demais araras, ela é bem comum aqui pela América Central, notável pela três cores. Existe no Brasil na região amazônica, mas não é dos tipos mais comuns. Há mais de uma dúzia de espécies de araras pela América tropical, algumas delas ameaçadas de extinção.

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É um animal esplendoroso.
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Os tucanos também são todos nativos das Américas, e este é um tipo que não ocorre naturalmente no Brasil, o tucano-de-peito-amarelo (Ramphastos sulfuratus).
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Há um jardim de borboletas também — o maior da Costa Rica.
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Outra mais de perto. (No caso das borboletas eu não vou entrar em nome de espécie, até porque eu não vi e isso eu não sei de cabeça. Deixo aí para os meus amigos taxonomistas.)
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Este é o macaco-prego-de-cara-branca (Cebus capucinus). Parece os do Brasil, mas não é. Este é nativo cá da América Central até o Equador.
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E o nosso querido bicho-preguiça, de uma das seis espécies que há. Todos são também nativos da América tropical.

Você passa ali um tempo, de galho em galho, de área em área vendo os bichos. 

Umas crianças que por mim passaram se divertiam avistando as serpentes e as rãs — em áreas separadas, cada qual por detrás do vidro numa área ampla. As cobras você quase não reparava em meio aos galhos (glup), mas algumas rãs se destacam bastante, às vezes em padrões surreais de cores.

Eu admito que não gosto muito de ver animal enclausurado, mas reconheço a função didática que eles lugares têm, sobretudo para as crianças pequenas. O fascínio ali na tenra idade era gostoso de ver. 

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Uma das muitas rãs nativas daqui. Sim, algumas são venenosas, mas não sei se era o caso desta.
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As orquídeas multi-cores, das flores mais belas que há. Aos colecionadores eu desejo boa sorte: há nada menos que 28 mil espécies diferentes de orquídeas no mundo.
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Uma das orquídeas em detalhes.
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É um sobe e desce danado, em que você se vê circulando por aquele ambiente.

O almoço nos jardins

Este é um parque extenso aonde as pessoas parecem vir por vezes passar o dia inteiro — ou pelo menos uma boa parte dele, sobretudo quem vem cá em família —, então há almoço que não é grátis. No nosso caso, porém, estava incluído no valor do tour.

Parecia um pouco restaurante em parque da Disney mesmo, só que — graças a Deus — mais latino-americanizado. Só não espere que seja um repasto muito digno de nota. 

Haviam-me feito um alarde danado (tanto o guia quanto a dona do meu albergue) sobre este restaurante ser super bem cotado, com muitas comidas típicas da Costa Rica etc. e tal.

Mentira. Não passa de um buffet digno, porém normal. Nada excepcional de que você vá se lembrar demais. É um tempero bem ordinariozinho, de praça de alimentação de shopping. A parte “gastro” do turismo não foi ainda trabalhada aqui (talvez por grande número dos visitantes serem dos Estados Unidos).

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O comida podia não ser particularmente digna de nota, mas o ambiente era notável.

Era tudo semelhante muito à comida brasileira (feijão com arroz, salada de macarrão, guisados de carne, banana-da-terra frita), só que sem farinha — que, afinal, é um alimento sul americano.

Os refrescos naturales é que são uma mentira. São como as aguitas mexicanas, mas piores. Eu tinha a opção entre um kiwi elétrico ali ou um “té frío”, aquele chá gelado industrial que não tem muito a ver com chá, mas que me pareceu mais palatável.

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Meu almoço. Era um buffezinho normal, desses de praça de alimentação de shopping, sem grandes temperos dignos de nota.

O almoço, eu esqueci de notar, é daqueles que ocorrem tarde: lá perto das 14h.

Como eu não sou menino, no caminho até cá — numa parada técnica — já havia provado um copo de morangos com leite condensado, em parte pelo alarde que eles faziam sobre os morangos dali, e nisso resolvido comprar também um casaco à prova d’água em preparação cá para as cachoeiras, que — embora muito menores — respingam meio que à là Foz do Iguaçu. 

Fazendinha turística

Eu cheguei a comentar no post anterior que seriam 700 degraus descendo até as cataratas. É verdade, só que parte deles você já desce para chegar ao restaurante. Tudo é gradual — não se trata de uma longa escadaria.

Barriga cheia, o guia nos reuniu novamente para o acompanharmos aos poucos parque adentro (e mais abaixo), rumo às cataratas, mas não sem antes passar por um simulacro de fazenda costarriquenha à moda antiga para turista ver.

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Os trajetos dentro do parque são assim…
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…e depois, vão aos poucos ficando assim.
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Simulacro de fazenda tradicional costarriquenha em meio ao bosque nuboso.
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O boi é de verdade, ainda que o carro seja somente para tirar fotos.

Estes costarriquenhos são realmente engenhosos. Ali dentro da casa de madeira à moda antiga, mostravam-se coisas que também se encontram em qualquer casa de fazenda antiga no Brasil: utensílios rústicos, fogão a lenha, alguns alimentos pendurados. Os gringos olhavam tudo aqui com um misto de curiosidade e fascinação.

De quebra, serviam de cortesia no interior da casa um chá de rapadura (o que na Colômbia chamam de agua de panela), e pedacinhos de um tamal de masa, que nada tem a ver com os tamales salgados que se encontram por aí afora.

Este era um bolo de maizena no estilo dos bolos juninos brasileiros, só que mais ralo de sabor (o coco, se é que havia, e o próprio milho passavam longe). Parece até bolo de puba, mas não é. A textura era quase de pudim, só que menos doce.

Se fosse daqueles bons bolos caseiros, não haveria suficiente para o tanto que iam querer. Mas, de graça, a gente prova de (quase) tudo.

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Meu chazinho de rapadura, às vezes passado erroneamente como caldo de cana (que eles aqui chamam jugo de caña), que lembra mais aquilo que os colombianos chamam de agua de panela. (Ignorantes sobre o Brasil tanto quanto nós o somos sobre eles, todos limitados à superfície e melhor conhecedores das bobagens de mídia de massa ianque que das culturas um do outro, ficavam todos descrentes quando eu dizia que no Brasil também havia rapadura).
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Os costarriquenhos são atilados para o lado de valorizar comercialmente o seu patrimônio cultural e natural. Aqui, acolhiam os turistas numa espécie de casa de fazenda do interior.
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O ambiente é todo bem família. Parecia que eu estava num parque temático — meio Disney, ou meio à là Westworld — sobre a América Latina tropical.

As voltas pelas cataratas La Paz

Deixada para trás a civilização rural, adentramos propriamente os caminhos em meio à mata que vão descendo até as cataratas. Tudo é bem “família”, fácil de percorrer. Os joelhos sofrem um pouco de tanto descer degrau, mas no mais, tudo sussa.

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Sigamos.
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Mata adentro. Estes corrimãos têm apenas o aspecto de natural, mas são puro concreto.
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…até que, finalmente, se avistam as cachoeiras.
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Não é permitido se banhar aqui, mas tampouco dá lá muita vontade, pois a água é gélida. Estamos, afinal, a 1400-1500m de altitude.

Aos fascinados por tomar banho de cachoeira (como eu próprio), não se preocupem — logo mais adiante, noutro lugar aqui da Costa Rica, haveria a oportunidade.

Por ora, era caminharmos ali naquele ambiente úmido e molhado ouvindo o som das águas.

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Não faltava potência.
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As pessoas à beira de uma das cataratas.
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Com minha nova jaqueta impermeável Pura Vida.

E a volta?“, alguém pode estar se perguntando.

Não se preocupe. Estamos, afinal, num lugar beeem “para toda a família”, então não há grandes exigências físicas. Há um pouco que se sobe a pé, mas logo em seguida há uma van (shuttle) do parque que leva todo mundo gratuitamente de volta à recepção lá em cima. (Quem quiser fazê-lo a pé, claro, é livre para fazê-lo).  

Fiquei portanto ainda um pouco por ali, tirando algumas fotos, mas não demorou para o guia nos convocar que tomássemos rumo.

Como manda o figurino, há até uma lojinha (gift shop) na saída. É, realmente, uma visita bastante comercializada — à là Disney —, mas nisso é muito bem-feita, e com base não na fantasia, mas no patrimônio natural (e cultural) do país. Danada, esta Costa Rica.

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Hora de subirmos. A van do jardim dos esperava lá em cima para fazer o caminho de volta.
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Fotinha final com uma das cachoeiras.

Eu retornaria à capital San José no final da tarde, para no dia seguinte tomar um ônibus ao interior do país.

Era hora de agora ver coisas um pouco mais de raiz mais de perto. 

Mairon Giovani
Cidadão do mundo e viajante independente. Gosta de cultura, risadas, e comida bem feita. Não acha que viajar sozinho seja tão assustador quanto costumam imaginar, e se joga com frequência em novos ambientes. Crê que um país deixa de ser um mero lugar no mapa a partir do momento em que você o conhece e vive experiências com as pessoas de lá.

One thought on “O Jardim das Cachoeiras La Paz na Costa Rica

  1. Que maravilha, essa região… Que beleza… Esplendorosa… pujante…
    Belissima essa foto de abertura… Um primor… Linda…
    Tem razão o viajante… Pelo visto, ótimo o padrão da infra estrutura e da organização…
    Tudo bem pensado e voltado para o turismo. E aproveitando muito bem os recursos naturais.
    Quanto aos preços, é compreensível pelo tipo de turistas a que eles estão acostumados .
    O parque parece grande e bem cuidado… gostei da limpeza…

    Lamentável esse comportamento tanto por parte dos brasileiros, desconhecendo e desvalorizando suas riquezas, belezas naturais e culturais, quanto das instituições, que não promovem nem estimulam o conhecimento desse patrimônio.

    A natureza da Costa Rica é maravilhosa.
    Bela essa Mata Atlântica, densa, viçosa e úmida.
    Curiosa essa reserva de animais resgatados.Lindo e bem estruturado o ambiente.
    Majestosa, essa arara… Belíssima esse espécime…Lindas cores… Parece com umas que ví na Amazônia..
    Lindo também o tucano. Vi uns na Amazônia, mas não sei se são do mesmo tipo.
    Fofinha a borboleta… Uma graça…muito delicada…
    O macaquinho é engraçadíssimo, hahaha parece um velhinho hahah.
    Esse bicho preguiça é feio demais, coitado hahahah.
    Tenho um certo medo de ofídios e de rãs… prefiro a beleza e a graça das orquídeas… hahah… E quantas espécies, heimmm?Nossa… Mas são lindas e delicadas… Cada uma mais bela que a outra….
    Maravilhoso o ambiente…cheio de natureza… Uma beleza… Também prefiro.. Gosto pouco de ambientes fechados..
    Bem arrumadinho o parque…
    Bonitinha a fazendinha… e os boizinhos…

    Hahaha adorei a descoberta da “cuiúda”da propaganda da comilança … haha…Que horror parecendo tempero da alimentação de shopping.. hahaha
    Mas o prato estava bonito… e bem colorido….e com banana da terra… tudo de bom….
    Vilgen que almoço tarde…. para mim não daria… Prevenido o viajante…
    Aqui é garapa de rapadura, hahaha

    O povo , tanto de fora, quanto de dentro, desconhece o Brasil…Uma pena…principalmente o NE…um horror…

    Interessante o interior da casa de fazenda. Acho as do NE do Brasil mais ricas, como foGão a lenha, redes, corda para secar carne, moedor de cana , bichinhos domésticos, etc e tal
    Achei um pouco perigoso o caminho para as cachoeiras, muito inclinado, mata mais fechada etc…
    Mas, com certeza, as cachoeiras são magníficas, deslumbrantes, espetaculares… A natureza é soberba… Uma riqueza…Parece intocada…
    Lindíssima essa foto do viajante de braços abertos, com essa magnifica cachoeira atrás , .. Um espetáculo…Daria um belo poster…
    hahahaha
    Ainda bem que nào precisaram retornar todo o percurso na perna hahaha.

    Que o lugar é lindo, isso é…Não tenha dúvida… Majestoso o cenário…Energizante…Pura vida como bem percebeu o viajante brasileiro… Um banho de Natureza… Maravilha, meu jovem ….
    valeu…
    Viva a Costa Rica, viva a Latinoamérica.

    é

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