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Costa Rica

Nas matas nubladas de Monteverde na Costa Rica (Santa Elena Cloud Forest)

Estar nas nuvens costuma significar coisa boa, e estar nas nuvens é o que busca quem vem cá à região de Monteverde, Costa Rica. Nuvens tropicais serranas, daquelas que aplacam o calor, entre o frescor da floresta.

“Mas dá pra ver alguma coisa, Mairon?” Dá, na maioria das vezes. O que você tem é aquela atmosfera mágica, quase encantada, se você tiver a imaginação no lugar certo. Brumas de Avalon, só que brumas cá no neotrópico, nas matas das Américas.

É um lugar mais quieto e sereno que o Brasil. Os próprios ticos, os costarriquenhos, tendem a ser um pouco mais assentados. A água daqui se bebe, é potável na torneira, e as ruas do vilarejo serrano de Santa Elena têm um ar semi-parado, apesar dos turistas estrangeiros que a movimentam. 

É um daqueles lugares onde o tempo para um pouco. Você se esquece da vida lá fora. É um refúgio, despretensioso aos olhos inicialmente, mas que com tempo o cativa. A Costa Rica vai fazendo sentido.

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O caminho por uma das trilhas de Monteverde em meio à névoa característica daqui.

Santa Elena – o vilarejo base de Monteverde

Eu havia chegado a Santa Elena no dia anterior, procedente de San José. A viagem de ônibus desde a capital, que lhes narrei aqui em detalhes, havia durado cerca de 4h30. Meu plano era permanecer aqui duas noites, e assim foi, pois eu não costumo alterar meus planejamentos, só quando dá vontade.

Para a maior parte das pessoas, quem quiser experimentar Monteverde, conhecer de perto, duas noites com um dia inteiro no meio para fazer uma das trilhas são o suficiente — sobretudo se você precisar conciliar isto com outros lugares da Costa Rica. Estadias mais longas eu recomendo a quem quiser brincar de tirolesa (zipline), essas coisas, ou descansar.

Santa Elena se mostrou uma “beira de estrada” como tantas aí mundo afora surgidas pelo turismo (Ella no Sri Lanka, por exemplo).

Não é tanto uma cidade, mas casas ocasionais na beira da rodovia, exceção feita a um breve centrinho com ares modernos onde se cruzam a Calle Central e a Avenida Central. Desnecessário dizer que o cruzamento destas duas é o centro de Santa Elena.

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O aspecto geral de Santa Elena é este. Eu todo dia subia esta ladeira para retornar ao albergue. Não faltam alojamentos.
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A exceção fica por conta deste breve centrinho com cara de certos lugares do interior do Brasil. É, basicamente, apenas um cruzamento e suas adjacências.
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A vista para as colinas verdes, da frente de uma das muitas lojas para turista. O turismo é o que move Santa Elena.

Santa Elena é arrumadinha com seus sobre e desces. O excesso de carros, ônibus e picapes Hilux poluem um tanto o ambiente — tanto o ar como sonoramente —, mas não tiram o brilho do lugar.

As névoas às vezes engolfam tudo com facilidade. Você a olhos claros as vê chegando e tomando conta como que por magia, e dali a pouco, tudo se desfaz e o sol retorna.

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A névoa na serra.
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…tomando conta da cidadezinha.

Neste lugar, eu inclusive teria o encontro de uma vida, com alguém de quem jamais vou me esquecer, mas chegaremos lá.

No fim de manhã em que cheguei, procurei me situar. Localizei sem dificuldades o meu albergue, que ficava numa parte alta da beira-de-estrada. Tinha estruturas de madeira que casavam bem com o ambiente.

Administrava-o uma família. Quem realmente gerenciava era a mãe, uma mulher bonita e serena — beleza e serenidade de uma dona de casa bem apessoada — nos seus quase 50 anos. O marido, que não estava sempre lá, e era um sósia do ator Tom Hardy, com certo ar de quem bebia e não girava muito bem (dado àqueles risos com olhar de psicopata).

Por fim, a filha, uma bela moça de seus 18 anos, cabelos castanhos compridos, e que tinha um perigoso aspecto de Lolita, com aquele olhar desandado de mulher de signo de água e que faz dar voltas o cidadão.  

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A bela sala iluminada do segundo andar do nosso albergue.

Por conta eu fui almoçar, num lugar que eles recomendaram. Aqui, se você bobear, paga US$ 15 num hambúrguer ou US$ 20 numa pizza ordinária, em lugares para gringo comer — a versão costarriquenha do “para inglês ver”.

Melhor foi ir ao Bar Amigos, onde serviam PF por menos de US$ 8. (Aqui na Costa Rica, estes lugares servem pratos bem grandes, avantajados. Você não passa fome.).

Não há muito o que ver na própria cidade. Há um ranário, mas eu já tinha visto sapos e rãs em grande quantidade no Jardim das Cataratas La Paz no dia anterior. No mais, há várias lojas turísticas, muitas das quais vendem em dólares.

Afora o artesanato e souvenirs genéricos, muito gira em torno do café ou do chocolate daqui. Aí vale lembrar que — como ocorre também em cidades turísticas do Brasil, como Lençóis na Chapada Diamantina — você acha destas mesmas coisas mais barato no supermercado. Economiza fácil uns 3-4 dólares por pacote de café, por exemplo.

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Prato feito na Costa Rica, com o característico feijão com arroz, peixe frito, banana-da-terra frita, salada e ovo. Você não passa fome aqui.
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Dá até pra pedir um aipim frito, a boa velha macaxeira, o que no Centro-Sul provavelmente se venderia como mandioquinha. A América Latina e seus prazeres.
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Chocolates gourmet. (Às vezes, é mais embalagem que chocolate dentro. O marketing é bonito, mas os preços são salgados.)
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Cafés da Costa Rica — mui coloridos — numa das muitas lojas para turista em Santa Elena. A maioria das marcas você encontra mais barato no supermercado.

Trilha pela mata nublada de Santa Elena (Monteverde)

O principal chamariz nesta região é, sem dúvida, a possibilidade de caminhar entre as matas nubladas, e é o que eu faria no dia seguinte.

Há dois parques ecológicos aqui muito semelhantes: a Reserva de Mata Nublada de Monteverde (Monteverde Cloud Forest Reserve) e a Reserva de Mata Nublada de Santa Elena (Santa Elena Cloud Forest Reserve). Ambos têm entrada paga. 

Monteverde é mais cara (US$ 26), mais famosa, e atrai mais gente — sobretudo o público norte-americano. É um lugar mais estruturado e mais “família”, com trilhas menores e até espaço infantil. Seu grande “tchan” é uma ponte pênsil que você pode atravessar sobre a mata.

Santa Elena custa menos (US$ 18), e é ligeiramente mais “raiz” e menos turística. É mais para trilha mesmo. Não tem ponte pênsil (puente colgante, se você quiser aprender o nome em espanhol), mas delas eu veria noutro lugar da Costa Rica, então optei por Santa Elena.

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A Reserva de Mata Nublada de Santa Elena é assim, com trilhas mais raiz. Na Reserva de Monteverde, a coisa é mais turística, com segmentos pavimentados etc.

Chegando

Seja qual for a sua escolha, via de regra não há necessidade nenhuma de reservar com antecedência pela internet. Basta fazê-lo de véspera mesmo, através da sua acomodação. 

É preciso acertar com eles também o traslado, que é cobrado à parte e que normalmente se paga em dinheiro em colones, na moeda costarriquenha (2.000 de ida e outros 2.000 de volta). Ambos os parques ficam a coisa de 20-30min de viagem desde Santa Elena, porque a van vai pegando — ou, no caso da volta, deixando — outras pessoas nos outros hoteis e albergues. 

Eles dão uns três a quatro horários de retorno possível, então cabe a você se orientar na trilha para ver quando estar de volta, já que há um bom espaçamento de umas duas horas entre uma van e a outra.

Às 9h e pouca da manhã eu portanto estava lá à porta do meu albergue, aguardando a van chegar.

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A van que fez o transporte das acomodações em Santa Elena até a entrada da reserva ecológica. Leva uns 20-30 minutos, a depender de quantas paradas ela fizer para pegar gente.
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Vamos lá!
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A entrada da Reserva de Mata Nublada Santa Elena (Santa Elena Cloud Forest Reserve).

Não havia muita gente. Éramos uns raros gatos pingados no que era uma manhã úmida e até um cadinho fria — daquele leve friozinho serrano de mata — ainda às 9:30, num daqueles dias que parecem prenunciar tranquilidade.

Aquele centro de visitantes começa já com uma lojinha cheia de produtos, desde canecas a bichos de pelúcia. A coisa é bem estruturada, então há até uma rede de wi-fi própria da reserva, além de lanchonete e banheiros bons. 

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Banheiros dignos. Se você quiser usar, melhor fazê-lo antes de começar as trilhas. Lá mais adentro só há o mato.
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Cafeteria da reserva. Não havia lá muita coisa, mas tinha empanadas (fritas, como elas são aqui na Costa Rica), café, bolo, estas coisas. Eram lanches, não café da manhã.
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Um pedacinho de bolo antes da caminhada, pois eu faço o tipo trilheiro gourmet, que se detém pra tomar um cafezinho antes.

Às 9:40, após bolo e banheiro, segui eu sozinho trilha adentro. O começo é bem sossegado — aliás, a trilha toda é leve, sem aclives nem declives. Há quatro, que se sobrepõem um pouco. Ou seja, você começa por uma, e mais adiante precisa decidir se dá a volta num circuito mais curto ou se segue para completar circuitos mais longo.

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Assim. Começa-se ali da esquerda. A trilha vermelha é o circuito mais longo. A amarela é um circuito pequeno, e a verde é um circuito ainda menor.
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Estamos falando destas distâncias. Nenhuma das trilhas é portanto muuuuito longa. O tempo dependerá do seu passo.
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Vamos nessa.

Impressões, sol que não se levanta

O ambiente começa assim, com um acesso pavimentado que depois desaparece para dar lugar a um caminho de pedrinhas. Só bem mais adiante — na altura da trilha vermelha — é que o caminho vira puro chão, com alguma lama entre as folhas.

Havia uma atmosfera de Parque dos Dinossauros no ar, só que sem dinossauros — aquela mata fechada sem animais em vista e só os sons das aves que você escuta, mas não vê. Volta e meia, escutava-se o farfalhar do vento nas árvores.

Caía uma chuvinha fina, daquela fechada pela mata, com pingos grossos que às vezes despencavam.

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Os caminhos, ainda com britas no chão.
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A vegetação tropical exuberante.
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Aves que às vezes se flagravam lá no alto, mas poucas que se vissem.

Você consegue sacar de onde veio toda a imaginação para aqueles cenários de Jurassic Park.

Não demorou para as brumas surgirem e tomarem conta, o que aí já mudou a atmosfera — ao menos para minha imaginação. De repente, era como se elas trouxessem certo encantamento no ar. Fãs de O Senhor dos Aneis talvez tivessem uma sensação parecida à minha.

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Os caminhos pela mata nublada, com as brumas por entre as árvores.
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Dá pra imaginar, de repente, um ente da floresta ou algum personagem da Terra Média se manifestando ali naquela luz difusa por entre as árvores.

Segui em frente, rumo a uma torre de observação que havia. (Eu não acreditava que conseguiria ver muito nesta névoa, mas segui mesmo assim.)

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Perdoem-me talvez o excesso de imaginação, mas agora —vento assim estas estruturas soltas no meio da mata vazia — eu me sentia no seriado Lost.
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Vamos lá em cima ver o que há.
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Normalmente, dizem que você consegue ver até o vulcão Arenal — num dia claro. Nesta paisagem tomada por nuvens, que me parece ser recorrente, eu não via nem 10m diante de mim.
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Eis aqui como estamos, senhoras e senhores.
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Em meio às brumas da mata nublada na Costa Rica.
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A névoa sobre a reserva.

Estas florestas nubladas, devido à umidade constante, são dos ecossistemas mais biodiversos que há. Não há falta de musgos e outras plantas, como bromélias e samambaias.

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Grandes samambaias em meio à mata.
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Plantas viçosas naquela umidade quase constante.
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Frutinhas que, desta vez, me lembraram das venenosas que os protagonistas encontram em Jogos Vorazes. (Crianças, não comam frutos selvagens desconhecidos pela trilha.)
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As nuvens tomando quase toda a mata.
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…e nós cá embaixo, trilhando na vegetação.

Trilha adentro — e concluindo

Esta não é uma trilha muito longa — como você pode ter deduzido quando viu as placas com as distâncias numa das fotos acima.

Se eu efetivamente comecei às 9:40 e às 10:00 estava na torre de observação, às 10:15 eu já estava iniciando a parte vermelha (Caño Negro) da trilha. Cheguei a levar 1h inteira sem ver uma única outra pessoa, pra vocês verem como estava rarefeito.

Com o passar do tempo, a névoa ia-se embora e a pirâmide de Maslow começava a se impor. Ou seja, o esforço físico toma conta do encantamento. Melhor não procurar alimentos na própria trilha, então venha com uns lanches de bolso e água pra quando quiser fazer uma pausa. 

Num passo normal, sem grande pressa, eu às 11:50 chegava ao fim da trilha vermelha (Caño Negro), onde ela se reencontra com o restante. Às 12:00 eu estava no encontro da trilha amarela com a azul, e às 12:20 estaria de volta ao restaurante, em tempo de pegar a van que voltava às 13h. 

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Vistas de quando a névoa limpou um pouco. Ela às vezes é mais forte no começo da manhã.

 

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Eu por ali.
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Leves corredeiras…
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…e breves pontes. Quem ficou na vontade da ponte pênsil que há na outra reserva (Monteverde Cloud Forest Reserve), nada tema, pois teremos bastantes pontes pênseis pelo caminho na Costa Rica.

Fechando minha estadia em Santa Elena — e próximo destino em vista

Cheguei de volta à cidade perto de 1:30 da tarde, e fui almoçar. Conversei com uma polonesa moradora de Playa del Carmen, no México, e fiz amizade com Patrick, um alemão por quem eu havia passado também na trilha, e Emilie, uma suíça metade peruana e que mais valorizava a sua herança andina por parte da mãe que a suíça por parte do pai. 

A galinha do vizinho sempre é mais gorda. Eu achei curioso aquilo, habituado que estou aos brasileiros que exaltam a sua ancestralidade europeia quando a têm. 

Dei ainda algumas voltas bem breves, comi empanada de feijão com arroz — ou melhor, de gallo pinto, como eles chamam aqui —, e me organizava para tomar rumo já na manhã seguinte.

Em meio a estas despretensiosas voltas por Santa Elena foi que tive o inesquecível encontro de que lhes falei, e que não foi com nenhum desses acima.  

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Empanada (frita com elas aqui são) com recheio de feijão com arroz. Tive que vir à Costa Rica para experimentar isso.
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Igrejinha modesta na cidade.
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Suprindo-me com café costarriquenho a preços mais camaradas que nas lojas turísticas — e apreçados em colones, não em dólares.
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Esta marca aqui (Café Monteverde) está mui recomendada. Esta é a torra média, mas há também da escura e da clara a quem prefere outras.
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Carambolas! Fazia tempo que não as via. Eu cresci com um pé de carambola no quintal de casa, e gostei de como a Costa Rica ia-me sendo familiar.

E qual não foi a minha surpresa quando entro na fila do caixa do supermercado e vejo no crachá do funcionário que ele se chama Mairon. 

Eu já havia encontrado pessoalmente Miron, Myron e outras variações por aí — e tanto o Facebook quanto o IBGE já me deixaram claro que outros Mairons existem, mas encontrar assim ao vivo é outra (estranha) sensação. Nós que temos nomes raros vivemos a vida com uma sensação de singularidade; encontrar outra pessoa com o mesmo nome é quase como esbarrar num irmão gêmeo que você não sabia que tinha.

Não hesitei: a fila do supermercado às favas, e parei o serviço para tirar uma selfie com meu xará ali mesmo no caixa. 

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O encontro de Mairons no supermercado de Santa Elena, Costa Rica.

No dia seguinte, lá estava eu prestes a rumar a La Fortuna, outro dos principais destinos turístico neste país. Chegaria lá com uma mistura de ônibus e barco para atravessar um lago, tudo alinhado com a mesma empresa — mas isto é matéria para o post seguinte.

Por ora, eu me despedia de Patrick — coitado, que tinha seus 1,90m e ia sempre com as pernas ainda mais imprensadas que as minhas nestes apertados ônibus da América Central — e de Emilie, que iam agora para o litoral.

Muita gente segue aqui de Monteverde à costa pacífica da Costa Rica, que tem praias e reservas naturais. Mas praias eu tinha de monte pela frente, já que minha passagem aqui pela América Central incluiria o Caribe. (Emoções e belas imagens por vir).

Até mais, matas nubladas. Era hora de outras andanças nesta pequena notável dos trópicos.

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Lá ia Patrick, coitado, cujo ônibus chegou antes do meu transporte, e cujo aperto no assento ele nos mostraria depois. Mas estava feliz de estar por aqui em vez de Dortmund. Seu coração havia trocado o Vale do Ruhr pela América Latina.
Mairon Giovani
Cidadão do mundo e viajante independente. Gosta de cultura, risadas, e comida bem feita. Não acha que viajar sozinho seja tão assustador quanto costumam imaginar, e se joga com frequência em novos ambientes. Crê que um país deixa de ser um mero lugar no mapa a partir do momento em que você o conhece e vive experiências com as pessoas de lá.

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