Lá estou eu no interior da Costa Rica, no caminho entre a região de Monteverde e La Fortuna, a cidade que serve de base para as mais variadas atividades ecoturísticas no país.
Se você olhar no mapa, verá que a rota entre estes dois lugares é complicada. Há uma lagoa no meio do caminho, no meio do caminho há uma lagoa, a que eles aqui chamam de Laguna de Arenal, Arenal sendo o nome do vulcão ativo logo ali.
Nós o vemos a todo momento na trajetória.

Estamos num ambiente algo rústico, senhoras e senhores, de colinas que dantes eram completamente cobertas de cafezais, e que hoje dão uma paisagem algo mais diversa.
O cultivo de café na Costa Rica continua — nada tema, você aí preocupado com o preço do café. A principal causa do preço alto é precisamente a mudança climática e as secas num ambiente desequilibrado. Passar o serrote em tudo para fazer monocultivo de café por toda parte se mostrou contraproducente.
Os costarriquenhos têm hoje portanto um mosaico de cafezais e colinas com vegetação nativa entre um campo e outro.
Para atravessar este miolo do país — e a lagoa —, por sorte uma empresa oferece traslado de ônibus seguido de cabotagem e ônibus novamente do outro lado para aqueles querendo ir de Monteverde até La Fortuna. Foi uma pequena aventura em que eu embarquei.

A viagem de Santa Elena (Monteverde) a La Fortuna
Não é El Dorado, mas La Fortuna chega perto. Os ticos — os costarriquenhos — às vezes a chamam simplesmente de Fortuna.
Revelaria-se, de fato, talvez a cidade mais legal que eu visitei na Costa Rica. Turística, sim, mas que dispõe ainda de coisas autênticas: restaurantes familiares, a igrejinha da cidade, acomodações legais e uma bela vista para o vulcão. (De tão bela, de tão perto, você fica até assustado se der vazão aos seus instintos mais primitivos.)
Qualquer acomodação em Santa Elena organiza para você este trajeto para o dia seguinte — não há necessidade nenhuma de pesquisar por conta própria na internet, nem muito menos fazer reserva prévia. O reverso, de La Fortuna até Monteverde, acredito também ser verdadeiro.
Tudo começa com uma jornada de cerca de 1h na estrada dando voltas que ameaçam trazer de volta seu café da manhã. Saímos às 8:15, e 25 minutos depois de sair da cidade já foi necessário uma parada técnica de 15 minutos para que as pessoas se recompusessem.

Umas 9:30 paramos finalmente na beira da lagoa pra tomar o bote.
Quer dizer, dizendo assim parece até que se trata de algum bote inflável vagabundo; não é, é um barco motorizado digno, como um pequeno catamarã, com assentos adequados e cobertura.
Só que tampouco o transporte o deixa na beira da lagoa. É preciso caminhar um pouco por um trecho enlameado até chegar realmente à borda da Laguna Arenal, que estava um tanto seca. (É nestas horas que eu me regozijo de viajar com uma mochila e não uma mala de arrastar).




Às 9:50 o nosso bote chegou, após aguardarmos ali vendo os das várias empresas que fazem este traslado.
Às 10:00 nós zarpamos, e levamos ali uns 45 minutos no que é uma pitoresca viagem de barco.





Levam-se 45 minutos nesta viagem de barco, e depois um microônibus nos encontra do outro lado para mais 30 minutos de estrada — agora mais dóceis — até chegar a La Fortuna.
Às 11:15, nós já estávamos portanto despejando os passageiros, cada qual na sua acomodação. (É um serviço bem conveniente, e no todo não tomou mais que 3h. Você chega a La Fortuna em tempo de tomar um ar e de procurar almoço.)


La Fortuna, cidade-base para ecoturismo na Costa Rica
Faz um calor úmido em La Fortuna, bastante distinto do fresco ar serrano de Santa Elena. Temos aqui um ar bastante mais tropical, e com o vulcão ali à vista, quase sempre com seu cume coberto de nuvens.
As ruas são bem asfaltadas no que é uma cidade bastante horizontal e verde, de quadras aproximadamente simétricas e de um casario que não parece muito antigo. Lembrou-me um pouco Palmas (TO) ou alguma outra dessas cidades relativamente novas do Brasil, feitas já na era dos carros.





Dei umas voltas, e não demorei de ir parar na (muito recomendada) Soda Víquez para almoçar. Uma soda aqui na Costa Rica é um restaurante simples, familiar, pequeno demais para ser chamado de restorante no linguajar tico.
No Brasil, a gente virou um pouco geral nesse sentido, mas é um pouco como na Itália eles ainda conservam as diferenças entre o que é uma osteria, uma trattoria, um ristorante, etc.
Aqui na Costa Rica, as sodas são os melhores lugares que há onde comer — se você gosta de comida caseira simples e generosa. Em Santa Elena, praticamente já não havia nenhuma, mas aqui em La Fortuna, sim, há várias, e a Víquez foi a de que mais gostei. Virou meu point.

O que há para se fazer em La Fortuna? Procurar tours. É uma cidadezinha essencialmente turística. Curtir a paisagem com o vulcão em vista, dar estas voltinhas básica, perscrutar as lojas de souvenirs (a quem gosta), e apreçar os vários tours oferecidos.
Toda acomodação dirá que tem os melhores preços, mas quase sempre é mentira. Vale muito a pena sondar com os vários vendedores cidade afora. Neste caso aqui, às vezes os mesmos tours variam em qualidade a depender da empresa operando, e dá sempre pra chorar um desconto se você criar uma química com quem está vendendo.

Dá pra fazer de tudo: perguntar qual seu “último preço” depois do desconto, quanto fica pagando em dinheiro em vez de cartão, pagando em colones em vez de dólares, etc.
Via de regra, as pessoas que o atendem em espanhol (em lugar de inglês) estarão mais dispostas a lhe fazer um desconto na brodagem.

Arenal Xilopalo era o nome da minha acomodação, que eu recomendo. Dela eu podia caminhar para todo lugar, mas ao mesmo tempo eu tinha a sensação de estar ali perto da natureza nas margens da cidadezinha. Da janela do meu quarto eu via o vulcão de manhã.


Eu deixo vocês com mais algumas fotos daqui. Retornamos para, finalmente, embarcar em algumas das principais aventuras destes que há nestes arredores de La Fortuna — incluso aí o vulcão Arenal.







