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Costa Rica

Vulcão Arenal, Cachoeira La Fortuna e mais do ecoturismo na Costa Rica

Você está molhado, Mairon?“. Não, senhor(a), estou completamente encharcado. Só se salvaram, com muita boa vontade, a roupa de baixo e os documentos que eu sabiamente embrulhei num plástico dentro do bolso. O celular e a câmera também sobreviveram por pouco.

Sim, estou molhado e feliz, como a foto não me deixa mentir. A Costa Rica faz destas com você. Ao fundo, temos ali o vulcão Arenal, um dos vulcões ativos que há no país e um daqueles que você pode subir a pé numa trilha até certo mirante. 

Estamos em La Fortuna, a capital do ecoturismo na Costa Rica, este país que tanto sabe se valorizar e que atrai milhões de turistas todos os anos, que vêm cá ver as suas selvas, cachoeiras e vulcões.

Tudo aqui é sempre muito bem estruturado, o que dá a esta pequena notável da América Central mercados que nós no Brasil nem sonhamos em ter, mesmo com os dotes ecológicos inegáveis que o Brasil tem. (Senhores donos do capital, favor pararem de desmatar e aprenderem a ganhar dinheiro com a mata em pé. Grato.)

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Bienvenidos!

O tour mais completo para fazer em La Fortuna

No post anterior eu lhes mostrei esta cidadezinha de La Fortuna, despretensiosa, quente e úmida, centro das atividades de ecoturismo na Costa Rica. 

São tantas as coisas, mas qual escolher? Desnecessário dizer que “vai de gosto”, mas vai também da quantidade de tempo de que você dispõe. Eu teria, basicamente, um único dia inteiro cá, então resolvi ir logo num Combo Tour  — o mais completo de todos — que incluía:

  • A cachoeira La Fortuna, onde é possível se banhar. 
  • A trilha vulcão Arenal acima (até onde se pode subir, o que não chega à cratera)
  • Passeio pelo parque ecológico com pontes pênseis (hanging bridges ou puentes colgantes); e
  • Um tempo para banho num riacho de águas termais, o que é bem especial. 

Os hoteis e albergues sempre vão dizer que lhe asseguram o melhor preço, com desconto etc., mas — como de costume com estas coisas — é mentira. Vale a pena pesquisar pelas agências La Fortuna afora.

Este é um caso em que os preços e as experiências não são todas iguais. Tipicamente, as empresas mais caras oferecem ônibus mais confortáveis, às vezes guias que falam melhor inglês — e a coisa em geral é mais “gringada”, me pareceu. Isso tudo custa mais. (A 7Tours, por exemplo, que é das empresas mais finas e que mira no público gringo, queria me cobrar mais de USD 150).

Já nas empresas mais baratas, como a Jungle Tours, “los guías son más ticos”, disse-me o cara do hotel sem saber que aquilo para mim seria um ponto a favor. Ele quis dizer que os guias são mais “raiz” aqui da Costa Rica (mais zoeiros, os meus aqui seriam) do que aquela coisa meio cosmética internacional para turista anglófono.

De USD 120, eu consegui ainda baixar para USD 110 com o gordinho conversador na banquinha da Jungle Tours na rua. Engraçado foi que perguntei a ele sobre como seria o almoço incluído, e ele me assegurou: “Comida típica. No, hamburguesas no me llenan”, vaticinou ele, dizendo o que eu queria ouvir.

A única constante aqui é que sempre sai melhor pagar em dinheiro, seja onde for. E isso costuma ser em dólares, não em colones. No cartão, sempre sai mais caro porque aí acrescem 13% de IVA (imposto sobre valor agregado).

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O gordinho que me vendeu este pacote pela Jungle Tours numa das calçadas no centro de La Fortuna. Deu para comprar de véspera sem problema.

Primeira parada: a Cachoeira La Fortuna

Eu teria muito gostado que a parada neste cachoeira, onde é possível se banhar em deliciosa porém fria água, tivesse sido após a trilha quente vulcão acima, mas nem tudo na vida a gente escolhe. Ela seria a primeira, quando aquela água de cachoeira ainda está gélida da noite.

Depois de tomar o café da manhã caprichado que lhes mostrei na postagem anterior, lá estava eu às 8:00h aguardando ser apanhado. Às 8:10 eles chegariam, e nós saímos com o microônibus — ou buseta como dizem eles em espanhol — a coletar mais pessoas para o combo tour.

O nosso microônibus coloridamente enfeitado me lembrava quase o furgão de Salsicha e Scooby Doo.

Dentro, tínhamos uma dupla de guias de seus 25 anos que era uma verdadeira dupla de palhaços, no melhor sentido da coisa, Sérgio e Carlos. 

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Nosso enfeitado microônibus, que chegou a me lembrar do furgão de Salsicha e Scooby Doo. Éramos um grupo de umas 15 pessoas aí dentro.
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Sérgio e Carlos, a nossa dupla de guias muy ticos. Sérgio era este baixinho de rosto arredondado, e Carlos, o filho perdido de Dinho Ouro Preto, do Capital Inicial.

Às 8:30, nós já estávamos saindo da cidade, após a introdução inicial e ter pegado todo mundo. Chegamos umas 8:45 à entrada para a Cachoeira La Fortuna, que fica mesmo ali pertinho, no que foi uma ida tranquila.

Não se paga entrada de nada à parte — tudo já é para estar incluído no pacote, mas se assegure disso quando comprar.

Foram, da entrada, cerca de 500 degraus abaixo pela floresta num caminhos bem estruturado, de modo que às 9:00h em ponto estávamos na cachoeira, para 50 min de banho ali.

A cachoeira, embora bastante fria, era uma beleza.

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A cachoeira La Fortuna, na Costa Rica.
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Ela na mata.
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Tudo de ecoturismo aqui na Costa Rica é bem estruturado.
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Lá iam lá os dois guias pelo caminho, a cachoeira adiante.

São, como eu disse, cerca de 500 degraus lá de onde se estaciona o carro até a cachoeira lá embaixo.

É cachoeira onde se pode tomar banho, então se você não é habituado a estar descalços, sugiro trazer uma havaianas ou outro calçado que possa usar com os pés molhados.

(Isso é à parte, pois você precisará também de calçados firmes para a trilha do vulcão neste dia.)

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A cachoeira La Fortuna vista do alto.
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São 76m de queda d’água.
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Pura vida.
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Diante da cachoeira La Fortuna, achando-me o Aquaman.

A água estava um gelo, mas não dá para chegar numa cachoeira destas e decidir não nadar. 

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Há também uma área lateral, para onde a água corre.
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Por entre as pedras, com peixinhos por ali.

Quando eram umas 9:45, após 45 min ali, os guias nos chamaram para começar a subir. Às 10h — após uma boa subida de degraus para reaquecer o corpo — já estávamos lá em cima trocando de roupa. 

Curiosamente, tornaríamos a passar pela cidade para pegar mais gente, que comprou um tour parcial (sem a cachoeira), para então seguir à trilha vulcão Arenal acima.

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Despeçam-se por ora da Cachoeira La Fortuna.

Segunda parada: a trilha vulcão Arenal acima

Esta é a parada principal deste passeio, e a mais longa. Eram já 11:30 quando estávamos ali agregados na área da entrada do parque, uma área já bastante campal, com algumas áreas pavimentadas — onde almoçaríamos após a descida — e banheiros para usar. 

O grupo aqui seria dividido em dois, de 12 pessoas cada um para facilitar o pastoreio, e cada qual com o seu guia. Nós ficamos com Sérgio, o baixinho de rosto indígena arredondado (e olhar trocista, como acresceria Amália Rodrigues).

Na minha banda, encontrei um casal jovem de brasileiros, um casal israelense também jovem, e uma família canadense naquele estilo seriado de televisão: o pai, a mãe e dois rapazes no fim da adolescência. Havia outros gatos pingados doutras bandas completando o bando.

Havia também um cidadão da empresa tirando fotos profissionais, daquelas para vender depois. Eu desta vez — cada vez mais dócil a este tipo de coisa com o passar da idade, a rebeldia da juventude ficando para trás — até posei em certas partes da trilha, mas o cidadão sumiu antes das vendas.

Depois eu soube que ele só mostrou a sua arte fotográfica para uma metade do grupo e se esqueceu da outra; e, muito prudente, deletava todas as fotos instantaneamente após a sessão de venda. Fiquei sem, mas as selfies estão aí para provar o meu feito.

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Sérgio na entrada do parque nos explicando a rota. Ele tinha daquelas caras engraçadas de quem fala as coisas e fica procurando o olhar dos outros para ver a reação. Apesar deste olhar 43 na foto, ele era risonho.

Com aquela cara, Sérgio nos explicou que estávamos para subir um pouco num dos sete vulcões ativos que há na Costa Rica. Eu cheguei a lhes mostrar outro, o Poás, numa postagem anterior. Isto de um total de 206 vulcões, os demais estando adormecidos ou extintos até segunda ordem. O Arenal era considerado extinto até 1968, quando voltou do mundo dos mortos após 400 anos de inatividade.

Num país que tem o tamanho do Rio Grande do Norte, ¼ da área do Paraná, é impressionante. Mas assim é a América Central. A Guatemala, que lhes mostrei antes, é parecida neste sentido. Faz parte da vivência aqui.

E o que acontece se o vulcão explodir hoje?“, perguntou Sérgio retoricamente com um leve ar sombrio — que contudo não conseguia esconder seu divertimento — de quem conta uma história de horror. “Nós vamos todos morrer, por causa da fumaça“, completou ele quase sorridente, buscando os olhares do grupo.

Tínhamos diante de nós aproximadamente 1h30 de subida e, mais tarde, 1h de descida. O almoço seria ao retornarmos cá para baixo. 

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A área onde efetivamente começando a andar, com o vulcão lá adiante. Tenha um lanche consigo, pois o almoço hoje será só depois das 14h.
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A vista para o vulcão é maestral. Há todo um parque ao redor.

Embora se trate de um vulcão, a caminhada é na mata, com o guia parando para nos apontar aves ou sapos no caminho. Os primeiros 15-20 minutos são um passeio no plano. Depois é que se começa a subir pelas trilhas. 

De todo modo, não se trata de uma escalada. Apenas na reta final, depois que a mata acaba, é que coisa fica aí bem mais íngreme num nível que eu chamaria de médio-alto — e quente debaixo do sol.

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O trajeto, naquele clima tropical úmido meio à là Mata Atlântica.
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Macacos nas árvores.
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…e árvores imensas pelo caminho.

Conversa vai, conversa vem, quando não estava falando das aves ou do restante da fauna local, Sérgio se punha a comentar das coisas gerais da Costa Rica.

O nosso povo aqui é preguiçoso“, observava ele com o habitual desmerecimento que algumas pessoas têm em relação à sua própria gente. Explicava-nos que havia mais de um milhão de nicaraguenses fazendo os trabalhos braçais que os costarriquenhos não queriam mais fazer, sobretudo nas colheitas.

Há a repressão política e a bagunça econômica da ditadura de Daniel Ortega na Nicarágua, mas também há pelo visto este lado de cá, dos costarriquenhos — um tanto como os europeus — relegando certas tarefas aos imigrantes. Neste caso, aos vizinhos nicaraguenses.

Lá em Israel é a mesma coisa“, emendou sem cerimônia o turista de lá. “A gente é preguiçoso também. Quem faz o trabalho pesado são tailandeses“. A quem não sabe, dos reféns que o Hamas fez no ataque de 7 de outubro de 2023, 31 eram trabalhadores tailandeses.

Tudo isso até que, num dado momento, terminavam as árvores aqui e, sob o sol de meio-dia, passávamos a tomá-lo na cabeça e agora subindo por pedras.

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O calor começando a pegar na subida ao vulcão Arenal.

A família de canadenses parecia bem esportiva, mas suava e penava ao meu lado. A mãe, que eu não sei se tinha mais de 50 anos, me contava que subir não era o problema — a isso ela estava habituada —, mas o calor úmido debaixo do sol quente.

O problema, pra mim, era agravado pelo fato de que claramente ninguém ali da família havia tomado banho hoje de manhã. Senhor Deus meu pai. Este mundo fora do Brasil não é para amadores. 

Tomei uma certa distância segura.

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Marchons, enfants de la patrie. Marchemos, filhos da pátria. (Essa moça na minha frente era mesmo brasileira).

Estas rochas são, muitas delas, lava solidificada da erupção mais recente do vulcão Arenal em 2010. 

Subíamos agora já um pouco aos trancos, mas não faltava muito. Como lhes disse, não é permitido escalar até a caldeira do vulcão, então tudo o que se faz é chegar até um mirante.

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O mirante final da trilha para o vulcão Arenal na Costa Rica.
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Ei-lo em toda a sua pujança. São 1.657m de altura.

Eram coisa de 12:45 quando chegamos cá em cima, e se tem apenas um breve tempo para descansar e tirar fotos antes de novamente começarmos a descer.

Descemos em menos de 1h, e antes das 14:00 já estávamos lá embaixo filando o almoço incluído: arroz, feijão, banana-da-terra frita, salada, e carne para quem quis.

Às 14:30 já estávamos rumando para o outro parque, das pontes pênseis (puentes colgantes ou hanging bridges). Nuvens pesadas começavam a se formar no céu.

Terceira parada: Místico, o parque dos dinoss… digo, das pontes suspensas

Sérgio nos olhava com divertimento no microônibus, perguntando se tínhamos gostado do almoço, da trilha, e que depois ia-nos dar para experimentar uma moonshine — literalmente, “brilho da lua”, mas em inglês este é o nome informal para bebidas alcóolicas caseiras, geralmente uma espécie de pinga. 

O cara do hotel tinha razão que estas agências mais baratas são mesmo mais ticas, mais de raiz. Duvido que as mais engomadas tenham o guia oferecendo cachaça sem rótulo aos turistas a bordo.

Isso tudo seria depois, todavia. Por ora, éramos chegados ao parque Místico, das pontes suspensas ou pênseis, à là Indiana Jones na selva. Eram coisa de 15:00.

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O parque Místico é a principal referência para pontes suspensas na Costa Rica. Na internet você encontra dúvidas sobre ser mais interessante passear nelas aqui ou em Monteverde, mas a resposta — sem dúvida — é que aqui em La Fortuna elas são mais numerosas e impressionam mais.
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Sigamos. O parque tem estes ares de jardim botânico tropical.
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Aquela ali que você vê é uma imagem de Nossa Senhora dos Anjos (a que dá nome à cidade de Los Angeles), a padroeira da Costa Rica. Esta é uma réplica da imagem original em jade, que fica na Basílica dos Anjos na cidade histórica de Cartago, a primeira capital aqui do país. Ainda iremos lá nesta viagem.
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Parque adentro, rumo às pontes.

Todos os parques ecoturísticos da Costa Rica parecem seguir um mesmo padrão. A estrutura e até os materiais utilizados são parecidos, como se fossem todos administrados pela mesma empresa. Parecia uma caminhada por um grande jardim botânico tropical.

Tudo tem um certo ar ligeiramente gringado (termo que eles aqui utilizam, por sinal), não necessariamente no sentido ruim neste caso, mas no sentido de que ressoa muito com aquilo que estamos todos habituados a consumir na filmografia estadunidense.

Você se sente no Parque dos Dinossauros, só sem dinossauros.

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Você se sente no Parque dos Dinossauros. Dá até para imaginar os velociraptors correndo nesta ponte.
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A longas pontes pênseis do parque ecológico Místico na Costa Rica. Elas são todas de metal. Como já vos disse nas outras postagens, ninguém bate a Costa Rica em termos de boa estrutura para o ecoturismo. Fica pouco aventuresco, mas é mais seguro e organizado, bem-servido a programas mais “família”.

Embora feitas de cabos de aço, não se iluda achando que são pontes rígidas. O nome ponte pênsil (puentes colgantes) é levado a sério aqui, o que quer dizer que elas balançam — e bastante. Lembra quase a Ponte do Rio que Cai das Olimpíadas do Faustão, só que com barreiras laterais para que você não caia. Você pisa num dos lados, e ela entorta. 

É seguro para todos os visitantes, mas não para os celulares. Tenho certeza de que há um monte de iPhones e Samsungs lá embaixo.

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Nas pontes pênseis da região da La Fortuna na Costa Rica.
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Meu entorno.
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Caminhos assim entre as várias pontes pênseis que há, uma mais comprida que a outra.
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É uma sensação boa. Você pode olhar pra baixo e ao redor. Só, mais uma vez, tome cuidado para não derrubar o celular num dos solavancos que a ponte dá quando as pessoas caminham nela.
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Eu me sentia no próprio Parque dos Dinossauros — que, a propósito, na história do filme é numa ilha aqui na Costa Rica. As filmagens, entretanto, se deram no Havaí. Você é capaz de imaginar os bichos tretando no meio das folhas.

Para completar a sensação de estar no filme, faltava apenas chover, mas isso não demoraria muito.

Já há coisa de uma hora eu via a armação das nuvens. Tínhamos aqui um percurso a fazer, mas o guia se detinha a conversar. Parou um tempo para mostrar uma cobra amarela pequena enrolada no pau, e eu vendo a hora de o aguaceiro cair conosco ainda ali.

Foi aí que eu me surpreendi que não fosse óbvio pra todos. Comentei casualmente com um e outro no grupo, e as pessoas pareciam céticas, sem a menor noção. Mesmo os demais latinos — supostamente habituados aos trópicos — pareciam alheios.

Dali a uns 20 minutos, às 16h, começava o acaba-mundo tropical, aquele bater inicial dos pingos grossos na folhagem, a aceleração e o despencar do toró. 

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Agora debaixo do aguaceiro era que o lugar parecia ainda mais cenário do Parque dos Dinossauros. Imaginei-me na pele daquele gordo do primeiro filme que escorrega na lama e toma uma cusparada do dilofossauro. (Caso você queira rever a clássica cena, aqui).
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Alguns com capas de chuva na mata agora sendo encharcada.

Por sorte, a presença de dinossauros fica só na imaginação. 

Seguimos, o guia agora nos orientando a que ficássemos por perto, sem nos dispersarmos muito.  

Nossa! Bem que ele falou mesmo!“, observou uma das integrantes do grupo, e eu me senti ali como se estivesse sendo congratulado por, sei lá, ter acertado a acender um palito de fósforo ou fazer algo que deveria ser ordinário a todos.

Seguimos ainda um tempo debaixo da chuva que se dispersava um pouco por entre as plantas lá no alto, mas não demorou a entrar em ação a SWAT dos operadores do parque nos orientando até um abrigo onde seríamos “resgatados” de carro. 

Nada muito dramático, e deu tempo de vermos o vulcão arenal ao longe conforme a chuva terminava de passar, mas não deixou de mostrar como eles aqui são preparados e bem organizados para estas eventualidades.

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Encharcado com o vulcão Arenal ao fundo.
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O vulcão Arenal, sobranceiro no horizonte, depois que a chuva passou naquele fim de tarde.

Saímos de lá umas 17:00, após um tanto esperar pelas vans do parque que vinham buscar as pessoas de poucos em poucos para levar até a entrada.

De volta ao nosso microônibus, Sérgio exudava aquele espírito de aventura de quem gosta de uma zoeira e resolveu, finalmente, abrir a garrafa de moonshine — a pinga de cana. Estando encharcado e precisando me esquentar, não recusei.

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Lá ia eu no banco do fundo, aquele de frente para o corredor e o que mais balança, tentando não derrubar. Estão servidos? Faltava-nos ainda uma parada, a do riacho termal, que vinha mesmo bem a calhar após um banho de chuva.

Parada final: O riacho de águas quentes de La Fortuna

As forças geotérmicas do vulcão também servem para esquentar água, afinal.

La Fortuna tem termas pagas, aonde você vai em clima de resort, mas tem também este riacho público e de acesso gratuito que, na minha visão, é bem mais digno de nota. 

A termas eu já fui várias vezes, em diversos países. Fui até, memoravelmente, a uma cachoeira de águas quentes em Río Dulce na Guatemala. Já a todo um riacho natural quente, esta aqui seria minha primeira vez.

Lá chegamos umas 17:30, com o dia já se findando. Talvez tivesse sido melhor chegar um pouco antes e aproveitar mais, mas nada grave.

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Vamos chegando.

O lugar é rústico. Não há sequer estacionamento — o que talvez seja até bom para evitar lotação. O microônibus mal encostou ali na beira da pista, num ponto cercado de mata e por onde havia esse caminho de chão molhado. Ainda carrego a memória do asfalto sob a sola dos meus pés na volta, quando o ônibus deu outra chegadinha aí só para pegar os passageiros.

Não há infraestrutura, e vale a pena ter alguém de olho nos seus pertences — como aqui tínhamos Sérgio, o nosso guia.

Você desce ali pela lama até chegar ao riacho que corre plácido, e onde alguns poucos casais ou pequenos grupos já se dispunham na água. 

O lugar não é para muita gente, e é daqueles que fazem pena tornar conhecidos, pois dá vontade de preservar como refúgio secreto. A água corria na altura das canelas, salvo por um buraco ou outro onde ela chegava um pouco mais acima. É lugar onde deitar e relaxar, fazendo-se como as pedras e só ali na correnteza.

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O lugar é meio de raiz, daqueles que se fosse no Brasil, teria gente fumando maconha e ouvindo música de mau gosto, mas aqui é mais tranquilo. Mesmo assim, olho nos pertences.
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O ambiente. Águas rasas e termais que correm por entre as pedras e as pessoas.
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Você fica ali “de boa” um bom tempo. 

Quem quiser, pode aqui fazer até daquelas máscaras de lama para a pele, mas não me apeteceu. Fiquei relaxando na correnteza leve da água pela meia hora que nos deram, e às 18:10 estávamos rumando de volta. Voltei descalços para o ônibus.

Assim terminava este nosso tour. Bastante cheio, mas validíssimo. Quem achou muita coisa para um dia só tem a opção de fazê-lo distribuído em dois dias diferentes pelo mesmo preço — basta falar com a agência (neste meu caso, a Jungle Tours). Eu, entretanto, gosto de coisas assim mais intensas e compactas, que façam melhor uso do meu tempo. O tour aqui havia durado mais de 10h, das 8:10 às 18:30.

No dia seguinte, eu já iria embora de La Fortuna. Como tantas coisas nesta cidade, vale pagar o transfer em espécie para evitar o acréscimo de 13% de IVA sobre o preço caso você pague no cartão. Eu iria com um cidadão bem doidinho, outro xará meu — não outro Mairon, como lá em Santa Elena, mas um Giovani desta vez. (Esta Costa Rica me arruma é coisa).

Eu ainda veria coisa nas imediações de San José. Restava-me ainda um dia antes de partir do país. Reencontro-me com vocês lá após estes passeios aqui pelas vizinhanças do Arenal.  

Mairon Giovani
Cidadão do mundo e viajante independente. Gosta de cultura, risadas, e comida bem feita. Não acha que viajar sozinho seja tão assustador quanto costumam imaginar, e se joga com frequência em novos ambientes. Crê que um país deixa de ser um mero lugar no mapa a partir do momento em que você o conhece e vive experiências com as pessoas de lá.

One thought on “Vulcão Arenal, Cachoeira La Fortuna e mais do ecoturismo na Costa Rica

  1. Maravilha, meu jovem!…
    Ótimo esse tour maravilhoso que o jovem aventureiro fez… Muito interessante.
    Muito parecido com o ambiente do Parque dos Dinossauros, ainda bem que sem os cujos ditos…
    Maravilha essa natureza da Costa Rica….
    Belíssima a região…
    Ha locais ai impressionantes.
    Tem algo parecido com a natureza brasileira mesmo,
    Ainda bem que bem organizado e com infra-estrutura.
    Gostei bastante,
    Valeu.

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