Ela está, finalmente, reaberta. Após 5 anos de trabalho de restauração depois do incêndio que tomou conta da Catedral de Notre-Dame em Paris em abril de 2019, a igreja mais emblemática de toda a França — e provavelmente a mais emblemática de todas a norte dos Alpes, e talvez a mais famosa igreja gótica do mundo — está reaberta.
Sabendo do interesse enorme por (re)ver a catedral de Paris, eles instalaram um sistema de agendamento da visita — que continua, desde sempre, gratuita. Todavia, é um sistema horrível pra dedéu, que eu graciosamente mandei às favas.
Eu já estava há meses querendo vir, desde que ela reabriu ao público em dezembro de 2024, e neste fim de semana eu finalmente consegui. (Aos que estavam acompanhando as postagens da viagem em Camarões, retomaremos-na muito em breve).
Vamos ver como entrar e, não menos, como está a nova experiência de visitar a Notre-Dame renovada.

Notre-Dame e Paris na primavera
Maio é talvez o melhor mês que há para se visitar Paris. O calor e o sol já estão presentes, mas não muito. Há dias longos e iluminados, mas ainda na casa dos 23ºC. Se abril ainda pode ter das nuvens atrasadas de fim de inverno, um vento gélido que bate, e junho já tem das massas que vêm cá no calor do verão, maio para mim é o ponto ótimo.
O rio Sena brilhava — por vezes em verde, por vezes mais azul. Ninguém ainda se aventura na fábula de que o tornariam próprio para banho nas Olimpíadas de 2024 — não se via viv’alma dentro d’água, exceto talvez os peixes —, mas belo, isto sim.
Entre os seus dois braços que cortam o meio de Paris, a dita Ilha da Cidade (Île de la Cité), no miolo do que era a Paris medieval que hoje já não se vê mais. No meio daquela ilha, Notre-Dame, a catedral de 1163 e esplendor da arquitetura gótica europeia.
Já não faltava ali gente pronta a visitá-la neste maio.





Revisitando a Notre-Dame renovada
Cientes do enorme interesse que haveria para ver ou rever Notre-Dame após meia década fechada, as autoridades na França puseram em marcha um sistema de reservas de horário. A visita segue gratuita, como sempre foi, mas a partir de agora é possível agendar online um momento para entrar.
Minha dica? Ignore-o. Plenamente. Fazia tempo que eu não via um sistema tão falho (talvez desde quando precisamos agendar horário para fazer a biometria do título de eleitor no Brasil, e precisava ficar atualizando direto a página). Ele é daqueles em que você tenta, espera, e quase nunca acha horário disponível.
É perfeitamente possível — e, como digo, recomendável — simplesmente chegar, no dia em que você estiver na cidade, e entrar na fila para o Acesso sem Reserva. É a única fila comprida que há. Você espera coisa de 20-30 min, mas a fila anda rápido, e logo você estará do lado de dentro.



A fila é extensa, mas ela se move com relativa velocidade. A minha levou 25 minutos apenas.
Ela vai um tempo como fila livre, por assim dizer, e depois você adentra uma área mais fechada com divisores de fluxo, aquelas barreiras de metal que você vê acima.
Atenção antes dos divisores de fluxo, sobretudo se você acha que só no Brasil se passa na frente dos outros. Gente de todas as raças, cores, idades e amores tentavam — e vários conseguiam — furar a fila aqui. Uma vez nos divisores de fluxo, a coisa fica mais disciplinada.


Dentro da catedral restaurada
Há sempre bastante gente dentro da Catedral de Notre-Dame — ninguém espere uma quieta visita solitária —, mas não chega a ser bololô demais, exceto na entrada, onde as pessoas inevitavelmente se acumulam tentando tirar logo fotos de imediato. Uma vez que você circula, a coisa fica relativamente tranquila, ainda que sempre haja gente.
Desde logo a igreja restaurada me pareceu mais clara, mais bem iluminada. Lembro-me dela bem escura por dentro nas vezes em que a visitei antes.




Seus vitrais seguem lindos, especialmente suas rosáceas, como seguem as arcadas góticas e capiteis nas pedras agora mais claras que outrora.



É claro que muito da magia de Notre-Dame de Paris se preserva. Entretanto, me parece inegável dizer que ela perdeu certa vetustez, aquela sensação de estar visitando um lugar antigo. Como se a antiguidade das experiências de séculos gravadas naquelas pedras escurecidas de antes tivessem evaporado com o fogo e dado lugar a algo novo.



Você não deve deixar de percorrer toda a extensão da igreja e dar uma volta por detrás do altar principal, onde estão as várias capelas.
De acordo com a crença, ali também estão depositadas as ditas Relíquias da Paixão de Cristo, que teriam sido trazidas de Jerusalém em 1239 pelo rei Luís IX, depois canonizado como São Luís. Elas incluem um pedaço da cruz de Cristo, um dos pregos da crucificação, e a própria coroa de espinhos posta em Jesus na ocasião. Fica aí à crença de cada um.






Se você quiser ver ainda mais peças de arte, há um Tesouro da Catedral — cuja entrada fica aqui dentro — e que custa €12 por pessoa para visitar. É um extra, um museu sacro de peças eclesiásticas revestidas de prata, etc. Não me pareceu requerer agendamento prévio.
Estejam, portanto, reapresentados a Notre-Dame — agora restaurada e reaberta depois de cinco anos.






Que maravilha!… espetacular!… majestosa !…
Belíssimos os tons, o claro-escuro, o jogo de luzes, as obras de arte, os artísticos e deslumbrantes altares, as belas capelas, as magníficas rosáceas, sua arquitetura vetusta, histórica…
Um esplendor de arte, religiosidade e cultura.
Para mim gostei mais das luzes e claridade dela após a restauração.
Um encanto.
Magnífica.
Ja estava fazendo falta na capital francesa,
Uma riqueza˜…
Amei revê-la e ainda mais bonita.
Obrigada, viajante brasileiro.