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Alemanha Schleswig-Holstein

Visitando Lübeck na Alemanha: Antiga sede da Liga Hanseática, cidade do marzipã, Thomas Mann e Willy Brandt

(Este será um post longo.)

Bem-vindos a Lübeck, uma das mais históricas cidades da Alemanha. Aqui nasceu e floresceu a medieval Liga Hanseática, por exemplo, que você talvez conheça de nome sem se dar conta da significação imensa que ela tem para os alemães. Pelo que ainda resta desse tempo, Lübeck é tombada pela UNESCO como Patrimônio Mundial da Humanidade.

Aqui também nasceu e viveu Thomas Mann (1875-1955), um dos maiores romancistas alemães de todos os tempos, prêmio Nobel de literatura em 1929. Autor de obras consagradas como Morte em Veneza (1912), A Montanha Mágica (1924) e Doutor Fausto (1947), ele é dono de uma prosa encantadora e leitura obrigatória nos currículos europeus.

Por fim, Lübeck é tida como o centro dos doces de marzipã (ou maçapão) na Alemanha — aquela pasta açucarada de amêndoas que às vezes acompanha bolos ou chocolate. É super comum na Europa — e super imitada em versões industriais baratas. Os alemães, como fazem também com a cerveja, dizem que foram eles que o inventaram, o que não é bem o caso, mas eu vim conferir.

Tomei um trem noturno desde minha morada em Estocolmo até Hamburgo, que se avizinha a Lübeck, como há tempos eu queria fazer. Passei pelos podres da Dinamarca no caminho, deixei a terra do rei sueco, que não é bem meu amigo, e vim cá para algum lugar ao sul, mas sem sol.

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O trem chegando para nos levar desde Estocolmo, na Suécia, até a Alemanha. Leva uma noite — cerca de 10h de viagem — até Hamburgo. O trem depois segue para Berlim.
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Não é exatamente um trem de alta velocidade, mas um trem à moda antiga, dos anos 1980, trazido de volta da aposentadoria pelo renascimento do interesse em viagens de trem de longa distância na Europa.
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Hamburg Hauptbahnhof (Hbf), a principal estação ferroviária da cidade, no outro dia pela manhã.

Chegando a Lübeck nesta primavera

Eu já estava há um tempo querendo fazer essa viagem de trem. Planejei fazê-la no setembro anterior, mas minha mãe foi internada e eu precisei voltar às pressas ao Brasil. Ela ficou boa, e esta viagem acabou postergada para maio — a outra meia-estação aqui. Tempo parecido. Como setembro, é aquela moeda que você joga para cima para saber se vai encontrar um calorzinho ou vento frio e, possivelmente, chuva.

Como eu sou eu, quando preciso cancelar e planejar novamente uma viagem, eu o faço com juros e correção monetária. Então agora eu não veria apenas Lübeck, mas também outras cidadezinhas históricas da Alemanha que nós encontraremos pela frente.

O trem, entretanto, foi um certo desapontamento. Eu imaginei que os suecos — tão ricos, e que haviam reinaugurado em 2022 com tanta fanfarra esta linha noturna, trazendo-a de volta das cinzas — fossem inaugurar trens novos, não que fossem retirar seus trens velhos do depósito. Este cheirava quase que literalmente ao tempo da Guerra Fria. Nenhuma amenidade criada dos anos 1990 para cá, e aquele ar de mofo, de cenário dos filmes antigos de 007. 

Já Hamburgo é aquela estação de diversas outras vezes que eu já a havia visto. Visitei a cidade em detalhes há um tempo atrás, e já a tive como base para outros passeios aqui, como à vizinha Luneburgo. Hamburgo em si foi bombardeada na Segunda Guerra, e dela resta pouco de interesse histórico visual. Sorte que, um pouquinho mais interior adentro, restem cidades históricas menores ainda bem bonitinhas. Rumemos agora a Lübeck, a mera 1h de trem daqui.

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Ainda com cara de sono, e o trem regional (que você não precisa reservar antecipadamente) e que leva de Hamburgo a Lübeck em 50 minutos.
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Os campos de canola em flor nesta primavera, vistos da janela do trem. Ficam bonitos nesta época, mas vale lembrar que é uma monocultura, que substituiu paisagens bem mais diversas que havia antes.
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Lübeck Hauptbahnhof. Bem-vindos.

Não acreditem nas fotos promocionais da internet — estes cartões-postais da era digital. Hoje em dia, há até aplicativos para alterar o céu da foto e fazê-lo azul ensolarado. Sol existe, mas é quase como chuva no sertão.

Em Lübeck, você terá sorte suficiente se não estiver chovendo. Esta região da costa do Mar do Norte é extremamente chorona, à là o norte da Holanda e da Bélgica. Hoje não chovia, mas ventava um vento frio, ainda aquele restinho de inverno que insistia em permanecer, maio adentro.

Aos pés das esculturas de indivíduos com capacetes prussianos, bêbados e moradores de rua se ajuntavam consumindo garrafas de cerveja a esta hora da manhã. A Alemanha tem dessas. Estes tempos, parece até mais debaclée, com seus trens atrasando horrores e a infraestrutura precisando de atenção.

Nas estações de trem — mais em Hamburgo, mas também aqui em Lübeck —, eu via ucranianos, russos, árabes, afegãos e outros, num número cada vez maior de imigrantes e refugiados. Está uma certa Babel, situação com a qual a Alemanha tem certa dificuldade de lidar, mas eu no meu canto seguia o meu caminho Lübeck adentro desde a estação.

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A beleza arquitetônica a estação principal de Lübeck. Notem o céu de chumbo e as jaquetas, no que era um meado de manhã já da segunda metade de maio, período tipicamente primaveril na Europa.
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Ponte sobre um dos braços de água que circundam o centro de Lübeck, cujo centro histórico é uma ilha fluvial no rio Trave.
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Estas estátuas datam de 1774, no pouco pudico século XVIII.
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Aquela bunda desnuda que vocês viram pertence a esta escultura de Mercúrio, o deus romano do comércio — uma figura adequada a esta cidade que foi o berço da Liga Hanseática.
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Chegando a Lübeck, e atravessando esta que os moradores apelidaram de Ponte das Bonecas (Puppenbrücke) devido às figuras esculpidas.

Pelos meandros de Lübeck, descobrindo o marzipã

Perdoem minha falta de garbo ao iniciar este périplo não por Thomas Mann ou pela parte histórica, mas pela comida, senhoras e senhores. Eu não rejeito um doce com café no final da manhã — já havia tido um café da manhã de segunda na estação ferroviária de Hamburgo —, e o tal marzipã especial aqui de Lübeck no famoso Café Niederegger se mostrava a primeira parada perfeita nesta visita.

Amantes da arquitetura e da beleza histórica, todavia, não se preocupem: há de se passar primeiro pelo Portão de Holsten (Holstentor), datado de 1464, um dos antigos portões da cidade. 

Em estilo gótico com duas grandes torres redondas e todo em tijolinhos, ele é um emblema aqui da cidade e representativo desta arquitetura dos mares do Norte e Báltico, onde a Liga Hanseática atuava. Região desprovida de grandes pedreiras, habituou-se há séculos a edificar sempre em tijolos, como se vê noutras cidades da região como Hamburgo, Gdansk ou Amsterdã

Sigamos cidade adentro.

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O Portão de Holsten (Holstentor), de 1464 em Lubeck. Era um dos três portões da cidade. Seu nome faz referência a este região de Holstein, que foi um condado e depois um ducado dentro do Sacro-Império Romano Germânico, antes da Unificação Alemã em 1866-1871.
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À entrada, veem-se os dizerem em latim: Concordia domi foris pax. A concórdia em casa e do lado de fora, a paz.

Onde antes havia guardas protegendo a entrada desta cidade hanseática, hoje há os moradores passeando com os cachorros.

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Do outro lado do portão, pelo lado de dentro da cidade. Aquela inscrição S.P.Q.L. significa Senatus populusque Lubecensis, em referência ao conselho e aos cidadãos da cidade. Foi instalada em 1871, quando da fundação do Império Alemão, e inspirada no S.P.Q.R. (Senatus populusque Romanus — Senado e Povo de Roma) da Antiguidade.

A quem não acompanha muito História alemã, eles aqui consideram que o Sacro Império Romano Germânico (800-1806) foi o chamado Primeiro Império (ou primeiro Reich). Ele foi dissolvido nas conquistas napoleônicas.

O rei prussiano Guilherme I e seu chanceler Otto von Bismarck em 1871 consolidam então o que ficou conhecido como Segundo Império (Segundo Reich) ou Império Alemão, da Alemanha unificada e que saiu em conquista de colônias além-mar, como Togo, Namíbia e Camarões na África, que foram colônias suas até a derrocada desse Império Alemão em 1918 com sua derrota na Primeira Guerra Mundial.

Hitler tentou, portanto, estabelecer um Terceiro Império — o afamado Terceiro Reich. Muitas vezes se fala deste terceiro sem dizer quais foram o primeiro e o segundo.

Foi no estabelecimento do Segundo Império em 1871 que Lübeck e este então Ducado de Holstein perderam sua soberania depois de séculos, para fazer parte desta nova entidade política chamada Alemanha. 

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Esta arquitetura em tijolinhos que se tornaria predominante no Mar do Norte é originária de Flandres, na atual Bélgica. Naquele século XV, Flandres — com cidades comerciais de peso, como Antuérpia — era um centro de pujança econômica e artística, com pintores expoentes, como Jan van Eyck e Rogier van der Weyden.

Passei. Passei pelo portão e me dirigi centro adentro. Dos lados, vê-se o casario de tijolinhos que permaneceu — através dos séculos — presença dominante na arquitetura desta região. Ainda que hoje não tenham o florido daquele gótico flamboyant do século XV, ela segue presente.

Adiante, os prédios de época que ainda se preservam neste centro de Lübeck. Lübeck, embora seja patrimônio tombado pela UNESCO, sofreu bombardeios durante a Segunda Guerra Mundial — foi das primeiras cidades a ser bombardeadas pela RAF, a Royal Air Force britânica — e não é mais aquela típica cidadezinha pitoresca da Europa Central. É hoje uma cidade moderna de médio porte, mas com algumas edificações bonitas de época aqui e ali.

Portanto, pelas arcadas de alguns desses prédios interessantes eu passei a caminho do Café Niederegger, o mais tradicional da cidade. Diz a lenda que foi fundado em 1806, junto com uma companhia de mesmo nome, fabricante de doces com marzipã.

O marzipã (ou maçapão), a quem o conhece só de nome, é uma pasta doce feita de amêndoas moídas e açúcar. Vai frequentemente em coberturas de bolos ou recheios. Tem origem árabe, mas os alemães gostam de dizer que o marzipã de verdade foram eles aqui que inventaram.

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Os prédios de tijolinhos característicos aqui desta costa norte da Europa, desde a Bélgica até a Polônia, passando aqui pelo norte da Alemanha. São típicas casas de mercadores, que frequentemente combinavam as funções de depósito, armazém e residência nos diferentes andares.
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A Lübeck de hoje tem esta cara das cidades alemãs contemporâneas, mas com alguns belos prédios de época, como aqui a prefeitura em tijolos escuros.
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Por debaixo destas arcadas se passa para chegar à Praça do Mercado, a principal, onde temos ali em branco a dita Prefeitura Histórica (Historisches Rathaus) de Lübeck. Ela data de 1230, embora certos destes floreios arquitetônicos tenham sido adicionados depois.
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A Praça do Mercado (Marktplatz) hoje combina traços da arquitetura moderna sem sal e os prédios antigos. Lá atrás, você vê as torres da luterana Igreja de Nossa Senhora (Marienkirche).
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Há o Café Niederegger por debaixo das arcadas e, do outro lado da rua, esta loja que também faz as vezes de museu sobre a produção de marzipã em Lübeck. Entremos.

Eu comecei pelo café. Era aquela hora do dia, meio da manhã, quando bate a coceira de tomar um café com doce. 

A confeitaria Niederegger estava surpreendentemente vazia — cortesia do fato de os turistas hoje em dia todos se concentrarem nos mesmos lugares do mundo, aonde o Instagram lhes manda, e os poucos que aqui havia em Lübeck (em geral, outros alemães) estarem na loja em lugar do café. 

Sentei-me e pedi uma adequada fatia de bolo com cobertura de marzipã acompanhada de um café.

Foi aí que eu reconheci o marzipã e, ao mesmo tempo, não.

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Café com uma fatia de bolo com cobertura de marzipã no Niederegger esta manhã em Lübeck.

Um pouquinho sobre o marzipã

O marzipã é uma massa de amêndoas moídas e açúcar, inventada na Pérsia medieval e abraçada com gosto aqui pelos europeus. A amêndoa (Prunus sp.), ingrediente-chave, é nativa ali do Oriente Médio e Ásia Central.

Os árabes levaram a mistura à Europa mediterrânea durante a Idade Média, incluso nos seus doces característicos (como os cornos de gazela, que também levam água de flor de laranjeira, encontrados no Marrocos e até mencionados em O Clone), mas foi através de Veneza no século XVI que a coisa se espalhou mais. 

Veneza, nessa época, era uma porta de entrada para novidades orientais na Europa renascentista. Introduziu, por exemplo, nada menos que o café nessa época, pegando-o dos turcos, seus parceiros comerciais; e popularizaram a confecção de marzipane, cuja origem etimológica é pouco clara.

Há quem fale que o nome advém simplesmente de “massa pã” e quem sugira que faz referência ao mês de março, quando os europeus tradicionalmente se acabavam em guloseimas no período do Carnaval antes de iniciar a quaresma. Há também outras hipóteses mais imaginativas de que o nome adviria desta ou daquela palavra árabe ou grega. 

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Eis a cobertura de marzipã no bolo. São um sabor e consistência conhecidos, embora muitos de nós infelizmente estejamos mais familiarizados com suas cópias industriais. Sabe aquela chamada pasta americana, de puro açúcar, muito usada no Brasil (e fora do Brasil)? Nada mais é do que uma imitação barata deste tipo de cobertura.

O meio era macio, cremoso, quase sem massa, e desmanchava na boca. Estes bolos centro-europeus não seguem aquela estrutura habitual das tortas brasileiras. A massa ia embaixo. No topo, o marzipã, o astro central, com sua textura espessa, sabor devidamente amendoado e o açúcar no ponto.

Se você comeu marzipã e não gostou, tem todo o direito, mas saiba que muito provavelmente comeu uma imitação industrial barata (quiçá com aditivos artificiais) e bem possivelmente gostará do original. Dê-se a chance.

Eles aqui determinam que o marzipã só é autêntico se pelo menos dois-terços do seu peso corresponder a amêndoas em vez de açúcar. Noutras partes da Europa, usa-se em geral metade. Já nos Estados Unidos e mundo afora, é bem comum que vendam sob o nome de marzipã coisas que só contém 20-30% de amêndoas.

É algo que os alemães tipicamente fazem: regrar como tal coisa deve ser feita e daí dizer que foram eles que inventaram. É assim com a cerveja, algo milenar, mas que eles dizem que eles é que estabeleceram, e o mesmo ocorre com o marzipã de Lübeck. Admitamos que é um tanto pretensioso, mas eu gosto quando assegura a qualidade.

Marzipan do Niederegger
Marzipã de Lübeck nos bombons da confeitaria Niederegger. Com amor desde 1806. (Napoleão passando o rodo na Europa e eles aqui inventando receita de marzipã. Isso é que é zen.)

Terminado o bolo, entrei na loja, pois — é claro — eu queria ver os bombons e levar uns pra casa. Além disso, no andar mais alto da loja há um museuzinho com esculturas em tamanho real de figuras históricas germânicas feitas de marzipã.

Você vê também das figuretas pequenininhas em forma de porquinhos etc. que são comuns entre as crianças.

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O interior da confeitaria Niederegger em Lübeck.
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Não faltam caixinhas de bombons assim, de marzipã acompanhando toda sorte de sabores — chocolate, café, licores, etc.

Não dá para vir a Lübeck e não dar um pulinho aqui.

A quem quiser uma cafeteria mais grã-fina que aquela exterior aonde eu fui, debaixo das arcadas, o segundo andar da confeitaria tem tal espaço. Serve, basicamente, as mesmas coisas. 

Por fim, no terceiro e último andar há um museuzinho gratuito onde você pode ler sobre a História do marzipã (na sua vertente alemã), assistir aos funcionários produzindo figuretas de doce em tempo real, e  ver as esculturas de marzipã de grandes personagens aqui de Lübeck.

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O Café Niederegger no segundo andar da loja.
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Você sobe por estas escadinhas — com caras de saídas de alguma fábula ou d’A Fantástica Fábrica de Chocolates. É mesmo a fantástica fábrica de marzipã.
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Senhora modelando figurinhas infantis em marzipã.
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As esculturas de marzipã de grandes personagens desta história.

Alguns personagens ali são genéricos, como “o persa”, ali do lado com seu turbante — um reconhecimento à origem do marzipã. Já outros são pessoas específicas.

No centro, por exemplo, está o sacro-imperador Carlos IV (1316-1378), nascido em Praga e que governou lá da capital tcheca — que à época era, portanto, a capital do sacro-império. Foi ele quem criou a atual Universidade Carlos na Tchéquia e a Ponte Carlos, que tantos atravessamos lá. 

Ele está aqui por veio a Lübeck e, diz a lenda, em 1368 teria recebido docinhos de marzipã em Siena, quando em visita à Toscana, na Itália, numa época em que estes doces exóticos ainda eram pouco conhecidos na Europa e valiam ouro.

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Entre outras figuras estão o prefeito Jurgen Wullenwever (1533-1537), que tentou regular a venda de marzipã na cidade; o negociante — e fundador desta confeitaria — Johann Georg Niederegger (1777-1856), com sua cartola; o Papai Noel com a criança, já que estes doces encantam o período natalino neste recanto da Europa; e até o escritor Thomas Mann, filho de Lübeck, mais à direita.

E quem é Lübeck na fila do pão? A cidade hanseática

As pessoas por vezes parecem crer numa espécie de teoria da “geração espontânea” no campo da cultura, como se os povos e seus talentos surgissem espontaneamente sem pai nem mãe, isto é, sem predecessores dos quais aprenderam técnicas e costumes.

Muito do que viria a ser este norte europeu na Idade Moderna — com a Alemanha unida a partir de 1871, ou os holandeses no tempo das navegações, ou até mesmo os ingleses e seu império onde o sol nunca se punha beberam dos espólios da medieval Liga Hanseática, que tinha como sede esta cidade de Lübeck.

Mercadores de produtos e de influências culturais

Alguns talvez estejam admirados de reconhecer o peso de uma cidade de que pouquíssimo se fala no estrangeiro — ainda menos fora da Europa. Lübeck foi nada menos que a fundadora da famosa Liga Hanseática, uma coalizão de cidades mercantes do norte da Europa formada no século XII, que asseguraram direitos para fazer comércio entre si sem muita interferência dos senhores feudais e que foram fundamentais para o desenvolvimento econômico da região.

Se Hamburgo aqui vizinha é hoje um grande porto, ou se a Holanda e, posteriormente, a Inglaterra se tornaram grandes comerciantes marítimas do norte europeu que suplantaram potências navais anteriores como Portugal e Espanha, muito do know-how foi aprendido aqui com a Liga Hanseática medieval.

Ela é tão emblemática para a História da Alemanha que, você talvez nunca tenha se dado conta ou parado para examinar, o nome da principal companhia aérea do país, a Lufthansa — um nome que as pessoas leem sem saber de onde raios veio — quer dizer nada menos que a “Hansa dos ares” (luft para “ar” em alemão).  

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Visitando Lübeck, cidade alemã fundadora da Liga Hanseática, que dominou o comércio norte-europeu até meados do século XVII.

Para aprender mais sobre essa história, a melhor pedida é visitar o Museu Europeu da Liga Hanseática (European Hansemuseum) aqui na cidade, um museu bem moderno e rico de coisas. É uma visita de mais 1h zanzando por mostras do que eram a vida e o comércio marítimo naquele tempo. 

Primeiro, entretanto, eu fui dar uma olhada de perto naquela igreja alta que vocês viram de longe (a Marienkirche) e dar uma passadinha para deixar as coisas na minha acomodação — uma antiga construção feita em tijolinhos, com ares de fábrica transformada em hotel. Depois, a funcionária me disse que era mesmo uma antiga cervejaria.

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A Marienkirche, ou Igreja de Nossa Senhora, hoje luterana, é considerada “a mãe das igrejas em gótico de tijolos”. Ela começou a ser construída em 1265, foi concluída em 1351, e inspiraria muitas outras de arquitetura semelhante na região, como as da Polônia (ver Gdansk) e da Holanda.

Marienkirche é enorme, tanto vista de fora quanto por dentro com o seu teto alto decorado. Nota-se a inspiração do padrão florido do gótico italiano, inclusive.

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O interior.
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Note aqui ainda a influência do gótico italiano, mais florido e decorado que o (mais soturno) gótico francês.
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Os floreios do gótico italiano.

A título de curiosidade, há uma leitura de que estes arcos, ditos góticos, vieram por sua vez da arquitetura islâmica no medievo. Alguns antigamente o chamavam de “arco sarraceno”. De fato, você o encontra por exemplo no Cairo ou em mesquitas persas no Irã

O comércio e as trocas com que as cidades italianas (Veneza, Gênova…) se metiam traziam, inevitavelmente, também influências culturais. Vimos com o marzipã mais acima. 

E essas influências também chegavam cá aos mercadores do norte europeu, como em Flandres (atual norte da Bélgica) e aqui no norte da Alemanha. 

A partir do século XII, estes mercadores — de modo descentralizado, mas tendo Lübeck como seu principal nodo — começaram então a se organizar mais, inclusive a assegurar rotas comerciais no que antes haviam sido rotas vikings.  

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Cerâmica decoradas de Flandres dos séculos XIII-XIV. Originais de Bruges, hoje no Museu Europeu da Liga Hanseática aqui em Lubeck.
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O museu tem também montagens do que eram as especiarias comercializadas por estes germânicos, oriundas do oriente. Pimenta-do-reino, noz-moscada, cravo-da-índia, canela, açúcar de cana e tantas outras, que eram consideradas preciosidades e, portanto, reservadas para ocasiões especiais, como o Natal. Daí o costume ainda presente na Europa Central e Nórdica de fazer o quentão e biscoitinhos de especiarias nessa época.

Como é que essas especiarias chegavam aqui?

A gente costuma sempre pensar na rota marítima dos portugueses, contornando a África, mas esses produtos já chegavam à Europa — ainda que em menor quantidade — bem antes de os lusos contornarem a África para chegar de navio à Índia com Vasco da Gama em 1498.

Para além das cidades italianas, que negociavam com os bizantinos e, depois, com os turcos, havia também uma rota fluvial que passava pela cidade russa de Novgorod até chegar a Constantinopla (atual Istambul).

Sabe-se que, na Idade Média, o imperador bizantino em Constantinopla tinha inclusive uma guarda pretoriana composta de guerreiros vikings, a dita Guarda Varegue

O que os mercadores de Lübeck e outras cidades alemãs fizeram a partir do século XIII foi buscar estas mesmas rotas, por rios que deságuam no Mar Báltico e que, se navegados contra a correnteza, levam Ásia adentro até chegar ao Mar Negro e, então, a Constantinopla.

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Figura talhada em madeira do que teria sido um mercador russo de peles. Note o que parece ser um castor — e também a curiosa barba trançada.
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Nota a zona de presença direta da Liga Hanseática de mercadores na Europa, incluindo Novgorod lá na Rússia, como também Londres (que se desenvolveria como centro comercial com esta presença) e Bergen na Noruega.
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O miolo da Liga Hanseática ficava aqui neste norte alemão e, principalmente, em Lubeck.

O ressurgimento das cidades

Hansa, do alemão regional daqui nesse tempo, significava algo como “bando”.

É preciso compreender que, nesse albor do segundo milênio, idos do século XII, quando a Liga se forma, a Europa experimentava o ressurgimento das cidades. Após séculos de vida econômica predominante rural após a queda de Roma em 476, as cidades e seu comércio começavam a retornar à cena. 

As pessoas sempre pensam em muralhas de cidades medievais como algo puramente defensivo, mas não era só isso: as muralhas também designavam os limites do que eram as fronteiras legais entre a cidade (com sua lei própria) e o mundo exterior, onde se aplicava a lei do senhor feudal daquela região.

Portanto, com o fortalecimento das cidades, que foram ganhando cartas régias ou imperiais para ter autonomia — ter sua própria lei e apenas responder e pagar impostos diretamente à coroa, não mais ao senhor feudal local —, elas começam a se organizar como forças econômicas e, em tempo, a se associar em redes mercantes.   

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Tecidos comercializados pelos mercadores da Liga Hanseática na Europa. Não eram só especiarias, nem apenas produtos vindos de longe — os hanseáticos também vendiam grãos, peles, vinho etc.

Com esse dinheiro advindo do comércio — e a maior autonomia das cidades — é que começam a surgir as grandes catedrais e igrejas que marcam esta Europa da Baixa Idade Média (séculos XI ao XV).

Temos, aqui em Lübeck, além da Marienkirche também a Igreja de São Tiago (Jakobikirche), mencionada pela primeira vez em 1227 e completada ainda em 1334.

Lübeck era famosa por ser a dita “cidade das sete torres” no tempo medieval — somando-se aí cinco igrejas, de duas ou só uma torre. Muito disso foi derrubado em 1942, na Segunda Guerra Mundial, e em parte reconstruído.  

Você ainda pode subir na torre da Igreja de São Pedro para ter uma vista da cidade — e para as demais igrejas — lá do alto. Custou-me apenas €5, mas prepare as pernas. (Afora a torre, essa igreja é basicamente vazia por dentro.)

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Vista de Lubeck lá do alto.
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Vista para a praça principal, por onde passamos, e a Marienkirche, que lhes mostrei.
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Os detalhes da Praça do Mercado vistos do alto, com a antiga prefeitura da cidade (em branco). O Café Niederegger fica debaixo daquelas arcadas à direita.

A Liga Hanseática, para funcionar bem, precisava de uma lei comum e de um idioma que todos compreendessem, e foram a lei de Lübeck e a variante de alemão falada aqui que lhe serviram de marco legal e lingua franca.

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A Igreja de São Tiago (Jakobikirche) passou por incrementos barrocos no seu interior.

Esta Igreja de São Tiago tem belas pinturas e um órgão dos mais belos que já vi na vida, embora a estrutura como um todo seja menos impressionante que Marienkirche.

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Note o órgão mui barroco, como também os afrescos ainda medievais nas colunas.

A quem gosta destas edificações de época, a entrada no Museu Europeu da Liga Hanseática inclui também uma passadinha no claustro da antiga confraria dominicana da cidade.

Ela data do século XIII, quando o cristianismo ainda estava sendo consolidado entre a população germânica e eslava. (Os bálticos lituanos, por exemplo — último povo a ser cristianizado na Europa — só abraçaria esta religião no século XIV).

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Antiga confraria dominicana em Lubeck. na Alemanha.
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Os detalhes do teto gótico da confraria dominicana em Lubeck. Ela foi estabelecida em 1229 e perdurou até 1531, quando a Reforma Protestante expulsou daqui as ordens católicas.
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Meu hotel, que antes foi cervejaria, numa edificação de 1216.

O fim de Hansa

A Liga Hanseática seguiria dominante neste norte europeu por séculos, mas ela acabou dando lugar ao mercantilismo, quando os reis começaram a apoiar os seus navegantes e mercadores. Portugal e Espanha faziam-no já desde o século XV, e a partir do século XVI também a Noruega e a Suécia começaram a fazê-lo, tornando-se potências no Báltico e no Mar do Norte, e com isso desbancando a preponderância da Liga.

O golpe de misericórdia seria dado depois pelo Tratado de Vestfália (1648), assinado para dar fim à Guerra dos Trinta Anos (1618-1648) entre católicos e protestantes. Concordou-se que cada reino teria a religião que quisesse — e, ali dentro, todo mundo deveria seguir a religião que o rei seguisse. Cuius regio, eius religio

Isso consolidou o poder real, estabelecendo o absolutismo como norma, e assim subordinou as cidades aos seus respectivos reinos, erodindo sua autonomia mercante e, assim, o poder de Hansa. Cresceria aí, todavia, cada vez mais o poder das burguesias nacionais que um século depois destronaria os reis com a Revolução Francesa (1789), mas aí já é uma outra história.

A saber, esse tratado também criou, em última análise, a atual configuração sem a qual nós temos dificuldade de imaginar o mundo, formado necessariamente por estados-nação, cada qual com seu hino e bandeira. Nem sempre foi assim — e, atrevo-me a dizer, nem sempre será.

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Edificações de outras eras.
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Lubeck com os mesmos ares das cidades da Holanda e da Bélgica. Eram congêneres e foram contemporâneas.
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A fachada simples da catedral.
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Rua já com tons modernos, do século XIX.

A cidade de Thomas Mann (1875-1955)

O romancista Thomas Mann nasceu e cresceu numa cidade já muito diversa daquela Lübeck medieval dos tempos de Hansa. A liga já não existia mais há muito tempo, e a Alemanha já estava — desde 1871 — consolidada como um país só, sob a batuta do imperador (kaiser).

Duas curiosidades são que a família do seu pai (os Mann) tinham raízes mercantis na Liga Hanseática, e outra que a sua mãe era brasileira (ainda que em parte de origem também germânica), Júlia da Silva Bruhns.

Mann era conservador, mas foi se abrindo mais aos poucos, e foi um crítico feroz do nazismo, tendo que se exilar na Suíça e depois nos Estados Unidos quando Hitler chegou ao poder em 1933. 

Sua obra, que lhe rendeu o Prêmio Nobel de Literatura em 1929, versa bastante sobre o espírito humano no estilo um tanto irônico de um contador de histórias — o que o tornou bastante popular entre os leitores, não apenas entre os críticos. Morte em Veneza e Montanha Mágica são algumas das suas obras mais conhecidas. 

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A casa onde morou Thomas Mann e seus irmãos em Lubeck, na Alemanha.

Eu quis visitar o interior da casa, mas ela estava fechada para reformas. Pois bem, comprar-me-ei um livro de Thomas Mann e passarei bem. 

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Outro alemão famoso da modernidade e com origem aqui em Lübeck foi Willy Brandt (1913-1992), chanceler da Alemanha Ocidental no início dos anos 1970 e congraciado com o Prêmio Nobel da Paz. Ele ficou famoso por ajoelhar-se no antigo gueto de Varsóvia e pedir perdão pelo Holocausto em nome do povo alemão. Nasceu aqui em Lübeck, e viveu nesta casa branca que hoje é um memorial.

Eu não me demoraria em Lübeck. Dormiria aqui apenas uma noite, e a cidade me serviria de ponto de partida para explorar mais desta região da Alemanha. Na manhã seguinte, eu tomava rumo após dormir na antiga cervejaria. 

Lübeck, no fim das contas, dá um perfeito bate-e-volta a partir de Hamburgo, que a eclipsaria como principal cidade portuária da Alemanha, mas dormir aqui nesta antiga sede da Liga Hanseática tem seu charme. 

Estejam apresentados.

Lubeck 1 52
O antigo portal da cidade.
Lubeck 1 59
A prefeitura de Lubeck.
Lubeck 1 22
Suas arcadas.
Lubeck 1 24
Seu charme.
Mairon Giovani
Cidadão do mundo e viajante independente. Gosta de cultura, risadas, e comida bem feita. Não acha que viajar sozinho seja tão assustador quanto costumam imaginar, e se joga com frequência em novos ambientes. Crê que um país deixa de ser um mero lugar no mapa a partir do momento em que você o conhece e vive experiências com as pessoas de lá.

6 thoughts on “Visitando Lübeck na Alemanha: Antiga sede da Liga Hanseática, cidade do marzipã, Thomas Mann e Willy Brandt

  1. Encantada com a Cidade e com a magnífica aula de História apresentada pelo jovem viajante brasileiro.
    Com certeza a História apresentada pelas Universidades precisa ter os seus currîculos enriquecidos com esses detalhes vistos aqui nessa belíssima postagem. Parabéns, meu jovem.
    Que maravilha de conexões, que amplitude de ação… impressionante a área de atuação… e que importante o seu papel de ligação Oriente-Ocidente… Excelente….
    Importantíssimo esse resgate histórico
    Que riqueza de Historia, de arquitetura, de artes… de atividades mercantis, de intercâmbio e mesmo de integração leste-oeste, em tempos tão remotos e tão pouco estudados e tornados visíveis, acostumados que fomos a ouvir falar “en passant”pela Idade Media, e a tomar a Idade Moderna como ressurgimento basicamente de tudo…
    Um hiato que precisa ser preenchido, ocupado por relatos como esse, do jovem viajante brasileiro.
    Amei a cidadezinha, fofa… seus encantos, lugares , gente e produtos famosos… Uma delicia de relato,,, gostaria de conhecê-la…

    Obrigada, meu jovem…
    Que venham mais belezas e resgates históricos.. hahahah
    Valeu…..

  2. Interessantíssima, sob o ponto de vista histórico-cultural e comercial.
    Impressionantes a amplitude e o alcance da Liga, além do seu papel integrativo.

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