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China Pequim & arredores

9 atrações imperdíveis em Pequim, China

Na China antiga, o número 9 sempre foi associado tradicionalmente ao imperador, então nada mais adequado que destacar nove atrações-chave que o visitante não deve ignorar aqui na capital, Pequim.

Pequim é uma cidade rica de monumentos e história. Por curiosidade, diz-se também Beijing a depender do sistema de transliteração dos ideogramas chineses que se escolha. Quer dizer “capital do norte”, a contrastar-se com Nanquim (ou Nanjing), a “capital do sul”, que também foi sede de governo em diversas ocasiões. 

Ao menos 4 dias inteiros são necessários aqui para fazer certa justiça à capital chinesa. Isso porque um dia é tomado pelo bate-e-volta obrigatório à Grande Muralha da China. Sobram aí três, dias inteiros, um dos quais você precisa para a Cidade Proibida — que é uma imensidão — e a Praça da Paz Celestial. Pode-se agregar ainda aí o Parque do Templo do Céu.

Dos outros dois dias que restam, um pode ir para o Palácio de Verão meio fora do centro e, se quiser, também o Palácio de Verão antigo. Um outro dia vai para o Templo dos Lama e o Templo de Confúcio, e bingo, lá se vão aí quatro dias inteiros na cidade — talvez com um pato à Pequim no meio.

Mapa da China com Pequim em destaque
Pequim é uma característica cidade do norte da China. Num país deste tamanho — o terceiro do mundo em extensão — com 1.4 bilhão de pessoas, as distinções regionais são importantes. Desde o século XIII, quando Marco Polo esteve aqui, ela é o principal centro de poder. Mesmo eu, geralmente minimalista quanto ao tempo necessário em cada lugar, admito que se precisa de pelo menos 4 noites em Pequim.

Sem necessariamente uma ordem de preferência ou de importância, vamos a uma súmula do que é chave aqui em Pequim.

Nas descrições você encontrará os links aos posts detalhados com minha experiência em cada um desses lugares. Não é uma lista genérica destas de site automatizado da internet; eu efetivamente fui a cada um deles.

1. A Cidade Proibida (Forbidden City, que os chineses também chamam de Palace Museum)

Emblema principal desta capital chinesa na sua era imperial, a Cidade Proibida — cidadela onde residiam o imperador e sua corte desde 1420 — tornou-se símbolo da reclusão em que viviam os monarcas chineses. 

Hoje, ela é um complexo palaciano transformado em museu com muitos pátios cerimoniais, jardins à chinesa e exposições de objetos históricos. 

É uma visita essencial aqui em Pequim — talvez o lugar que você deva mesmo priorizar, caso goze de pouco tempo — para aqueles que desejam dar um mergulho na charmosa China de outrora.

Os ingressos não são caros (menos de US$ 10), mas requerem atenção para a reserva, e o esquema de segurança requer paciência, mas é uma visita inesquecível. Eu narrei todos os detalhes da minha visita aqui. (Evite os fins de semana, quando vêm mais chineses, e tenha em conta que está fechado às segundas-feiras).

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Os grandes pátios internos da Cidade Proibida, onde desde o século XV com a Dinastia Ming os imperadores da China e suas famílias viviam em reclusão, por detrás de largas muralhas.
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Os jardins são encantadores no interior, e você passa umas 3-4h visitando as diversas áreas deste complexo. Não faltam visitantes que vêm em trajes de época para tirar fotos.
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Os chineses são bastante zoeiros, e a visita também ganha caras de “programa festivo em família” pela rua. Eu detalhei minha visita aqui.

2. A Praça da Paz Celestial (ou Praça Tiananmen)

Famosa pelos protestos estudantis que tiveram lugar aqui — e que foram duramente reprimidos — em 1989, esta é a maior praça do mundo em extensão. Seu nome, Praça da Paz Celestial (Tiananmen), advém do portão sul da Cidade Proibida, o Portão da Paz Celestial, do qual é adjacente.

Isto significa que você necessariamente passará por aqui a caminho da Cidade Proibida — as duas atrações ficam uma ao lado da outra e constituem, essencialmente, um mesmo programa.

Hoje, devido à sensibilidade política do lugar, ela é uma área de acesso controlado. Não ache que vai passear por aqui como em qualquer praça por aí afora. Eu dei os detalhes na minha postagem por aqui. 

Margeada pelo Museu Nacional, de estilo monumentalista soviético, resquícios da Pequim de fins do século XIX e o inconfundível retrato gigante de Mao Tsé-Tsung por sobre a arcada de entrada para a imperial Cidade Proibida, esta praça é uma atração em si própria, por tudo o que ocorreu e pela simbologia que ainda carrega.

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A Praça da Paz Celestial em Pequim, maior praça do mundo e coração político da China contemporânea. Não é uma praça de acesso livre — você precisa passar por todo um esquema de segurança para chegar até este ponto. Ela é uma visita que você faz a caminho da Cidade Proibida, antes de entrar.
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No fim da praça, por sobre a arcada do Portão Tiananmen que leva à Cidade Proibida, o inconfundível retrato de Mao Tsé-Tung, líder da revolução comunista chinesa que tomou o poder em 1949.

3. A Grande Muralha da China

Mais uma atração de peso a se visitar quando em Pequim. A muralha se estende por milhares de quilômetros, mas há pontos específicos onde é possível visitá-las. Os principais deles — com infraestrutura turística, acessibilidade etc. — ficam perto de Pequim. 

Há dois principais: Badaling (mais acessível e preferido pela maioria dos chineses) e Mutianyu (menos acessível, mas mais tranquilo de visitar e por isso preferido pelos turistas estrangeiros). Na minha postagem sobre a Grande Muralha eu faço um breve comparativo e narro em detalhes minha visita em Mutianyu.

É uma visita épica, ainda que algo extenuante. Do ponto de vista prático, trate-a menos como uma visita a um monumento histórico e mais como uma trilha, com muitos sobes e desces sobre a muralha. Seu serpentear é inesquecível, assim como o é também toda a paisagem ao redor.

É um bate-e-volta de um dia inteiro a partir de Pequim. Melhor feito durante a semana, quando vêm menos visitantes e você tem a Grande Muralha mais para si.

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O serpentear da Grande Muralha da China por entre a paisagem. Prepare-se para andar, subir e descer bastante.
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O lugar é épico.
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E a paisagem é memorável.

4. O Palácio de Verão dos imperadores

Os imperadores chineses tinham vários palácios, tanto aqui na capital quanto nos seus arredores e mais além no país. Quando não estava despachando da Cidade Proibida, retiravam-se num deles.

Um dos de maior destaque e relevância histórica, assim como uma atração de peso aqui em Pequim, é aquele que ficou conhecido pelo nome de Palácio de Verão. Em mandarim, ele é chamado de Yíhéyuán (颐和园) ou Jardins da Preservação da Harmonia. 

Foi no século XVIII que o imperador Qianlong (1711-1799) ordenou a construção deste complexo de jardins e templos à beira de um lago, aonde no século XIX a imperatriz-mãe Cixi — que governou a China imperial por décadas — se retirou.

É um lugar de lindos templos, paisagens e também valor histórico, por ele ter sido alvo dos europeus que tentaram dominar a China durante o seu chamado “século de humilhação” (1841-1949). Não dá para não ver.

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O Palácio de Verão tem canais, templos e colinas. É uma visita de quase um dia inteiro. A notar que, diferentemente dos palácios europeus, aqui a visita se dá essencialmente pelas áreas externas.
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Você vai subindo e zanzando pelos caminhos deste extenso palácio. (Como no caso da Grande Muralha, embora menos, há umas belas subidas de degraus aqui).
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Com o Lago Kunming, que domina a paisagem do Palácio de Verão nos arredores de Pequim. Você chega tranquilamente de metrô, como descrevi em detalhes na minha postagem lá.

5. O Antigo Palácio de Verão dos imperadores

Este, que fica a uns 20-25 minutos de caminhada do Palácio de Verão acima, é uma visita mais histórica que para encantar os olhos.

Isso porque este chamado Antigo Palácio de Verão (Old Summer Palace ou Yuánmíng Yuán, que quer dizer Jardim do Brilho Perfeito), fundado ainda pelo imperador Kangxi em 1707 e expandido por seus sucessores, foi completamente arrasado por tropas britânicas no contexto da Segunda Guerra do Ópio em 1860.

Diante da captura e tortura de prisioneiros europeus, que tentavam acossar a China e forçá-la a abrir seus portos e a permitir tanto o livre comércio quanto a atividade de missionários cristãos, Lord Elgin quis dar o troco na monarquia chinesa e ateou fogo no seu palácio favorito. Dizem que, à época, nenhum outro lugar do mundo abrigava tantas obras de arte e objetos históricos quanto aqui.

Hoje, você caminha em meio a ruínas — como aquelas da Grécia ou Roma antigas —, mas é de um valor histórico inestimável para China, e nos serve para compreender também o que os britânicos fizeram aqui.

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O Antigo Palácio de Verão (Old Summer Palace ou Yuánmíng Yuán, Jardim do Brilho Perfeito) era uma extensíssimo complexo palaciano, com jardins e edificações, destruído por tropas britânicas em 1860. Ele era o palácio favorito dos monarcas chineses. O imperador Xianfeng (1831-1861) morreria menos de um ano após o episódio, dizem que em parte pelo choque e de desgosto, ainda que tivesse meros 30 anos de idade.
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Hoje, os chineses vêm visitar os resquícios do que sobrou. É uma visita histórica a se fazer em Pequim. (Você pode combiná-la com a visita ao outro Palácio de Verão, se tiver gás. Narrei em detalhes ambas as visitas aqui.)

6. O Templo do Céu (Tiāntán)

O Templo do Céu é um dos monumentos mais fotogênicos e emblemáticos de Pequim. Datado de 1420, ele era um altar cerimonial erigido na Dinastia Ming (1368-1644) — não propriamente um templo.

Trata-se de todo um complexo que fica no interior do que é hoje um grande parque público. À época, até o começo do século XX, era uma área de acesso proibido à plebe.

A principal edificação é o chamado Salão de Oração para Boas Colheitas (Hall of Prayer for Good Harvests), um edifício redondo de madeira com 38m de altura, uma maestria da arquitetura chinesa imperial.

É uma visita que eu detalhei aqui, e que não precisa ser muito extensa. Em coisa de 2h você visita o bem, e portanto ele pode ser combinado com o Palácio de Verão ou a Cidade Proibida no mesmo dia. 

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O Templo do Céu (Temple of Heaven) em Pequim, estrutura do século XV. Neste complexo, os imperadores da China realizavam cerimônias e sacrifícios em honra às forças divinas que regulam a Terra, para obter bons auspícios.
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Por ali. Quase não se viam ocidentais.
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Outras áreas deste complexo. O preço do ingresso é módico, e não é preciso reservar com antecedência nem fazer nada online.

7. O Templo de Confúcio em Pequim

Este, sim, propriamente um templo, dedicado ao mestre Confúcio (552-479 a.C.) e seus ensinamentos, que tanto moldaram as normas sociais, de governo, e a filosofia de vida dos chineses.

Originalmente de 1302, ele tem estruturas que foram sendo restauradas ou modificadas ao longo dos séculos, e hoje conta com uma área tranquila de pavilhões, árvores seculares e espelhos d’água.

Guarda também grandes rochas onde estão registrados os nomes dos funcionários da burocracia imperial que eram aprovados em exames formalizados — como concursos públicos, que séculos atrás já permitiam bem mais possibilidade de ascensão social que no Ocidente, onde tudo era determinado pelo nome de família que se levava. 

Mesmo a quem não entende chinês, não deixam de ser registros históricos impressionantes e uma visita pacata e honrosa a se fazer aqui em Pequim. Este é o segundo maior templo confucionista de toda a China.

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Com uma estátua do velho Confúcio (552-479 a.C.), o mais influente dos antigos sábios chineses. Não é à toa que os institutos de língua e cultura chinesa mundo afora levam o seu nome — nem mesmo a ideologia comunista do partido único conseguiu se desfazer da sua herança cultural.
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O templo, o segundo maior templo confucionista da China, é oferece um ambiente bastante agradável.
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Pedras seculares onde eram gravados os nomes dos aprovados nos exames imperiais. Noutras, há ensinamentos.

8. O budista Templo Lama

A quem sentiu falta do budismo, esta outra grande religião asiática, nada tema. Ele está bem representado aqui no Templo Yonghe (“Palácio de Paz de Harmonia” 雍和宮), mais conhecido como Templo Lama — e que fica justo do outro lado da rua desse templo confucionista mostrado acima. Vale visitar os dois de uma vez.

Ele data dos idos de 1700, e é um templo de budismo tibetano. O “lama” do nome é o mesmo de Dalai Lama, e quer dizer mestre ou guru. (Já dalai, aos curiosos, é uma palavra mongol que significa “oceano”, a indicar que aquele é o guru maior de todos). 

Sim, existem as querelas políticas entre Pequim e o Tibete, que atualmente é uma região autônoma dentro da República Popular da China, mas isso não quer dizer que não haja presença da cultura tibetana aqui, bem perto da sede de governo.

Vale a pena dar uma conferida. O templo é lindo, e você vê os chineses aqui em grande número a acender incensos e fazer suas orações. Você lê os detalhes e vê mais fotos dele neste post.

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A entrada do Templo Lama, dos idos de 1700. É um dos maiores mosteiros budistas tibetanos de toda a China.
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Os muitos fiéis e visitantes com seus incensos fazendo as suas preces. Quem acha que os chineses são ateus estão equivocados — eles tem a espiritualidade deles, sobre a qual eu já expliquei um tanto aqui.
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Imensa imagem secular de Buda talhada num só pedaço de madeira. Mostrei mais detalhes desta visita aqui.

9. O Pato à Pequim?

Este último é quase uma zoeira, mas aí vai do seu gosto.

Poucos pratos na China são tão internacionalmente famosos quanto o pato à Pequim (Peking duck), que de tão tradicional usa até a grafia clássica do nome em inglês (em lugar de Beijing, que é outro sistema de transliteração dos ideogramas chineses, adotado pelos anglófonos mais recentemente). 

É, sem dúvida, uma atração em si, o prato mais famoso desta capital, e um ícone da culinária do norte da China — que mesmo sem normalmente comer pato, eu resolvi provar. Afinal, levou-me meia vida para eu finalmente pôr os pés em Pequim.

Os detalhes dessa aventura gastronômica eu relatei aqui nesta postagem. Goste-se ou não, é patrimônio imaterial desta cidade que ocupou quase toda a primeira semana da minha estadia na China. Eu agora estava pronto para ir ao interior do país.

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Num restaurante indicado por uma colega chinesa onde experimentar do emblemático pato à Pequim. Os detalhes neste post.
Mairon Giovani
Cidadão do mundo e viajante independente. Gosta de cultura, risadas, e comida bem feita. Não acha que viajar sozinho seja tão assustador quanto costumam imaginar, e se joga com frequência em novos ambientes. Crê que um país deixa de ser um mero lugar no mapa a partir do momento em que você o conhece e vive experiências com as pessoas de lá.

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