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Peru

Fazendo a trilha da Laguna 69 na Cordilheira Branca no Peru

(Este será um post longo.)

Era uma quarta-feira inocente quando eu me propus a fazer a trilha da Laguna 69, a mais famosa — e das mais desafiadoras para nós reles mortais — nesta Cordilheira Branca no Peru.

É uma trilha médio-pesada, tornada assim em grande parte pela altitude de 4.600m à qual se chega. Fosse ela numa altitude baixa, seria até uma trilha médio-fácil, com 7 Km de ida e outros 7 Km de volta com uma parte plana e muitas subidas, mas nada do outro mundo.

Aos 4.600m de altitude, é definitivamente um outro mundo. 

Não é a trilha mais dura que eu já tenha feito, mas foi sem dúvida a experiência de trilha mais extenuante que eu já tive. Parte pela altitude, parte pelos guias dando pressa. Por sorte, foi também das trilhas mais belas que eu já fiz, e aqui eu lhes conto e mostro tudo como se passou.

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A trilha da Laguna 69 na Cordilheira Branca, próximo a Huaraz, norte do Peru.
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É uma trilha a não ser subestimada, sobretudo a quem não estiver em forma ou não-aclimatado ainda à altitude. Mas é factível à maioria.

Os arranjos: A Laguna 69 em linhas gerais

Antes que me perguntem, o nome Laguna 69 tem a ver com o fato de todas as lagunas — como eles aqui chamam estas lagoas de altitude formadas pelo derretimento de geleiras — da Cordilheira Branca no Peru receberem um número para identificação. Algumas têm também nome, como a Laguna Parón que lhes mostrei no post anterior, mas nem todas.

Se acharam que Laguna 69 seria sexy e julgaram que portanto já dispensava um nome, eu não sei. 

É uma linda lagoa azul que fica a 4.604m acima do nível do mar, à qual se sobe numa trilha que começa aos 3.900m. Lembro-lhes que Huaraz, a principal cidade-base para esta trilha, está a 3.000m aproximadamente.

O passeio custa 60 soles (o equivalente R$ 100 ou € 15) por pessoa numa agência comum, em passeios nestas vans com suas 10-15 pessoas, ou bem mais que isso num passeio com guia privado. Vai do seu bolso e preferência.

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As vistas são as mesmas, e a estrada também, escolha você o tour coletivo ou privado. A diferença — afora obviamente o preço — é que, no privado, dão-lhe almoço, e o guia faz tudo no ritmo do seu grupo. O custo vai depender do tamanho do seu grupo particular e sua capacidade de negociação.
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As paisagens por onde passamos são estonteantes.

Empresas como a Inkaland Treks oferecem passeios privados, a preços a serem negociados. Seu público é sobretudo o estrangeiro, falante de inglês e que deseja guias mais “internacionais”, por assim dizer.

O que, entretanto, quase todo mundo faz — inclusive muitos europeus e outros — é tomar um tour comum, destes revendidos por agências várias nas praças e acomodações de Huaraz.

Eu cheguei a comentar mais sobre este dilema entre tours coletivos x privados no post anterior, da Laguna Parón. Só tenha cuidado pois as agências às vezes tentam maximizar a sua margem de lucro. Como disse acima, eu paguei meros 60 soles neste da Laguna 69 pela minha pousada Casa de Zarela.

Neste tour não há parada para o almoço, mas há para o café da manhã. Portanto, venha equipado com roupa de frio, água e lanches. A partida costuma ser cedo, por volta das 5h da manhã, para começar a trilha antes das 9h e retornar a Huaraz no fim do dia, umas 18h.

É hora de irmos. Vamos ao passo a passo, e no final eu faço um balanço.

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O dia estava límpido e seria de sol hoje.

Fazendo a trilha da Laguna 69

O trajeto até a trilha

Às 4:50 da manhã eu estava pronto. O jet lag ainda presente pela diferença de fuso horário com a Europa me ajudava a acordar cedo às 3:30 sem grande esforço, o que tinha suas inconveniências, mas também suas vantagens. Às 5:10, eu estava já à entrada da Casa de Zarela, tudo ainda escuro, os pássaros a cantar animados — galos ali também no meio intrometidos — e um aroma gostoso de flores do jardim.

Às 5:20, chegaram com a van já quase lotada. Parecia melhor que a do dia anterior. O guia, um rapazote peruano com cara de índio e seus 28 anos havia reservado para si já o assento sozinho mais perto da porta com uma mochila — dizendo a mim e a todos que ainda entravam “está ocupado”, embora ele estivesse noutro lugar — e acabei ficando logo ali atrás do motorista. 

O guia só se apresentaria várias horas depois, como Richard, assim em inglês. Se o exotismo foi dos pais ou era dele próprio, adaptando o nome para a clientela estrangeira, eu não sei. Ele era meio sisudo apesar da pouca idade, como havia sido o caso também da sua antecessora no passeio anterior.

Eu notava com certa curiosidade como estes guias peruanos — e talvez em certa medida os peruanos em geral — se mostravam mais retraídos e fechados que os mexicanos ou colombianos, mais abertos e brincalhões. 

Vida que segue. Eu não teria lá muito espaço para esticar as pernas, mas ao menos não iria espremido hoje, e tinha a janela ao meu dispor.

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A vista do caminho, quando trocamos a estrada pavimentada pela de chão.

Era já cerca de 5:40 quando finalmente deixamos Huaraz após coletar todo mundo (éramos ao todo um grupo pequeno de suas 10 pessoas), e após duas horas de estrada chegando às 7:40 ao lugar do café da manhã, o Recreo los Lisos.

Era uma lanchonete destas de beira de estrada. Já havia várias outras mesas ocupadas com turistas — muitos europeus, alguns norte-americanos, israelenses, e peruanos. Notava-se que era um ponto de apoio essencialmente voltado a quem vinha fazer trilha, com decoração de milhos coloridos dependurados sob o teto e toalhas coloridas nas mesas, daquelas que se vendem nos mercados Peru e Bolívia afora.

Fazia um friozinho razoável, e o moletom vinha a calhar. Cercados estávamos de picos de mais de 6 mil metros de altura.

Aqui, estávamos ainda a pouco mais da metade disso, a altitude quase a mesma de Huaraz. Mordia, mas ainda não tanto quanto morderia depois somada ao esforço físico.

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A lanchonete onde nos detivemos. Aqui, eles chamam estes lugares de recreos.
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Tomei um forte café da manhã com ovos mexidos, pães e mate de coca para ajudar a espantar os efeitos da altitude.
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Estrada adentro, as vistas das montanhas e destes paredões rochosos eram o que de mais espetacular havia. Fiquei contente com a sorte de pegar um dia de céu limpo — ao menos por ora.

Às 8:05, saímos do lugar do café da manhã (após uma parada de 25 minutos), e às 8:10 nós já estávamos na entrada do Parque Nacional Huascarán, onde fica a trilha da Laguna 69.

Aqui, é preciso pagar uma entrada de 20 soles (aprox. R$ 30 ou €5), só em dinheiro e em soles. O guia passou coletando o montante de todo mundo e, depois, devolvendo o troco de quem precisava de troco, como de hábito.

Um ambulante de chapéu veio à porta da van a vender mandarina dulce (tangerina), folhas de coca e caramelos, mas eu já me sentia munido o bastante para o passeio — incluso com folhas de coca providencialmente obtidas do casal peruano que encontrei no tour da Laguna Parón no dia anterior.

Mais um tramo de estrada por pouco mais de meia hora para subirmos um pouco mais, e ali às 8:45 estaríamos começando, a 3.900m e com uma linda vista para uma lagoa outra ao longe. Sob o olhar ligeiramente sisudo do guia que queria que tocássemos em frente, aproveitei o sol para tirar logo uma foto dali — e segui caminho.

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Paisagem mágica.
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A entrada do sendero (trilha) para a Laguna 69. Seriam aí 7 Km até lá — mist and shadow, cloud and shade, como na Canção de Pippin em O Retorno do Rei — e o depois o mesmo trajeto de volta. “Lá e de volta outra vez”, como n’O Hobbit.
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O início humilde da Trilha da Laguna 69, as nuvens no céu sempre a dançar imprevisíveis.

A trilha — o início singelo

Eu havia lido internet afora que esta trilha consiste em duas partes: um longo trajeto tranquilo no início e uma subida de matar no final. Só que a realidade não é bem assim.

Na realidade, você sobe praticamente o tempo todo, exceto pelos 2 Km iniciais que são praticamente planos. A suadeira no final não é nada de excepcional em termos de relevo, você simplesmente está mais cansado, mas há subidas o tempo todo — e depois descidas desafiadoras aos joelhos na volta.

Este início, de fato, é quase uma caminhada. Um passeio no parque, não fossem os efeitos da altitude a alertá-lo que não ouse ir rápido demais. O jeito paradisíaco da paisagem — com ares de Campos Elísios montanhosos — talvez só fique atrás de Ngorongoro (na Tanzânia) dentre as que já visitei com este aspecto.

Fazia um sol fresco naquela manhã amena.

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O início da trilha da Laguna 69 é assim, no plano e com este ar sereno.
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Ponte sobre a corredeira.
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As corredeiras na natureza parecem saídas de algum paraíso, bíblico ou greco-romano — ou inca.
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Naquele ambiente.
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As montanhas ao longe.

Embora pareça, o trajeto não é exatamente plano — há um leve aclive —, e neste ar rarefeito dos 4.000m de altitude, em meia hora eu precisei já recorrer às folhas de coca.

Procurei ir naquele estilo do “devagar e sempre”, não me importando muito que os outros — quase todos na casa dos seus 20 e algo ou no muito 30 anos — me ultrapassassem. Só que isso, depois, se mostraria um certo problema, como veremos.

Os guias aqui na região têm por hábito sempre vir no final, com os últimos do grupo ou bem atrás, e eu estava satisfeito em pelo menos não ver sinal de Richard.

Acompanhava-me pouco à frente de mim um casal peruano pouco em forma, ao que a maioria — um grupelho de norte-americanas, uma alemã sozinha, um casal holandês e um francês jovem, lépido e alto que reencontrei do passeio do dia anterior à Laguna Parón — desapareceram todos na frente. 

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Caminhar é preciso. A paisagem ali funcionava como uma hidratação à alma.
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Notem a combinação perfeita de flores, cachoeira e montanhas nevadas ao fundo.
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Cruzávamos com bois tranquilos no meio do caminho (não sei se são selvagens ou pertencem a alguém), assim como com gente de pelo menos dois outros grupos. Apesar das minhas observações, eu não era nem de longe o mais velho: havia umas senhoras passadas dos 50 anos que iam marchando animadas com aqueles cajados de trilha.

Pedra sobre pedra: o fim da moleza

O guia havia nos dito que teríamos 3h para chegar até o fim da trilha, onde a Laguna 69 se encontra. Tínhamos portanto até as 11:45, o que coincide mesmo que o tempo médio que se apregoa por aí internet afora.

Daí, tínhamos 1h lá para curtir o lugar e comer o que tivéssemos trazido, e às 12:45 zarparíamos de volta — trajeto que Richard sugeriu que se faria em 2h30, de modo que pouco depois das 15:00 estaríamos prontos para tomar a estrada de volta a Huaraz

Só que a teoria, na prática, é outra, sobretudo se você não fizer o estilo esportista ou se a sua fisiologia implicar com a altitude e seus efeitos. (Atenção redobrada a quem tiver problemas cardíacos.)

Eram cerca de 11:05 da manha (portanto 2h20min de trilha) quando eu cheguei à placa marcando que faltavam 3 Km até a lagoa. Nada tão mal assim, Fernandinho, sobretudo na altitude. O relevo agora era pedregoso, daquele em que você escolhe onde pisa. Uma água leve corria para baixo, e o sol, embora leve, queimava um tanto a cuca.

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O caminho das pedras. Após os primeiros 2 Km, tudo o mais é subida.
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As pedras, no entanto, são cercadas de beleza.
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Cachoeiras dançando pelas rochas.
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Até que se chega à placa dos 3 Km faltantes.

Foi aí que o guia me alcançou, pouco depois desta placa. Vinha ele junto com um outro guia mais velho, ambos daquele biotipo inca habituado (há gerações) a esta altitude, aparentemente indiferentes aos efeitos da altitude.

Você é do grupo Solís, não?“, indagou-me ele, usando o nome que pediu que adotássemos só como referência. Ao que eu confirmei, veio a surpresa. “Aqui você ainda vai levar 50 minutos para chegar até a Laguna Consuelo e mais de duas horas ainda até a 69. Melhor que fique na Consuelo e descanse, e aí pegamos você na volta“.

Foi um balde de água fria. Fiquei estupefacto com a repentina possibilidade de vir até aqui, subir estes quilômetros na altitude e não ver a Laguna 69 no fim das contas. Bateu até aquele arrependimento de ter pegado muito leve no início.

Que humilhação… mas será que não é mesmo mais realista e seguro, sobretudo em vista da tal subida drástica de que os relatos diziam que há no final? Foram reflexões que me bateram, ao que meu guia e seu colega sumiram diante de mim no horizonte.

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A Laguna Consuelo é a principal marca no caminho para a Laguna 69. A proposta inicial do guia havia sido chegar aqui após 2h de trilha. Eu cheguei em 2h45.

Da Laguna Consuelo à Laguna 69

A Laguna Consuelo é feia, observei. Se ao menos ela fosse bonita, haveria um sentimento de meta cumprida — ainda que uma meta parcial. Na minha humildade, eu até pensava em como faria esta postagem, dizendo que vim e não cheguei até o fim — que parei nesta lagoa a 70% do caminho. Se ao menos ela fosse bonita…

Recusei-me a ficar esperando ali. O guia havia estimado que eu levaria 50 minutos de onde me encontrou até aqui, e eu levei 20. Fiquei com a impressão não só de que ele tinha dito o que disse no chutômetro, mas também que estava pensando mais na própria conveniência que em qualquer outra coisa.

Encorajei-me. Ele que fosse pastar. Eu, via de regra, tenho muito apreço pela orientação de guia, mas este visivelmente estava pouco aí. Eu portanto iria até onde conseguisse, no ritmo que eu conseguisse, sem me exceder. Se eu pegasse meu grupo já voltando, que assim fosse — pelo menos eu veria mais da trilha. (Era um Genie in the Bottle reverso: meu corpo dizia “não”, meu coração dizia “vombora”). 

Eu tinha até as 12:45, hora avisada como hora do início do retorno. Estávamos aqui às 11:30, e eu queria ver de perto o que era a tal subida drástica no final. 

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Finalmente, uma parte realmente plana após a Laguna Consuelo. Comecei a crer que eu conseguiria, sim, chegar até o final.
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Na placa indicando que faltava apenas 1 Km para a Laguna 69. Estávamos às 11:45. Era a hora da verdade.
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Os meandros. Era preciso subir este trajeto, pois a laguna fica lá nesta montanha.
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Vamos nessa. Eu já não via ninguém aqui, exceto uma senhora que eu deixei para trás e um par de mãe com filho adolescente que ouviram o mesmo que eu, só que foram mais obedientes e ficaram lá na Lagoa Consuelo à toa.

Eu, francamente, não achei esta parte final mais difícil que o resto. Para mim, ela basicamente foi o mesmo que outras subidas anteriores — e bem menos que outras subidas que já fiz em outras trilhas.

Vi relatos que chamavam isto de “escalaminhada”, mas verdade seja dita, não há absolutamente momento nenhum em que seja preciso se apoiar nos braços ou que isto pareça uma escalada. (A trilha da Cachoeira do Sossego ou a da Cachoeira da Fumaça na Chapada Diamantina, por exemplo, têm muito mais cara de “escalaminhada” que esta daqui.)

O cansaço aqui batia menos pela subida e mais, obviamente, pela altitude. A sensação não é a de estar meramente cansado por um esforço físico, mas a de estar doente por algum desarranjo fisiológico. Isso é o que morde.

Faltava-me 1h daquela placa de 1 Km pela subida final até a Laguna 69, já 6 Km percorridos nesta altitude de 4.500m, e esse foi precisamente o tempo que eu levei. Encontrando pessoas mais jovens no caminho que iam aos poucos voltando e me encorajando, dizendo-me — em inglês, francês ou espanhol — que faltava pouco, eu vim, vi e venci. 

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O tramo final, já entre as montanhas.
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Até que se vê a brilhante, límpida e azul Laguna 69 em meio às cinzentas rochas, como uma fonte mágica a 4.604m de altitude.
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Ei-la, a Laguna 69.
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Suado e cansado, mas exitoso.

A parte mais perigosa: a volta

Eu não resisti em chamar o señor Richard em voz alta para ele constatar que o que ele julgava inviável aconteceu: eu cheguei em tempo.

Não houve festa de chegada nem beijo de namorada, mas houve tempo suficiente para eu tirar minhas fotos e regozijar. Falei com um e outro do grupo que ainda me saudaram de modo caloroso. O guia se limitou a fazer a única coisa que sabia: regular o tempo. Foi-nos dizendo que já era a hora de começarmos todos a descer.

Eu não estava com fome nenhuma, faça-se saber, e não senti falta da hora inteira que teria tido aqui. Passar a fome é um dos efeitos colaterais da coca.

Agora, entretanto, se iniciava a parte talvez a mais perigosa do trajeto, quando se acha que já terminou: a volta, quando ainda há 7 Km pela frente, mas já se está cansado, e há o risco maior de você se empolgar querendo descer rápido e passar mal. Eu o veria com meus próprios olhos.   

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É hora de começar o retorno, talvez a hora mais perigosa, pois as pessoas já estão cansadas, expostas aos efeitos do esforço físico a 4.600m de altitude, e agora no afã de descer rápido.

Eram 12:50 quando nós deixamos a Laguna 69. Algumas pessoas desciam como cabras os pedregulhos, mas que não houvesse ilusões: ainda tínhamos 7 Km e algumas horas de retorno. Todo mundo estava mais cansado ou menos cansado — deste cansaço mais com aspecto de desarranjo fisiológico que aquele cansaço saudável de quem simplesmente fez exercício físico.

É quase sempre na volta que se veem das misérias que às vezes se leem na internet sobre esta trilha. Gente vomitando? Dores de cabeça? Trilheiro tomando remédio? Temos tudo isso aí. Em maior ou menos medida, isso é comum aqui. 

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Eu vim no pelotão final, mas desta vez, não mais sozinho. Descer me era mais simples do que subir, mas mesmo assim, procurei não abusar. A água ajudava; mordisquei também uns lanches, embora eles não caíssem bem e começassem a me enjoar. Era preciso controlar a ânsia de vômito provocada pelo esforço na altitude. 

Quando avistei uma moça encurvada e o chão diante dela sujo, não demorei a deduzir do que se tratava. 

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Voltamos a parte plana que separa a placa de 1 Km da Laguna Consuelo, as vistas continuando a ser estonteantes.
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Depois, haja descidas dos quilômetros que a gente subiu pelas pedras. Nada do outro mundo, mas cansa quem já está cansado.

Atrás, vinham os guias com ares de final de expediente. Um deles arrebanhara lá do alto da Laguna 69 os últimos que ainda se demoravam nas fotos. “Vamos, já somos o último grupo, já não tem mais ninguém depois de nós.”

Depois, ainda ouvi um outro deles dizer a uma das mulheres que “é capaz de vir chuva durante a tarde” e que “precisamos ir avançando“. Soava insincero, para lhes dizer com franqueza, e nunca veio chuva nenhuma.

Às 13:30 (portanto 40 minutos após deixar a Laguna 69), estávamos na Laguna Consuelo, e às 13:50, de volta à placa indicando 3 Km para a Laguna 69 — quase já metade do caminho de volta.

Foi aí que avistei, sentado numa pedra (feito Madalena quando eu fui passear na roça), o lépido e esguio rapaz francês que de tão ágil já passara por mim retornando antes mesmo de eu chegar à Laguna 69. Ele agora nos indicava com o polegar para baixo que não estava legal.

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Esta árvore parecia saída da história da Branca de Neve ou de algum conto. ♪ Are you, Are you, Coming to the tree? They strung up a man, they say who murdered three. Strange things did happen here, no stranger would it be… ♫

Coitado do rapaz francês, não se aguentava de dor de cabeça. Dá às vezes uma dor de cabeça lancinante nesta altitude. Acho que a coca me salvou, embora talvez tenha embrulhado o meu estômago um pouco — não sei.

Como ele era do meu grupo, ficou Richard lá a postos perguntando como ele estava e sem muito fazer. Não conseguia esconder certa impaciência no rosto, aquele ar de aquilo era uma inconveniência. Empatia que é bom, nada.

Segui adiante, e reencontrei uma peruana de seus 50 anos por quem eu havia passado e que não foi até o topo. Disse-me animada que não iria se matar para subir justo no dia do próprio aniversário. Achei justo — e lhe dei os parabéns.

O francês, com ar adoentado, vinha a passos curtos como podia ao lado de um dos guias, e passo a passo viemos descendo a parte quase plana dos quilômetros iniciais da trilha e agora finais para nós. Às 14:40, chegamos à placa de 5 Km para a Laguna 69 e às 15:10, à entrada do parque — após 2h20 de trajeto de volta.

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As amigas, duas andarilhas peruanas na casa dos cinquenta e poucos. Uma delas fazia aniversário hoje e se recusou a subir até o topo, para evitar a fadiga.

Concluindo a trilha — e o feedback

Eu já havia me indisposto ligeiramente com um dos outros guias (não o meu), que num dado momento em que eu parei para tomar um fôlego, me veio com “precisamos ir avançando” porque “os outros já estão nos esperando”. Eu retruquei que, depois de uma trilha destas, eles certamente não se incomodariam de descansar um pouco nos esperando.

Via-se nitidamente que a pressa era dos guias. Estávamos ainda às três da tarde, e não é como se fosse já escurecer ou o parque fechar. 

Chegando à entrada, nosso último pelotão viu os mais jovens e atléticos que já estavam lá prostrados nos esperando, e alguns se permitiram ir ao banheiro enquanto eu, por meu turno, comprei um gatorade colorido de uma moçoila que ali vendia.

Guias melhores, com empatia e senso de bom serviço, teriam-nos dado 5 minutos que fossem para descansar, mas não estes. Ao que chegamos, já começaram a mobilizar todo o mundo para que regressássemos ao carro. Inconvenientemente, havia ainda um trecho de seus 200m — agora subindo — para quem já havia andado 14 Km nesta altitude.

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Na parte plana da trilha da Laguna 69. Haja cansaço!

O Gatorade ajudou a espantar o enjoo que eu havia controlado a duras penas durante a descida. Íamos já vários de nós — o francês, as duas peruanas, eu, dois guias e mais uns — quando um deles, ali já no apagar das luzes, resolveu nos dar mais pressa. “Vamos, vamos, três minutos. Três minutos, que já estão nos esperando“. Não prestou.

— “Vocês dois não são guias, são dois cronômetros. Eu não sei o que lhes ensinam na escola de guias aqui, mas ser guia é mais que ficar fiscalizando o horário“, soltei eu num rompante no meu melhor espanhol.

— “É porque temos que respeitar os outros, que estão esperando“, retrucou-me um com ar de papai-sabe-tudo.

— “Olhe ao redor. Você está vendo alguém aqui descontente com o horário? Só vocês é que estão dando pressa, parecendo que o mundo vai acabar às quatro da tarde.

— “Nos estressa“, inteirou uma das peruanas.

— “Aí são os tours privados.“, seguiu o guia que nos respondia.

— “Não. É perfeitamente possível ter tours coletivos com mais paciência e compreensão. Não é só aqui que se fazem tours, e se vocês se dessem ao trabalho de ver no TripAdvisor e internet afora, veriam que os guias são uma queixa frequente aqui há tempos, e vocês pelo visto até hoje não aprenderam“, soltei eu, vendendo azeite às canadas.

Só serviu pra ativar aquela energia plutônica de quando você fica p****, e eu que já estava quase completamente esgotado até terminei bem o trajeto. Às 15:15, estávamos de volta à van.

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Nota-se aqui com nítida clareza, senhoras e senhores, o efeito perverso que há quando quem opera o tour não é quem vende. Os operadores anônimos não dão muita bola e são praticamente todos iguais. Não há nem como avaliá-los para recomendar este em vez daquele, até porque as agências na cidade são todas revendedoras e jogam você em qualquer operador disponível naquele dia.

O guia é um fiscal de horário, só. Certifica-se apenas de que ninguém fique para trás, o que é útil, mas sem grande simpatia — ou empatia — no tratamento ao cliente. Quase não se apresenta nem diz muita coisa. Como parece ser pago por diária, procura não demorar de estar de volta à cidade. Falando de respeito aos outros, mas parecendo que ele é que “não queria perder o ensopado de galinha [ají de gallina] da tia para o jantar” — inteirei eu em dado momento, sem saber se ele ouviu ou não.

O motorista, por sua vez, não fala com ninguém a não ser o guia. O nosso parou o carro numa casa repentinamente e lá ficou um tempo, sem ninguém dar satisfação de nada — parecendo quase minha experiência em Camarões —, os passageiros a se perguntar se o carro tinha dado defeito ou algo se passava.

Pagaria eu USD 100 em vez de 60 soles (USD 18) para um guia que me dê a mão e me chame de “meu amigo”? Não. Faria tudo de novo. Só espero que os peruanos entreguem guiagem coletiva melhor um dia, como se faz diariamente no Brasil, na Colômbia ou no México sem grandes dificuldades, e deixo aí o relato para que as pessoas saibam o que esperar.

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A Laguna 69 vale muito a pena. É linda, afora a paisagem, e mesmo com toda a sofrência — e talvez em parte também por ela —, se torna uma daquelas trilhas inesquecíveis que você faz na vida.

Balanço final da trilha — e epílogo

Como coloquei no início, esta não é nem de longe a trilha mais pesada do mundo em termos de relevo, mas 14 Km tampouco são bobagem no sobe-sobe, e a altitude a torna uma trilha médio-difícil.

Nenhuma subida é muito íngreme, e em zero momentos eu precisei me apoiar com as mãos para subir ou descer. Só que subir de 3.900 a 4.600m por 7 Km e depois fazer outros 7 Km nesta altitude não é brincadeira. Procure se aclimatar pelo menos umas duas ou três noites em Huaraz antes de vir fazer esta trilha, e sofrerá menos.

Você se sente doente (com dor de cabeça, fraqueza pelo corpo), mais que cansado, e os guias atrás dando pressa não ajudam. Seria mais fácil fazer esta trilha no tempo que for — como é o caso na maioria das trilhas mundo afora — que ficar tendo que atingir marca, como se estivesse com personal trainer, numa trilha na altitude.

Vai variar, obviamente, de pessoa para pessoa. Algumas pessoas sentem menos a altitude, e há guias melhores que outros — mesmo com as questões estruturais que mencionei acima. Ao menos, agora vocês sabem melhor o que esperar.

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Detivemos-nos ainda na lagoa Llanganuco para tirar fotos.
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Mal dá para acreditar que o sorriso é o de alguém que quase se matou na trilha de 14 Km na altitude, mas aí estamos.

O clima era fresco, e logo estaríamos transitando de volta pela precária zona rural peruana. Casas velhas sem terminar a obra, ferro velho na beira da pista, animais de estimação ou não (cães, porcos, burros, vacas) à solta. Ruas sem pavimentar, poeirentas até a morte.

A falta de coleta de lixo, em particular, é uma coisa triste.

Vários lugares também não têm sinal nenhum de celular. Viam-se vilarejos e restaurantes de beira de pista, e às 16:10 — após 1h de buraqueiras e sacolejos — paramos novamente naquele mesmo restaurante do café da manhã para o caso de alguém querer ir ao banheiro.

Eu, que quase nada havia comido, estava de buenas ainda tomando devagarinho meu Gatorade.

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As estradas no interior do Peru são assim. É uma buracolândia, e sobe uma poeira bruta. (O cabelo, se você tiver, fica um espetáculo). Eu não quis imaginar como é quando chove.

Às 18:30, estávamos de volta na cidade após atravessar o centro de Huaraz engarrafado. A estrada de mão dupla para entrar na cidade congestiona que é uma beleza.

O guia, Richard, foi-se embora à francesa — nem agradeceu nem nada — na entrada de Huaraz, deixando a cargo do motorista nos entregar em alguma praça da cidade. 

Desci já na calada da noite, aquelas ruas movimentadas de baderna de cidade latino-americana quando o comércio está fechando e as pessoas, voltando para casa. A alemã desceu comigo e logo evanesceu-se. 

Passei por um fusca verde, que me chamou a atenção, e me permiti ainda um prêmio de completude da trilha na saborosa Granizo Heladería Artesanal na rua de trás da minha pousada. Ser bem atendido aqui me fez estar contente com os peruanos, e concluir que a questão com os guias é, realmente, estrutural daquele modelo de negócio. 

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Aos curiosos.
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Ô glória! Mirtilo, lúcuma (uma fruta local) e maçã ao forno, que incrivelmente era saborosa.

Eles aqui fazem uma festa danada do sorvete de torrone (turrón), que é típico daqui e específico do mês de outubro — e a moça peruana que veio depois de mim pediu —, mas me pareceu daqueles doces de mercearia (coloridos e dulcíssimos) feito em sorvete.

Na manhã seguinte, tomei o mesmo shuttle da vinda, com a mesma senhora cobradora, de volta ao aeroporto de Huaraz. Mostrou-se arrumadinho e eficaz o aeroporto de Huaraz. Pessoal amável, solícito, de bom trato. Parece que só a LATAM o utiliza, com dois voos diários para Lima

Qual foi a minha surpresa quando, na fila do embarque, eu encontrei o francês de novo — aquele que havia passado mal na trilha da Laguna 69. Perguntei como ele ia depois de ontem, e estava se sentindo melhor. Seguia feliz. Quando viu meu passaporte e se deu conta de onde eu era, me contou que havia visitado o Brasil no ano anterior e gostado muito. Recomendei-lhe mais alguns lugares. 

Eu, queimado do sol pela trilha de ontem e doido para regressar a uma altitude mais normal, tomei meu rumo. Adiós, Peru. Até um dia, até talvez, até quem sabe. 

Mairon Giovani
Cidadão do mundo e viajante independente. Gosta de cultura, risadas, e comida bem feita. Não acha que viajar sozinho seja tão assustador quanto costumam imaginar, e se joga com frequência em novos ambientes. Crê que um país deixa de ser um mero lugar no mapa a partir do momento em que você o conhece e vive experiências com as pessoas de lá.

One thought on “Fazendo a trilha da Laguna 69 na Cordilheira Branca no Peru

  1. Ave Maria…Não me convide… nem me arriscaria: 604 mts de altitude , 14 kms e subindo… numa trilha horrível … cheia de pedras, de difícil acesso?… Só mesmo para o jovem e corajoso viajante. hahahaha
    A Natureza, com certeza, espetacular!… Paisagens magníficas…águas de um azul deslumbrante e céu azul lindo…maravilhoso!…
    Dia lindo, cenário pujante, de encher os olhos… tudo lindo!…
    Bonitinha e original a lanchonete com seus enfeites de milho…gostei… simples e bonitinha…
    Apreciei também o café da manha.. com “sustança” hahaha…é isso ai…
    Meu jovem, que espetáculo essas paredões rochosos, sob esse lindo céu de anil… uma maravilha da Natureza…
    Ihhh… que linda…mágica mesmo a paisagem!…
    A tal trilha tem até um inicio melhorzinho, parece tranquilo, apesar das previsões… Jesus… Uma subida final de “matar”… misericórdia… só coragem hahahah. nessa altitude????
    Linda paisagem, verdes montanhas, pontes, graciosas corredeiras, belíssimas ;aguas… cenográfica a região… romântica haha.
    Belo ambiente energizante , que convida à elevação …
    E o senhor, meu jovem amigo… aí…em meio a tanta beleza, heimm? está ótimo… no seu elemento!… diante dessas pujantes montanhas nevadas… que maravilha.
    Ihhh!… que cenário majestoso: flores, água, montanha e céu azul…perfeito… Estou encantada!… Daria um belo quadro. Parece uma pintura!.
    Que região bonita!… Belíssima a natureza ! … Que linda a cachoeira!…
    Grande jovem hahah… imagino o cansaço!…
    Que paredões magníficos!… e que final de trilha difícil: pedregosa, grande altitude, e subindo…
    Mas, pelo visto valeu tamanho esforço: a laguna é, simplesmente, maravilhosa… ave-Maria!… quanta beleza… que azul diáfano, divino, perfeito…coisa do céu… Linda!… Linda!… magnífica…
    Que paisagem!… estupenda:
    Essa foto da chegada do jovem viajante, “suado, cansado, mas exitoso”, diante daquela massa líquida de um azul maravilhoso, circundado pelos gigantes de rocha nevados e sob o manto azulado do céu das Américas, merece um poster!… está patognomônica hahaha… assim como aquela final recebendo a energia da irmã árvore … Magistrais, ambas.
    Vilgen, que retorno arriscado…
    Adorei a baixa que o viajante deu nos guias de araque…
    Resumindo: o caminho das pedras, de belos paredões nevados, de lindas cachoeirinhas, de águas azuis, diante de um magnífico céu também azul, de lindas nuvens brancas se revelou um relicário da natureza… uma descoberta fantástica que enche o coração de alegria e a alma de elevação.
    Parabéns, meu jovem!… Espetacular!…
    Valeu!…
    ,

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