Os mercadinhos ou feirinhas de Natal (Christmas Markets) são o que há de mais magnífico para se ver na Europa nesta época do ano. São das épocas mais aguardadas pelos europeus, das mais mágicas, e uma razão para escolher viajar para cá em fins de novembro ou em dezembro.
Faz frio? Faz, e fica bastante escuro, com os dias curtos — anoitecendo às 16:30 ou mesmo 15:00, a depender do país onde você se encontra.

Só que aí nesse escuro frio em que a natureza se põe a dormir é que entra a magia.
Há luzes, as decorações, artesanato, guloseimas vendidas em barraquinhas de madeira e toda uma atmosfera pública e coletiva, tradicional de vilarejo, diferente daquele Natal norte-americano, mais comercial e focado nas lojas.
Eu já comentei numa outra postagem que o lugar da Europa onde se estar nesta época do Advento (as quatro semanas que antecedem o Natal) é a Europa Central, onde estas tradições natalinas são as mais fortes — e de onde vêm muitos dos hábitos que ganharam o mundo, como o de se enfeitar um pinheiro dentro de casa.
Não é apenas na Alemanha, mas também na República Tcheca, Eslováquia, Hungria, Polônia, Países Bálticos, Áustria, Eslovênia e outros oriundos desta mesma região cultural.
Quais cidades oferecem as melhores feirinhas de Natal? Muitas, e eu aqui lhes apresento minhas favoritas: as 10 que mais gosto de visitar neste tempo, em ordem decrescente.

10. Sibiu, Romênia
Sibiu, na Romênia, é uma cidade que merece sua visita independentemente do Natal. Faz parte da famosa região da Transilvânia, e é das cidades romenas mais pitorescas que há, com seu histórico de povoamento saxão e húngaro.
Isso é fruto do povoamento que a cidade teve no último milênio e dos vários reinos a que já pertenceu antes de haver o estado moderno da Romênia. Eu descrevi minhas andanças por lá neste post.
No Natal, quando eu visitei, ela se veste de cores e luzes, honrando essa mistura de tradições magiares, germânicas e romena. É talvez a melhor feirinha do país.

9. Parque Skansen, Estocolmo (Suécia)
Os Países Nórdicos podem não ser os mais fortes em feirinhas de Natal, mas não deixam de ter algo — e com características próprias.
O Natal nórdico, até pelo ambiente, tem um foco maior na natureza, nos pinheiros, na neve, nas renas, nos ajudantes do Papai Noel e na Lapônia, que é uma região da Finlândia que eu visitei.
Se os germânicos e outros centro-europeus têm o glühwein, o seu vinho quente com especiarias, os nórdicos oferecem o glögg, uma versão mais doce, com passas e amêndoas moídas por cima, acompanhado por biscoitinhos de cravo-da-índia e noz-moscada — as caras especiarias que os bons cristãos aguardavam para consumir no Natal, esta prestigiosa época do ano.
Só que os nórdicos têm outra particularidade, que é realizar as suas melhores feirinhas de Natal, não nas praças públicas como o fazem os centro-europeus, mas em parques (em geral pagos, mas que valem a pena) onde se cria toda uma ambientação natalina mais ampla.

Em Estocolmo, nenhum lugar é mais fotogênico nesta época que o Parque Skansen, que estou chamando de “parque” por se tratar de uma área aberta e com vegetação, mas que não é um parque de diversões. É mais um museu ao ar livre, que a cada época do ano se veste de acordo.
Aos fins de semana há mais gente, mas aí é que há ainda mais atrações, como corais juvenis, mais espaços abertos, etc. É como aquela antiga apresentação de circo que, no domingo, tinha mais atrações.
Outras cidades fazem coisas parecidas, como Oslo no seu Museu de Cultura Popular (também ao ar livre, no mesmo estilo de Skansen); ou Copenhague nos Jardins Tivoli, no meio da cidade; ou Gotemburgo no parque Liseberg — este, sim, um parque de diversões, que no Natal se veste a caráter. Postei sobre meu Natal lá aqui.


8. Cracóvia (Kraków), Polônia
Aqui vamos a um Natal mais clássico, com os contornos cristãos do forte catolicismo polonês somados às tradições milenares da Europa Central.
A Polônia oferece dezenas de feirinhas de Natal — em geral com tudo a preços bem mais camaradas que os da Alemanha ou Áustria. Além disso, se os alemães encerram a festa ao dia 23 de dezembro para que aí as famílias se concentrem nas atividades cada qual dentro de suas casas, os poloneses seguem tocando a festa nas cidades maiores.
Eu já tive a honra de virar uma noite de Natal aqui em Cracóvia, e é uma experiência. A cidade, talvez a mais bela e histórica que há na Polônia, oferece charme, atmosfera e atrações a visitar todo o ano, mas o Natal sempre é especial.
É lugar onde degustar do típico queijo de ovelha defumado acompanhado de doce de frutas vermelhas e muito mais.




7. Dresden, Alemanha
Dresden é uma das cidades históricas mais belas que há na antiga Alemanha Oriental. Ali entre Berlim e a República Tcheca, ela vale um ou dois bons dias inteiros de visita.
Ela foi a capital do antigo Ducado e depois Reino da Saxônia, um lugar pelo de História e de patrimônio artístico. Não é qualquer lugar que oferece quadros originais de Rafael à visitação, por exemplo.
No Natal, suas feirinhas são um monumento. São várias, espalhadas pelas praças da cidade como que num circuito natalino.
Junta muita gente? Junta, e por boa razão. Vale a pena programar uma visita à cidade neste período.



6. Heidelberg, Alemanha
É difícil competir com uma cidade que tem um rio pitoresco passando pelo seu centro e um castelo antigo parcialmente em ruínas lá no alto se impondo.
Essa é Heidelberg, cidade universitária — e histórica — no sudoeste alemão, na região de Baden-Wurttemberg, nas vizinhanças da clássica Floresta Negra (Schwarzwald).
No período natalino, há barraquinhas e atividades tanto lá em cima quanto cá embaixo. É um encanto. Você realmente se sente como se tivesse viajado no tempo ou para outra dimensão.
Como não é uma cidade muito grande, não chega a ficar aquelas feirinhas de Natal lotadas de gente. Você consegue sentir preservado ainda certo aconchego e a sensação de estar envolto pelo natureza, como nos velhos tempos.


5. Viena, Áustria
A capital austríaca já é charmosa por si só. No Natal, então, várias praças da cidade passam a albergar feirinhas de época — uma melhor que a outra e mais badalada que a outra.
Algumas mais centrais, como a da praça da prefeitura, ficam picadas de gente. Se povaréu não for a sua praia, não faltam outras mais amenas e tranquilas de se visitar, como a que às vezes montam nos jardins do Palácio Belvedere ou às margens do Palácio Schönbrunn.
O melhor desta época aqui é sentir o charme de Viena nesta época natalina, ver-se ali em meio às edificações de outras eras, como se estivéssemos ainda no século XVIII.
É uma viagem no tempo àquele período imperial do apogeu dos Habsburgo.




4. Nurembergue, Alemanha
Eu já adianto que esta é, para mim, a mais natalícia de todas as cidades alemãs — o que já lhes indica que as três posições finais do meu ranking são de cidades em outros países.
Nurembergue, que os nacionalistas de outras eras vieram a chamar de “a mais alemã das cidades alemãs”, é pura magia da Alemanha medieval com suas casas de enxaimel (armação de madeira) e o castelo do antigo sacro-imperador.
Sim, Nurembergue também tem páginas na História contemporânea — como você vê ali na minha postagem —, mas isso não lhe tira os méritos estéticos e nem um pouco da ambiência neste seu centro.
O Natal aqui é pleno, com músicos, corais e toda uma agenda de atrações na praça pública, na feirinha que se estende por quase todo o centro histórico. É uma experiência — a quintessência do Natal alemão. (Para além disso, só mesmo se você passar a noite de Natal na casa de uma família alemã, como fiz certa vez.)

3. Budapeste, Hungria
Que a capital húngara é uma joia sendo descoberta por cada vez mais pessoas não resta dúvida. O jeito irreverente dos húngaros costuma casar bem com a alma latina, e sobre isso — como sobre as atrações e belezas de Budapeste — eu já versei numa longa postagem lá.
O que nem todo mundo sabe é que, no Natal, a cidade adquire todo um encanto especial. É das maiores celebrações natalinas da Europa Central, com feirinhas que se conectam ao longo de todo o centro da cidade no lado de Peste, de uma praça a outra.
Já em Buda, com a sua atmosfera mais quieta, há ainda outras feirinhas na área do castelo e do Bastião dos Pescadores.
Dá para pedir um Forralt bor, como eles chamam vinho quente em húngaro. E não é que eles copiem, é que muitas destas tradições aqui surgiram e daqui é que se espalharam Europa Central afora. Sabe aquele pão quentinho em formado de tubo com açúcar e canela (kürtőskalács)? Ele é originalmente húngaro.




2. Praga, República Tcheca
Praga é a mais bela capital medieval da Europa, onde os resquícios do século XIV seguem de pé. Sabe aquilo que eu falei no começo sobre o Natal ser esta época de pouca luz e de frio aqui no hemisfério norte, coisas a serem compensadas pela decoração vivaz e pelo calor humano?
Pois. É como se a atmosfera algo sombria e gótica de Praga, com suas torres angulosas, pontes de rocha escura e estátuas de santos em pedra agravasse aquele tom do inverno. Só que talvez mesmo por isso a “resposta” natalina seja ainda maior.
São muitas, muitas feirinhas de Natal cidade afora — quase em todas as praças deste centro histórico, tanto de um lado do rio quanto do outro. É tanto que eu cheguei a fazer um post só sobre Praga no Natal.
A cidade vira quase que uma Disneylândia natalina, só que pública. A quem não gosta de gente e lugares movimentados, evite (#fiqueemcasa). A quem gosta de folia, esta é a época e este é o lugar.




1. Estrasburgo, França
Alguns devem se surpreender de ver uma cidade francesa aqui no topo da minha lista. Afinal, os países latinos têm tradições natalinas distintas. Só que Estrasburgo é uma cidade que por muitos séculos foi alemã. Fronteiriça como é, trocou de mãos entre franceses e germânicos diversas vezes, e o que se tem hoje é um lugar de forte tradição germânica com um belo toque de elegância francesa.
Alguns a consideram a capital do Natal, e isso não é sem razão. Afora o fato de a cidade estar bem preservada e ser um charme, com seu centro histórico localizado entre dois braços de um rio, em dezembro ela se torna uma terra encantada de enfeites natalinos, casario decorado e lojas que dão vontade de você entrar em todas elas.
Talvez por estar assim na Alsácia, nesta terra que tanto já trocou de mãos, o quê nacionalista é menor, e talvez por isso Estrasburgo emane uma atmosfera de Natal universal — ou pelo menos europeia em geral. Embora seja francesa, não é Paris, e essa humildade (por assim dizer) se casa bem com o espírito da festa.
Estrasburgo é bela o ano todo, mas no Natal ela é fantástica.







