(Este será um post longo.)
Bem-vindos a Xian, talvez a cidade mais histórica que há na China, sua antiga capital imperial e o início da antiga Rota da Seda.
Hoje em dia, praticamente todo mundo já ouviu falar da Rota da Seda, a via comercial — que tinha múltiplos caminhos — por onde vinha a seda da China para o Oriente Médio e o Ocidente, trazendo também muitos outros produtos além do fino tecido. As frutas cítricas e o papel, que chegaram à Europa através dos árabes, para ficar em dois exemplos, vieram originalmente da China.
Pouco se fala de onde a rota tinha início, mas o grande posto comercial de largada era Xian (ou Xi’an, se quiserem insistir no apóstrofo que às vezes se usa), que por muitos séculos foi a capital do império chinês — quando Pequim nem existia. Pequim só aparece quando os mongóis ali estabelecem a sua capital, nos idos de 1200, após milênios de história chinesa.
E o que a China importava em troca de seda e do que mais vendia? Muita coisa. Comprava frutas secas, incensos, tapetes persas ou da Ásia Central, e importou com isso também o Islã. Houve todo um contrafluxo da Rota da Seda de que pouco se ouve falar, mas que aqui ainda é muito visível nos dias atuais — e que eu adorei conhecer de perto.


Xian, antiga capital da China
A China imperial teve muitas capitais ao longo da sua história. Às vezes, um novo imperador resolvia que ia transferir toda a corte — como se cada presidente determinasse que, agora, iria governar a partir de Belém do Pará, João Pessoa ou Porto Alegre.

Só que algumas se repetiam, ou perduravam por séculos como capital. Foi o caso de cidades como Luoyang e Xian, ambas nas vizinhanças do rio Amarelo, o mais importante do norte da China.
Os nomes também mudavam, como Curralinho virou Castro Alves e Mimoso do Oeste virou Luís Eduardo Magalhães na Bahia. Xian, que quer dizer “Paz do Oeste”, só veio a ter este nome com a dinastia Ming em 1369.
Antes, chamava-se Chang’an (“Paz perpétua”), já no tempo da dinastia Han (202 a.C – 220 d.C.) nos idos de quando Jesus Cristo viveu e também quando foi a capital da dinastia Tang (618-907 d.C.), considerada uma das eras de ouro da China.
Ainda antes disso, foi de pertinho daqui — numa cidade que já não existe — que governou Qin Shi Huang (259-210 a.C.), considerado o primeiro imperador da China.
Ele famosamente mandou construir para si um mausoléu pleno de guerreiros de terracota para protegê-lo no além. O lugar só foi redescoberto recentemente, em 1974, depois de dois mil anos fechado, e é naturalmente uma das grandes atrações históricas de Xian. O mausoléu fica fora da cidade, e na próxima postagem nós o visitaremos, depois de eu lhes mostrar a cidade em si.
Na Idade Média, Xian já era uma cidade imensa. As cidades chinesas já naquele tempo eram enormes — e muito mais populosas — se comparadas às cidades europeias à época. Ainda hoje, essas muralhas do século XIV são tão largas que hoje é possível passear de bicicleta sobre elas.




Bordejos em Xian, e vendo as principais atrações da cidade
Primeiras impressões
Eu desembarquei do trem na estação Xianbei (“Xian Norte”) vindo de Pingyao, uma cidade extremamente pitoresca, para Xian, uma cidade ainda mais histórica.
Eu cheguei a crer por um tempo que Xian seria uma Pingyao maior — uma cidade preservada, cheia de arquitetura tradicional, de ruelas antigas etc. —, mas não é bem assim. Xian é maior, bem maior que Pingyao, mas já tem uma outra atmosfera completamente diversa. Se Pingyao tinha o ar de cidade histórica retirada, quieta na aridez do norte da China, Xian já tem ar de metrópole. São nada menos que 9 milhões de habitantes.
Há um sistema de metrô extremamente funcional (e barato!), com o quádruplo da extensão do metrô de São Paulo (*cof, cof*), numa cidade essencialmente moderna, de grandes prédios cinzentos e largas avenidas. Só que ali pelo meio você tem preservados alguns monumentos de outras eras, como templos milenares, pagodes e estruturas medievais — inclusas aí as muralhas.
Muito grosso modo, é um tanto como visitar Roma, que é essencialmente uma cidade contemporânea, só que com monumentos de época aqui e ali.




Não se preocupem, o sino da torre já não badala mais. Eu não corria o risco de ser acordado por ele. Ainda que seguisse em funcionamento, estes interiores dos prédios chineses são tão isolados, no ar condicionado e com iluminação artificial o dia todo, que parecem ser mundos à parte das ruas.
Assim o meu humilde albergue, de dormitórios mil e frequentado por um misto de estrangeiros e outros chineses. Os funcionários não falavam inglês sem ajuda de aplicativo, mas tampouco eu lá precisava conversar com eles muito.
Depois de ter ficado num belo hotel em Pequim, com robô entregador e tudo, eu agora procurava equilibrar um pouco o orçamento — e também ter uma experiência diferente. Na China, eu vou logo adiantando, ao menos para os homens o que mais incomoda é o hábito persistente que eles têm de ainda fumar no banheiro. Não há banheiro masculino na China que não feda a cigarro — ou a “bom ar” posto por sobre o alcatrão.
Pequim, mal-afamada no Ocidente pelos seus dias impossíveis de ar poluído, havia me presenteado com céu azul e passarinhos enquanto que a histórica Xian foi quem me deu o calor-caldeirão da selva de pedra suada sob seus 30 graus úmidos em um princípio de junho. Experiências.

O Pagode do Grande Ganso Selvagem
Xian se revelava algo diferente do que eu havia imaginado, mas lidar com a realidade é preciso. É também por isso que eu viajo.
Não quer dizer que não haja atrações aqui, e a mais notável e antiga delas dentro da cidade é o Pagode do Grande Ganso Selvagem (Big Wild Goose Pagoda ou 大雁塔, Dàyàn tǎ), originalmente do século VII, o primeiro da dinastia Tang.
A dinastia Tang (618-907 d.C.) foi uma grande promotora do budismo na China. Acabou fazendo com que a religião de origem indiana se espalhasse até o Japão — junto com uma série de outras coisas da China Tang que os nipônicos adotaram, como os bonsai, o jeito de organizar as cidades e o hábito de comer de pauzinhos.
À China o budismo — que se origina lá no norte da Índia no século VI a.C. — já havia chegado desde o século II d.C., mas não era dominante. Foi aí que entrou em cena a figura de Xuanzang (602-664), um dos grandes viajantes da história.

Eu sei que a esta altura as pessoas já estão curiosas acerca desse nome. Acerca dele há muitas lendas e versões. Uma delas é que um grande ganso teria guiado Xuanzang no deserto, mas a mais elaborada é a de que monges famintos certa vez estivessem orando a Buda por alimento, quando apareceu um bando de gansos selvagens.
O maior dele, de repente, tombou morto, o que os monges interpretaram como uma dádiva. Entretanto, ficaram tão sensibilizados com aquilo que adotaram o vegetarianismo na sua tradição monástica. Enterraram o grande ganso morto aqui e erigiram um pagode no lugar.
Floreios à parte, Xuanzang é uma figura histórica que viajou por 17 anos rumo às origens do budismo e, ao voltar, debruçou-se a traduzir centenas de escrituras do sânscrito para o chinês. Registrou também suas andanças no tomo que ficou conhecido como Relato de viagem ao Ocidente à época dos Grandes Tang, concluído em 646 com suas passagens pela Ásia Central e pela Índia medieval. Desnecessário dizer que tenho uma admiração muito grande por estes antecessores nossos.
Foi um momento-chave para a difusão do chamado budismo Mahayana, seio onde surgiu a tradição Zen, China e Leste da Ásia afora. Hoje, há ainda um templo e toda uma área agradável onde se passear — e é possível também subir no pagode de sete andares onde as escrituras trazidas e traduzidas foram guardadas.





Paga-se 30 yuans (o equivalente a R$ 24 ou €4) para adentrar o complexo, e vale a pena. Não é pequeno, e acho que passei umas boas 2h ali zanzando.
Desci no metrô cuja estação já se chama mesmo Dayan Ta (“Pagode do Grande Ganso Selvagem”) pela saída C, na praça norte, e dei a volta até a frente propriamente dita do templo, na praça sul, onde está a estátua do grande monge viajante.
Dali você pode adentrar o complexo do templo que segue em atividade desde o século VII e, se quiser, paga outros 25 yuans (R$ 19 ou €3) para adentrar o entorno imediato do pagode. Claro que eu quis — os preços são módicos, e não é todo dia que eu venho cá.
Zanzei zanzei, de viola em bandoleira, ali por aquele espaço de jardins e pavilhões, e cheguei até a presenciar alguns monges entoando mantras num dos templos. Até que finalmente me aproximei e fui entrar no antigo pagode.





O entorno imediato do pagode tem alguns espaços com réplicas das escrituras traduzidas por Xuanzang e paineis ilustrativos do que teria sido o retorno dele à China — após 17 anos fora — carregado de imagens sacras budistas e escritos em sânscrito.
Já dentro do pagode não há muita coisa. O principal chamariz ali é mesmo a vista que se tem do alto — a quem se dispuser a queimar umas calorias subindo os sete andares de escadas. O lugar, entretanto, é amplo e bem-arranjado por dentro. Não imagine estar subindo uma rústica torre medieval europeia.




As Muralhas de Xian
Eu já observei acima que as muralhas de Xian, originalmente do século XIV, são imensas. Elas chegam a ter 18m de espessura na base e até 14m lá no alto dos seus 12m de altura. Estende-se por um grande retângulo de 3×4 Km do que é hoje o centro de Xian. Se você quiser caminhar — ou pedalar — por sobre toda a extensão da muralha, são mais de 13 Km para dar a volta.
Ela, evidentemente, é hoje uma das grandes atrações da cidade. Não é uma atração gratuita, entretanto. Eu paguei 54 yuan [o equivalente a R$ 40 ou €6,50] para subir. É um pouco caro para os padrões chineses, mas vale a pena. Vale pela vista singular, vale pelas edificações medievais restauradas, e vale já pela mera sensação de estar caminhando sobre as muralhas de Xian.
O melhor lugar onde fazê-lo é pelo portão sul (Yongning), que dá nome também à estação de metrô mais próxima. Sendo aí, foi para lá que eu fui após deixar o Pagode do Grande Ganso Selvagem.






A muralha de Xian é tão larga que mais parece uma avenida com as pessoas lá em cima a passear, a pé ou de bicicleta. Há uma seção exclusiva para pedestres e outra a partir da qual as bicicletas são permitidas, logo após uma bodeguinha onde se pode alugá-las.
Eu era dos poucos ocidentais naquela tarde de calor úmido sob o céu de chumbo, um tanto como nos verões do Brasil.


Todo o meu encorajamento a quem quiser andar de bicicleta na muralha. Parece legal, mas é por entre as pessoas que seguem caminhando — não, não há uma área ou faixa exclusiva para bicicletas no alto da muralha. Portanto, não é permitido ir muito rápido. Eu não fiz muita questão.
De quebra, o dia havia sido nublado, e já estavam caindo uns pingos esparsos. Eu, nascido e criado nos trópicos, conhecia de outros carnavais aquela dinâmica, e resolvi voltar a pé ao Portão Sul após dar umas voltas a pé.
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Não demorou a se dar o estouro da boiada. Os pingos aos poucos começaram a ficar mais frequentes, e com conhecimento de causa eu vi os chineses de repente rumarem em debandada para a mão francesa (chinesa?) do telhado da torre.
Foi daquelas chuvas de verão que batem forte e dali a 10 minutos passam, mas suficientes para encharcar legal. Quem estava de bicicleta deve ter ficado molhado feito pinto.


Na Ruela Defu, pondo algo no bucho
Descido da muralha, as ruas diante de mim encharcadas (mas não alagadas), era hora de eu fazer uma refeição e aproveitar para ver a famosa rua, ruela ou beco Defu, famosa entre os chineses pelos seus bares e vida social.
Na prática, é um calçadão onde achei um lugar onde comer do famoso macarrão de Xian — uma espécie de talharim ainda mais largo que o ocidental e que eles servem com uma diversidade de temperos e numa série de versões.
Eu já cheguei a comentar sobre a divisão cultural da China entre o norte que se alimenta muito de pão, macarrão de trigo e carne de boi — com muitas trocas de influências com a Ásia Central — e o sul, mais parecido com o Sudeste Asiático, com a sua alimentação centrada no arroz, assim como em aves e porco.
Aqui, estamos no norte, então não é surpresa para ninguém que um dos pratos mais tradicionais de Xian seja o macarrão com carne (Xian beef noodles). Como eu não como carne, fiquei com o macarrão — e os temperos diversos, que são quem dá a alegria.


Faceiro eu ia passando, até que escolhi um onde entrar. Não se surpreenda se vir gente fumando dentro dos restaurantes (aqui nem sempre é proibido), então achei um onde esse não fosse o caso.




O bairro muçulmano e as antigas torres de Xian
Um pouquinho de História
Chegamos aqui à minha parte preferida de Xian: o bairro muçulmano (Muslim quarter), no coração do centro antigo, próximo às medievais Torre do Sino (Bell Tower) e Torre do Tambor (Drum Tower).
Ambas datam da década de 1380, e foram erigidas ainda no princípio da dinastia Ming (1368-1644), a que ampliou as muralhas de Xian e procurou reestruturar muito do que havia sido mudado ou abandonado no período da dominação mongol sobre a China (1205-1368).

Os mongóis não eram muçulmanos, eram xamanistas (como o são ainda hoje), cultuando os espíritos da natureza e crendo na presença das almas em meio às pessoas.
Eles eram tão ecléticos que entrou para a história um debate que Mongke Khan promoveu em 1254 entre budistas, islâmicos e cristãos para ver quem fazia mais sentido. Dizem que terminou sem ninguém convencer ninguém, com o Khan concluindo que eram dedos diferentes de uma mesma mão.
Os muçulmanos já andavam aqui por aqui desde muito antes, desde os tempos da dinastia Tang (618-907), quando esta cidade ainda se chamava Chang’an.
Os Tang detiveram o aparentemente imparável avanço muçulmano na Batalha de Talas (751), lá no extremo oeste da China, no que é hoje o Quirguistão, mas não impediram que a fé islâmica nem as mercadorias persas e árabes chegassem aqui, e isso — este fluxo e contrafluxo da Rota da Seda — levaria a um dos intercâmbios mais notáveis da história.

A saber, os árabes venceram, e batalha marcou o limite da expansão imperial chinesa para oeste. Eles nunca mais chegariam tão longe — nem no tempo de máxima expansão dos Qing no século XIX nem no presente.
Dizem, inclusive, que foram dois soldados chineses feitos prisioneiros pelos árabes nesta batalha que os ensinaram — em troca da liberdade — a fazer papel, tecnologia que os orientais já dominavam há mais tempo e que seria instrumental para a explosão literária árabe dos séculos seguintes, nas suas grandes metrópoles como Damasco e Bagdá. Em tempo, através dos árabes o papel chegaria também aos europeus.
Os árabes também tiveram que frear a sua expansão, e já no ano seguinte — em 752 d.C. — houve o restabelecimento das relações diplomáticas e comerciais, que eram tão frutuosas.
Mercadores islâmicos vieram a Xian, e com eles veio a religião que muitos chineses acabaram adotando para si. Ainda hoje, mesmo com o atento controle exercido pela China moderna sobre a religião, estima-se que haja de 60-80 mil chineses muçulmanos aqui em Xian.


Pelo bairro muçulmano
Eu confesso ter ficado fascinado ao testemunhar de perto o legado deste contrafluxo da antiga Rota da Seda aqui em Xian. Não imaginava — a Globo não mostra, e as Super Interessante da vida ou programas de TV a cabo do meu tempo de juventude só falavam dos guerreiros de terracota. Aquela coisa de monumentos descontextualizados da realidade sociocultural de um lugar.
Cultura muçulmana, frutas secas, comidas centro-asiáticas e do Oriente Médio faziam-se presentes neste ponto de início (ou terminal) da Rota da Seda ao lado das coisas chinesas que foram parar no Ocidente, como num grande encontro.
Xian também foi o primeiro lugar na China onde trafeguei por estas feiras de comida que, eu depois descobriria, há à noite em muitas cidades país afora — neste caso, claro que com os toques dos intercâmbios culturais de outrora.




Caso alguém não tenha reconhecido, este é o chapeuzinho de Aladim, lenda que surge — e depois vai parar no clássico As Mil e Uma Noites — neste contexto da Rota da Seda e dos intercâmbios medievais entre o mundo árabe e o oriente.
Inclusive, se alguém atentar para o que é dito no princípio da história, ela se diz passar “na China”, que é o nome geral que os árabes usavam para denotar o atual Uzbequistão e todo aquele trajeto da Ásia Central até aqui.




A quem quiser uma palhinha maior das minhas andanças por este bairro muçulmano de Xian à noite (inclusive com a vendedora desse arroz roxo e amarelo no palito), confira o vídeo abaixo.
Eu quero só notar que, embora o bairro tenha este jeitão geral de medina, as pessoas aqui não são enrolonas, nem ficam pressionando você para comprar nada — diferente do que ocorre por aí afora, em toda aquela faixa que vai desde a Índia até o Marrocos. É nesta hora que se vê a importância dos valores. Aqui, numa das compras que fiz, o tio teve a oportunidade de me cobrar o dobro e não o fez.
Eu estou começando a aprender o som dos números em mandarim. O pagamento tipicamente é por aplicativo (sim, neste quesito, a China está, sim, muito digitalizada), e para facilitar a vida, os vendedores frequentemente têm um aplicativo que lê em voz alta o valor recebido — para não ter que largar o que está fazendo e ir olhar se recebeu “o pix” ou quanto foi que entrou.
Escutei “dezesseis” (shí lìu) quando o rapaz antes de mim pagou, e já ia fazendo o mesmo. Pus 16 no aplicativo de pagamento e mostrei a ele antes de confirmar. Ele disse que não, corrigiu pra 8, e eu me toquei que o cliente anterior havia pago por dois. É nessas horas que se mede o valor das pessoas, diante da oportunidade de levar vantagem ilícita, e eu fiquei bem impressionado com os chineses neste aspecto.
Era 22h, as pessoas se abanavam, e eu já não sabia se o calor era do tempo ou do tanto de chapa e forno preparando comida nas laterais da ruas por onde eu passava. Zanzei ali completamente imerso naquele ambiente de Xian que eu não sabia que iria encontrar.

Concluindo estas voltas em Xian: A Torre do Sino e a Torre do Tambor
Terminemos estas voltas por Xian com dois dos seus monumentos mais visíveis: as quase gêmeas Torre do Sino (Bell tower) e a Torre do Tambor (Drum tower). Era comum que todas as grandes cidades da era Ming (1368-1644) tivessem este par de torres, o sino para anunciar o início dos eventos e os tambores para sinalizar certas coisas à noite ou em emergências.
Ambas as daqui de Xian datam da década de 1380, e são exemplos primorosos do que foi a arquitetura Ming.
A Torre do Sino hoje se encontra bem num amplo cruzamento de avenidas, e você só chega a ela indo pelo subterrâneo, pela entrada do metrô. Não é preciso passar pela catraca do metrô — lá por baixo se vê fácil a entrada de acesso à torre em meio ao corredor subterrâneo em forma de anel e que permite que você saia em qualquer dos lados do grande cruzamento.
Paguei um valor de 30 yuan [R$ 22 ou € 3,50], mas vale a pena. Afora a arquitetura, a torre é linda de perto e rende também uma bela vista para a cidade e suas avenidas.
O inusitado foi que, neste caso, não era possível comprar via AliPay ou WeChat: foi preciso comprar online um ingresso pelo aplicativo da Trip.com e apresentá-lo aqui. (Único lugar em toda a minha estadia na China). Não sei o porquê, só sei que foi assim.



Esta é uma réplica do sino original (chamado sino Jingyun) feito no século VIII, na dinastia Tang, hoje conservado no Museu Beilin aqui em Xian.




Eu dali do alto da Torre do Sino assisti ao cair da tarde. Achei por bem então esperar o acender das luzes, e valeu a pena. É o melhor momento do dia para esta visita.
A multidão de jovens chineses a passear ia se aglomerando lá naquela praça do outro lado, com acesso tanto para a Torre do Tambor quanto as ruelas de barracas do Bairro Muçulmano — aonde eu acabei indo.


A Torre do Tambor é bastante parecida (são, afinal, contemporâneas do século XIV), e a internet e os guias digitais fazem um misturão danado mostrando uma em lugar da outra, mas elas não são idênticas.


Durante o dia, esta torre também está aberta à visitação a quem quiser subir, mas eu havia me contentado já com a Torre do Sino.
Xian é uma cidade que exige um mínimo de duas noites, de modo que você tenha pelo menos um dia inteiro para corricá-la. Se gosta de fazer as coisas mais devagarinho, acrença uma terceira noite.
Eu, tendo visto o Pagode do Grande Ganso Selvagem, a muralha, estas torres e o animado bairro muçulmano à noite, satisfiz-me. Xian se revelava um encontro incrível com a história da Rota da Seda e, em particular, com este contrafluxo cultural e material de que quase ninguém no Ocidente fala a respeito.
O que eu não poderia sair daqui sem ver, entretanto, era o mausoléu do antigo imperador Qin Shi Huang (259-210 a.C.) com as suas centenas de guerreiros de terracota — monumento devidamente tombado pela UNESCO como Patrimônio Mundial da Humanidade. Eu quis lhes mostrar primeiro que Xian tem um vasto peso histórico e é mais que isso, mas chegada agora era a hora de lhes relatar a visita ao mausoléu.





Meu jovem, que maravilha… linda a postagem…
Adorei a cidade…!… o mapa, com os produtos , as rotas, a História, o inicio do comercio, as idas e vindas da filosofia, as trocas culturais, a figura daquele sábio viajante de outrora, as trocas e influencias cruzadas, os pagodes os templos… uma maravilha… parece que estava la com o jovem viajante.
Lembrou um pouco Xangai.
A China é maravilhosa!…
O Oriente, como um todo… espetacular…
Parabéns pela postagem, pela escolha, pelo bom gosto…
Valeu…
Boa tarde ,Mairon, estou querendo seguir o seu roteiro por 25 dias em maio de 2027 chegando por Pequim e saindo por Hong Kong(que também você já conhece) mas consultando as IAs da vida fiquei na dúvida porque foi dito que para esse número de dias será necessário tirar o visto e por conta também das várias cidades em que vou passar. Mantidas as condições para entrada de brasileiros em 2027 essa informação está correta? Obrigado e já estou acompanhando as postagens na Provence que estão muito boas como sempre!
Bom dia, Flavio! Obrigado pela mensagem e que bom que segue acompanhando! Sempre bem-vindo.
Acerca da sua viagem de 25 dias, a IA aí alucinou. A política da China é de até 30 dias sem visto para brasileiros, independentemente de número de cidades etc. Ninguém vai lhe perguntar seu itinerário completo. Na verdade, você talvez ficará surpreso que os oficiais de imigração chineses são bem indiferentes, e nem de longe fazem o mesmo tanto de perguntas que fazem os oficiais europeus ou norte-americanos.
Não deixe de incluir Pingyao no seu roteiro, e sugiro também que você dê uma conferida em Lijiang (Yunnan) se conseguir. Eu devo postar sobre ela em breve!
Sucesso, e qualquer outra dúvida, estamos aí.