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China Sichuan

Visitando o Centro dos Pandas Gigantes em Chengdu, Sichuan, China

Nenhuma criaturinha da natureza talvez encante tanto as pessoas mundo afora quanto o urso-panda, uma espécie que já esteve ameaçada de extinção e se tornou ícone dos esforços globais de conservação. Desde 2016, ele já não consta mais na chamada lista vermelha de espécies ameaçadas, embora seja ainda classificada como “vulnerável”.

O “inha” de “criaturinha” é só pela afeição, porque os ursos-panda não são nada pequenos. Vendo-os de perto você percebe isso ainda com mais clareza. Endêmicos aqui da China, eles têm em média 100-115 Kg e 1,20-1,90m quando ficam em pé. Os machos são ligeiramente maiores que as fêmeas.

Como a espécie é nativa deste sudoeste chinês, fica aqui em Chengdu o mais famoso Centro de Pesquisa e Reprodução do Panda Gigante — um misto de jardim zoológico e parque temático que se tornou uma das principais atrações turísticas do país. “Gigante” porque há também o panda-vermelho, bem menor (e diferente), que eu acabei por conhecer aqui também.

Eu já lhes mostrei as atrações e ruas desta capital da província de Sichuan na minha longa postagem anterior em Chengdu. Entretanto, não há como uma vinda aqui estar completa sem uma devida peregrinação — conservacionista ou pela pura tietagem — aos pandas, para vê-los ao vivo e de perto.

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Opa. Cuidado, meu rapaz. Eu tenho certa restrição quanto a jardins zoológicos e animais em cativeiro, mas os ambientes aqui são bem enriquecidos, e o urso-panda é hoje um animal que, devido ao desmatamento e à erosão do seu hábitat natural, ainda depende de conservação.

O Centro de Pesquisa e Reprodução do Panda Gigante em Chengdu: Como é

Antes de eu descrever minha jornada até aqui, deixem-me só contar um pouquinho mais sobre este centro, o Centro de Pesquisa e Reprodução do Panda Gigante em Chengdu (Chengdu Research Base of Giant Panda Breeding, ou 成都大熊猫繁育研究基地).

Eu comentei no post anterior que se Pequim é a China imperial, Pingyao (província de Shanxi) e Xian (Shaanxi) são a China de Aladim e da Rota da Seda, da Ásia Central, e Sichuan é a China dos bambuzais, templos e construções de madeira. Por conseguinte, é também a China do urso-panda.

WWF logo
O panda acabou se tornando um símbolo da conservação mundial. Virou o logo da WWF, organização conservacionista.

Nativo aqui desta região da China, o animal viu viu a sua população encolher para meros 1000 e poucos indivíduos restantes na natureza.

Para efeito de comparação, mesmo as onças-pintadas — animal quase ameaçado e já não visto em muitas partes da América do Sul — ainda conta com cerca de 10-15 mil indivíduos na natureza, sobretudo na Amazônia. Dos ursos-pandas, resta só um décimo disso.

Assim sendo, foram criados na China, desde os anos 80, centros de reprodução assistida e estudo da espécie, para eventual reintrodução no ambiente natural (após uma espécie de treinamento, com altas taxas de sucesso).

O panda tem uma reprodução vagarosa, só um filhote por vez, então é um processo lento, mas o maior êxito foi mesmo a popularização da causa da espécie, que viu seu território desaparecer junto com tanto das áreas naturais da China, dando lugar a agricultura e infraestrutura.

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O Centro de Pesquisa e Reprodução do Panda Gigante em Chengdu (Chengdu Research Base of Giant Panda Breeding, 成都大熊猫繁育研究基地). Meio parque temático, meio jardim zoológico especializado, ele atrai milhões de visitantes da China e do mundo afora.

O ingresso e as dicas de quando vir

Visitar este parque que faz as vezes de centro de pesquisa, ou centro de pesquisa que faz as vezes de parque, não é difícil (uma vez que você já esteja em Chengdu). Requer apenas um básico de planejamento. 

O ingresso comprado através de um mini-aplicativo chinês saía por ¥55 (yuan). Você vê os chineses lendo QR code com o celular e comprando por ali, mas abre uma página meio inacessível aos estrangeiros não-versados, então o mais simples mesmo é comprar o ingresso pelo Trip.com — um dos aplicativos úteis que eu listei para uma viagem pela China. Saiu-me ¥68, o equivalente a €6 ou R$ 40. Dinheiro muito bem gasto.

O segundo aspecto é que é preciso vir cedo, logo nas primeiras horas da manhã se você quiser ver bem os pandas, e de preferência num dia em que não faça calor. Eles se escondem quando está mais de 24 graus. Abre às 7:30, então procure vir já logo nessa primeira hora.

O terceiro e último aspecto é que fica fora da cidade. Há transporte coletivo para tudo na China, mas aqui é mais seguro vir de táxi ou Didi (o aplicativo chinês que faz as vezes do Uber). Direção: South Gate, o portão principal.

Às vezes, o Didi não permite que você marque o lugar, por restrições de tráfego, em cujo caso você precisa tomar um táxi ou parar o mais perto possível e caminhar. Aventuremo-nos!

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O acesso, como sempre na China nestas atrações grandes, se dá através dos portões de segurança. Como de não hábito, não há ingresso físico nem digital: você vem com seu passaporte, cujos dados forneceu no ato da compra.
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A esquerda era a entrada para estrangeiros, entry without ID card, já que os chineses usam suas carteiras de identidade em lugar do passaporte. Era um dia nublado, quase de inverno.

Rumando até lá

Um dia frio, um bom lugar para ver um panda, como cantou Djavan. Não é comum eu me alegrar ao ver que o dia será nublado e meio “meh” de temperatura, mas sempre há exceções para tudo. 

Levantei-me para 19ºC naquela amena manhã de junho, de que os pandas haveriam de gostar. Por sorte, o café da manhã na pousada onde eu estava se iniciava já às 7:00 — e era daqueles cafés da manhã asiáticos que fazem você se arrepender de não permanecer mais tempo.

Embora eu estivesse ficando numa cama de dormitório para economizar, o café da manhã aqui da Xishu Garden Inn batia alguns hoteis brasileiros (com aqueles fastidiosos cafés da manhã sempre iguais, só de molho de cachorro-quente e ovo mexido).  

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Um belo macarrão de arroz. Os cafés da manhã na Ásia são como as demais refeições. Pouco difere de um almoço.
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Bolinhos no vapor (bao), geralmente com carnes, legumes ou cogumelos dentro.
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Estão servidos?

Servi-me bem, vi que o Didi não queria aceitar eu marcar a corrida até o portão sul (South Gate) da entrada do parque, e optei por sinalizar na rua mais próxima a um dos táxis que passavam.

Parou um, e eu mostrei ao motorista no celular o nome escrito em chinês. (O índice de alfabetização aqui é alto). Ele fez que entendeu, e tomou rumo. Mais adiante, virou para mim mostrando no telefone uma foto de um panda para confirmar se era aquilo ali mesmo. Seguimos nós Chengdu afora naquela manhã cinzenta.

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Tomei meu café e tomei rumo. Não demorou a passar um táxi livre, e Chengdu estava assim de manhã.

Tomamos a Avenida Panda (claro), e a corrida não me custou mais que ¥30, o equivalente a € 3,70 (mais barato que a passagem de ônibus em Estocolmo, onde moro) ou R$ 23, mais barato que muito Uber até em Feira de Santana.  

Pelas 8:00 da manhã eu estava lá, à entrada do parque dos pandas em formato de cabeça de panda com alguns ambulantes ao redor vendendo souvenirs de panda. Não resta dúvida de que a economia simbólica de Chengdu gira em torno do animal.

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À entrada do parque, vendedores ambulantes de lembrancinhas. Em Chengdu, toda esquina tem coisas de panda vendendo (pandas de pelúcia, mochilinhas infantis, canecas, etc., além de ocasionais referências cartunescas a Kung Fu Panda), e às vezes lojas inteiras especializadas.

A visita ao centro de conservação dos pandas

Parece que você está entrando numa mistura de jardim botânico com parque temático da Disney — o tema obviamente sendo o urso-panda.

O lugar é enorme, e eu já adianto que é improvável que você o percorra todo. Tampouco é necessário, já que o parque inteiro é sobre um único tema. Via de regra, depois da primeira ou da segunda hora da visita, as pessoas começam a sossegar, a ir procurar as lojinhas etc.

A infraestrutura é boa. Por todos os lugares há lixeiras, banheiros, bancos onde se sentar, centros com lanches, sorvetes, lojinhas de souvenirs, etc. Não há um roteiro específico, então você pode zanzar a gosto pelos caminhos que há entre as áreas cercadas onde os animais ficam. No caso do panda-vermelho, ele é menor, sobre em árvores e fica solto circulando — mas nós chegaremos lá.

Passei pela segurança, o meu passaporte foi lido sem problemas na máquina, e no centro de visitantes a senhora do balcão de informação foi me dizendo que não havia English map, só em chinês no WeChat. Não fiz questão. Há placas com mapas analógicos parque afora. Vamos à moda antiga.

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Mapa do vasto parque em Chengdu onde ficam os pandas. A entrada principal é ali pela parte de baixo, pelo Portão Sul.

Adentrei com o povaréu chinês naquele começo de manhã, no que parecia um pouco saldão em lojas de departamentos, quando há promoção e as pessoas ficam esperando a loja abrir. A sorte é que o parque é amplo, mas você tem aquela mesma sensação de ir avançando parque a fundo com o povo, um tentando caminhar mais rápido (eu) que os demais.

Os afamados grupos chineses chegam cedo, e ninguém consegue ver em paz se os melhores pontos de observação já estiverem tomados. Ademais, é um certo trabalho de busca, porque os espaços dos pandas têm espaços internos e externos. Não é sempre que eles estão nas áreas abertas. 

Demora um pouco até você ver o seu primeiro panda, e a dica que eu dou é que não se detenha demais no primeiro panda que vir. Via de regra, as pessoas se detêm ali, mas há oportunidades mais vazias mais adiante nestas primeiras horas de abertura.

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Adentrando pelos lindos bambuzais do parque.
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Os caminhos e veredas do parque são assim.
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…mas não é raro que fiquem assim quando os grupos chegam. É preciso ter aí a destreza de evitá-los.
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Senão a coisa fica assim, e você não vê nada direito.
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Vamos entrando. Você vê bastantes fotos e placas sobre pandas antes de ver os pandas propriamente ditos.
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Naquela manhã em Chengdu — e olha um panda ali atrás.

Eu nunca fui especialmente fascinado pelos ursos-pandas (da forma como algumas amigas minhas são, por exemplo). Sempre gostei dele na simples mesma medida em que gosto de outros animais, mas é preciso admitir que eles têm, sim, um jeito mais carismático que a mídia. Não é à toa — nem de todo uma coisa fabricada — esse xodó todo que eles causam.

Eles são mesmo cabeçudos e gordos, como nos cartuns. São brincalhões, sobretudo os pequenos, e com um jeito meio pesado e atrapalhado. Tomam cambalhotas. Tentam subir na árvore e escorregam. Um grande só comia sentado feito uma pessoa gorda fazendo refeição de boa, e pegam lutas amistosas feito cachorros.

Comem brotos jovens de bambu, e pareciam não dar a mínima para as centenas de pessoas que os observa — entre elas, hoje excepcionalmente, eu.

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Os pandas ficam em diferentes grupos, em áreas cercadas assim. Não há margem para encostar neles.
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Simpático urso-panda (Ailuropoda melanoleuca). Eles são cabeçudos, e podem chegar a pesar 100-115 Kg.
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São bastante hábeis, e sobem e descem, apesar do peso.
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Olha a folga deste aí.

É preciso reconhecer que, talvez pelo porte, talvez pelas peripécias, assistir aos pandas pode ser um verdadeiro entretenimento. 

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Aquele ali se atrapalhava um pouco entre os troncos.
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Estes dois jovens aqui pegavam picula feito cachorros. Um tentava subir na árvore e o segundo, quando não conseguia, puxava o outro para baixo.
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Embora seja classificado como carnívoro, como os demais ursos, a dieta do urso-panda consistem 99% de bambu, sobretudo brotos, que são mais nutritivos.
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Este aqui sentado parecia alguém chupando cana.
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Não há como negar que são fotogênicos.
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Chinesa com orelhas de panda na cabeça e tirando fotos.

O panda-vermelho

Os pandas aqui recebem nomes, e nomes meio à moda dos orientais, tipo dois irmãos que são “sol” e “lua”, e coisas assim.

Você pode passar o tempo que quiser os observando, mas lá pelas 9:30 – 10:00, você já vê as pessoas se aquietarem mais e sentarem para merendar algo. Começa a dar sensação de que você já viu o que era para ver. Não é preciso percorrer a área inteira, já que é um animal só, e depois de um tempo começa a ser mais do mesmo.

Assim sendo, fui chupar um picolé de manga (em formato de urso-panda, claro, e por isso mais caro do que deveria) e zanzei pela parte mais educativa, mais voltada ao público infanto-juvenil, com aquelas curiosidades tipo “Você sabia?”. 

A exceção a essa homogeneidade é o panda-vermelho, um outro animal, e que eu não queria sair daqui sem ver.

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Os pandas-vermelhos ficam soltos numa certa parte do parque.

O panda-vermelho (Ailurus fulgens) é um outro tipo de mamífero, que não é da família dos ursos (ele tem uma família própria sua), e mais próximo dos gambás, quatis e guaxinins que do panda gigante.

Inclusive, o nome “panda gigante” advém do fato de que este panda-vermelho foi descrito antes pelos naturalistas. Isto é, foi ele o primeiro a receber o nome de “panda” (um nome cuja etimologia não é clara, mas que parece vir do nepalês). Daí foi que o panda preto e branco, bem maior, acabou apelidado de panda gigante.

O panda-vermelho segue ameaçado de extinção. É um animal de seus 60cm de corpo e mais uma longa cauda peluda. Verdade seja dita, é um animal lindo, que parece uma obra de arte — e também tem o seu quê meio cartunesco.

Talvez eu tenha jogado muito video game na infância, mas parece que ele é algum personagem daqueles jogos de aventura em que no trajeto você encontra o sábio animal falante de personalidade meio jocosa e que lhe dá alguma dica.

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O matuto panda-vermelho com sua linda cauda a nos observar de lá de cima. Parecia até estar prestes a fazer alguma indagação ou a emitir um conselho sábio.
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Olhe o pêlo…
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…e a fofura que ele é.
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O panda-vermelho em Chengdu, China.
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Meu picolé de manga em formato de panda no parque.
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Uma das áreas lúdicas que há, com lanchonetes, brinquedos para as crianças etc. Tudo tematizado de panda, claro.

Lá pelas 11h da manhã eu estava saindo, depois de muito rodar. Foram umas boas três horas dentro do parque, incluindo aí belas pausas. Não o vi todo, nem fui até a outra ponta, mas me satisfiz. Como eu disse, depois da segunda hora, pode começar a ficar repetitivo, e você atinge aquele ponto de saciedade.

Saí e atravessei a praça externa até um shopping do outro lado, onde eu tinha direito a um tal de um brinde, cortesia do ingresso comprado pelo Trip.com.

Eu cogitei até deixar para lá, mas estava curioso e fui atrás.

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Eis o brinde, um chaveirinho que levo guardado de lembrança. A principal lembrança, claro, era de fato a memória destas horas de visita aqui, vendo de perto um dos animais mais emblemáticos do mundo, e símbolo da China.

Epílogo

Eu saí do parque — o lugar secreto a que me referi no post anterior — e retornei num ônibus ao centro de Chengdu, a visitar a Rua Jinli e as demais paragens que lhes mostrei lá. Sichuan ia se revelando um canto simpático da China, cheio de personalidade e bem hospitaleiro.

Era, entretanto, chegada a hora de rumar a outros recantos do país. Após mais uma noite em Chengdu, eu tinha um trem a apanhar para Guilin, mais ao sul — outro dos lugares famosos para se ver na China. (Curiosamente, este me foi sugerido numa entrevista de trabalho com uma diplomata brasileira, naquela hora em que o papo vira para generalidades.)

Quando soube que eu sairia antes de o café da manhã começar, a moça da pousada gentilmente ofereceu preparar uma marmita de coisas que eu levasse para comer no caminho. Foi falando em torradas, iogurte… Eu bem que preferiria um belo macarrão frito, mas é inevitável: eles olham a nossa cara ocidental e presumem que nossa alimentação é toda feito a dos europeus e norte-americanos.

Como “cavalo dado não se olham os dentes”, aceitei por cortesia, mas perguntei se não poderia levar algo salgado, ao que ela me retrucou com “Talvez a gente possa preparar uns sanduíches”. Sugeriu bacon, ao que eu disse que não comia carne. “Podemos pôr uns legumes então”, e foi lá dentro perguntar na cozinha o que era possível.

— “Podemos fazer pão com pepino”, anunciou ela ao voltar. (Tá me zoando. Como não ocorre à pessoa que “pão com pepino” é das coisas mais insossas que se concebe? Treme a terra de Sichuan diante de tamanha ofensa ao sabor.)

— “Ou pão com ovo, talvez?”, sugeri tentando melhorar. 

Veio um pão com ovo cozido e pepino dentro. É o que temos — agradeci e tomei meu rumo —, mas como Sichuan tem mais do que isso, como numa versão chinesa do “O que é que a baiana tem?”, eu me achei um belo prato de berinjela temperada com arroz na estação de trem. Agora, sim, estamos conversando.

Vi ainda um Tim Hortons na estação de Chengdu, franquia da rede de cafeterias canadenses que eu não via desde que fui embora do Canadá em 2008. Surreal. Nostalgia, memórias… a vida também é feita delas, e e eu estava a caminha de formar mais umas. Revejo-os em Guilin, em algum lugar ao sul daqui.

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Meu prato de berinjela temperada com arroz à moda de Sichuan. Você deixa Sichuan, mas Sichuan não o deixa jamais.
Mairon Giovani
Cidadão do mundo e viajante independente. Gosta de cultura, risadas, e comida bem feita. Não acha que viajar sozinho seja tão assustador quanto costumam imaginar, e se joga com frequência em novos ambientes. Crê que um país deixa de ser um mero lugar no mapa a partir do momento em que você o conhece e vive experiências com as pessoas de lá.

One thought on “Visitando o Centro dos Pandas Gigantes em Chengdu, Sichuan, China

  1. Meu jovem, que fofura… lindinhos os pandas… são fofíssimos… e que parque agradável!…
    Eles são mesmo uma gracinha… Tanto os grandes, branco e preto como os pequenos vermelhos… Lindíssimos…
    E quanto verde… agradabilíssimo o parque…
    Amei a postagem…
    Tudo lindo…
    E que comilança com cara ótima…
    Pelo visto é muito frequentado o parque…
    Maravilha esse esforço para conservar esses animaizinhos tão inspiradores.
    Dá vontade de ir vê-los e ficar por aí um tempo.
    Linda a região, belos os bichinhos e pelo visto muito acolhedor o passeio, e bem concorrido pelos naturais da região..
    Linda a região e agradável o passeio.
    Emocionante vê-los em seu habitat natural.
    Adorei …Eita China charmosa…
    Atrativa sob vários aspectos, particularmente pelas ótimas comilanças , pela História secular, pelos maravilhosos templos e cultura e agora por essas figurinhas lindas que emocionam o mundo inteiro por sua doçura e performance…
    Parabéns pela escolha dessas maravilhosas viagens.
    Amo essas postagens…
    Obrigada!…
    A sua amiga aqui, se pudesse, estaria sempre la pelo Oriente.. Fascinante!…
    Valeu meu jovem viajante…
    É isso ai…
    Viajar é preciso…

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